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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Igreja atual: Uma geração de cristãos alienados

Por: Cristiano Santana
É triste constatar, mas é verdade: o atual sistema evangélico-eclesiástico tem produzido uma geração inumerável de cristãos alienados.

Mas, o que significa o termo "cristão alienado"? Para iniciar essa explicação, nada melhor do que colher a definição de "alienação", constante do "Dicionário de Filosofia" de Nicola Abbagnano. Peço ao leitor que não tente compreender toda a terminologia filosófica utilizada para o esclarecimento de "alienação". Ater-se ao significado das palavras que estão em negrito já é suficiente.

(in. Alienation; fr. Alienation; ai. Entfremdung; it. Alienazioné). Esse termo, que na linguagem comum significa perda de posse, de um afeto ou dos poderes mentais, foi empregado pelos filósofos com certos significados específicos.

1. Esse termo foi empregado por Rousseau para indicar a cessão dos direitos naturais à comunidade, efetuada com o contrato social. "As cláusulas deste contrato reduzem-se a uma só: a alienação total de cada associado, com todos os seus direitos, a toda a comunidade" (Contrato social, I, 6).

2. Hegel empregou o termo para indicar o alhear-se a consciência de si mesma, pelo qual ela se considera como uma coisa. Este alhear-se é uma fase do processo que vai da consciência à autoconsciência.

3. Esse conceito puramente especulativo foi retomado por Marx nos seus textos juvenis, para descrever a situação do operário no regime capitalista. Segundo Marx, Hegel cometeu o erro de confundir objetivação, que é o processo pelo qual o homem se coisifica, isto é, exprime-se ou exterioriza-se na natureza através do trabalho, com a alienação, que é o processo pelo qual o homem se torna alheio a si, a ponto de não se reconhecer. Enquanto a objetivação não é um mal ou uma condenação, por ser o único caminho pelo qual o homem pode realizar a sua unidade com a natureza, a alienação é o dano ou a condenação maior da sociedade capitalista. A propriedade privada produz a alienação do operário tanto porque cinde a relação deste com o produto do seu trabalho (que pertence ao capitalista), quanto porque o trabalho permanece exterior ao operário, não pertence à sua personalidade, "logo, no seu trabalho, ele não se afirma, mas se nega, não se sente satisfeito, mas infeliz... E somente fora do trabalho sente-se junto de si mesmo, e sente-se fora de si no trabalho". Na sociedade capitalista, o trabalho não é voluntário, mas obrigatório, pois não é satisfação de uma necessidade, mas só um meio de satisfazer outras necessidades. "O trabalho exterior, o trabalho em que o homem se aliena, é um trabalho de sacrifício de si mesmo, de mortificação" (Manuscritos econômico-filosóficos, 1844, I, 22).

4. Esse uso do termo tornou-se corrente na cultura contemporânea, não só na descrição do trabalho operário em certas fases da sociedade capitalista, mas também a propósito da relação entre o homem e as coisas na era tecnológica, já que parece que o predomínio da técnica "aliena o homem de si mesmo" no sentido de que tende a fazer dele a engrenagem de uma máquina.

5. Na linguagem filosófico-política hoje corrente, esse termo tem os significados mais díspares, dependendo da variedade dos caracteres nos quais se insiste para a definição do homem. Se o homem é razão autocontemplativa (como pensava Hegel), toda relação sua com um objeto qualquer é alienação Se o homem é um ser natural e social (como pensava Marx), alienação é refugiar-se na contemplação. Se o homem é instinto e vontade de viver, alienação é qualquer repressão ou diminuição desse instinto e dessa vontade; se o homem é racionalidade operante ou ativa, alienação é entregar-se ao instinto. Se o homem é razão (entendida de qualquer modo), alienação é refugiar-se na fantasia; mas, se é essencialmente imaginação e fantasia, alienação é qualquer disciplina racional. Enfim, se o indivíduo humano é uma totalidade auto-suficiente e completa, alienação é qualquer regra ou norma imposta, de qualquer modo, à sua expressão. A equivocidade do conceito de alienação depende da problematicidade da noção de homem.

Partindo da explicação acima, pude vincular a palavra alienação à "perda" e à "limitação da expressão e da potencialidade". Toda vez em que o homem perde alguma coisa, tanto externa quanto interna, ou é limitado, de alguma forma, para que não venha a expressar tanto corporal quanto verbalmente, toda a potencialidade que lhe é inerente, ele se torna um alienado.

Agora estamos, em condição de explicar qual o "modus operandi" que as igrejas tem adotado para transformar os seus membros em cristãos alienados.

1 - O estudo e a exposição clara e contínua da Palavra de Deus não são incentivados. Tanto nos cultos, quanto nas festividades, o tempo é quase todo tomado por homenagens, cantores, jograis, etc., ficando pouquíssimos minutos para a Palavra de Deus. Esse estratagema evita que o cristão venham a ter um conhecimento mais profundo das Escrituras, impedindo, consequentemente, que ele venham a desenvolver uma consciência mais nítida de seu verdadeiro papel como filho de Deus.

2- Há uma intenção deliberada de impedir que os cristão venham a tomar conhecimento de seus direitos. Quase ninguém sabe que o membro tem o direito de obter uma cópia do Estatuto e do Regimento Interno da Igreja, documentos nos quais constam os direitos e os deveres dos membros e dos obreiros, assim como o modo pelo qual a igreja deve estruturada e administrada. Ninguém sabe que é um dever do pastor prestar contas das receitas e despesas da igreja. Todos são ensinados a não perguntar sobre o destino de seus dízimos, sob a alegação de que não se pergunta por algo que se paga a Deus. Quase ningúem sabe que, se for "excluído" tem o direito de defesa em uma assembléia específica. O que se dá a conhecer ao membro são apenas seus deveres.

3- Constrói-se uma doutrina, ainda que velada, da infalibilidade do pastor. Ele passa a ser visto como o santo, o profeta, o magnânimo, o perfeito, cujas ações não podem ser contestadas por ninguém. Qualquer crítica quanto à atitude do "ungido" é considerada como aberta resistência demoníaca.

4- Ensina-se ao crente que ele não deve nunca "murmurar". Deve aceitar passivamente a todas as regras do sistema, submetendo-se totalmente a elas. O mesmo é persuadido a aceitar que a benção divina só virá como resultado de sua irrestrita "obediência" (na verdade, obediência é o nome que eles dão à subserviência e à bajulação).

5- Ao cristão é ensinado que "a letra mata, mas o espírito vivifica". Distorcem assim, a Palavra de Deus, para justificar o desprezo total pela razão, como critério justo de julgamento das manifestações espirituais. Leva tempo para o cristão perceber que a letra que mata é a letra da Lei, mas não a letra das orientações apostólicas quanto à forma de julgar as doutrinas e modismos heréticos. Ensina-se que é errado julgar essas manifestações, pois o homem carnal não entende as coisas do espírito. Há uma total inversão: manifestações puramente carnais, baseadas na fantasia humana, como sopro, riso, rastejamento, quedas, são revestidas de um caráter espiritual, enquanto que um discernimento, baseado na Palavra de Deus, é uma atitude carnal. Dessa forma, toda a racionalidade é sacrificada, restando apenas um ser irracional, que é difícil identificar como sendo gente.

Eu poderia relacionar aqui outras estratégias, utilizadas por líderes perversos, para alienar o cristão de sua situação original de filho de Deus, co-administrador da obra de Deus, embaixador, herdeiro de Deus, adorador racional, sacerdote de Deus, etc.

Infelizmente, em muitas igrejas, o cristão tem de sacrificar toda a sua individualidade, bom senso, capacidade crítica e autonomia, caso queira ser aceito pelo sistema. Se não escrever, de acordo com a cartilha, está fora. Os cristãos dessas igrejas deixaram de ser gente e passaram a ser número, estatística, apenas. São como ovelhas, das quais o que se quer é apenas carne e leite. Quanto ao perigo dos lobos as devorarem, eles dizem: "que se dane".

É impressionante como essa massa incontável de alienados é facilmente controlada. São como uma manada de bois que seguem o som das buzinas, o estalo do chicote e o grito do boiadeiro. E todos obedecem, sem reclamações, sem contestações. Infelizmente desconhecem a força que têm.

Meu Deus! Quando isso vai terminar? Como foi que deixamos isso acontecer?

Pobres alienados!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Que denominação é esta?


Esta é uma pergunta que de um modo geral se faz quando se dá um folheto, ou quando convidamos a alguma reunião para o estudo da Palavra de Deus. Sem dúvida é uma pergunta sábia, especialmente nestes dias de tanta confusão.

Mas, o que teria acontecido se a mesma pergunta houvesse sido feita nos dias dos apóstolos? Suponhamos que você tivesse vivido naquela época, e um dia se encontrasse com o apóstolo Pedro e lhe perguntasse: 

-- Pedro, que denominação é esta? 

Você pode imaginar a resposta? Pedro, sem dúvida, teria coçado a cabeça completamente perplexo, porque não haviam denominações na sua época. O crente procurava seguir a ordem divina.

Deus tem uma Igreja neste mundo, mas não é uma organização da qual você pode por si próprio tornar-se membro. É possível fazer-se membro de uma "igreja" feita por homens, e depois "deixá-la" se você não ficar satisfeito. Mas você nunca poderia fazer a si mesmo membro da Igreja de Deus, a qual é chamada "a Igreja do Deus vivo" (1 Timóteo 3.15).

Temos que voltar ao fundamento, o qual é Cristo. "Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Coríntios 3.11). A Palavra de Deus nos diz que somos pecadores culpados diante dEle, perdidos em nossos pecados e "por natureza filhos da ira" (Efésios 2.1-3). Mas Deus, em Seu amor e misericórdia, enviou Seu próprio Filho a este mundo para pagar por nossos pecados na cruz.

Primeiro o Senhor Jesus veio a Seu próprio povo terreno, Israel. "Veio para o que era Seu e os Seus não O receberam" (João 1.11). Então, foi entregue para morrer na cruz pelos pecados de todo o mundo. Triunfante, Se levantou de entre os mortos, ascendeu à destra do Pai, e enviou o Espírito Santo ao mundo no dia de Pentecostes.

Com Sua ascensão e a vinda do Espírito Santo, havia chegado o tempo, no programa eterno de Deus, de colocar de lado a nação de Israel, e trazer uma coisa completamente nova -- Sua Igreja. É chamada "Igreja, que é o Seu Corpo" (Efésios 1.22,23).

Sua Igreja não é "denominada". Isto é, não tem nome dado pelos homens, nem é uma organização humana, porém é composta de pessoas salvas, tanto judeus como gentios. Não tem lista de membros na terra, e ninguém pode fazer-se membro dela. Mas quando alguém vem a Deus como um pecador culpável, e recebe ao Senhor Jesus Cristo em seu coração como seu Senhor e Salvador, seu nome está escrito no Céu e imediatamente é "acrescentado" à Igreja pelo próprio Senhor (Atos 2.47). Passa a levar, então, o nome de seu Salvador, e é feito uma "nova criatura" em Cristo (2 Coríntios 5.17). Não necessita outro nome e nem precisa fazer-se membro de algo inventado pelo homem.

Durante o tempo primitivo da Igreja, os crentes se reuniam simplesmente para estudar a Palavra. Não tinham nomes ou organizações denominacionais, e nem o mecanismo da atualidade. Mas as idéias mundanas penetraram mais e mais, e a simplicidade devida a Cristo desapareceu (2 Coríntios 11.3). O homem religioso sempre está acrescentando algo à ordem simples de Deus.

Deus não é o autor de nenhuma denominação. Algumas delas abraçam algumas verdades bíblicas muito sadias, e têm muitos crentes, nascidos de novo, em suas organizações. Mas os crentes são assim divididos uns dos outros por seus nomes. Isto é um pecado contra Deus.

Os crentes primitivos não se "denominavam" ou tinham nomes postos por eles. Eram conhecidos por termos como "discípulos", "crentes", "santos", "cristãos", ou qualquer nome que pudesse ser levado por TODOS os crentes. Não temos nenhuma base bíblica para levar um nome que não possa ser levado por todos os filhos de Deus neste mundo. Fazer isto é querer dividir o "um só Corpo" de Cristo (1 Coríntios 12.12).

O Filho de Deus deve ter um sadio e inteligente conhecimento da Palavra de Deus. Não deve estar em jugo desigual tendo comunhão com os inconvertidos, mas deve "sair do meio deles" como nos diz 2 Coríntios 6.14-18.

O crente deve honrar o Senhorio de Cristo, reconhecendo-O como Senhor. O mundo religioso Lhe nega esta honra e quase universalmente se refere a Ele como "Jesus", o nome de Sua humanidade. Vemos como Paulo, em suas epístolas, cuidadosamente O trata honradamente como "O Senhor Jesus Cristo".

Os crentes devem tratar de, a qualquer custo, se reunir para estudar a Palavra a fim de se edificarem uns aos outros na fé. Muitas vezes isto tem que ser feito em pequenas reuniões caseiras, porque a verdade não é aceita em lugares humanamente elevados. "Saiamos, pois, a Ele fora do arraial, levando o Seu vitupério" (Hebreus 13.13).

Fonte: Mário Persona via Libertos do Opressor

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Por que Jesus odeia as obras dos NICOLAÍTAS?




Quem ou o que eram os nicolaítas? 

Quais obras realizavam ou que doutrina eles ensinavam que levou o Senhor a dizer abertamente que odiava as mesmas? Eles existiram somente na era apostólica ou estão ainda entre nós? A bíblia não nos fornece detalhes sobre eles. As duas únicas passagens que falam sobre os nicolaítas encontramo-la no livro das revelações – o Apocalipse.

Para revelar o futuro da humanidade, o Senhor se manifesta a João na ilha de Patmos e lhe revela as coisas que deveriam acontecer nos últimos dias. No livro que encerra o cânone sagrado, o Senhor manifesta o cuidado que tem sobre a Igreja que Ele resgatou com seu sangue, ordenando a João escrever sete cartas aos anjos das sete igrejas que estão na Ásia. Nas cartas endereçadas aos anjos dessas igrejas, Jesus elogia as virtudes destes ao mesmo tempo em que os admoesta sobre suas faltas, chamando-os ao arrependimento e abandono de práticas que poderão comprometer suas entradas no reino dos céus.

Em duas destas cartas - Éfeso e Pérgamo – chama-nos a atenção o repúdio do Senhor quanto as obras e doutrina dos nicolaítas. Jesus elogia o anjo da igreja de Éfeso dizendo: "Tens, porém, isto: que ODEIAS as obras dos nicolaítas, as quais EU também ODEIO." (Apocalipse 2:6). Mas repreende o da igreja de Pérgamo dizendo: "Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que EU ODEIO." (Apocalipse 2:15). A diferença entre os anjos das duas igrejas era que o da igreja de Éfeso, à semelhança de Jesus, também odiava e não compartilhava das ações dos nicolaítas. Já o da igreja de Pérgamo relaxou quanto a esse cuidado, deixando a igreja a vontade com alguns deles. Podemos entender que havia uma certa tolerância desta igreja quanto aos nicolaítas, permitindo a ação deles no seio desta. Afinal, quem eram esses?

Historiadores como Jerônimo, Epifânio, Teodoreto, Irineu, Hipólito e Clemente de Alexandria afirmam serem estes seguidores de Nicolau, prosélito de Antioquia que foi separado para o diaconato na igreja primitiva (Atos 6:5). Deduzem estes que Nicolau havia se desviado do caminho, pervertendo-se e tornando-se herege, de onde surgiram os nicolaítas. Porém, não há fundamento histórico e nem bíblico para se fundamentar essa tese.

Para poder se formular algo em relação a eles é necessário que primeiramente conheçamos o significado etimológico da palavra, bem como ser essencial estudarmos cuidadosamente o conteúdo da carta endereçada particularmente aos anjos de cada uma destas igrejas, atentando para o contexto bíblico-histórico, para assim chegarmos a um entendimento concreto sobre quem ou o que eram os nicolaítas.

Sentido Etimológico: Em hebraico: Nicolau=Vitorioso sobre o povo. Em Grego Nikolaos: adjetivo formado da junção de duas palavras que é "Nikao" cujo significado é: "conquistar" e "laíta" que é uma derivação de "laikos", que vem de "laos" que significa: "os "leigos", o povo, a massa ou a plebe. 

Em resumo, etimologicamente Nicolaíta é: AQUELE QUE DOMINA SOBRE O POVO.

Partindo desse conhecimento, fica mais fácil entendermos quem eram e o que ensinavam os nicolaítas.

A igreja de Éfeso (Apocalipse 2:1-11). Após se apresentar ao anjo dessa igreja, o Senhor diz conhecer usas obras, seu trabalho e sua paciência e, que por assim proceder, ele não poderia sofrer os maus (Verso 2). Em seguida, o elogia pela sua cautela e vigilância quanto àqueles que usurpavam para si o título de apóstolos, desmascarando-os pelas suas mentiras. É justamente a partir daí que passamos a ter uma imagem do que seriam os nicolaítas. Pelo contexto, vemos que estes eram homens que se autodenominavam apóstolos sem terem sido escolhidos ou elegidos pelo Senhor e que também não possuíam o fruto do Espírito e caráter cristão, virtude necessária para quem tem uma chamada divina (Gálatas 5 : 22; Efésios 5 : 9). Estes ainda usavam de mentiras, querendo, com certeza, tirar proveito da igreja do Senhor. A bíblia ainda hoje fornece os meios para a igreja atual detectar quem tem ou não uma chamada para o exercício episcopal. É só observar se o tal se enquadra no requisito exigido pelo Espírito Santo no que concerne ao exercício ministerial, principalmente se este tem sua família como exemplo a ser seguido. (1Timóteo 3 : 1 - 11).

Contexto histórico da igreja de Éfeso

A igreja de Éfeso teve como seu primeiro pastor o apóstolo Paulo, pois foi ele quem plantou a igreja nesta cidade. No capítulo 20 do livro de Atos, vemos Paulo se preocupar com a integridade dessa igreja. Ele estava na Macedônia e preparava-se para retornar, trazendo a coleta que os irmãos macedônios arrecadaram para ajudar os irmãos que passavam necessidade em Jerusalém. Ele sabia que ao chegar a Jerusalém seria preso e não mais veria os irmãos (Atos 20 : 25). No caminho para Jerusalém, Paulo precisou passar pela Ásia para dar as últimas instruções aquela igreja. Ali chegando aportou em Mileto, e, de lá mandou chamar os presbíteros (anciãos) que governavam a igreja de Éfeso e, entre muitos testemunhos, exortações e conselhos, Paulo dá as seguintes admoestações às lideranças da igreja: “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20 : 28 - 30).

Paulo tinha o Espírito Santo e este lhe revelava o que aconteceria, tanto a sua pessoa como a igreja, por isso, Paulo fez questão de alertar às lideranças da igreja de Éfeso quanto a entrada dos lobos (nicolaítas), que na sua ausência, iriam querer tirar proveito das ovelhas, não poupando o rebanho. Estes eram crentes de dentro da própria igreja que perverteriam os ensinos de Paulo e que se autodenominariam apóstolos querendo atrair a confiança da igreja, para assumir o primado nesta. Paulo relatou aos irmãos de Éfeso a sua constante preocupação com eles e que durante o tempo em que foi pastor ali por três anos, não cessou noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um deles (Atos 20 : 31). Paulo sabia o quanto a igreja é preciosa para Deus, pois custou um alto preço e ele mesmo levava sobre o seu corpo as marcas de Cristo que por amor a igreja adquiriu (Gálatas 6 : 17). Portanto, era inconcebível que outros, que nada sofreram ou fizeram pela igreja, viessem a seu bel-prazer dominá-la e subjugá-la.

Agora, na sua última visita aquela comunidade, Paulo encomenda os irmãos a Deus e à Palavra de Sua graça, lembrando que durante o tempo em que foi pastor dessa igreja, em momento algum se fez valer de sua chamada para tirar proveito dos irmãos quando diz: “De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário. Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20 : 33 - 35).

Sim, a igreja de Éfeso foi bem doutrinada quanto ao realizar a obra do Senhor, recebendo todo o conselho de Deus que lhe foi repassado pelo seu amado pastor (Atos 20 : 27). Vemos que essa igreja guardou o conselho de seu pastor até o momento em que Cristo se revelou a ela no Apocalipse. O próprio Senhor elogia o anjo da igreja efésia, quando disse que ele pôs a prova aqueles que diziam serem apóstolos, desmascarando a mentira deles. É certo que por causa disso, ele sofreu perseguições, pois lutar pela defesa da verdade consiste em angariar inimigos (Gálatas 4 : 16). Mas ele perseverou na paciência e continuou trabalhando pelo Seu Nome (Apocalipse 2 : 2 , 3). Um grande exemplo para ser imitado pelas lideranças de igrejas da atualidade.

Algo semelhante também aconteceu nos tempos do apóstolo João antes de ele ser enviado a Patmos. Alí, Diótrefes, um membro da igreja cobiçava a liderança. Ele a todo o custo queria o primado, isto é, queria ser o primeiro e estar acima dos demais membros. Conhecedor que João não concordava com tal arrogância, não permitia que este fosse recebido na igreja, como se esta fosse sua propriedade particular. “Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe”. (3João 1 : 8). Temos aqui um nítido exemplo de nicolaísmo, pois Diótrefes, movido de tal sentimento de poder, falava palavras maliciosas contra os servos Deus, e, além de não receber os irmãos que com certeza não apoiavam suas idéias, impedia aqueles que queriam recebê-los, chegando ao ponto de expulsá-los da igreja (Verso 10). A doutrina dos nicolaítas não achou guarida na igreja de Éfeso, mas, infelizmente, encontrou apoio na igreja de Pérgamo.

Ao anjo da igreja de Pérgamo (Apocalipse 2:12-17).

Jesus se apresenta como aquele que tem a aguda espada de dois fios (Sua Palavra fiel), tece elogios pela sua obra, resignação e fé, mas mostra também a sua falha que é tolerar aqueles que seguem a doutrina de Balaão e também os que seguem a doutrina dos nicolaítas que Ele odeia. Alguns defendem que os nicolaítas seriam os mesmos que seguem a doutrina de Balaão, qual seria a difusão da imoralidade dentro da igreja de Deus. Não são! Mas a doutrina ensinada por Balaão que tem base na avareza é tolerada pelos nicolaítas. Pedro em sua segunda epístola se refere a eles como aqueles que deixaram o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça (2Pedro 2 : 12 - 15). Judas, o irmão do Senhor alude às obras destes, quando se refere aqueles que entraram pelo caminho de Caim, foram levados pelo engano de Balaão e pereceram na contradição de Coré, sendo manchas nas nossas festas de amor, banqueteando conosco, mas apascentando-se a si mesmos sem temor (Judas 1 : 10 , 11). Jesus conclama o anjo da igreja de Pérgamo a se arrepender dessa falha, pois se isso não acontecer, Ele mesmo virá e batalhará contra ele com a espada da Sua boca.

O pedido da mãe dos filhos de Zebedeu
Em Mateus 20: 21 a 28 temos uma situação, onde a mãe dos filhos de Zebedeu faz um pedido ao Mestre que despertou a indignação dos demais discípulos. Ela pediu que seus dois filhos (Tiago e João) se assentassem ao lado do Senhor, um a esquerda e outro a direita quando da instauração do Seu reino. Após Jesus falar que não competia a Ele essa decisão, mas ao Pai, Ele mostra a realidade que deve prevalecer entre os seguidores do Messias: “Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios SÃO ESTES DOMINADOS, e que os grandes EXERCEM AUTORIDADE sobre eles. NÃO SERÁ ASSIM ENTRE VÓS; mas todo aquele que quiser entre vós FAZER-SE GRANDE seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser O PRIMEIRO, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20 : 25 - 28).

Jesus deixa transparecer que Sua vontade em relação a Sua igreja é que esta jamais fosse dominada por quem quer que seja e Ele nos ensina pelo seu próprio exemplo que todos somos iguais perante Ele e que somente Ele é o cabeça e Senhor da igreja. Nele, todos fomos feitos sacerdotes, sendo Ele próprio o nosso Sumo-Sacerdote para sempre (1Pedro 2 : 9 ; Hebreus 8 : 1).

Ainda em Mateus 23: 8-11, o amado Mestre reforça esse ensino: “Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo”.

O apóstolo Pedro ao aconselhar aqueles que, igualmente a ele, seriam chamados a cuidar do rebanho do Senhor, diz: “Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: APASCENTAI o rebanho de Deus, que está entre vós, TENDO CUIDADO DELE, NÃO POR FORÇA, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como TENDO DOMÍNIO SOBRE A HERANÇA DE DEUS, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória”. (1Pedro 5 : 1 - 4). Observem que mesmo sendo escolhido pelo próprio Cristo para liderar os crentes judeus, Pedro não usurpou para si este título, preferindo ser chamado de presbítero. E presbítero não é cargo ou título episcopal como se ensina em muitas igrejas, mas a idade madura de um homem. O apóstolo João também se considerava um presbítero, visto ele já ser uma pessoa idosa, um ancião (2João 1 : 1 ; 3João 1 ; 1). Em outra ocasião, quando Pedro e João foram questionados a respeito da cura do coxo na porta do templo, chamada Formosa, atribuíram os devidos créditos a quem de direito – Jesus – que é digno de toda a glória e honra e poder (At 4 : 8 - 16).

Jesus constituiu homens dando-lhes dons ministeriais para que estes apascentem Sua igreja, conduzindo-a na verdade e em amor para que ela cresça em tudo naquele que é a cabeça, Cristo (Efésios 4 : 11 - 16). Assim sendo, ninguém tem o direito de exercer o domínio sobre a herança de Cristo, que é a Sua igreja resgatada por Seu sangue. Somos preciosos para Deus e Seu Filho. Por causa disso é que vemos Jesus manifestar repúdio e ódio pelas obras e doutrinas dos nicolaítas. Isto nos faz refletir no cuidado que Ele tem para conosco que somos Sua igreja, por quem Ele deu Sua própria vida.

Que os líderes da igreja de hoje possam seguir o exemplo do anjo da igreja em Éfeso e procure, pela revelação da Palavra discernir os nicolaítas quais se encontram infiltrados no meio dos verdadeiros homens de Deus. Que também a igreja refute suas doutrinas e obras, ainda que por causa disso, venha a sofrer afrontas, sabendo que todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições (2Timóteo 3 : 12). Nosso conforto e recompensa estão reservados nos céus, onde uma coroa de justiça aguarda aqueles que combatem o bom combate e amam a Cristo e Sua vinda, e não se deixam corromper pelo sistema religioso alienado da verdade que quer manchar a noiva do Cordeiro (2Timóteo 4 : 7 , 8).

Que fiquemos na vocação em que fomos chamados (1Corintios 7 : 20) e tenhamos o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Filipenses 2 : 5 , 6).

Em Cristo,


Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará