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terça-feira, 10 de março de 2015

Não darás Falso Testemunho

Texto Áureo:
"Não admitirás falso rumor, e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa. (Êxodo 23 : 1)
 INTRODUÇÃO

Por envolver a questão da mentira, o nono mandamento se aproxima do terceiro mandamento. Aliás, o falso testemunho e a mentira são aliados inseparáveis, poderosos para, inclusive acabar com uma vida. Ele também tem ligação com o sexto mandamento, pois a palavra de falsidade tem o poder de matar uma pessoa. "A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto." (Provérbios 18 : 21), e: "A língua falsa odeia aos que ela fere, e a boca lisonjeira provoca a ruína."  (Provérbios 26 : 28). O nono mandamento é tão grave que aquele que o pratica tem de estar ciente do juízo que sobre ele virá, pois: "A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá." (Provérbios 19 : 9).

I – O NONO MANDAMENTO

Abrangência, Objetivo e Contexto: "Martelo, espada e flecha aguda é o homem que profere falso testemunho contra o seu próximo."(Provérbios 25 : 18). Não darás falso testemunho tem como objetivo proteger a honra e a fé do indivíduo. Somente quem já foi vítima de calúnia e difamação, pode entender claramente o que isso significa. O catecismo maior de Westminster define o objetivo do nono mandamento que é “conservar e promover a verdade entre os homens e a boa reputação do nosso próximo,assim como a nossa própria; evidenciar e manter a verdade, e de coração, sincera, livre, clara e plenamente falar a verdade, somente a verdade, em questão de julgamento e justiça e em todas as coisas mais, considerar caridosamente os nossos semelhantes...”

E, no tocante a doutrina, este mandamento se constitui uma muralha contra os falsos ensinos teológicos. Pelo menos deveria ser assim, pois a igreja dos últimos dias tem sido bombardeada pelos mais diversos movimentos estranhos a ortodoxia bíblica. A nociva teologia da prosperidade é um exemplo disso. Iniciada nos Estados Unidos no ano de 1950, este movimento teológico teve grande aceitação no movimento evangélico brasileiro, principalmente nas igrejas néo-pentecostais, expandindo-se para as igrejas pentecostais e até tradicionais. 
A Teologia da Prosperidade é uma doutrina cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel. Baseada em interpretações não-tradicionais da Bíblia, geralmente com ênfase no Livro de Malaquias, a doutrina interpreta a Bíblia como um contrato entre Deus e os humanos; se os humanos tiverem fé em Deus, Ele irá cumprir suas promessas de segurança e prosperidade. Sendo a filosofia dessa teologia que a prosperidade financeira é resultado de uma troca, ou seja, a disposição em se investir valores financeiros no reino de Deus para se obterde volta em dobro de Deus; àqueles que não aceitam tais ensinamentos sofrem julgamentos temerários por parte daqueles que direta ou indiretamente aprovam tal teologia. Isto é de alguma maneira a violação do nono mandamento.

No contexto da lei mosaica, o nono mandamento foi dado para estabelecer a justiça no meio do povo de Israel. Quando os hebreus tomaram posse da terra prometida, Deus determinou que em cada cidade que fosse estabelecida, também fossem estabelecidos juízes que julgassem a causa do povo com justiça: "Juízes e oficiais porás em todas as tuas cidades que o SENHOR teu Deus te der entre as tuas tribos, para que julguem o povo com juízo de justiça." (Deuteronômio 16 : 18). Por representarem Deus nos julgamentos, os juízes não poderiam fazer acepção de pessoas e não receber subornos (Deuteronômio 16 : 19).

II – O PROCESSO

Responder em juízo, Falso testemunho e o próximo: "Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;" (Levítico 19 : 11).

Falso testemunho é um crime que consta na legislação brasileira que está previsto no artigo 342 do Código Penal Brasileiro, que é: "Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, tradutor, contador ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial ou em juízo arbitral:"

Pena: Reclusão, de 2 a 4 anos, e multa (Pena com a redação dada peça Lei nº 12.850/13).



§ 1º - As penas aumentam-se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal, ou em processo civil em que for parte entidade da administração pública direta ou indireta.
§ 2º - O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade.

O nono mandamento está intrinsecamente ligado ao grande mandamento que Jesus deixou à sua igreja que é amar a Deus e ao próximo. Jesus disse que desses dois, dependem toda a lei mosaica. Até porque, o amor que devotamos a Deus só poderá ser reconhecido se primeiramente demonstrarmos amor para com o nosso semelhante. João, o discípulo amado foi bem claro quanto a este assunto: “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão” (João 4 : 20 , 21). Aquele que ama seu irmão, não levanta calúnia contra seu próximo. A lei dizia a mesma coisa: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não te porás contra o sangue do teu próximo. Eu sou o SENHOR. Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado” (Levítico 19 : 16 , 17).


Duas coisas nos chamam atenção nestes textos, “Não andarás como mexeriqueiro” no verso 16 e “não deixarás de repreender o teu próximo” no verso 17. O mexerico aqui se refere a “fofoca” propriamente dita. O mexeriqueiro segundo o dicionário é o maldizente ou fofoqueiro; é aquele que gosta de fazer intrigas e anda a vasculhar a vida alheia em busca de defeitos. Quando não encontra, ele inventa. É aquele que semeia discórdia entre irmãos, fato que Deus abomina em Sua Palavra: “A testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos” (Provérbios 6 : 19).O mexeriqueiro é aquele que espalha infâmia do próximo com base em falsos relatos de outros mexeriqueiros, arruinando a vida alheia, quando não, destruindo grandes amizades."O homem perverso instiga a contenda, e o intrigante separa os maiores amigos." (Provérbios 16 : 28). É o falso testemunho condenado no nono mandamento.

E, quanto a não deixar de repreender o teu próximo diz respeito ao cuidado que temos de ter para com o nosso irmão, quando o vemos praticar algo que não está de acordo com a vontade de Deus. Muitos não entendem esse cuidado e, quando são repreendidos, se valem de textos da bíblia que dizem que não devemos julgá-los, porque Jesus disse: "Não julgueis, para que não sejais julgados." (Mateus 7 : 1). Porém, existe uma grande diferença entre julgar e repreender por amor, que é julgar com justiça. Jesus disse: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça." (João 7 : 24). Não repreender o irmão na sua falta é ser conivente com o seu erro, podendo ser responsabilizado pelo sangue deste. "Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para dissuadir ao ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniqüidade, porém o seu sangue eu o requererei da tua mão." (Ezequiel 33 : 8). No novo testamento, Judas, o irmão do Senhor nos dá este conselho:"E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne."(Judas 1 : 23).

III – A VERDADE

Antigo Testamento, Novo Testamento, O que é a Verdade?"Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros."(Efésios 4 : 25).

Um dos grandes deveres do nono mandamento é falar a verdade. Quem de fato ama a Deus e ao próximo deve ter grande satisfação em sempre falar a verdade, ainda que não seja bem compreendido. Amigos de Paulo se tornaram seus inimigos porque ele lhes disse a verdade: "Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?" (Gálatas 4 : 16). Falar a verdade tem sido um dos grandes desafios dos servos de Deus nestes últimos dias, pois vivemos em tempos de relativismos em todas as áreas, tanto na sociedade, como no meio religioso. De certa forma falar a verdade tem soado como uma ofensa para muitos, que não vivem de acordo com os padrões estabelecidos por Deus. Estes geralmente interpretam isso como uma forma de julgamento, por parte daqueles que tentam alertá-los de seus desvios.

Ora, se Deus é a verdade e a verdade é um atributo dEle e, toda verdade emana dEle, convém-nos falar a verdade e viver essa verdade, ainda que com prejuízos. Verdade e justiça andam juntas: "Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça;" (Efésios 6 : 14). Tiago o irmão do Senhor nos aconselha: “Irmãos, se algum dentre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, Saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados” (Tiago 5 : 19 , 20). Jesus se identificou como essa verdade que é: A verdade que liberta o homem (João 8 : 32); a verdade que conduz ao Pai (João 14 : 6); e a verdade pela qual o homem é santificado (João 17 : 17).

IV – O CUIDADO COM A MENTIRA

As testemunhas, Os danos, O pecado da mentira: "A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá." (Provérbios 19 : 9). A mentira surgiu no Édem, quando Satanásinduziu o primeiro casal a desobedecer o Criador dizendo que eles não morreriam se comessem do fruto que Deus havia proibido que eles tocassem (Gênesis 3 : 1 – 4). A mentira não deva fazer parte dos filhos de Deus. Na lei Deus determinou: "Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo;" (Levítico 19 : 11). A mentira é oposta a verdade, mas infelizmente ela tem mais aceitação entre os homens do que a própria verdade. Segundo as Palavras de Jesus a mentira tem um pai que é o diabo (João 8 : 44). O falso testemunho tem sua força na mentira, cujo efeito pode levar pessoas à prisão e até à morte, como aconteceu com Estevão, um dos sete diáconos. (Atos 6 : 8 – 14):

8  E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.
9  E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão.
10 E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava.
11 Então subornaram uns homens, para que dissessem: Ouvimos-lhe proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.
12 E excitaram o povo, os anciãos e os escribas; e, investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao conselho.
13 E apresentaram falsas testemunhas, que diziam: Este homem não cessa de proferir palavras blasfemas contra este santo lugar e a lei;
14Porque nós lhe ouvimos dizer que esse Jesus Nazareno há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos deu.

Jesus também foi vítima do falso testemunho, com acusações parecidas com as de Estevão (Marcos 14 : 55 – 58):

55 E os principais dos sacerdotes e todo o concílio buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matar, e não o achavam.
56 Porque muitos testificavam falsamente contra ele, mas os testemunhos não eram coerentes.
57 E, levantando-se alguns, testificaram falsamente contra ele, dizendo:
58 Nós ouvimos-lhe dizer: Eu derrubarei este templo, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens.

E por fim, o falso testemunho poderá levar alguém a cometer o pecado imperdoável que é a blasfêmia contra o Espírito Santo. No evangelho de Mateus 12 : 22 a 32, vemos um episódio que mostra essa situação: Jesus havia curado um homem expulsando o demônio que lhe atormentava. Por inveja, os religiosos atribuíram a Belzebu a operação daquele milagre pelo Senhor. Jesus havia operado aquele milagre pelo Espírito Santo que era com Ele, por isso advertiu que: “Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens” (Mateus 12 : 31). Em relação aqueles que crêem no Senhor, Jesus disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada." (João 14 : 23).

Hoje, Deus não habita mais em templos de pedras, mas no templo que Ele mesmo construiu. Paulo disse: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I Coríntios 3 : 16). Sim, o mesmo Espírito Santo que estava com Jesus, hoje está com os seus servos – aqueles que lhe obedecem. Portanto, é preciso tomar o máximo cuidado quando se tratar com o semelhante e ao se proferir palavras de injúria, calúnia e outras contra os servos de Deus. Hoje, no campo religioso é muito comum dizer que tal pessoa tem demônio, quando não se concorda com aquilo que a outra prega, ou mesmo por causa das ideologias ou diferenças religiosas.

CONCLUSÃO:

Por causa daquilo que eu hoje defendo e ensino sou chamado por alguns de ladrão, anticristo, filho do diabo e até satanista. Quando eu estava na congregação chegaram até a afirmar que eu era usado pelo demônio nos meus ensinos, pelo fato de eu pregar aquilo que muitos não gostam de ouvir. Mas, antes de apontarmos o dedo para julgar o próximo, levantando falso testemunho contra este, devemos lembrar-nos das Palavras de Jesus: "Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo."  (Mateus 12 : 36).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa

Sta. Bárbara do Pará

terça-feira, 3 de março de 2015

Não Furtarás!


No próximo domingo, 8 de março será ministrada a lição nº 10 da lição do presente trimestre que fala sobre os Dez Mandamentos. O assunto falará a respeito do oitavo mandamento que diz: NÃO FURTARÁS! Elaborei um pequeno subsídio sobre o assunto em questão, conforme segue:

Texto Áureo:
"Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade." (Efésios 4 : 28)

Verdade Prática:
O Oitavo mandamento diz respeito à proteção da propriedade e abrange grande número de modalidades de furto sobre os quais o cristão precisa vigiar para não cair nas ciladas do Diabo.

INTRODUÇÃO

NÃO FURTARÁS ou NÃO ROUBARÁS; Qual o termo correto? Furtar e roubar são dois termos parecidos, mas com significados diferentes em sua etimologia. Porém, em ambos os casos, o furto e o roubo é praticado por alguém que é conhecido como ladrão.

Antes de iniciarmos nosso comentário sobre o oitavo mandamento NÃO FURTARÁS, precisamos entender a diferença que há entre FURTAR e ROUBAR.

FURTARTirar algo de uma pessoa sem o seu consentimento, apropriando- se INDEBITAVELMENTE do objeto”. É uma figura de crime prevista nos artigos 155 do Código Penal Brasileiro, que consiste na subtração de coisa alheia móvel para si ou para outrem, com fim de assenhoreamento definitivo.

ROUBAR: “Tirar algo de uma pessoa utilizando-se de VIOLENCIA (Assalto)”. No Brasil, a pena prevista para este crime é a reclusão, de quatro a dez anos, e multa (art. 157, caput, do Código Penal). Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa. Se resulta em morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa. Trata-se do chamado latrocínio, considerado crime hediondo, nos termos da Lei 8.072/90.

NO ANTIGO TESTAMENTO

FURTO vem do hebraico ganab” (ga-nab) (גנב / גָּנַב) e é relativo a furtar”, “roubar” e implica em “enganar”. Em ambos os casos quem pratica tais crimes é considerado ladrão. Este verbo ocorre cerca de 39 vezes no Antigo Testamento e, diz respeito primariamente a sequestro de pessoas que eram roubadas e vendidas como escravas. Um crime que foi cometido pelos filhos de Jacó que venderam o próprio irmão, José a comerciantes ismaelitas (Gênesis 37 : 25 - 27). O próprio José testemunha sobre isso, quando diz: "Porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tampouco aqui nada tenho feito para que me pusessem nesta cova." (Gênesis 40 : 15)

Porém, o oitavo mandamento NÃO FURTARÁS, diz respeito a outros tipos de delitos como: extorquir, sonegar, desviar, desfalcar, usurpar, saquear, piratear, e outros. O furto e/ou roubo na Bíblia também estava associado ao despojo, prática bastante comum nos tempos do Antigo Testamento:

"E não trarão lenha do campo, nem a cortarão dos bosques, mas com as armas acenderão fogo; e roubarão aos que os roubaram, e despojarão aos que os despojaram, diz o Senhor DEUS." (Ezequiel 39 : 10).

"Porque o SENHOR restaurará a excelência de Jacó como a excelência de Israel; porque os saqueadores os despojaram, e destruíram os seus sarmentos." (Naum 2 : 2).

"E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto." (Lucas 10 : 30).

Por essa razão que os céticos e críticos da Bíblia, dizem haver contradição nesta, porque Deus, por um lado proíbe a prática do furto e do roubo e por outro ordena que se roube. Se valem isoladamente das passagens de Êxodo: “Porque cada mulher pedirá à sua vizinha e à sua hóspeda jóias de prata, e jóias de ouro, e vestes, as quais poreis sobre vossos filhos e sobre vossas filhas; e despojareis os egípcios (Êxodo 3 : 22) e também. "E o SENHOR deu ao povo graça aos olhos dos egípcios, e estes lhe davam o que pediam; e despojaram aos egípcios." (Êxodo 12 : 36). Esta contradição é desfeita, quando lemos todo o contexto que diz que Deus deu ao povo graça aos olhos dos egípcios. E em Êxodo 12 : 33 diz: “E os egípcios apertavam ao povo, apressando-se para lançá-los da terra; porque diziam: Todos seremos mortos”.

Como vemos, os egípcios tinham pressa que os hebreus deixassem o Egito, por causa do juízo de Deus que ali se derramou e a saída dos hebreus do Egito era a garantia de que eles não morreriam pelas pragas. Com esta atitude, os egipcios cumpriram a vontade de Deus que muito tempo antes havia prometido a Abrão que disse: "Então disse a Abrão: Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos,Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza" (Gênesis 15 : 13). Então, os hebreus não despojaram (roubaram) os egípcios.

O oitavo mandamento foi dado a Israel como preceito religioso e jurídico e, ao contrário dos demais mandamentos que estudamos até agora que sentenciava a morte o transgressor; este mandamento, de alguma maneira protegia o infrator, salvo se ele fosse flagrado e morto durante a noite (Êxodo 22 : 2). Fora isto, a pena prevista na lei era que o meliante, no caso de ser apanhado, restituiria com juros a quem havia defraudado. “Se alguém furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas." (Êxodo 22 : 1). Quando Zaqueu se converteu ao Senhor, agiu conforme a lei exigia: "E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado." (Lucas 19 : 8). Zaqueu não somente cumpriu a lei de Moisés ao devolver quatro vezes mais o que havia roubado de seus compatriotas; bem como também cumpriu a lei de Jesus, ao decidir repartir suas riquezas com os necessitados; o que o jovem rico não quis fazer (Mateus 19 : 22).

Deus não desejava a morte do ladrão, mas que este pagasse pelos seus crimes, caso contrário, determinaria em lei que os tais fossem mortos, como os idólatras; os que violavam o sábado e aos que eram flagrados em adultério. Na própria lei, Deus determinou um sacrifício para perdoar os crimes de furto e roubo, onde o culpado levaria uma oferta ao altar e o oferecia pela sua transgressão, conforme está em Levitico 6 : 1 – 7:

 Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo:
 Quando alguma pessoa pecar, e transgredir contra o SENHOR, e negar ao seu próximo o que lhe deu em guarda, ou o que deixou na sua mão, ou o roubo, ou o que reteve violentamente ao seu próximo,
 Ou que achou o perdido, e o negar com falso juramento, ou fizer alguma outra coisa de todas em que o homem costuma pecar;
 Será pois que, como pecou e tornou-se culpado, restituirá o que roubou, ou o que reteve violentamente, ou o depósito que lhe foi dado em guarda, ou o perdido que achou,
 Ou tudo aquilo sobre que jurou falsamente; e o restituirá no seu todo, e ainda sobre isso acrescentará o quinto; àquele de quem é o dará no dia de sua expiação.
 E a sua expiação trará ao SENHOR: um carneiro sem defeito do rebanho, conforme à tua estimação, para expiação da culpa trará ao sacerdote;
 E o sacerdote fará expiação por ela diante do SENHOR, e será perdoada de qualquer das coisas que fez, tornando-se culpada.
Alguns crentes usam passagens isoladas da Bíblia para afirmar que Deus mata sim a quem pratica o furto e/ou roubo. Citam (fora do contexto é claro) os casos de Acã no antigo testamento e de Ananias e Safira no novo testamento. Afirmam que Deus matou Acã, por este haver se apossado aquilo que era consagrado a Deus. Mas, Acã não morreu por haver roubado, mas sim por ter desobedecido as ordens de Deus, tomando o quera do anátema (maldição) e trazendo esse mal para dentro do arraial de Israel. Tudo o que pertencia a Jericó era maldito e ninguém poderia tomar nada para si. Quando da conquista de Jericó, Deus ordenou destruir tudo o que lá havia, com exceção de Raabe e sua família (Josué 6 : 17 , 18). Também o ouro, a prata e os demais metais que Deus ordenou separar para o santuário só deixaria de ser maldito quando passasse pelo processo de purificação, conforme a lei (Números 31 : 20 - 23). Acã cobiçou-os e se apossou deles muito antes de estes haverem sido separados e purificados para Deus, por isso que tomou maldição. 
E, quanto ao caso de Ananias e Safira no novo testamento, este casal morreu por haver mentido ao Espírito Santo. Como um abismo chama outro abismo, a ganância daquele casal contribuiu para esta tragédia. A propriedade que era deles e ninguém os forçou a vender para ajudar os irmãos. Eles tomaram essa iniciativa, mas a cobiça os dominou e eles tomaram para sí uma parte, achando que enganariam a Deus e ficariam impunes. Algo que acontece muito em nossos dias, quando se usa o nome de Deus em vão, pedindo a igreja contribuições, alegando ser para a obra de Deus, mas aplicando em outras coisas que a igreja muitas vezes não tem conhecimento.
A verdade prática da lição diz que o Oitavo Mandamento diz respeito à proteção da propriedade. De fato, Deus valoriza a conquista de seus filhos, quando adquiridos de forma honesta pelo trabalho. Deus não priva seus servos de possuírem bênçãos, conquanto seja adquirida de forma honesta e que não depositem sua confiança nelas, pois: "Aquele que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem." (Provérbios 11 : 28). Ainda, no livro de provérbios encontramos dois exemplos, quanto a proteção de propriedades: “Não desloques os marcos antigos que limitam as propriedades e que foram colocados alí por teus antecedentes” (Provérbios 22 : 28). E, Não mudes os antigos marcos divisórios de propriedades, nem invadas as terras dos órfãos, porquanto o Redentor dos direitos dos órfãos é poderoso, e se colocará contra tí por causa deles" (Porvérbios 23 : 10 , 11). Já ví e ouví muitos pregadores usarem estes textos relacionando-os com a maneira de se obedecer à doutrina e, principalmente para corroborar a manutenção dos costumes e de diversas tradições nas igrejas, quais eles dizem que não temos o direito de mudar. Porém, os textos dizem respeito a proteção de propriedades alheias. Acabe e sua descendência foram punidos por Deus por causa desse cuidado (2Reis 9 : 26).

NO NOVO TESTAMENTO

Há um provérbio que diz que o “trabalho dignifica o homem”. O texto áureo da lição diz: "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade." (Efésios 4 : 28). O trabalho não é conseqüência do pecado, mas é um privilégio que Deus concedeu a seus filhos, para que estes de uma forma honesta realizem seus sonhos e também possam ajudar a obra de Deus, repartindo com aqueles que têm necessidade. Jesus, como homem, valorizou o trabalho e não viveu na ociosidade. Seus discípulos aprenderam com Ele e o imitaram. Paulo, quando orientava os líderes da igreja em Éfeso diz:

“33 De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário. 34 Sim, vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. 35 Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber” (Atos 20 : 33 – 35).
  

Em outras igrejas o conselho dele era: "E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado;" (I Tessalonicenses 4 : 11), e: "Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também." (II Tessalonicenses 3 : 10). Jesus havia ensinado que “digno é o trabalhador de seu alimento” (Mateus 10 : 10b). Portanto, todos os que trabalham devam se contentar com o ganho relativo aquilo que fazem. Fazer pouco ou quase nada e querer ganhar muito não é dignidade.

Jesus orienta seus seguidores:  "E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui."  (Lucas 12 : 15). A falta de vigilância nesse particular poderá levar o cristão a violar o oitavo mandamento. 

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa

Sta. Bárbara do Pará

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O tempo da Profecia de Daniel


Chegamos ao final de mais um ano e também ao encerramento de mais um trimestre de lições da Escola Dominical. Neste último trimestre estudamos o livro de Daniel que teve como tema: Integridade Moral e Espiritual - O Legado de Daniel para a Igreja de hoje. Na última lição que tem como tema O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL, faz-se necessário tecer um comentário sobre O HOMEM VESTIDO DE LINHO que foi assunto da lição de nº 11. Isto porque a última lição que encerra o trimestre de 2014 é a conclusão das revelações que o Homem Vestido de Linho começou a dar a Daniel no capítulo 10.

Quem era o homem vestido de linho; Jesus ou um anjo?

As opiniões se divergem quanto a quem seria este personagem, contudo, uma leitura cuidadosa dos capítulos 9, 10 e 12 do livro de Daniel, bem como Ezequiel e Apocalipse nos farão entender essa aparente problemática. É imprescindível entender que os capítulos que narram as visões de Daniel não estão em ordem cronológica. Exemplos: A visão registrada no capítulo 11 é a continuação da visão que Daniel teve no capítulo 8; bem como o capítulo 12 que encerra o livro, é a conclusão da revelação que lhe foi entregue no capítulo 10, pelo homem vestido de linho.

Alguns chegam a dizer que na visão do capítulo 10 havia mais de um personagem, quais seriam, Jesus, um anjo desconhecido que tocou em Daniel e o arcanjo Miguel. Lendo atentamente os capítulos 10 e 12, excetuando Miguel, vemos a visão tratar-se de apenas um ser celeste que veio a Daniel, trazer-lhe a resposta de suas orações. Sim, o homem vestido de linho que é o enviado a trazer a mensagem, é o mesmo que toca em Daniel para animá-lo, após ele desmaiar. Em Daniel 10:18, o profeta afirma: “18  E aquele, que tinha aparência de um homem, tocou-me outra vez, e fortaleceu-me”. Atente para o “outra vez”, onde Daniel dá a entender que o mesmo personagem já o havia tocado anteriormente. Confira em Daniel 8:18; 9:21 ; 10:10. Mas seria o homem vestido de linho a personificação de Jesus?

O comentarista da lição enfatizou na lição nº 11 que teve como tema: O homem Vestido de Linho que Homem algum pode resistir diante da glória do Senhor. A visão do Filho do Homem fez com que as forças físicas de Daniel se esgotassem”. De fato, isto é uma verdade, mas se atentarmos para outros detalhes da revelação, vamos observar que Daniel também caiu com o rosto em terra quando Gabriel lhe apareceu por duas vezes. O próprio comentarista considera isto na lição 12, quando afirma que “o arcanjo Miguel, príncipe de Deus, entrou em batalha contras as forças do mal a fim de que o anjo Gabriel levasse a mensagem ao profeta”. E o texto o qual ele mencionou se refere ao homem vestido de linho que foi impedido pelo príncipe do reino da Pérsia (Daniel 10:13). Não é minha intenção desacreditar o comentarista da lição e nem contradizer quem quer que seja, pois nem teólogo sou; mas sou um apaixonado pela escola dominical e pelo estudo das Escrituras. Porém, em meus estudos costumo me valer da hermenêutica, que é a ciência pela qual interpretamos a bíblia pela própria bíblia. Vejamos os fatos:

Daniel 8:15-18: “15  E aconteceu que, havendo eu, Daniel, tido a visão, procurei o significado, e eis que se apresentou diante de mim como que uma SEMELHANÇA DE HOMEM. 16  E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão. 17  E veio perto de onde eu estava; e, vindo ele, me amedrontei, e caí sobre o meu rosto; mas ele me disse: Entende, filho do homem, porque esta visão acontecerá no fim do tempo. 18  E, estando ele falando comigo, caí adormecido com o rosto em terra; ele, porém, me tocou, e me fez estar em pé”.

Daniel 8:15, diz que uma semelhança de homem se apresentou diante dele.O profeta Ezequiel que foi contemporâneo de Daniel teve uma visão às margens do rio Quebar de quatro seres celestes, e, embora possuíssem grandes asas e rostos de animais, contudo tinham a semelhança de homem (Ezequiel 1:5). A compreensão da visão que Ezequiel teve, vamos entendê-las nos capítulos 9 e 10, onde, inclusive, aparece o homem vestido de linho com tinteiro de escrivão, com a ordem de marcar nas testas a todos aqueles que não concordavam com as abominações que se cometia em Judá (Ezequiel 9:3,4). João na ilha de Patmos teve uma visão de um anjo com o selo de Deus nas mãos com uma missão semelhante ao homem vestido de linho em Ezequiel 9:3, 4. Este ser também tinha a incumbência de assinalar nas testas os fiéis servos de Deus. Confira em Apocalipse 7:2, 3. Quanto aos seres com semelhança de homem, Ezequiel entendeu que eram querubins (Ezequiel 10:20).

Em Daniel 8:16, o anjo Gabriel recebe ordens de uma voz de homem que veio das margens do Ulai, que gritando disse: Gabriel, dá a entender a este a visão”. Nos versos 17 a 18, Daniel fica com medo e cai sobre seu rosto quando Gabriel se aproxima dele. Ao ouvir a voz de Gabriel falando com ele, Daniel cai adormecido com o rosto em terra, mas o próprio Gabriel toca em Daniel e o desperta fazendo-o ficar de pé. Agora, preste atenção com o que acontece com Daniel ao presenciar o homem vestido de linho:

Daniel 10:9,10: “9 Contudo ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo o som das suas palavras, eu caí sobre o meu rosto num profundo sono, com o meu rosto em terra. 10 E eis que certa mão me tocou, e fez com que me movesse sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos”. Alguns entendem que esta “certa mão” que tocou em Daniel seria de um “outro anjo”, mas o texto não sugere que seja isso.

Em Daniel 10:13, o Homem vestido de linho diz a Daniel: “13 Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o PRIMEIRO DIA em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras”. Agora, voltemos ao capítulo 9, e vejamos o que acontece quando Daniel estava orando e se humilhando na presença de Deus.

Daniel 9:21-23: 21  Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde. 22  Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido. 23  No PRINCÍPIO das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és MUI AMADO; considera, pois, a palavra, e entende a visão”.

Preste atenção nas semelhanças das Palavras: Em Daniel 9:23 Gabriel diz: No PRINCÍPIO das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim para to declarar, porque és MUI AMADO”.Em Daniel 10:11,12, o Homem vestido de Linho diz: “11  E me disse: Daniel, HOMEM MUITO AMADO, entende as palavras que vou te dizer, e levanta-te sobre os teus pés, porque a TÍ SOU ENVIADO. E, falando ele comigo esta palavra, levantei-me tremendo. 12 Não temas, Daniel, porque desde o PRIMEIRO DIA em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras”.

Atente para o detalhe que Gabriel recebeu ordens para trazer a resposta a Daniel no principio de suas súplicas, isto é, assim que Ele começou sua oração se humilhando na presença do Senhor. E no capítulo 10 o Homem vestido de linho afirma que desde o primeiro dia que Daniel aplicou seu coração a compreender e a humilhar-se perante Deus, ele foi enviado a trazer-lhe o entendimento da visão.

As deduções que muitos têm de que o homem vestido de linho seja o Senhor, parte da interpretação que fazem sobre a visão que João teve em Apocalipse que muito se assemelha à visão de Daniel sobre o homem vestido de linho. Comparemos as visões:

Daniel 10:5, 6: “5 E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz;  6 E o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão”.

Apocalipse 1: 13-16: “13 E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. 14  E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; 15  E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. 16  E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece”.

Realmente, as visões são parecidas, mas se atentarmos para o capítulo 10 de Apocalipse, vamos ver algo mais parecido:

Apocalipse 10:1: “1 E vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo; 2  E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra; 3  E clamou com grande voz, como quando ruge um leão; e, havendo clamado, os sete trovões emitiram as suas vozes”.

Note bem que sobre este anjo que João viu, havia algo singular que o diferenciava dos outros. Entre outros aspectos o seu rosto era como o sol, igual a visão que João teve do Senhor, e os pés como colunas de fogo. Mas João afirma que este era um anjo forte que até fez um juramento por aquele que vive para sempre: “E o anjo que vi estar sobre o mar e sobre a terra levantou a sua mão ao céu, E jurou por aquele que VIVE PARA TODO O SEMPRE, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há, que não haveria mais demora”; (Apocalipse 10:5,6). Em Daniel 12:6,7 o Homem Vestido de Linho também está sobre as águas do rio Hidéquel (Tigre), que quando questionado sobre quando será o fim destas maravilhas, respondeu: “E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, o qual levantou ao céu a sua mão direita e a sua mão esquerda, e jurou por aquele que VIVE ETERNAMENTE que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas” (Daniel 12:7). Esse juramento feito àquele que vive para sempre, poderia dizer respeito ao Deus Eterno que tudo criou ou a pessoa de Jesus que ao aparecer a João disse: "E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou VIVO PARA TODO O SEMPRE. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno."  (Apocalipse 1 : 18).

Outras deduções de que o homem vestido de linho seria Jesus é sobre a expressão FILHO DO HOMEM, conforme consta em Apocalipse 1:13. Mas Daniel ao relatar a visão sobre o homem de linho não utiliza a expressão filho do homem” e sim semelhante aos filhos dos homens”. Segundo a Bíblia Almeida Corrigida Fiel (ACF), a visão de João sobre Jesus é que Ele é o filho do homem (Deus) no singular e o que Daniel viu está no plural (Homens). Daniel também chama a Gabriel de homem (Daniel 9:21).

É importante salientar que até mesmo o evangelista João na ilha de Patmos confundiu o anjo que veio lhe trazer as revelações das últimas coisas com o Senhor, ao ponto de prostrar-se para adorá-lo, o que foi repreendido pelo anjo. (Apocalipse 22:8,9).

Não pretendo com isso afirmar que Gabriel é o homem vestido de linho; nem tampouco que somente eu estou certo e os demais expositores da bíblia estão errados ao afirmarem que ele seria Jesus, inclusive ao comentarista da lição. Porém de uma coisa eu sei que “as coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos” (Deuteronômio 29:29a). E, pela revelação que nos é dada pelas Escrituras, diante de todas essas evidências, tenho minha própria opinião que o homem vestido de linho não é o Senhor, principalmente pelo fato de que nenhum demônio e nem mesmo Satanás tem poder para impedi-lo de realizar qualquer feito (Isaías 43:13).

Comentando a lição O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL

É bem verdade que o capítulo 12 do livro de Daniel não registra nenhum aspecto profético relacionado às histórias das nações. Porém, conforme enfatizei, o capítulo que encerra o livro de Daniel é a continuação da visão que este teve às margens do rio Hidéquel (Tigre). O capítulo 10 encerra com a declaração do homem vestido de linho: “Mas eu te declararei o que está registrado na escritura da verdade; e ninguém há que me anime contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe” (Daniel 10:21). Agora compare com o primeiro verso do capítulo 12: E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro” (Daniel 12:1). Sim, o capítulo 12 é a continuação da revelação que o homem vestido de linho havia vindo trazer a Daniel.

O TEMPO DA PROFECIA

Qual é o tempo?  Certamente que esse tempo se dará na septuagésima semana, que iniciará após a igreja fiel ser arrebatada da terra (1Tessalonicenses 1:10). Será o tempo em que Israel entrará em cena para cumprir os desígnios de Deus, por haverem recusado a aceitar o plano da salvação na pessoa de Seu filho Jesus (Lucas 23:28-31). É o tempo em que o Anticristo revelará a sua verdadeira face, perseguindo o povo judeu e também aqueles que acreditaram nele, porque foram enganados por não darem crédito a verdade para serem salvos (2Tessalonicenses 2:10-12). É o tempo da angústia de Jacó (Jeremias 30:7); tempo qual nunca houve igual e nem jamais haverá (Marcos 13:19).

A libertação de Israel: Apesar de naquele tempo Israel estar debaixo da ira do todo-poderoso, contudo esse povo não será desamparado. Jeremias profetizou que Israel será salvo: "Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela." (Jeremias 30 : 7). O Homem vestido de Linho garantiu isso a Daniel: “...mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro” (Daniel 12:1b). Israel contará com o apoio de Miguel, o príncipe do exército celestial que contendeu com o diabo quando este disputava o corpo de Moisés (Judas 1:9); combateu contra o próprio Satanás, identificado como o príncipe dos reinos da Pérsia e da Grécia (Daniel 10:13;20) e por fim, defenderá o povo judeu representado pela mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça (Apocalipse 12:1).

Os anjos no mundo de hoje: São seres celestes que estão a serviço do povo de Deus e que, segundo o autor aos hebreus, às vezes se transfiguravam em seres humanos e se apresentavam entre os mortais (Hebreus 13:2). Eles terão uma atuação especial no período da grande tribulação como: retendo os quatro ventos da terra (Apocalipse 7:1); selando o povo fiel (Apocalipse 7:3); tocando as trombetas anunciando o juízo de Deus (Apocalipse 8:2-6); soltando os quatro anjos malignos que matarão a terça parte dos homens (Apocalipse 9:14,15); batalhando ao lado de Miguel na favor de Israel (Apocalipse 12:7); Derramando as taças da ira de Deus sobre a humanidade (Apocalipse 15:6,7) e pregando o Evangelho Eterno aos que habitam sobre toda a terra (Apocalipse 14:6).

Ressurreição:  A ressurreição é a maior esperança de Israel e também da igreja (João 11:24 ; Atos 24:15 ; 1Pedro 1:3). Isaías o profeta messiânico ao falar sobre as dores de Israel por causa de sua prevaricação contra o Senhor, lembra que quando Deus mandava a correção contra seu povo, estes se derramavam em oração secreta e Deus, pelo seu zelo para com Israel aplacava a sua ira. Muitos daqueles que morriam, Isaías conforta dizendo: “Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos” (Isaías 26:19).

As duas ressurreições: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno."  (Daniel 12:2). Quando analisamos outros textos, entendemos que Daniel não se refere a uma ressurreição geral simultânea de bons e maus.  No evangelho de João, Jesus alude ao que profetizou Daniel: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5:28, 29). Porém, Paulo, o apóstolo dos gentios esclarece como se dará essa ressurreição, quando ele afirma que os santos que dormiram em Cristo serão os primeiros a ressuscitar.  “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Tessalonicenses 4:16 ; Apocalipse 20:6). Ressurreição esta que se dará por ocasião do arrebatamento da igreja. João esclarece que os outros mortos só ressuscitarão no dia do juízo, que será após o milênio (Apocalipse 20:5).

A ciência se multiplicará: É bem certo que vivemos o tempo do avanço cientifico e tecnológico, mas a Bíblia Almeida Fiel fala em conhecimento. E esse conhecimento diz respeito a pessoa de Deus, por intermédio de Sua Palavra. Deus sempre desejou ser conhecido do seu povo (Jeremias 9:24); e por falta desse conhecimento Israel foi destruído (Oséias 4:6). Chegamos nesse tempo, qual também foi profetizado por Jeremias (Jeremias 31:34 ; Hebreus 8:11). Esse é o conhecimento que está libertando a muitos atualmente, principalmente da religiosidade alienada de Deus (João 8:32). É bem certo que Satanás fará de tudo para que esse conhecimento não alcance a muitos servos de Deus, como tentou impedir que Daniel recebesse a revelação de Deus. Mas Deus está no controle de tudo.

A profecia está selada: Em Daniel 12:4 o homem vestido de linho ordenou a Daniel fechar e selar o livro, pois muitos correriam de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicaria. Em seguida, Daniel contempla outros dois anjos à margem do rio Hidéquel, um de uma banda e outro de outra banda do rio e faz uma pergunta ao homem vestido de linho que estava sobre as águas do rio: Quando será o fim destas maravilhas? O homem vestido de linho responde levantando as mãos para o céu, jurando por aquele que vive eternamente que isso seria para um tempo, tempos e metade do tempo, e quando tiverem acabado de espalhar o poder do povo santo, todas estas coisas serão cumpridas (Daniel 10:5-7). O homem de linho estava falando sobre o fim dos tempos, mas especificamente sobre os últimos três anos e meio da grande tribulação, mas Daniel não entendeu. Ele ainda quis compreender os fatos, mas não lhe foi permitido. Então o homem vestido de linho diz a Daniel: “Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim. Muitos serão purificados, e embranquecidos, e provados; mas os ímpios procederão impiamente, e nenhum dos ímpios entenderá, mas os sábios entenderão” (Daniel 12:9,10). Estar fechada e selada, tão somente significa que o cumprimento não era para o tempo de Daniel e nem tampouco para o seu entendimento, pois este só seria dado no tempo do fim, que é o tempo em que vivemos; e que somente os entendidos haveriam de entendê-los (Mateus 11:25). Quando Deus enviou o seu anjo para mostrar a João, as coisas que deveriam acontecer, disse: “Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo” (Apocalipse 22:10). A nós, este livro não está mais fechado e selado. Louvado seja Deus pelo conhecimento que Ele tem colocado a disposição de todos aqueles que desejam conhecer profundamente Suas verdades.

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará.