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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os fariseus não têm misericórdia

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque daí o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé” (Mt 23.23).

[....] A quem Jesus estava dirigindo Suas Palavras e qual o teor destas Palavras? Sem dúvida compreendemos que Jesus se dirigia aos escribas e fariseus, e não a cristãos (como muitos afirmam); tanto, que Jesus não os tratou pelos seus próprios nomes, mas pelo título da sua religião! Esses homens, vivendo o judaísmo regido pela Lei, confiavam na sua própria justiça e capacidade, no que tange à guarda da Lei. Apresentavam-se à Jesus nas condições de perfeitos, ostentando hipocritamente grande santidade e confiança nas suas próprias obras de justiça; enquanto isso não aceitavam a autoridade divina de Jesus [Disponível http://www.odizimoeagraca.com/capitulo3.php - Extraído no dia 13/06/2012].

Os fariseus nos dias de Jesus eram autoridades eclesiásticas que tinham poder para julgar o povo segundo a lei mosaica, mas usavam um critério rústico, um zelo cego, pesado, sem amor e sem misericórdia. Jesus vendo esse critério os repreende dizendo:

“Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocausto; pois não vim chamar justo, e sim pecadores, ao arrependimento” (Mt 9.13). Já nos tempos antigos o Senhor Deus repreende os sacerdotes exigindo misericórdia: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Oséias 6.6).

A Igreja é de Jesus e não do homem. O Espírito Santo constitui ministros para apascentar e ministrar corretamente a Palavra. Não temos o direito de dirigirmos conforme nossas tradições.

A fé sem o conhecimento pode resultar em fanatismo e heresias. O conhecimento sem fé é intelectualismo ou legalismo. Imaginemos que alguém tem fé, conhecimento, mas não tem amor. Tal pessoa pode ser perigosa, tornando-se um manipulador e até mesmo agressor.

Quando Tiago e João quiseram pedir fogo do céu para destruir os samaritanos, eles demonstraram que tinham conhecimento e muita fé, mas nenhum amor ao próximo, nenhuma bondade, nenhuma paciência, nenhuma misericórdia, nenhum domínio próprio. Felizmente, Jesus impediu aquela tragédia e, mais tarde, aqueles discípulos aprenderam a amar.

O apóstolo do amor nos ensina dizendo: “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.9-10). “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará” (1ª Co 13.4-8).

I.        SÃO LOBOS CRUÉIS QUE NÃO PERDOARÃO O REBANHO



O apóstolo Paulo, que defendeu o direito da igreja dos gentios de liberdade em relação ás tradições judaizantes, também foi ardoroso combatente contra os falsos ensinos e manifestações, quer carnais, quer sobrenaturais, que não estavam de acordo com a fé cristã.

A preocupação de Paulo em sua mensagem pastoral para os ministros de Éfeso era:

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com seu próprio sangue. Eu sei, que depois de minha partida, entre vós penetrarão lobos devoradores que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20.28-30).

Paulo nos ensina dizendo que o rebanho é de Deus que deve ser apascentado por quem o Espírito Santo constitui bispos. Pois foi remida pelo sangue o de Jesus (v. 28); Mas que do seu meio da igreja se levantaria homens perversos.

Paulo diz para os líderes espirituais que devem olhar primeiramente para si mesmos e depois para o rebanho; que devem vigiar, e lembrar o exemplo apostólico; que a Palavra de Deus seria sua suficiência. Que deviam seguir o exemplo de trabalho que ele deixara; que lembrassem as palavras do Senhor Jesus (não menciona nos evangelhos) “Mas bem-abenturada coisa é...”.

Jesus deixa-nos o exemplo de Bom Pastor dizendo: “Eu sou o Bom Pastor; e o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, se vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora o mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado das ovelhas” (Jo 10.11-13).

Jesus declara que Ele é o Bom Pastor prometido nas profecias. Esta metáfora de Jesus como Bom Pastor ilustra o cuidado terno e devotado que Ele tem pelo seu rebanho. É como se Ele disse: “Eu sou, para com todos aqueles que crêem em Mim. O que um bom pastor é para suas ovelhas; cuidadoso, vigilante, amoroso e misericordioso”.

Mas o mercenário, o falso pastor, não tem o cuidado devido e o verdadeiro amor palas ovelhas de Cristo. Na qualidade de mercenário é também um lobo. O lobo parece com a ovelha e até finge ser ovelha, mas é lobo devorador.

O mercenário é frio para suas ovelhas, não perdoa e não tem misericórdia. Seu coração está voltado para o materialismo, para suas idéias, tradições, se você não faz como ele quer, ele te coloca para fora, isto é, dispersa, refuga ou exclui do rol de membros, isto porque é o mercenário.

A palavra no original grego é apascentar, guardar, cuidar, pastorear e ensinar o rebanho, segundo a Palavra do Senhor e com amor e carinho.

Na parábola dos dois servos, em Mt 24.45-51, Jesus diz que o mal servo (o falso ministro), espancava os seus conservos. Isto prova a crueldade e a falta de amor fraterno, e mais, a falta de temor, pois a Igreja é do Senhor e não minha, mas Daquele que deu o seu sangue para seu resgate. No final desta parábola Jesus diz que virá o Senhor daquele servo num dia que o não espera, e separá-lo-á, e destruirá a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes. Jesus virá para separar os lobos das ovelhas, o joio do trigo, e lançará no lago de fogo, aonde o bicho nunca morre. Por esta razão o mestre Jesus nos advertiu dizendo: “Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16.6).

O maior exemplo de misericórdia e amor o mestre Jesus deixou-nos quando os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Embora a lei ordenasse que apedrejasse, Jesus diz: “Atire a primeira pedra àquele que nunca pecou” (João 8.3).

Os fariseus eram homens de uma falsa religiosidade. Entretanto, devemos saber que: O amor, a fé, e a misericórdia devem ser a suprema excelência do pastor.

Deus prefere ser compassivo em lugar do cumprimento meticuloso das leis. A misericórdia deve ser um dos atributos do líder. “Finalmente, sede todos de igual ânimo compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes. Não pagando mal por mal ou injúria por injúria...” (1ª Pe 3.8, 9).

Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-35), Jesus nos deixa outro exemplo de misericórdia e amor.

Durante cerca de 800 anos, os judeus não se davam com os samaritanos, porque em 722 aC, Salmanezer ou Sargão II, rei da Assíria, tomara Samaria e misturara seus habitantes com babilônicos e sírios, que trouxeram suas tradições e crenças religiosas contrária as dos judeus. E por esta razão os judeus nem sequer se cumprimentavam ou olhavam para um samaritano. Mas, o que me chama atenção que Jesus não contou está parábola para o povo que vinha para lhe ouvir, ou uma pessoa qualquer, mas a um mestre religioso, um “fariseu intérprete da lei” (v.25).

O homem assaltado não é qualificado. Ele é um anônimo. Podia ser um mero viajante, um peregrino, um desempregado, etc. Quem socorre o homem moribundo não foi o sacerdote fariseu conhecedor da lei, nem o levita distinto na casa de Deus, mas o samaritano, o inimigo dos judaizantes, o pecador, desprezado. Este desce de seu cavalo, cuida de suas feridas, coloca óleo e vinho nas suas feridas, põe na sua cavalgadura, leva até a hospedaria (que representa a Igreja), paga sua hospedagem e ainda diz: “cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu te indenizarei quando voltar” (v. 36).

Muitos se dizem religiosos, mas evitam se comprometer com os problemas dos outros. O nosso círculo de amor não deve ser limitado aos nossos familiares, colegas e amigos. Jesus procura mostrar aos fariseus que o nosso “próximo” é todo aquele que necessita de auxílio e podemos ajudar. A verdadeira fé é a prática do amor (Tg 1.27), e misericórdia.

O amor é uma necessidade de sobrevivência. É o principal e grandioso sentimento mutuo da humanidade, mas o mais difícil de ser compreendido e vivido pela maioria dos cristãos nos dias de hoje.

A essência do amor perde-se nas cobranças exageradas, incompreensões, desconfianças e preocupações do cotidiano. Muitos buscam a igreja para encontrar o verdadeiro amor, mas desvanecem por ver aqueles que só buscam os seus interesses pessoais.



As cobranças exageradas são atitudes mascaradas de amor que os líderes utilizam para justificar o excesso de zelo e preocupações com a igreja; ignorando que é preocupações próprias e imaturas, o que acabam por gerar um jugo sobre a igreja. (Mt 23.1-5).

Os “líderes” costumam dizer que são representantes de Deus na terra, para mantê-los sob seu controle e satisfazer seus próprios anseios.

O “ministro” sem misericórdia se torna um ditador, se assenta em um trono como se fosse um rei e sua palavra é a única fonte de verdade. Mas, o verdadeiro ministro se conhece pelos frutos do Espírito (Gl 5.21-22).

II.     O VERDADEIRO MINISTRO SE COMPADECE DOS PECADORES

O ministro deve ter simpatia, ou seja, capacidade para compartilhar as alegrias ou as tristezas das pessoas que lhe procuram e, ao mesmo tempo, ter capacidade para se colocar no lugar do outro. Só quem tem essas qualidades pode ser um intercessor.

Duas qualificações são necessárias para um verdadeiro ministro.
1.      O ministro deve ser compassivo, manso e paciente com aqueles que se desviam por ignorância, por pecado involuntário e por franqueza.
2.      Deve ser designado por Deus. Cristo cumpriu esses requisitos e nós ministros devemos ser seus imitadores.

O verdadeiro pastor é aquele que aprendeu com o mestre nos seus ensinos a buscar a ovelha perdida, curar a machucada, e cuidar das fortes. O ministério de um pastor é fazer aliança e não divisão e contenda.

Existem dois padrões de perfeição: o humano e o divino. Ou seja, enquanto tantas vezes somos implacáveis com as pessoas que falham conosco, Deus é paciente e longânimo; enquanto colocamos condições para amar, o amor de Deus é simplesmente incondicional. Deus nos ama por aquilo que somos e não por aquilo que fazemos.

Um dos maiores equívoco do fariseu, é que ele faz o que não tem que fazer e com isto acaba deixando de fazer o que realmente deveria, ou seja, na luta para ser aceito e amado ele deixa de amar. Cumpre todas as regras e se esquece do mandamento que resume toda a lei moral de Deus.

Este duplo erro é conseqüência de um forte bloqueio na sua compreensão acerca da graça divina. Precisamos cada vez mais entender a importância de recebermos o que Deus nos concede gratuitamente. É preciso quebrar esta mentalidade que nos foi introduzida pelas religiões onde temos que merecer o amor de Deus.

Não devemos confundir resultados com frutos. Um dos problemas dos fariseus é exigir resultados sem ter fruto do Espírito. Na verdade, espiritualmente falando, não adianta forçar resultados exteriores se o caráter não for trabalhado.

Pr. Elias Ribas
Igreja Assembléia de Deus
Blumenau - SC

Fonte: http://www.blog-emunah.com

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Perguntas que os evangélicos não querem responder

 Por favor, alguém pode me explicar por que palavras como “paixão”, “fogo”, “glória”, “poder” e “unção” vendem muito mais CDs do que “graça”, “misericórdia” e “perdão”?

Por que aqueles que mais falam sobre “prosperidade” evitam sistematicamente textos como Tiago 2:5, I Timóteo 6:8 e Habacuque 3:17-18?

Por que se fala tanto em dízimo, defendendo-o com unhas e dentes, mas quase nada se fala sobre ter tudo em comum e outras coisas como “ajudar os domésticos na fé” e “não amar somente de palavra e de língua mas de fato e de verdade”? Em qual proporção a Bíblia fala de uma coisa e de outra?

Por que em Atos 4, quando os apóstolos foram presos, a igreja orou de forma tão diferente do que se ora hoje? Por que não aproveitaram a ocasião pra “amarrar o espírito de perseguição”, pra “repreender a potestade de Roma”, ou coisa semelhante?

Por que Atos 2:4 é muito mais citado como modelo do que era a igreja primitiva do que Atos 2:42?

Por que todo mundo sabe João 3:16 de cor, mas tão pouca gente sabe I João 3:16?

Por que 90% ou mais dos cânticos congregacionais modernos são na primeira pessoa do singular (EU), quando a proporção nos salmos é muito menor?

Por que todo mundo aceita que Jesus curou e colheu espigas no sábado, aceita também que Deus ordenou que seu povo matasse vários povos rivais, mas se escandaliza absurdamente quando alguém diz que Raabe fez certo ao mentir para preservar duas vidas? O que vale mais, em situação de conflito, que um soldado pagão saiba a verdade ou a vida de dois homens? Será que se Raabe tivesse dito a verdade, teria sido elogiada em Hebreus 11?

Por que quase tudo que se vende numa livraria cristã foi produzido nos últimos 50 anos, se nosso legado é de 2.000 anos de História do Cristianismo? O que aconteceu com os outros 19 séculos e meio?

Por que os cristãos creem que o homem foi nomeado por Deus como o responsável pela criação, e que tudo que Deus criou é bom, mas são os esotéricos os que mais lutam pela defesa do meio-ambiente?

Por que todos os ritmos de origem na raça negra até hoje são considerados por alguns como diabólicos?

Por que se canta tanto sobre coisas tão etéreas como “rios de unção” e “chuvas de avivamento”, ao passo que Jesus usava sempre figuras do cotidiano para ensinar, como sementes, pássaros e lírios?

Por que se amarra, todos os anos, tudo quanto é “espírito ruim” das cidades, fazendo marcha e tudo, mas as cidades continuam do mesmo jeito? Aliás, se os “espíritos ruins” já foram “amarrados” uma vez, por que todo ano eles precisam ser “amarrados” de novo?

Por que se canta todos os dias “Hoje o meu milagre vai chegar”? Afinal, ele não chega nunca? Que dia está sendo chamado de “hoje”?

Por que Jó não cantou “restitui, eu quero de volta o que é meu”, nem declarou ou amarrou nada, muito menos participou de “campanha de libertação” quando perdeu tudo?

Por que nós nunca vamos ao médico e pedimos, “doutor, dá pra queimar essa enfermidade pra mim por favor”? Por que então se ora pedindo isso pra Deus? Seria correto orar assim pra Deus curar alguém enfermo por causa de queimadura?

Por que não se faz um mega-evento evangélico, desses que reúnem um milhão de pessoas ou mais, pra fazer um mutirão para distribuir alimentos aos pobres ou ainda para recolher o lixo da cidade? Aliás, por que se emporcalha tanto as cidades com óleo e outras coisas nos tais “atos proféticos”? Não seria um melhor testemunho limpá-la ao invés de sujá-la?

Por que as rádios evangélicas tocam tanta coisa produzida por gravadoras ricas e nada produzido por artistas independentes?

Por que se faz apelo ao fim de uma “pregação” que não fez qualquer menção ao sangue, à cruz, ao arrependimento, ou sequer ao pecado?

Por que Deuteronômio 28:13 (“o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda”) é tão citado, ao passo que I Coríntios 4:11-13 (“somos considerados como o lixo do mundo”) ninguém gosta de citar?

Será que ninguém percebe que algo anda muito errado com o evangelicalismo brasileiro?

Eu só queria saber…

Fonte: Leonardo Gonçalves no Púlpito Cristão

Porque Deus matou Ananias e Safira?

No quinto capítulo do livro de Atos dos Apóstolos há uma história tão chocante que parece inacreditável que tenha sido incluída na Bíblia. A Igreja crescia e prosperava espiritualmente, apesar da perseguição. Entre os fiéis havia necessitados e os cristãos se mobilizavam para ajudar uns aos outros. Eram dias maravilhosos e terríveis. Deus se movia poderosamente entre aqueles homens e mulheres. Milagres eram a ordem do dia. Os corações do povo pulsavam por amor a Deus e ao próximo. Alguns chegaram a vender os seus bens para poder auxiliar os irmãos. Essa dinâmica de ajuda aos mais materialmente carentes costumava ser intermediada pelos apóstolos, visto que naturalmente os líderes da Igreja tinham mais conhecimento das reais necessidades dos demais. O texto sugere que as doações eram feitas publicamente e não em segredo. Aparentemente, a abertura entre os irmãos era total. É assim quando uma comunidade realmente vive em comunhão: não há pretensão, não há segredos. Há uma transparência que só é possível quando existe um mover do Espírito em cada coração.

Ananias e Safira venderam um campo e trouxeram o dinheiro da venda para os apóstolos. Fizeram isso num contexto público: Pedro recebeu a doação e havia testemunhas. Só que eles não trouxeram tudo, guardaram parte do dinheiro. Ao ser questionado sobre se o valor representava a venda toda, Ananias afirmou que sim, que tinha entregue tudo o que recebera. Mas Pedro denunciou a mentira, que não era apenas contra os irmãos, mas contra o Espírito Santo. O homem caiu morto. Três horas depois, Safira chegou e confirmou a mentira, o que também a fez morrer na presença do Senhor.

Pedro ponderou com Ananias que ele não tinha obrigação de vender o terreno. Continuou dizendo que não teria obrigação de trazer o valor inteiro da venda para a igreja. O que ele fez de errado foi afirmar que havia trazido tudo sem que fosse verdade. O que isso tem de mais?

O apóstolo Paulo diria, anos depois, que somos membros uns dos outros. Que a Igreja não é apenas uma assembleia de pessoas com algo em comum. Somos o Corpo de Cristo. Estamos ligados. E essa ligação é de uma seriedade que poucos compreendem. No caso de Paulo, ele denunciou atitudes contra a comunhão dos santos. Em 1 Coríntios 11, disse que, ao chegarem à mesa da Ceia, muitos tinham trazido sobre si juízo por desprezar a comunhão verdadeira, a doação de si. Havia pessoas passando fome, enquanto outras se fartavam à mesa nas ocasiões de “comunhão”. Por isso, muitos estavam fracos e doentes. Alguns estavam até “dormindo” (uma expressão grave, que fala de morte – espiritual ou literal). Sua comunhão era um engodo. Sua irmandade não era real. Reuniam-se, mas sem o proveito espiritual que poderiam receber. Pelo contrário, por causa da aparência de comunhão, sem a devida doação de si, na hora da mesa do Senhor eles se tornavam “réus do corpo e do sangue”.

Há indivíduos que parecem se doar na igreja. São pessoas que exalam simpatia, “compaixão” e até um sacrifício de si. Tornam-se queridas, celebradas, até mesmo o centro das atenções. Mas algumas delas não doam de si, embora façam o que é necessário para serem conhecidas como amorosas. Expressam com palavras um amor aparente para com o próximo, mas nunca realmente se abrem e se doam de fato. Sua vida é uma paródia de comunhão cristã. Recebem muito, mas muito mais do que doam. E recebem porque querem ser celebradas. Alimentam-se da sua reputação piedosa e amorosa. Mas, no fundo, nunca se doam. Mantém uma fachada que esconde escudos impenetráveis. Sua abertura é um teatro de comunhão. Parece que se dão completamente, mas a sua doação não é completa. Olhos não conseguem ver essa realidade, os outros não são capazes de enxergar a profunda hipocrisia que se esconde por trás do semblante aparentemente lindo e piedoso.

No entanto, há um pecado grave sendo perpetrado, pois essas pessoas estão mentindo para o Espírito Santo. Não há vida nelas, há somente a aparência de vida. Pois o Espírito nos uniu em Cristo, o que requer que sejamos transparentes, que façamos o que o mundo considera loucura. Praticamos coisas perigosíssimas, como confiar uns nos outros, confessar os nossos pecados uns aos outros, nos doar uns aos outros. E é claro que, com essa doação, vem reconhecimento. Vem um bem querer. Há uma reciprocidade de amor e afeto. A família de Deus é assim.

É agradável ter por perto alguém que sempre nos cumprimenta, diz que nos ama e fala do amor de Deus. Mas palavras nem sempre mostram o que está acontecendo dentro do seu coração. Só o Espirito sabe o que se passa por trás dos nossos olhos. E foi a isso que Pedro se referiu. Ananias e Safira tinham mentido para a assembleia. Mas a assembleia não é apenas uma agremiação associativa: é um corpo formado pelo poder do Espírito Santo. Eles tinham “doado” de si para Deus. Mas sua doação era uma mentira, pois entregaram uma parte enquanto reservavam outra para si. Fizeram o necessário para estarem inseridos e serem bem quistos – mas com um pé atrás.

Quem doa de si se contenta em fazer o bem e servir a Deus. Quem doa apenas para fazer parte busca aprovação e ser celebrado pelos seus atos de “justiça”. Quer ouvir o quanto é querido. Precisa saber o quanto é amado e precioso. Quem doa de si não precisa fazê-lo perante os homens. Seu galardão não é uma bela reputação, não é ser celebrado. Esse cristão pode muito bem esperar o último dia para receber o galardão. Então, com gozo ouvirá: “Bem feito servo bom e fiel. Entre no descanso do seu Senhor”.

É possível doar de si e ser abençoado? Claro. Mas é igualmente possível doar parte de si sem que os outros vejam sua hipocrisia e, assim, se tornar réu do corpo e do sangue. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e que examinemos o nosso coração, cada um de nós, para não cairmos nesse pecado religioso tão nefasto mas tão sutil.

Na paz,

Walter McAlister


Fonte: Púlpito Cristão