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sábado, 2 de agosto de 2014

Como discernir o corpo do Senhor no ato da ceia para não ser condenado com o mundo?



"Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR" (1Cor 11:29).


A Ceia do Senhor ou "santa ceia" como alguns chamam é uma ordenança de Cristo à Sua igreja até que Ele volte. Nela os membros participam do pão que simboliza o corpo de Cristo que foi rasgado na cruz e do vinho que simboliza o sangue do Senhor derramado para a remissão dos pecados. Um dos textos muito utilizados no cerimonial da ceia está em 1Coríntios 11 : 23 a 32, mas que nunca é explicado dentro do seu contexto.

Paulo censura a atitude dos coríntios em não levarem a sério o ato da ceia do Senhor. Mas, qual foi o pecado dos Coríntios em relação a ceia? Paulo cita pelo menos quatro deles, conforme veremos:

1 - DISSENÇÃO (DIVISÃO): “Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões...” (Capítulo 11 e verso 18). Este era um problema sério na igreja de Corinto. Em duas oportunidades, Paulo os advertiu quanto a esse problema pedindo que eles abandonassem essa prática e vivessem unidos em um mesmo parecer (Capítulo 1 e verso 10 a 13). Em outra ocasião, Paulo os classifica de carnais e de andarem segundo os ensinamentos dos homens (Capítulo 3 e verso 3). Ao que parece, os crentes de corinto idolatravam seus líderes a ponto de se dividirem quanto a isso (Capítulo 3 e verso 4). Este é um tipo de pecado que ainda prevalece entre alguns cristãos.

2 – HERESIA: “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” (Capítulo 11 e verso 19). HERESIA: do latim haerĕsis, por sua vez do grego αρεσις, "escolha" ou "opção". É a doutrina ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo.

A falta de unidade dos coríntios era a causa de praticarem heresia por apegarem-se em determinados líderes em detrimento de outros, deixando a impressão para os de fora que Cristo estava dividido (Capítulo 1 e verso 13). Coisa pior está acontecendo hoje nas inúmeras denominações existentes que apesar de falarem de Jesus, não se harmonizam entre sí. Jesus edificou uma igreja e os homens dividiram-na fundando várias igrejas. A  prática da heresia consistia em eles seguirem doutrinas de homens quais eram ensinos distorcidos da Palavra de Cristo, praticando ritos de uma aliança que Cristo aboliu na sua morte (2Corintios 3:14).

3 – ACEPÇÃO DE PESSOAS: Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo” (Capítulo 11 e verso 22). A ceia do Senhor deveria ser um momento ímpar de comunhão, fraternidade e regozijo entre os irmãos, mas não era o que acontecia. O pão como símbolo do corpo do Senhor deveria ser repartido com todos os crentes indistintamente, conforme Ele mesmo pediu (Lucas 22:19; 1Coríntios 11:24). Mas os irmãos menos favorecidos ficavam de fora desta tão importante celebração. Semelhantemente nos dias de hoje há igrejas cujos ministros em obediência a algumas doutrinas que eles mesmos criaram alheia a vontade de Deus se recusam a repartir o pão a determinados crentes. Eles negam a ceia, principalmente a crentes que não contribuem financeiramente com a organização religiosa. Eles não se dão conta que a acepção de pessoas é um pecado gravíssimo contra o Senhor desde a antiga aliança (Deuteronômio 16:19; Jó 13:10; Malaquias 2:9; Tiago 2:1;9). Quem tal ato pratica receberá a justa recompensa (Colossenses 3:25).

4 - FALTA DE DISCERNIMENTO QUANTO AO CORPO DO SENHOR: “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR” (Capítulo 11 e verso 29). DISCERNIMENTO: do latim., discernere, discernir, "separar", "dividir", "decidir"; é a faculdade de escolher o certo, ter critério ou juízo; ou efeito de se distinguir com raciocínio sobre as coisas. Seria o senso que permite as pessoas a confrontar o certo e o errado, a verdade e a mentira, o melhor e o pior, a experiência pessoal e a crendice, e assim por diante.


O que era e o que é discernir o corpo do Senhor no ato da ceia? Jesus, pela Sua morte vicária deu inicio a dispensação da graça, inaugurando com o seu sangue a nova aliança. Por esta que foi inaugurada na cruz, foram abolidos todos os ritos mosaicos que prevaleceram na antiga aliança. Um dos grandes problemas que Paulo enfrentou nas igrejas que ele plantou por onde passou pregando o Evangelho, foi justamente a oposição dos falsos irmãos, que na maioria eram judeus legalistas, fariseus praticantes que mesmo aceitando ao Senhor, não se desvencilharam de seus antigos costumes e tradições que por centenas de anos foram praticados na religião judaica. Estes mesmos queriam introduzir tais costumes na igreja como complemento da salvação (2Corintios 11:26; Gálatas 2:4). A igreja de Corinto havia sido alvo deles, de sorte que os ensinos de Paulo foram distorcidos, como aconteceu na igreja da Galácia, onde também os crentes de lá foram induzidos a retrocederem da liberdade da graça para a obrigação da lei, vituperando o sangue de Cristo (Gálatas 2:1-3). A falta de discernimento em relação a lei e a graça fez com que os coríntios profanassem a ceia comendo exageradamente e se embriagando.

Na antiga aliança era costume celebrar a Páscoa que consistia em sete dias de festa com muita comida e bebida, bem como nos ritos da expiação pelos pecados que, segundo o escritor aos hebreus foram uma alegoria para este tempo presente (Hebreus 9:1-10). Até mesmo na cerimônia da entrega do dízimo que era realizado uma vez ao ano, era ordenado ao dizimista comer e beber, sendo permitido a este ingerir até bebida embriagante como parte do cerimonial: “...E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por VINHO, e por BEBIDA FORTE, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o SENHOR teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa” (Deuteronômio 14:26). Mas, na ceia do Senhor que deu início a Nova Aliança, o cerimonial seria totalmente diferente daquele praticado no antigo concerto (Hebreus 8:6-13). 

O evangelista Lucas registrou em seu evangelho que Jesus antes de celebrar a ceia cristã, primeiramente celebrou a ceia pascal para assim poder cumprir o rito do antigo concerto como a lei exigia. Ele tomou um cálice e bebeu e deu aos discípulos ordenando que todos bebessem dele (Lucas 22:17,18). Este cálice era o cumprimento do antigo concerto qual Jesus veio cumprir, pois Ele não beberia mais do fruto da videira até que viesse o reino de Deus. Em seguida, Jesus dá início a ceia da nova aliança onde Ele parte o pão e distribui, ordenando que todos comam em memória dEle. Aquele pão rasgado, doravante simbolizaria o seu corpo que seria rasgado por nossos pecados na cruz. Após a ceia, Jesus toma um outro cálice e diz: Este cálice é o NOVO TESTAMENTO no meu sangue, que é derramado por vós.  (Lucas 22:17-20). Neste ato Jesus estava mostrando que com a sua morte, pelo Seu sangue que seria derramado, Ele estaria inaugurando o novo concerto, onde o antigo já não teria mais nenhuma influência sobre este (Hebreus 9:16,17).

Mas, pela má influência dos judaizantes, os coríntios foram levados a retrocederem na graça e praticarem heresia não discernindo, isto é, não sabendo distinguir o velho do novo concerto. E ainda, a não serem compassivos e misericordiosos com seus irmãos e assim, indignamente participavam da ceia. Paulo diz que a lição do velho testamento foi por Cristo abolido (2Cor 3:14), e aqueles que tentam ao Senhor resgatando mandamentos, práticas e tradições desse concerto para inserir no novo que Cristo inaugurou com seu sangue trazem sobrei sí maldição e condenação. Os que assim fazem se tornam inimigos da Cruz de Cristo (Filipenses 3:18). A carta aos hebreus nos adverte do perigo que é um crente ser salvo pela graça, mas que por causa de ensinos heréticos e distorcidos recaem, isto é, voltam às práticas veterotestamentárias que por Cristo foram cumpridas e abolidas na cruz. Isto é o mesmo que crucificar novamente a Cristo e expô-lo à vergonha pública (Hebreus 6: 4-6).

Hoje, no ato da ceia, geralmente os crentes são levados a refletirem e confessarem suas culpas e erros e a pedirem perdão quanto as suas falhas, o que não deixa de ser correto. Contudo, alguns ministros exageram e às vezes até terrorismo psicológico fazem para obrigar alguns a irem a frente do púlpito das igrejas pedirem perdão, mas sem confessarem suas culpas. Isto é um perigo, pois tal ação leva a igreja a assumir uma responsabilidade de perdoar um pecado não confessado, o que não é correto (1Timóteo 5:22; 1João 5:16,17). Mas, o que deveria ser ensinado, principalmente no discernimento que obrigatoriamente deve ser feito sobre o corpo de Cristo, muitos por falta de ensino ignoram e tomam a ceia indignamente.

Quantos hoje, não estão participar da ceia pisando o sangue do filho de Deus, tornando a morte de Cristo em vão pela imposição de regras e mandamentos que foram desfeitas na carne de Cristo? (Efésios 2:15; Gálatas 2:21). A semelhança dos corintios, muitos crentes estão a cometer os mesmos pecados contra o Senhor, anulando a graça de Deus por viverem em dissensões, fazendo acepção de pessoas e praticando heresias por obedecerem ordenanças de uma aliança que expirou na cruz. Os coríntios tinham muitas falhas, mas estes foram os principais pecados cometidos por eles, pelos quais muitos ficaram fracos, alguns doentes e outros até morreram (Capítulo 11 e verso 30).

De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? (Hebreus 10:29).

Por muito tempo fomos ensinados que as doutrinas de Deus estão em toda a Bíblia, isto é, tanto no antigo como no novo testamento e que não podemos ignorá-las. Verdade, mas precisamos discernir quais se aplicam a nós e quais se aplicam aos judeus, pois de outra forma, os crentes fracos poderão ser induzidos a entristecerem o Espírito Santo ao seguirem determinadas doutrinas como: a) praticarem a circuncisão como maneira de fazer uma aliança com Deus (Gênesis 17:10); b) santificarem seus filhos primogênitos como Moisés ordenou (Números 3:13); c) saírem por aí apedrejando aqueles que julgarem pecadores (Levítico 24:14-23); d) ou até mesmo sacrificando animais em favor de seus pecados (Levítico 3:1-9), pois estes ritos eram algumas das muitas doutrinas do velho testamento que não dizem respeito a nós cristãos.  

Você irmão que leu este estudo, quando for tomar a próxima ceia na igreja que você congrega, lembre-se disso e saiba discernir o certo do errado, o falso do verdadeiro e principalmente a Velha da Nova Aliança para não ser condenado com o mundo (1Corintios 11:32).

Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros.  Mas, se algum tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para condenação. Quanto às demais coisas, ordená-las-ei quando for” (1Corintios 11:33,34).


Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Onde fica a casa do Senhor e do que ela é construída?


INTRODUÇÃO.

Deus tem uma casa? Sim! Como ela é, do que é feita e onde fica a casa de Deus? Quando se fala em casa de Deus atualmente, logo vem a mente a idéia de um prédio, casa de oração (templo), quais são também conhecidos por igrejas. Isso se dá por conta de uma tradição que as igrejas evangélicas herdaram do catolicismo romano, quando a igreja imperial no terceiro século da era cristã adotou a ideia de construir templos e catedrais em homenagem as suas divindades. Soma-se a isso a falta de conhecimento, pois não há um ensino coerente sobre essa verdade e, por conta disso, muitos até mistificam esses lugares por acreditarem que Deus habita de fato nesses espaços. Neste  estudo veremos que Deus não habita em templos feitos pelas mãos dos homens e qual é a casa de Deus na nova aliança e o cuidado que devemos ter pela habitação de Deus.

I - A HABITAÇÃO DE DEUS NO ANTIGO CONCERTO.

1 – Deus deseja habitar entre os israelitas no deserto  (Êxodo 29 : 45). Já vimos em lições anteriores que o Senhor ao tirar o seu povo do cativeiro egípcio, desejou habitar entre eles enquanto peregrinavam no deserto a caminho da terra prometida. Por eles ainda não haverem se fixado na terra, Deus ordenou construírem um tabernáculo, que era uma tenda móvel. Essa tenda seria armada e desarmada durante a caminhada no deserto até tomarem posse da terra prometida. Era um serviço árduo que somente os levitas (da tribo de Levi) poderiam executar. A peça mais importante do tabernáculo era a arca do concerto que continha o testemunho da lei e representava a santa presença de Deus em meio ao seu povo de Israel. Por intermédio do tabernáculo e da arca Deus caminhava em meio ao seu povo.

2 – Salomão edifica o templo (1Reis 6  : 14). Quatrocentos e oitenta anos depois que os filhos de Israel saíram do Egito, Salomão inicia a construção do templo que substituiria o tabernáculo (1Reis 6 : 1).  O templo foi construído com o que de mais belo e caro existia na época, pois seria a habitação do grande Deus (1Crônicas 22 : 14). Hoje, muitos se utilizam de passagens isoladas como esta para justificar a cobrança de contribuição com o objetivo de se construir casas para Deus. Porém, o próprio Salomão reconheceu que aquele templo, por mais suntuoso e belo que fosse não seria suficiente para abrigar o Deus que construiu o universo e a quem pertence a eterna glória (2Crônicas 6 : 18).

3 -  O templo se torna em objeto de superstição (Jeremias 7 : 4). Com o passar do tempo, o templo se tornou em objeto de misticismo em Judá. Na época de Jeremias o povo havia entrado pelo caminho da apostasia queimando incenso à rainha do céu, provocando a ira do Criador (Jeremias 7 : 17, 18). Os profetas com a aprovação dos sacerdotes alimentavam o povo com a falsa esperança que nada aconteceria com o povo, não importando o caminho que estivessem trilhando, pelo fato de o templo está edificado entre eles. Mas o Senhor por intermédio de Jeremias fala para estes não se fiarem em palavras falsas, e exorta-os a melhorarem seus caminhos e suas obras (Jeremias 7 : 5, 6). Deus chega a dizer que faria com esta casa (templo) o mesmo que Ele fez com o tabernáculo em Siló, quando o povo de Israel o abandonou (Jeremias 7 : 11 , 12 ; 14). E, como Deus falou, assim aconteceu (2Crônicas 36 : 19).

II JESUS MOSTRA SEU ZELO PELO TEMPLO

1 – Jesus purifica o templo. Jesus estava no pleno cumprimento da lei e ficou indignado ao observar a profanação que se fazia no templo. Jesus ainda não havia morrido para pagar o preço da redenção, portanto, o povo ainda era obrigado ir ao templo levar a oferta exigida por lei como expiação pelos pecados (Levítico 7 : 2), bem como a oferta anual que era para a manutenção deste (2Crônicas 24 : 5 – 7 ; Êxodo 30 : 16). Ao chegar no templo Jesus ficou irado com o comércio que havia se formado neste. Com a autorização dos sacerdotes, animais para sacrifícios eram vendidos e outras negociações envolvendo dinheiro (João 2 : 14 , 15). No antigo testamento Neemias mostra a mesma indignação quando vê o templo profanado com Tobias, um inimigo de Deus morando dentro da casa do tesouro com a permissão do sacerdote Eliasibe (Neemias 13 : 4 -10). Não obstante os exemplos de Neemias e Jesus, estes fatos se repetem constantemente nos templos religiosos.

2 - Jesus se apresenta como maior que o templo (Mateus 12 : 6): Desde sua construção por Salomão até Jesus, o templo foi um marco da religião judaica, por ser considerado como a casa de Deus.  Com a morte de Salomão, o reino de Israel se dividiu com dez tribos ficando o norte e duas ao sul de Israel. As tribos do norte, conhecidas como Israel adotaram como capital Samaria e a do sul, conhecida como Judá teve como capital Jerusalém, local onde estava edificado o templo. As tribos do norte (Israel) se misturaram com outras gentes e passaram a praticar uma adoração mista no monte (2Reis 17 : 24 ; 41). Mas os judeus da tribo de Judá adoravam no templo e não se misturavam com os samaritanos. Assim, criou-se a inimizade entre irmãos (judeus e samaritanos) até que Jesus veio para mostrar onde é o verdadeiro lugar de adoração (João 4 : 20 – 24). Pela sua morte, Jesus desfez as inimizades, edificando seu verdadeiro templo (Efésios 2 : 15 -22).

3 – Os primeiros crentes ainda no templo judeu: O templo ainda estava de pé e, pela tradição judaica os apóstolos e os primeiros crentes judeus se reuniam nele onde oravam segundo o costume, mas a ceia do Senhor era celebrada nas casas dos irmãos (Atos 2 : 46). Porém, a medida que a igreja ia crescendo, a permanência deles no templo ia ficando inviável. Foi depois da cura do coxo na Porta Formosa, que eles foram praticamente proibidos de entrarem alí, principalmente os apóstolos (Atos 4 : 1 - 3). Só permaneceriam lá se concordassem em não falar e não ensinar sobre Jesus (Atos 4 : 18). O que não foi aceito pelos apóstolos (Atos 4 ; 19 , 20). Mas a situação complicou mesmo quando Estevão foi acusado falsamente de pregar contra o templo (Atos 6 : 13 , 14). Em sua defesa ele cita o profeta Isaías 66 : 1 , 2 (Atos 7 : 47 – 50), mas de nada adiantou. Estevão morre apedrejado por falar a verdade.

III – DEUS ESCOLHEU HABITAR EM NÓS

1 – Igreja, a casa de Deus, coluna e apoio da verdade (1Timóteo 3 : 15). Com a inauguração da nova aliança a igreja passa a ser a verdadeira casa de Deus. Deus não mais habitaria em templos de pedras ou madeira (Atos 17 : 24). Passamos a ser a coluna e o apoio da verdade que são as palavras de Jesus, pela qual fomos libertos do engano e que devemos proclamar e viver. Jesus prometeu que Ele e o Pai viriam e fariam em nós morada (João 14 : 23). Jesus é o fundamento do verdadeiro templo, quais somos nós, edificados para morada de Deus em Espírito (Efésios 2 : 20 – 22). Cada crente é uma pedra viva, pela qual é edificado a casa espiritual onde se oferece sacrifícios agradáveis a Deus (1Pedro 2 : 5). Quando Jesus voltar para levar Sua igreja, deseja encontrar seu templo conservado, santo e irrepreensível (1Tessalonicenses 5 : 23).

2 – Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá (1Corintios 3 : 17): Deus escolheu habitar em nós. Somos a morada de santo Espírito, cuja habitação Ele requer santidade e zelo. Ele prometeu destruir aquele que vier a destruir o seu templo e essa advertência precisa ser levada muito a sério por cada um de nós, visto que muitas coisas podem contribuir para isso, como as obras da carne registrada em Gálatas 5 : 19 - 21, quais são: adultério, prostituição, impureza, e a lascívia que é o ato de trajar-se de modo indecoroso, despertando desejos maliciosos no sexo oposto. Hoje muitos crentes não se importam com isso, pois adotaram afilosofia do "nada a ver". Contudo é certo que tais atitudes contaminam, mancham e destroem o templo de Deus. E Deus é enfático que aquele que destruir a sua morada também será destruído.

 CONCLUSÃO

Como vimos, nosso corpo é a morada de Deus hoje, pois Ele não habita mais em templos feitos pelas mãos dos homens. Compete a nós zelarmos por Ele, não permitindo que nada venha contaminá-lo ou profaná-lo. No antigo concerto Deus proibiu o seu povo fazer qualquer marca em seu corpo (Levítico 19 : 28).

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.(1Corintios 6 : 19 , 20).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A diferença entre o justo e o ímpio


Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve. (Malaquias 3 : 18).

INTRODUÇÃO

Assim como o joio no meio do trigo os ímpios congregam junto com os justos. Como saber a diferença entre justos e ímpios; entre os que servem a Deus e os que não servem?

Por muito tempo julgamos aqueles que não comungam da mesma fé que a nossa ou não frequentam nenhuma igreja chamando-os de ímpios. Sim, há os ímpios que não conhecem a Deus e a Bíblia os trata assim (Salmo 10: 1 - 4). Porém, a pior classe de ímpios se encontra infiltrados no arraial dos santos, pois estes oram, cantam, conhecem e pregam a palavra, mas não põe em prática aquilo que ensinam. São ímpios porque conhecem a vontade de Deus, mas não se submetem a ela e principalmente na pratica da justiça. Esses ímpios também são conhecidos como injustos ou aqueles que praticam a iniquidade e que se ficarão de fora do reino de Deus se não mudarem de atitude. 

No sentido etimológico, ímpio é aquele que não pratica a piedade; é injusto; é desumano; é iníquo. No estudo de hoje veremos a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve.

I – A DIFERENÇA ENTRE JUSTOS E ÍMPIOS PECADORES

1 Entendendo a posição do salmista: O salmo 1 começa com o aconselhamento: Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”. Quem seriam esses ímpios? Pecadores de fora dos círculos religiosos como beberrões, homossexuais, assassinos, ladrões? Não! Esses ímpios de que trata o salmista são aqueles que estão em nosso meio, mas que não vivem uma vida de piedade e temor ao Senhor. São crentes que andam com a bíblia debaixo do braço, pregam e até se colocam como conselheiros de outros, mas que não vivem ou não praticam o que o santo livro ensina. Paulo escrevendo a Timóteo, fala que a atuação destes ímpios nos últimos dias resultaria em tempos trabalhosos para a igreja e nos aconselha a nos afastarmos destes, pois eles: “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te" (2Timóteo 3:5).

2 No exemplo de Noé e sua família: A bíblia diz que Noé eram homem justo em sua geração, pois ele andava com Deus (Gênesis 6:9 ; 7:1). Quando os filhos de Deus se envolveram com as filhas dos homens geraram filhos ímpios. Por causa disso a maldade do homem se disseminou sobre a terra corrompendo-a e enchendo de violência. Então o Senhor determinou exterminar todos os viventes, mas Noé encontrou graça aos olhos de Deus. Por sua integridade e justiça diante de Deus, Noé foi preservado junto com sua família do cataclismo que exterminou a vida no planeta (2Pedro 2:5).

3 No exemplo de Ló: Ló era sobrinho de Abrão e, por muito conviver com seu tio aprendeu a viver na prática da justiça. Ló escolheu habitar em uma cidade que mais tarde se corrompeu e sofreu o juízo divino pelo fogo. Quando Deus determinou exterminar os ímpios moradores daquelas cidades, Abrão lhe questionou se Ele destruiria o justo com o ímpio. Deus lhes respondeu que se houvesse cinquenta justos pouparia toda a cidade por amor aos justos. Por intercessão de Abrão, o Senhor declarou que se encontrasse dez justos na cidade não a destruiria por amor aos dez, mas só havia Ló e sua filhas (Genesis 18 : 23 – 32). Pedro declarou em sua segunda epístola que o que aconteceu em Sodoma ficaria como exemplo para quem quisesse viver impiamente, mas que livraria os justos assim como livrou Ló (2Pedro 2: 6 - 15).

4 No exemplo de Daniel (Daniel 6: 1 - 28): Daniel encontrava-se em Babilônia, onde fora levado cativo por Nabucodonosor, quando este destruiu Jerusalém. Quando Dario o persa assumiu o reino, decidiu constituir cento e vinte príncipes e sobre eles três presidentes, entre eles Daniel. Por sua justiça e fidelidade Deus o exaltou a ponto de Daniel se sobrepujar sobre os demais, levando o rei a pensar em constituí-lo sobre todo o seu reino. Isso causou a inveja dos outros dois que então procuraram ocasião para acusar Daniel de algum crime, mas não encontraram nele culpa alguma. Então, ardilosamente procuraram algo na própria lei de Deus que Daniel defendia. Aproveitando a vaidade do rei elaboraram um decreto, onde todo aquele que durante trinta dias fizesse alguma petição a algum deus que não fosse para o rei, este deveria ser lançado na cova dos leões. Sem saber que isto era uma armadilha contra o fiel Daniel o rei assinou o decreto. Embora fosse um edito real, Daniel não obedeceu e por causa disso foi condenado a morte na cova dos leões. Mas Deus honrou sua fidelidade e fechou a boca daquelas feras durante toda a noite. Pela manhã o rei foi a cova e viu o milagre de Deus na vida do justo Daniel. Então ordenou que se trouxessem os acusadores de Daniel com suas famílias e estes foram jogados na cova. Os leões nem deixaram estes cair no chão e foram logo os despedaçando.

II ÍMPIOS NO MEIO DO POVO DE DEUS

1 A prevaricação de Judá (Jeremias 5: 1 - 9). A tribo de Judá estava prestes a sofrer o juízo de Deus por causa de suas prevaricações. O capítulo cinco do livro do profeta Jeremias mostra a indignação de Deus contra o seu povo que se desviou da verdade e da justiça. A situação estava tão séria que o Senhor chega a fazer um apelo para que se procure pelas ruas e pelas praças de Jerusalém alguém que praticasse a justiça e a verdade, pois Ele estava disposto a dar-lhe o perdão. Não tinha nenhum. Deus então vai falar com os grandes, isto é, entre os reis, sacerdotes e profetas, mas estes juntamente quebraram o jugo, e romperam as ataduras (Verso 5). Por eles haverem tomado o caminho da impiedade, o juízo seria inevitável. “Deixaria eu de castigar por estas coisas, diz o SENHOR, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?” (verso 9).

2 Porque ímpios se acham entre o meu povo (Jeremias 5 : 26). Mesmo com inúmeras advertências e promessas de punição, o povo mantém-se rebelde a voz do Senhor e então, Deus mostra-lhes seus pecados e afirma que ímpios se acham entre o seu povo. Em seguida, o Senhor declara a ação destes: a)  Armavam laços e armadilhas para prenderem os homens (Verso 26). Jesus falou que esses tipos de ímpios até visitam os necessitados, mas com segundas intenções (Marcos 12 : 40). E Paulo confirma as palavras de Jesus (2Timóteo 3 : 6). b) Enganam as pessoas com o fim de enriquecerem e se engrandecerem (Verso 27). c) Com isso engordavam-se e manchavam suas vestes (tornavam-se nédios), ultrapassavam até os feitos dos malignos (pecadores de fora) e nisso prosperavam, mas não praticavam a justiça divina, que consistia em julgar a causa das viúvas e atender o direito dos necessitados (Verso 28). Este também foi o pecado dos sacerdotes no tempo de Malaquias (Malaquias 3 : 5).

Deus considera a ação desses ímpios como coisa espantosa e horrenda e promete castigar, punir e vingar os justos que são vítimas dos tais. O texto termina mostrando que a ação desses ímpios é fortalecida pelas mensagens dos falsos profetas, pelos quais os sacerdotes dominavam e o povo assim acreditava. (versos 30, 31).

3 Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio (Malaquias 3 : 18). Por intermédio de Malaquias o Senhor estava dando uma resposta ao questionamento de alguns judeus que  haviam tomado o caminho da impiedade, primeiramente pelo mau exemplo dos sacerdotes e depois se embasando na vida de pecadores que não obstante levarem uma vida desregrada e alheia a vontade de Deus prosperavam (Malaquias 3 : 15). Asafe certa vez se sentiu assim ao ponto de quase desviar-se (Salmo 73 : 2, 3). Mas entre os infiéis, haviam aqueles que eram justos e temiam ao Senhor e mutuamente se aconselhavam e o Senhor atentou para eles, prometendo que eles seriam seu tesouro particular e que no dia do juízo vindouro seriam poupados como um pai poupa a seu filho (Malaquias 3 : 16, 17). O escritor aos hebreus nos aconselha a fazermos o mesmo:  "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hebreus 3 : 11, 12).


CONCLUSÃO

O evangelista Mateus registrou as palavras de Jesus no que diz respeito a diferença entre o que serve a Deus e o que não serve, conforme esta no capítulo 7 e versos 21 a 23 que diz:

21  Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22  Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23  E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Atualmente muitos professam o nome de Cristo e alegam servi-lo. Em parte julgamos se isso é assim mediante os frutos que produzem. Mas existem outros que somente se verá a diferença no momento em que a igreja for arrebatada, pois os justos subirão, mas os ímpios ficarão.

Deus nos ajude em nossa caminhada a sermos justos e praticarmos a justiça para não sermos confundidos naquele glorioso dia. Amém.
  
Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará