Páginas

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Porque não acredito em alguns movimentos "Pentecostais"?


Já faz um tempo que quero postar algo sobre esse tema. Acredito que dois motivos sejam a razão para que eu escreva esse texto: 1) a preocupação com o sentimento de frustração espiritual que predominam em todos aqueles que não conhecem o suficiente do cristianismo para saber o que é certo e o que é errado e 2) a preocupante ideologia de que ser cristão é sinônimo de milagres, falar em línguas e que estar cheio do Espírito Santo significa agir de forma estranha e eufórica. Não quero ser grosseiro, indiferente ou até intolerante. Quero chamar cada cristão a uma séria reflexão. Mas quando digo reflexão não quero dizer que estou com dúvida naquilo que escrevo, mas quero afirmar que acredito firmemente no que coloquei nesse texto e que estou convidando cada um de vocês a sondar se a Bíblia não revela essa verdade e se vocês não poderiam abraçá-la a partir de hoje.

Eu não acredito em alguns movimentos pentecostais por uma razão muito simples: falta Jesus no meio deles. A minha afirmação parece ser muito exagerada, mas não é. Na verdade, trata-se da escancarada verdade de que quando o “espírito” age, milagres acontecem, curas ocorrem, pessoas falam em línguas, demônios são expulsos, crentes sapateiam, rodopiam e tantas outras coisas estranhas acontecem. Mas uma, a essencial, a principal, a urgente, passa totalmente despercebida. Já parou para pensar que Jesus geralmente é esquecido nessas reuniões?

Por que isso importa? Por uma simples questão: o alvo do cristão é ser parecido com Jesus ( Rm 8:29; 2 Co 3:18 e 1 Jo 3:2,3) e que milagres, curas e expulsar demônios não são sinais confiáveis de que as pessoas que os praticam sejam salvas. Em Mt 7:21 a 23, Jesus explica isso para nós: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que estás no céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal”. Palavras assustadoras, mas são as palavras de Jesus. Ele nos ensina que devemos ser obedientes a Deus. Quem foi a pessoa mais obediente nesse planeta? Jesus. Ser parecido com ele é a garantia de uma vida transformada e uma vida que será salva. Não estou falando que você é salvo por obras, mas o que estou dizendo é que a graça salvadora opera de tal forma que somos mais e mais parecidos com Jesus a cada dia. Não se engane, se você continua do mesmo jeito só espere tragédia no futuro, não salvação.

O grande problema desses movimentos é que eles dizem que é o Espírito Santo que age no meio deles e fazem todos os milagres. Mas precisamos perguntar: será mesmo? A resposta é muito mais complicada do que parece. No entanto, eu realmente estou inclinado a pensar que esses movimentos estão cheios de muitas “supostas dádivas divinas”, mas sem o Espírito Santo. Por quê? Porque a maior evidencia de que uma igreja é cheia da terceira pessoa da trindade é a paixão arrebatadora por Jesus e cristãos sendo mais parecidos com ele. O Espírito Santo sempre aponta para Cristo. Ele sempre diz: “Não olhem para mim, olhem para Cristo”. Basta lermos Jo 16:7 a 15. Jesus diz que o Espírito Santo o “glorificará”, Jo 16:14. Quando Estêvão, cheio do Espírito, olhou para o céu, ele “viu a glória de Deus, e Jesus em pé, à direta de Deus”, At 7:55. Em At 16:7 o Espírito Santo é chamado de o Espírito de Jesus. Em Lucas 1, lemos que o Espírito Santo testificou a Maria, Isabel e Zacarias que aquele bebê que nasceria era (e é) Deus filho. Lc 2: 25 a 27 diz que fora revelado pelo Espírito Santo a Simão, um homem idoso e piedoso, que ele não morreria sem ver o Cristo. Mas a terceira pessoa da trindade não somente aponta, ela trabalha arduamente para que Jesus seja formado em nós. Lemos isso Em 2 Co 3:18 que diz claramente que o Espírito trabalha em nós para que, a cada dia, gradativamente, sejamos mais e mais parecidos com Jesus.

A grande tragédia é que esses movimentos se calam sobre o Herói do cristianismo e confundem a principal obra do Espírito, que é revelar Cristo a esse mundo caído. A pergunta que devemos fazer agora é: por que isso importa? Qual é a questão prática de tudo isso? 1) Esse assunto é importante, porque trata-se de defender a verdade bíblica. 2) É essencial a cada cristão honrar a obra do Espírito Santo e saber que se ele trabalha em direção de nos fazer mais parecido com Jesus (2Co3:18), porque corremos tanto para outros lados. 3) Jesus deve ser sempre supremo em nossa vida e devemos fazer dele o nosso alvo. Devemos imitá-lo. Devemos honrá-lo. Devemos adorá-lo. Devemos viver uma vida totalmente cristocêntrica. 4) Cada cristão não deve se sentir frustrado ou decepcionado porque não opera milagres, não fala em línguas ou cosia parecida. Nosso foco e nossa alegria precisam estar em sermos parecidos com Jesus, na transformação do nosso caráter e na mudança constante de vida. Nesse ponto, precisamos viver uma vida reta que é caracterizada pelo lema: arrependa-se, mude e siga adiante para Cristo.

Espero não ter ofendido ninguém e espero que, se você discordar, comente de forma saudável. Se cometi algum erro, por favor, ajudem-me a ver qual foi. Se não cometi nenhum, por que você não abraça de uma vez essa verdade e vive para glória de Deus, cheio do Espírito Santo e completamente apaixonado por Jesus Cristo?

A única vida que vale a pena ser vivida é a vida repleta da trindade em nossas vidas.

Fonte: Evangelho Urbano, via Libertos do Opressor

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Abundeis em toda boa obra


"E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; " 2 Coríntios 9:8

As pessoas muitas vezes questionam a existência de Deus por olhar as desgraças  humanas e a desigualdade social. Vemos inúmeras pessoas passando necessidades e outras tendo bens em abundância. Não entrarei profundamente nesta questão, pois já temos uma artigo aqui direcionado para isso. Porém preciso relembrar que a responsabilidade de alimentar os que não tem está sobre aqueles que tem!

Vemos no versículo acima que Paulo, orientando a igreja de Corinto, chega na questão das ofertas feitas para ajuda dos necessitados. Se lermos somente o verso supra citado podemos criar mais uma heresia da teologia da prosperidade, no entanto vemos que Deus usa o apóstolo dos gentios para fortalecer a ideia de que as pessoas são prósperas para terem a rica oportunidade de ajudar aqueles que precisam!

Olha o que diz o verso 11:

"Vocês serão enriquecidos de todas as formas, para que possam ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a sua generosidade resulte em ação de graças a Deus."

O grande problema é que as pessoas são abençoadas e se esquecem de onde vieram, só pensam em satisfazer seu próprio ego. O orgulho também toma conta dos corações que são dominados pela avareza, por isso a bíblia é enfática ao dizer que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm 6:10).

Deus deseja nos abençoar e satisfazer nossas necessidades e não nossos caprichos, para que através disso nós possamos demonstrar a generosidade de Deus através de nossas vidas e obras!

Deus nos abençoa para que possamos abençoar outros! Que nós venhamos abundar em toda boa obra!

Pense nisso!

Pb. Anderson da Silva

Blog Emunah

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Não quero ser mais evangélico

Por: Pr. Ariovaldo Ramos
Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.

Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por "profissionais da fé". Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter. 

Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.

Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam - em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome 'meu', mas, o pronome 'nosso'.

Para que os títulos: "pastor", "reverendo", "bispo", "apóstolo", o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!

Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao "'instruí-vos uns aos outros" (Cl 3. 16).

Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus". (Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a mensagem.


Fonte:http://pastoresdesantarita.blogspot.com.br
 Publicado em 23 de junho de 2003 no site da Rede Sepal, de autoria do Pastor Ariovaldo Ramos.