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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ganhar almas ou fazer prosélitos; qual a nossa missão?




"O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio."  (Provérbios 11:30).

Não escolhemos seguir ao Senhor, antes Ele nos escolheu e nos nomeou para levarmos as suas boas novas e produzirmos frutos para o seu reino (João 15:16). Todo aquele que é chamado por Cristo recebe a incumbência de anunciar o evangelho e ganhar almas para o seu reino. 
É pelo conhecimento do Evangelho que as almas são libertas e por ele se descobre a justiça de Deus de fé em fé (Romanos 1:16,17). Anunciá-lo é uma responsabilidade pessoal, inegociável e intransferível. 

Paulo, o apóstolo dos gentios disse: "Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!"  (I Coríntios 9:16). De maneira nenhuma podemos atribuir essa responsabilidade a terceiros e muito menos pagar para que outros façam isso em nosso lugar. Também não temos o direito de cobrar de quem quer que seja para levar as boas novas do reino, pois assim como de graça recebemos, também de graça devemos dar. (Mateus 10:8). 

Paulo, como bom imitador de Cristo nos dá esse exemplo: "E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada. Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho" (1Corintios 9:17,18).

Fazer missões e ganhar almas é responsabilidade individual de cada crente salvo, pois cada um receberá do Senhor o galardão pelo que tiver feito para o Senhor (1Corintios 3:8). Porém, de nada adianta evangelizar, fazer missões e ganhar almas se não tiver o cuidado de se discipular estas. 
Falar às pessoas e convencê-las a fazerem parte de um grupo religioso ou uma denominação não é propriamente ganhar almas, mas sim fazer prosélitos. Por isso vemos as divisões e intrigas entre grupos religiosos, onde algumas denominações sequer respeitam o espaço das outras e ficam a fazer proselitismo entre os membros destas, o que nos leva a ver a real intenção destes grupos. Falam em ganhar almas, mas o objetivo principal, com raras exceções, é encontrar mantenedores para suas instituições. Jesus foi totalmente contrário a essa maneira de fazer missões. Vejam o que Ele disse ao maior grupo religioso de seu tempo: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós."  (Mateus 23:15). 

Pelas palavras do Mestre, entendemos que os fariseus também se preocupavam em ganhar almas, mas o objetivo deles era engrossar as fileiras da sua religião e não preparar as pessoas para herdarem o reino dos céus. Aqueles que eles ganhavam, impunham um pesado fardo de legalismo que nem eles mesmos podiam carregar (Mateus 23:4). Quantas igrejas, hoje, não fazem o mesmo com as almas que conquistam ao impor sobre elas tradições e dogmas que elas mesmos criaram, tirando-lhes a liberdade de servirem a Deus? A expressão de Jesus sobre "fazei filhos do inferno duas vezes mais que vós", é muito séria, pois se refere a uma forma de ensino distorcido que estas almas recebem e que, com o passar do tempo passam a defendê-los como se fosse uma verdade divina revelada. E, uma vez que estes prosélitos não são incentivados a examinarem as Escrituras (João 5:39), tornam-se presas fáceis dos lobos e escravas de um sistema religioso.

"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."  (Mateus 28:19,20).

Muitos conhecem a ordem imperativa do Mestre sobre levar o Evangelho e alguns até se orgulham de praticá-la, mas não na sua plenitude. Evangelizar, ganhar almas, fazer discípulos, batizar e ensinar o que Jesus ensinou é algo que precisa ser realizado em sua totalidade. Àqueles que no principio ouviram essa ordem a obedeceram praticamente ao pé da letra e a igreja teve um crescimento vertiginoso em quantidade e qualidade (Atos 2:41-47).

Almas eram ganhas e discípuladas para servirem ao reino de Deus em amor. Em obediência a ordem do Mestre, todos os que eram ganho pela Palavra eram imediatamente batizados, pois assim ordenou o Senhor (Atos 2:41; 8:13-16,33. 9:18. 10:46,47). Nenhum dos que aceitavam a Cristo eram colocados no probatório, como é feito atualmente, mas todos eram imediatamente batizados para remissão dos pecados. Havia um sério compromisso por parte dos discípulos com a ordem divina e Deus honrou essa obediência, fazendo com que a igreja caísse na graça do povo (Atos 2:47). Infelizmente vemos o inverso acontecer.

Temos o privilégio de fazermos parte da igreja do Senhor e, como tal a responsabilidade de ganhar almas e discipulá-las, ensinando aquilo que Jesus mandou ensinar, não indo além do que Ele falou. Somente dessa forma estaremos construindo uma igreja sadia, fortalecida na doutrina que foi legada pelos apóstolos e preparada para o encontro triunfal nas núvens com aquele que pelo seu sangue nos comprou (Apocalipse 12:11).

Prosélito, segundo o dicionário é a pessoa ou indivíduo que abandona suas crenças e convicções, aderindo a outra crença, religião ou doutrina. Adepto. Partidário. Simpatizante.

Não somos chamados a fazer prosélitos, mais a ganhar almas para serem libertas e servirem a Deus por amor.


Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Sta. Bárbara do Pará

sábado, 30 de novembro de 2013

O que é e o que faz um diácono




Quando eu fiz parte do ministério da Assembleia de Deus, presenciei uma cena um tanto fora do comum, quase que cômica, quando da escolha de novos obreiros para o quadro ministerial desta instituição. Um irmão novo convertido que eu e minha esposa havíamos conquistado para o Senhor foi separado para o diaconato. Este ao aceitar a Jesus na congregação que trabalhávamos como dirigente, dedicou-se ao trabalho de Deus e à oração incessante. Deus o dotou de dons espirituais e logo, começou a falar em outras línguas. Isso foi o suficiente para que o ministério o indicasse como candidato ao diaconato, sem atentarem para os requisitos necessários, quais Deus exige na sua Palavra (1Timóteo 3 : 8 - 13).

Ele, após ser consagrado veio até mim com uma expressão de espanto e dúvidas, me perguntando: - E agora irmão, o que eu faço? Fui consagrado a diácono e não sei o que é isso. O que é que vou fazer agora?

Eu o aconselhei a se acalmar e ficar tranqüilo, pois Deus o ajudaria a cumprir seu ministério. Antes de ser consagrado ou melhor, separado, ele já exercia esse ministério na congregação onde trabalhamos. Alí, voluntariamente ele saía colhendo doações entre os comerciantes para distribuir entre os necessitados sendo crentes ou não e cooperava comigo na obra que realizávamos.

Tal ocorrido me fez refletir sobre o critério de separação ao ministério, praticado por muitas igrejas. Iguais a este irmão, existem muitos que são separados e outros que até se orgulham dos títulos que galgam nas igrejas e querem estar acima dos demais membros, mas que não sabem pra que de fato foram separados, ou pra que estão ali e nem mesmo se preocupam com isso.

Neste pequeno estudo, vamos conhecer o que é um diácono e qual a finalidade de a igreja criar este ministério. De antemão quero dizer que a indicação de um membro ao diaconato precisa partir da igreja e não do ministério ou pastor. Ministério e pastores apenas precisam aprovar a escolha daquela.

O que é um diácono?

A palavra "diácono" vem de uma palavra grega (diakonos) . "Diácono" quer dizer "atendente" ou "servente". Deste termo deriva diakonia (ministério ou diaconato) e diakoneo (servir ou ministrar). O termo ainda se refere a escravos, empregados e obreiros voluntários

A razão da escolha.

Jesus não escolheu diáconos, assim como escolheu os apóstolos. O diaconato surgiu a partir de uma necessidade ministerial, quando a igreja já estava consolidada. O livro de Atos dos Apóstolos conta a história da igreja a partir de sua edificação que se deu em Jerusalém, no dia de Pentecostes. Igreja esta que nasceu e se fortaleceu na doutrina dos Apóstolos, que era a prática do amor fraternal, conforme os apóstolos haviam aprendido de seu Mestre e Senhor, durante o tempo em que foram seus discípulos (Atos 2 : 42 - 46).

Na prática dessa doutrina, todos os crentes viviam uma comunhão plena, onde todos compartilhavam o que possuíam, para que nada faltasse àqueles que nada tinham. Tal ação por parte dos irmãos, fez com que a Igreja caísse na graça do povo e, todos os dias Deus acrescentava à Igreja aqueles que seriam salvos (Atos 2 : 47).

Pessoas de várias classes, línguas e povos abraçaram a nova doutrina e, dessa forma a igreja cresceu em quantidade e qualidade. Contudo, esse crescimento trouxe alguns problemas, principalmente em relação aqueles que não eram judeus, como vemos:

"Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano." (Atos 6 : 1).

Conforme dito acima, a igreja vivia no seu primeiro amor, e, neste amor, ela seguia o ensino que foi legado pelo Senhor que era o amor incondicional ao próximo. A princípio os apóstolos administravam a contribuição dos irmãos repartindo com os necessitados para que ninguém tivesse falta de nada, como diz: "Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos."  (Atos 4 : 34). Mesmo com esse cuidado e com o crescimento da igreja, começaram a surgir problemas, como foi o caso das viúvas gregas. Cientes do problema, os apóstolos imediatamente, tomaram posição para solucioná-lo. Estes, reunindo a igreja expuseram a situação, bem como apontaram a solução para o mesmo.

E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra”. (Atos 6 : 1 - 4). 

Notemos que até então era responsabilidade dos apóstolos receberem e administrar a coleta dos irmãos em favor dos demais. Então, eles passam a igreja, coluna e apoio da verdade a responsabilidade de escolher e eleger homens aptos para que os auxiliassem no ministério cristão e assumissem esta responsabilidade.

O critério para a separação

Os Apóstolos tinham ciência de suas responsabilidades quanto à oração e ao ensino da Palavra, quais eram essenciais para edificação da igreja, portanto, não podiam desviar sua atenção para outras causas. Por isso, eles delegaram à igreja a responsabilidade de escolherem entre si, aqueles que assumiriam aquilo que eles denominaram de importante negócio.

Coube a igreja a responsabilidade de separar homens capacitados para exercerem tal responsabilidade e assim foram separados setes homens: Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia (Atos 6 : 5).

Em relação a escolha daqueles que seriam separados para o diaconato, os Apóstolos tomaram o cuidado de orientar a igreja, quanto ao critério exigido pelo Espírito Santo. Os diáconos deveriam ser portadores das seguintes qualidades (Atos 6 : 3):

a) Homens de boa reputação: Isto é, homens com bom testemunho na sociedade, honestos e não avarentos. O Apóstolo Paulo instruindo a Timóteo, quando da escolha destes, orientou o seguinte: “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância;  Guardando o mistério da fé numa consciência pura”(1Timóteo 3 : 8 , 9). Estes não poderiam ser avarentos, pois teriam a responsabilidade de cuidar das finanças da igreja de forma a administrá-las em favor de todos aqueles que possuíam alguma necessidade. Existem hoje os que pensam que é tarefa do pastor cuidar das finanças da igreja, mas não é. Os diáconos é que receberam esse "importante negócio", pois os apóstolos não poderiam desviar sua atenção da oração e do ministério da Palavra.

b) Homens cheios do Espírito Santo. Algumas denominações evangélicas priorizam o fato de alguém ser batizado no Espírito Santo e principalmente de este falar em línguas estranhas, como requisito principal e essencial para o cargo. Não quero fazer apologia ao desprezo pela busca do batismo no Espírito Santo, pois sei ser este uma necessidade para o crente, mas, é preciso entender que existe diferença entre ser "cheio" e ser "batizado" com o Espírito Santo. João Batista não era batizado, contudo, era cheio do Espírito Santo desde o ventre materno e fez grandes obras para Deus. O próprio Jesus deu testemunho a favor dele, dizendo que dentre os nascidos de mulher não houve profeta maior que João (Lucas 7 : 28). Para ser um diácono é preciso obedecer aos critérios da Palavra e isto vai muito mais além do que simplesmente falar em línguas estranhas que também é um dom do Espírito Santo. 

c) Homens cheio de sabedoria: Não da sabedoria humana que se adquire nos seminários e faculdades, mas na busca do entendimento da Palavra, onde se descobre a vontade de Deus. Estevão foi um exemplo disso quando disputou com aqueles que queriam acusá-lo de blasfêmia: "E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava." (Atos 6 : 10). Paulo orava para que os colossenses fossem cheios de sabedoria e inteligência espiritual: "Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus"  (Colossenses 1 : 9 , 10). A sabedoria é um dom divino e a falta deste na vida de muitos obreiros tem causado sérios transtornos, quando não escândalos no seio da igreja.

O conselho de Paulo

Ainda quanto a escolha para o diaconato, Paulo orienta quanto aos requisitos morais que estes devam possuir, onde o relacionamento familiar é o principal testemunho para a escolha destes. Paulo chega a aconselhar até mesmo quanto ao comportamento das esposas destes (I Timóteo 3 : 8 - 13).

8 Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância;
9  Guardando o mistério da fé numa consciência pura.
10  E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.
11  Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
12  Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas.
13  Porque os que servirem bem como diáconos, adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.

Uma boa posição e muita confiança na fé em Jesus Cristo”. Foi o que aconteceu com os diáconos Estevão e Filipe que se destacaram no ministério da Palavra e na fé. Estevão foi martirizado por defender a ortodoxia (pureza) da palavra (Atos 6 : 8 - 15; 7 : 1 - 60). Filipe se destacou por promover um avivamento em Samaria pelo ensino da Palavra e realização de milagres e maravilhas em Nome de Jesus (At 8; 5 - 40). Ele, inclusive chegou a alcançar a posição de evangelista, um dos dos ministeriais dado a igreja para sua edificação (Atos 21 : 8 ; Efésios 4 : 11).

O que faziam os diáconos.

Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas”. Por essa afirmação dos Apóstolos, alguns entendem que a função dos diáconos é somente servir a ceia aos irmãos, quando no ato desta. Não! É muito mais que isso. Servir a mesa no contexto bíblico neotestamentário era atender as necessidades dos menos favorecidos na igreja, como era o caso das viúvas, pois, tal ação é a identidade da verdadeira igreja de Cristo na terra. Tiago, o irmão do Senhor deixou o ensino que: "A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo." (Tiago 1:27). 

O importante negócio de que os Apóstolos trataram, sobre o qual deveriam ser constituídos diáconos, era justamente isso. Não era somente cuidar das finanças da igreja, mas sobretudo procurar conhecer e atender a necessidade dos irmãos, para que os presbíteros pudessem se preocupar exclusivamente a oração e ao ministério da Palavra. O foco desse ministério jamais deveria ser desvirtuado para outros fins, mas é o que infelizmente vemos acontecer nos dias de hoje, quando o primeiro amor não mais se evidencia na vida da maioria dos crentes, inclusive líderes (Mateus 24: 12).

Existem muitos diáconos nas igrejas evangélicas, mas quase não existe ministério diaconal que é servir, seguindo o exemplo do maior diácono que existiu que é o próprio Senhor.


Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

sábado, 19 de outubro de 2013

Honrando ao Senhor com nossos bens



De que maneira podemos honrar ao Senhor com a nossa renda e o que temos de melhor?

Quando Salomão escreveu esse aconselhamento prevalecia o antigo concerto, onde, neste, era determinado que se levasse ao templo em Jerusalém as contribuições do povo na forma de dízimos e ofertas, como maneira de se honrar ao Senhor. A bênção de Deus voltaria para o ofertante se este cumprisse o mandamento na forma como foi determinado por Deus em entregar estas, que consistia no seguinte:

1 NA ANTIGA ALIANÇA

a) Dá-los a Arão e aos levitas (Números 18:1;6;12,13):  

"ENTÃO disse o SENHOR a Arão: Tu, e teus filhos, e a casa de teu pai contigo, levareis sobre vós a iniqüidade do santuário; e tu e teus filhos contigo levareis sobre vós a iniqüidade do vosso sacerdócio...E eu, eis que tenho tomado vossos irmãos, os levitas, do meio dos filhos de Israel; são dados a vós em dádiva pelo SENHOR, para que sirvam ao ministério da tenda da congregação...Todo o melhor do azeite, e todo o melhor do mosto e do grão, as suas primícias que derem ao SENHOR, as tenho dado a ti. Os primeiros frutos de tudo que houver na terra, que trouxerem ao SENHOR, serão teus; todo o que estiver limpo na tua casa os comerá." 

Honrar a Deus com as fazendas e as primícias era suprir a necessidade daqueles que laboriosamente se dedicavam INTEGRALMENTE ao serviço do santuário, isto porque, Arão, seus filhos e seus auxiliares levitas foram proibidos por Deus de trabalharem na terra e/ou possuirem qualquer tipo de patrimônios, pois eles foram ungidos para o ministério sacerdotal entre o povo de Israel (Números 18:20-24).

b) Reparti-los com os necessitados (Deuteronômio 14:28,29): 

"Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás dentro das tuas portas;  Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o SENHOR teu Deus te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem".

Além dos levitas, as primícias (dízimos) deveriam ser compartilhados com os necessitados de Israel representados pelos órfãos, viúvas e até estrangeiros (não judeus). Fazer isso era a maneira de honrar a Deus e ser recompensado com as bênçãos divinas, pois Deus prometeu que abençoaria toda a obra que as mãos do contribuinte fizesse. Porém, fazer o contrário do que Deus estabeleceu era atrair maldição, como foi o caso dos sacerdotes que passaram a roubar a Deus nos dízimos e nas ofertas alçadas no tempo de Malaquias (Malaquias 3:8-10). 

"AGORA, ó sacerdotes, este mandamento é para vós.  Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração" (Malaquias 2:1,2).

Os sacerdotes passaram a desonrar a Deus na medida em que os mesmos passaram a roubá-lo, por primeiramente oferecer ao Senhor ofertas defeituosas que eram animais doentes e aleijados e, principalmente por se apossarem de algo que não lhes pertencia - os dízimos - pois estes eram dos levitas e necessitados. Dos sacerdotes eram somente as ofertas alçadas (Dízimo dos dízimos), quais os levitas deveriam entregá-los, mas estes nem os dízimos estavam recebendo e como poderia dar o dízimo dos dízimos? (Números 18:19; Neemias 13:10)

2 NO NOVO TESTAMENTO

Honrar ao Senhor com nossos bens no Novo Testamento significa tão somente obedecer aquilo que Jesus e os apóstolos nos legaram nas Escrituras.

a) O cuidado com os pobres

Em Lucas 18:18-25 vemos um jovem rico procurar Jesus para saber o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Após alguns questionamentos de Jesus sobre a observância dos mandamentos, o jovem declarou observá-los todos desde sua meninice, ao que Jesus ponderou que ainda faltava-lhe uma coisa, que seria a essencial: "vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me" (Verso 22). 

Infelizmente esse jovem achou difícil obedecer ao Mestre, pois seu coração estava firmado nas riquezas deste mundo. Mas, com Zaqueu foi diferente, pois este ao ouvir as palavras de Jesus se adiantou dizendo: "E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado."  (Lucas 19:8).

Na vida da igreja primitiva também observamos esta prática, pois a igreja era doutrinada na lei real que é a do amor ao próximo (Tiago 2:8). Alí os crentes eram instruídos a compartilhar o que tinham com aqueles que nada tinham, honrando assim ao Senhor com seus bens (Atos 4:32-37). Essa era a doutrina dos apóstolos.

Nas cartas paulinas vemos este apóstolo ensinar aos crentes gentios observarem essa prática, onde ele doutrinou sobre o principio da semeadura, quando disse: "E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará...Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre."  (2Coríntios 9:6-9). Paulo aprendeu e também ensinou que a bênção de Deus na vida do contribuinte, deve-se ao fato de observar este princípio que é semear nossos bens (semente) no solo certo que a vida do necessitado.

b) O cuidado com os obreiros do Senhor.

Tal qual os levitas do antigo concerto, a igreja deve valorizar a vida dos obreiros verdadeiramente chamados por Deus. Para isso ela precisa notar o esforço e dedicação do mesmo na obra de Deus e assim, repartir com ele as suas bênçãos, como diz:

"Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina;"  (1Timóteo 5:17).

"E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui."  (Gálatas 6:6).

Fazendo assim estaremos honrando ao Senhor com aquilo o qual Ele nos tem abençoado, na certeza de que nos abençoará mais ainda.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará.