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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Tabernáculo - Habitação de Deus



Nota do autor: É aconselhável ao leitor acompanhar as linhas seguintes com uma bíblia, conferindo as referências exaustivamente aqui citadas, pois o meu maior cuidado é não ir além daquilo que Deus estabeleceu (Provérbios 30:5,6).

“E me farão um santuário, e habitarei no meio deles."(Êxodo 25:8)
Deus sempre desejou estar presente entre o seu povo. No princípio, quando Ele criou o homem, o Senhor tinha prazer em estar junto de sua criação, pois a Bíblia diz em Gênesis 3:8 que Deus passeava pelo jardim na viração do dia, o que nos leva a crer que era comum o Senhor está presente no cotidiano do primeiro casal. Mas, infelizmente o pecado da desobediência cortou esse relacionamento e criou uma barreira entre Criador e criatura (Isaías 59:2). Tempos mais tarde Deus escolhe Abraão do meio de um povo gentio e, por intermédio dele forma um povo para si – Israel (Gênesis 12:1-4). Por permissão divina este povo desce ao Egito onde serve como escravo por 430 anos, tendo saído de lá sob o comando de Moisés para herdarem a terra que Deus lhes havia prometido.

Neste pequeno estudo iremos ver o desejo de Deus habitar em meio ao seu povo, onde Ele ordenou que se construísse um tabernáculo para sua habitação. Também discorreremos sobre um segundo tabernáculo, pois embora poucos saibam, existiram dois tabernáculos; o primeiro construído por Moisés obedecendo as ordenanças para isto e o segundo construído por Daví (Êxodo 39:42,43; 1Crônicas 15:1; 16:1,2).

DEUS ORDENA CONSTRUIR UM TABERNÁCULO

Israel havia saído do Egito e peregrinava pelo deserto em direção a terra prometida. No Monte Sinai, Deus chama Moisés para entregar-lhe as leis e diretrizes para o povo. Após o Senhor declarar a sua vontade na forma de estatutos e leis, Ele então pede que Moisés fale ao povo para lhe trazer uma oferta alçada, qual seria em: ouro, prata e cobre; e azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pêlos de cabras. Peles de carneiros tintas de vermelho, e peles de texugos, e madeira de acácia, azeite para a luz, especiarias para o óleo da unção, e especiarias para o incenso, pedras de ônix, e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral das vestimentas dos sacerdotes (Êxodo 25:3-7).  

O QUE ERA A OFERTA ALÇADA

Na Bíblia encontramos quarenta referencias sobre oferta alçada, todas no antigo testamento, sendo que a primeira está em Êxodo 25:2 e a última em Ezequiel 20:40. O Novo Testamento em nenhum momento fala sobre oferta alçada. Analisando cada uma delas, vemos que não era uma “oferta gorda ou elevada” como alguns teólogos ensinam, mas, como o próprio texto de Êxodo 25:2 sugere, era voluntária e esta foi pedida por Deus, pela primeira vez com a finalidade exclusiva de se construir o TABERNÁCULO, pois o SENHOR estava desejoso de habitar no meio do seu povo. Entendemos pelos textos  que Oferta alçada era uma oferta separada para Deus, contudo voluntária  e para um fim específico (Êxodo 25:2,3; 35:5;21). Observamos que em lei o Senhor determinou uma oferta regular para a manutenção do santuário que consistia em siclos, cujos valores variavam de acordo com a situação (Êxodo 30:13; Levítico 5:15, Números 3:47). É uma matemática um tanto difícil de entender, mas tomo como exemplo de oferta regular a ordem para Moisés contar os hebreus. Todos os que fossem arrolados na contagem deveriam dar a metade de um siclo que equivalia a dez geras, exigidos para o santuário. Esta oferta com um valor pré-estabelecido seria para o resgate de cada vida ou expiação pelas almas e também uma forma de proteger os hebreus da praga, quando Moisés fizesse a contagem do povo (Êxodo 30:12-16).

Pela contagem que Moisés deveria fazer, todo hebreu que tivesse acima de vinte anos deveria dar uma oferta alçada, isto é separada para Deus, mas voluntária, sendo que a oferta regular exigida para o resgate não poderia ser mais para o rico e nem menos para o pobre que era meio siclo ou dez geras, pois um siclo era vinte geras (Êxodo 30:15).  

É bom salientar que a oferta alçada não era somente dos recursos financeiros, mas de mantimentos, de despojos de guerras e de animais para sacrifícios (Números 15:19; 31:26-54). Ex. Quando da consagração de Arão e seus filhos para o sacerdócio, o Senhor determinou imolar um novilho e dois carneiros (Êxodo 29:1). O novilho deveria ser imolado e sua gordura com os miúdos serem queimados sobre o altar; mas a carne, a pele e o esterco seriam totalmente queimados fora do arraial, como expiação pelo pecado. Quanto ao primeiro carneiro, este foi imolado e totalmente queimado sobre o altar como uma oferta queimada ao Senhor por cheiro suave (Êxodo 29:15-18). O segundo carneiro era o das consagrações que após ser imolado, o sangue deste foi posto nas orelhas e dedos polegares das mãos e dos pés de Arão e seus filhos e o restante do sangue foi aspergido sobre eles como santificação. Mas desse carneiro o Senhor ordenou separar o peito e o ombro direito que seria uma oferta alçada para Arão e seus filhos, enquanto que o restante do carneiro seria totalmente queimado junto com outras oferendas como sacrifício de cheiro suave ao Senhor (Êxodo 29:19-28).

Após esse rito de separação dos sacerdotes, o Senhor determinou por estatuto perpétuo que as ofertas alçadas seriam deles. Arão era um levita e somente os descendentes dele assumiriam o sacerdócio em Israel com direito a receberem a oferta alçada do Senhor, pelo tempo que estes exercessem o ministério sacerdotal em Israel, cujo ministério se encerrou com o advento do Novo Testamento por Cristo (Hebreus 9:11-15). E quanto aos demais levitas, estes auxiliariam os sacerdotes filhos de Arão. Aos levitas foi ordenado receberem os dízimos de seus irmãos hebreus e estes, após receberem os dízimos tinham a incumbência de separar os dízimos dos dízimos e dá-los aos sacerdotes como oferta alçada, por determinação do próprio Deus (Levítico 7:14: Números 18:26-29). Os sacerdotes não recebiam dízimos, mas apenas a oferta alçada deste que era o dízimo dos dízimos.

Com fim de manter o tabernáculo e posteriormente o templo com suas despesas, foi estabelecido em lei ofertas regulares que anualmente eram dadas pelos hebreus. Até para a lenha do altar era exigida uma oferta específica (Neemias 10:34). Mas a toda oferta alçada Deus não estipulou valores específicos e/ou quantidades, pois cada um dava do que tinha, voluntariamente conforme o coração do doador se movia para tal, sabendo que essa oferta alçada tinha um objetivo (Êxodo 35:21-24). Por isso vemos que aqueles que contribuíram para o tabernáculo o fizeram com motivação e alegria de maneira que foi preciso Moisés ordenar que parassem de trazer as ofertas (Êxodo 36:6). Moisés como administrador e ungido de Deus deveria muito bem guardar o restante das ofertas para outras obras, mas Deus na sua justiça ordenou ele proibir o povo de continuar ofertando além daquilo que Ele pediu.

A oferta alçada que Deus pediu também seria para pagar aqueles que iriam trabalhar na construção do tabernáculo e na confecção das demais peças que ali seriam usadas, como uma arca de madeira de acácia, que seria adornada da forma como Deus ordenara, pois nela se guardaria uma porção do maná que alimentou o povo no deserto por 40 anos; a vara de Arão que floresceu e as duas tábuas das leis escritas pelo dedo de Deus (Êxodo 25:10-16; Números 17:10; Hebreus 9:4). Essa arca contendo esses elementos representava o testemunho e a presença de Deus em meio do seu povo Israel, e que era um símbolo da presença do Espírito Santo na vida da igreja. Mas, naquela casa (tabernáculo), não era qualquer um que podia entrar, mesmo que tivesse o mais puro desejo de adorar a Deus ali. Somente aqueles a quem Deus separou poderiam ministrar e oferecer sacrifícios que eram os da tribo de Levi. Arão e seus filhos exerceriam o sacerdócio e os demais levitas os auxiliariam (Números 8:19).


O véu que nos impedia de entrar no santuário foi rasgado (Lucas 23:45; Hebreus 10:20). Paulo nos diz que a lei dos mandamentos que consistia em ordenanças e que nos afastava das promessas divinas, nos fazendo inimigos dos judeus, foi desfeita por Jesus na Cruz (Efésios 2:12-18). Jesus cumpriu a lei em nosso lugar, pagando todas as dívidas inerentes a ela (Colossenses 2:14). Em o Novo Testamento que suplantou o antigo, somos instados a contribuir voluntariamente, seguindo o mesmo principio da oferta alçada de acordo com que podemos e segundo o nosso coração se mover para isso e para uma finalidade específica (2Corintios 8:12,14; 9:7-9).

O TABERNÁCULO SE ESTABELECE EM SILÓ

"E toda a congregação dos filhos de Israel se reuniu em Siló, e ali armaram a tenda da congregação, depois que a terra lhes foi sujeita."(Josué 18:1)

O Tabernáculo como Casa de Deus era móvel, e acompanhou o povo nas peregrinações no deserto por 40 anos até estes tomarem posse da terra prometida (Josué 18:1). Quando Israel descansou na terra, o Tabernáculo se estabeleceu em Siló, cerca de 28 Km ao norte de Jerusalém. Siló passou a ser o centro religioso de adoração e peregrinação do povo de Israel. Pra lá anualmente o povo subia para adorar a Deus (1Samuel 1:3). Doravante, a Casa de Deus não mais saiu de Siló e então, aos poucos o povo de Israel foi negligenciando a adoração e começaram a perder o temor do Senhor e a entregar-se a idolatria, como foi o caso dos danitas (Juízes18:31). Deus passou a se indignar com seu povo e passou a puni-los, permitindo que os gentios os assolassem. Segundo o Talmude, o Tabernáculo descansou em Siló 369 anos (Zevachim 118b)

DEUS ABANDONA SILÓ

Porém, a situação veio mesmo a se agravar no tempo de Eli o sumo-sacerdote, cujos filhos Ofni e Finéias que também eram sacerdotes passaram a extorquir o povo e a se prostituirem às portas da tenda da congregação que era o Tabernáculo – Casa do Senhor. O sumo-sacerdote Eli não tomou nenhuma providencia quanto ao zelo que se deveria ter pela Casa do Senhor, repreendendo as más ações de seus filhos e por isso, Deus permitiu que a arca do concerto fosse levada pelos filisteus e Elí e seus dois filhos morressem num só dia (1Samuel 4:12-22).

Com a morte de Eli e seus dois filhos e o sequestro da arca da aliança pelos filisteus, Deus abandonou o tabernáculo em Siló que depois foi transportado para um monte em Gibeão, ficando ali por todo o tempo em que Saul e Daví reinaram em Israel. A arca da aliança que representava a presença de Deus no tabernáculo ficou sete meses em posse dos filisteus que depois a enviaram a Bete-Semes (1Samuel 16:14-22). De lá ela foi resgatada para Quiriate-Jearim onde ficou na casa de Abinadade por 20 anos, isto é, em todo o período que Saul reinou em Israel (1Samuel 17:1,2).

DAVÍ CONSTRÓI UM SEGUNDO TABERNÁCULO

“E introduzindo a arca do SENHOR, a puseram no seu lugar, na tenda que Davi lhe armara; e ofereceu Davi holocaustos e ofertas pacíficas perante o SENHOR”. (2Samuel 6:17).

Com a morte de Saul, Daví assumiu o trono de Israel e sua primeira ação foi trazer a arca do concerto para Jerusalém. A primeira iniciativa de Davi em trazer a Arca terminou na morte de Uzá, pois ele não atentou para a exigência de Deus que somente os levitas poderiam conduzi-la (2samuel 6:8). Davi mandou então levar a Arca à casa de Obede-Edom (2Samuel 6:10). A Arca permaneceu na casa de Obede-Edom por três meses, onde este foi abençoado por causa dela. Sabendo Davi que Deus havia abençoado Obede-Edom por causa da arca, mandou buscá-la para Jerusalém, dessa vez tomando todo o cuidado conforme a vontade de Deus. (1Crônicas 15:12,13). Em Jerusalém, Daví constrói um segundo tabernáculo para abrigar a arca, muito embora o primeiro tabernáculo que foi construído por Moisés pela ordem de Deus ainda estivesse de pé. Chama-nos a atenção que desde então, a arca não mais voltou para aquele, mas ficou no que Daví edificou em Jerusalém durante todo o seu reinado que foi 40 anos.
A ARCA HABITA EM NOVO TABERNÁCULO
Deus não mais habitaria no meio de sacrifícios de animais como era em Siló, mas no meio do louvor em Sião. Foi aí que Daví ordenou que se constituíssem cantores dentre os levitas: “E disse Davi aos chefes dos levitas que constituíssem, de seus irmãos, cantores, para que com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, se fizessem ouvir, levantando a voz com alegria” (1Crônicas 15:16). Deus habita no meio dos louvores (Salmo 22:3). Daví tinha um grande desejo de servir a Deus no seu santuário, mas era impossibiltado de fazer assim por não ser levita. Apesar de ser monarca e ungido por Deus, ele não poderia entrar na tenda para adorar a Deus, pois era da tribo de Judá. Como os demais judeus o mais longe que poderia ir era ficar no pátio exterior deixar o seu sacrifício no altar que ficava na entrada do tabernáculo. Porém, no que ele mesmo construiu, todos poderiam adorar a Deus e oferecer sacrifícios de louvor que é o que fato agrada ao Senhor (Hebreus 13:14,15).

Neste tabernáculo Daví escreveu: “Uma coisa pedi ao SENHOR, e a buscarei: que possa morar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do SENHOR, e inquirir no seu templo. Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; pôr-me-á sobre uma rocha” (Salmo 27:4,5); “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do SENHOR... Por causa da casa do SENHOR nosso Deus, buscarei o teu bem (Salmo 122:1;9). Asafe morando dentro deste tabernáculo escreveu: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, SENHOR dos Exércitos!  A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo... Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente... Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil em outra parte. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios (Salmo 84).

Mas, o que aconteceu com o primeiro Tabernáculo que foi construído por Moisés? Daví não o deixou no abandono. Vemos que após introduzir a arca do concerto na tenda que ele construiu em Sião, separou Asafe e seus irmãos levitas para ministrarem louvores continuamente perante a arca e a Obede-Edom e seus irmãos que eram 68 pessoas para guardarem este. A bíblia diz que neste dia Davi compôs o primeiro salmo para que Asafe e seus irmãos louvassem ao Senhor (1Crônicas 16:18). Este salmo é o 105.  Porém Daví não se esqueceu do primeiro tabernáculo que estava no Monte Gibeom, a este Daví ordenou que o sacerdote Zadoque e seus irmãos, também sacerdotes, juntamente com os músicos Hemã e Jedutum alí ministrassem de manhã e a tarde oferecendo holocaustos ao Senhor, pois assim estava escrito na Lei e Daví como judeu não poderia deixar de cumprir a lei do Senhor, assim como Jesus também não veio para ab-rogar a lei, mas cumpri-la (1Crônicas 16:39-42; Mateus 5:17).
Nos chama a atenção que Deus ordenou Moisés construir um tabernáculo para sua morada, contudo, aqueles que deveriam zelar por ele se corromperam e quebraram a aliança (1Samuel 4:12-22; Malaquias 2:5-9). Por isso, Ele preferiu habitar no tabernáculo que Daví construiu. O próprio Daví fala sobre isso nos versos 67,68 e 69 do Salmo 78: Além disto, recusou o tabernáculo de José, e não elegeu a tribo de Efraim. Antes elegeu a tribo de Judá; o monte Sião, que ele amava. E edificou o seu santuário como altos palácios, como a terra, que fundou para sempre”. Foi nesse monte que depois foi edificado o templo por Salomão, que foi destruído por Nabucodonozor, reerguido por Esdras, reformado por Herodes e por fim destruído no ano 70DC por Tito, imperador romano.

A MORADA DE DEUS NA NOVA ALIANÇA
"Depois disto voltarei, E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, Levantá-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo. Para que o restante dos homens busque ao Senhor, E todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, Diz o Senhor, que faz todas estas coisas "  (Atos 15 : 16,17).
O tabernáculo e o templo eram figuras e sombra de uma realidade que hoje vivemos. A promessa de restaurar o tabernáculo caído de Daví se cumpriu na salvação do povo gentio. Hoje, todos os que aceitamos ao Senhor pela fé passamos a ser o seu tabernáculo; sua morada e habitação. Deus não exige de nós o construirmos tabernáculos ou templos para lhe adorar, pois as Escrituras nos dizem: "Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?”  (Atos 7 : 48-50).

Tabernáculos e templo não mais existem. Deus não prometeu reerguer o tabernáculo de Moisés e nem o templo de Salomão, mas cumpriu sua promessa levantando o tabernáculo caído de Daví que somos nós Sua igreja, templo de Deus e habitação do Espírito Santo; a verdadeira CASA DO SENHOR. Deus é fiel. Aleluia!

Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1Coríntios 3:16,17).

Fonte de Pesquisa: BÍBLIA SAGRADA (ACF).
Autor: Reginaldo Barbosa

Escrito em: 26 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ganhar almas ou fazer prosélitos; qual a nossa missão?




"O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio."  (Provérbios 11:30).

Não escolhemos seguir ao Senhor, antes Ele nos escolheu e nos nomeou para levarmos as suas boas novas e produzirmos frutos para o seu reino (João 15:16). Todo aquele que é chamado por Cristo recebe a incumbência de anunciar o evangelho e ganhar almas para o seu reino. 
É pelo conhecimento do Evangelho que as almas são libertas e por ele se descobre a justiça de Deus de fé em fé (Romanos 1:16,17). Anunciá-lo é uma responsabilidade pessoal, inegociável e intransferível. 

Paulo, o apóstolo dos gentios disse: "Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!"  (I Coríntios 9:16). De maneira nenhuma podemos atribuir essa responsabilidade a terceiros e muito menos pagar para que outros façam isso em nosso lugar. Também não temos o direito de cobrar de quem quer que seja para levar as boas novas do reino, pois assim como de graça recebemos, também de graça devemos dar. (Mateus 10:8). 

Paulo, como bom imitador de Cristo nos dá esse exemplo: "E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada. Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho" (1Corintios 9:17,18).

Fazer missões e ganhar almas é responsabilidade individual de cada crente salvo, pois cada um receberá do Senhor o galardão pelo que tiver feito para o Senhor (1Corintios 3:8). Porém, de nada adianta evangelizar, fazer missões e ganhar almas se não tiver o cuidado de se discipular estas. 
Falar às pessoas e convencê-las a fazerem parte de um grupo religioso ou uma denominação não é propriamente ganhar almas, mas sim fazer prosélitos. Por isso vemos as divisões e intrigas entre grupos religiosos, onde algumas denominações sequer respeitam o espaço das outras e ficam a fazer proselitismo entre os membros destas, o que nos leva a ver a real intenção destes grupos. Falam em ganhar almas, mas o objetivo principal, com raras exceções, é encontrar mantenedores para suas instituições. Jesus foi totalmente contrário a essa maneira de fazer missões. Vejam o que Ele disse ao maior grupo religioso de seu tempo: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós."  (Mateus 23:15). 

Pelas palavras do Mestre, entendemos que os fariseus também se preocupavam em ganhar almas, mas o objetivo deles era engrossar as fileiras da sua religião e não preparar as pessoas para herdarem o reino dos céus. Aqueles que eles ganhavam, impunham um pesado fardo de legalismo que nem eles mesmos podiam carregar (Mateus 23:4). Quantas igrejas, hoje, não fazem o mesmo com as almas que conquistam ao impor sobre elas tradições e dogmas que elas mesmos criaram, tirando-lhes a liberdade de servirem a Deus? A expressão de Jesus sobre "fazei filhos do inferno duas vezes mais que vós", é muito séria, pois se refere a uma forma de ensino distorcido que estas almas recebem e que, com o passar do tempo passam a defendê-los como se fosse uma verdade divina revelada. E, uma vez que estes prosélitos não são incentivados a examinarem as Escrituras (João 5:39), tornam-se presas fáceis dos lobos e escravas de um sistema religioso.

"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."  (Mateus 28:19,20).

Muitos conhecem a ordem imperativa do Mestre sobre levar o Evangelho e alguns até se orgulham de praticá-la, mas não na sua plenitude. Evangelizar, ganhar almas, fazer discípulos, batizar e ensinar o que Jesus ensinou é algo que precisa ser realizado em sua totalidade. Àqueles que no principio ouviram essa ordem a obedeceram praticamente ao pé da letra e a igreja teve um crescimento vertiginoso em quantidade e qualidade (Atos 2:41-47).

Almas eram ganhas e discípuladas para servirem ao reino de Deus em amor. Em obediência a ordem do Mestre, todos os que eram ganho pela Palavra eram imediatamente batizados, pois assim ordenou o Senhor (Atos 2:41; 8:13-16,33. 9:18. 10:46,47). Nenhum dos que aceitavam a Cristo eram colocados no probatório, como é feito atualmente, mas todos eram imediatamente batizados para remissão dos pecados. Havia um sério compromisso por parte dos discípulos com a ordem divina e Deus honrou essa obediência, fazendo com que a igreja caísse na graça do povo (Atos 2:47). Infelizmente vemos o inverso acontecer.

Temos o privilégio de fazermos parte da igreja do Senhor e, como tal a responsabilidade de ganhar almas e discipulá-las, ensinando aquilo que Jesus mandou ensinar, não indo além do que Ele falou. Somente dessa forma estaremos construindo uma igreja sadia, fortalecida na doutrina que foi legada pelos apóstolos e preparada para o encontro triunfal nas núvens com aquele que pelo seu sangue nos comprou (Apocalipse 12:11).

Prosélito, segundo o dicionário é a pessoa ou indivíduo que abandona suas crenças e convicções, aderindo a outra crença, religião ou doutrina. Adepto. Partidário. Simpatizante.

Não somos chamados a fazer prosélitos, mais a ganhar almas para serem libertas e servirem a Deus por amor.


Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Sta. Bárbara do Pará

sábado, 30 de novembro de 2013

O que é e o que faz um diácono




Quando eu fiz parte do ministério da Assembleia de Deus, presenciei uma cena um tanto fora do comum, quase que cômica, quando da escolha de novos obreiros para o quadro ministerial desta instituição. Um irmão novo convertido que eu e minha esposa havíamos conquistado para o Senhor foi separado para o diaconato. Este ao aceitar a Jesus na congregação que trabalhávamos como dirigente, dedicou-se ao trabalho de Deus e à oração incessante. Deus o dotou de dons espirituais e logo, começou a falar em outras línguas. Isso foi o suficiente para que o ministério o indicasse como candidato ao diaconato, sem atentarem para os requisitos necessários, quais Deus exige na sua Palavra (1Timóteo 3 : 8 - 13).

Ele, após ser consagrado veio até mim com uma expressão de espanto e dúvidas, me perguntando: - E agora irmão, o que eu faço? Fui consagrado a diácono e não sei o que é isso. O que é que vou fazer agora?

Eu o aconselhei a se acalmar e ficar tranqüilo, pois Deus o ajudaria a cumprir seu ministério. Antes de ser consagrado ou melhor, separado, ele já exercia esse ministério na congregação onde trabalhamos. Alí, voluntariamente ele saía colhendo doações entre os comerciantes para distribuir entre os necessitados sendo crentes ou não e cooperava comigo na obra que realizávamos.

Tal ocorrido me fez refletir sobre o critério de separação ao ministério, praticado por muitas igrejas. Iguais a este irmão, existem muitos que são separados e outros que até se orgulham dos títulos que galgam nas igrejas e querem estar acima dos demais membros, mas que não sabem pra que de fato foram separados, ou pra que estão ali e nem mesmo se preocupam com isso.

Neste pequeno estudo, vamos conhecer o que é um diácono e qual a finalidade de a igreja criar este ministério. De antemão quero dizer que a indicação de um membro ao diaconato precisa partir da igreja e não do ministério ou pastor. Ministério e pastores apenas precisam aprovar a escolha daquela.

O que é um diácono?

A palavra "diácono" vem de uma palavra grega (diakonos) . "Diácono" quer dizer "atendente" ou "servente". Deste termo deriva diakonia (ministério ou diaconato) e diakoneo (servir ou ministrar). O termo ainda se refere a escravos, empregados e obreiros voluntários

A razão da escolha.

Jesus não escolheu diáconos, assim como escolheu os apóstolos. O diaconato surgiu a partir de uma necessidade ministerial, quando a igreja já estava consolidada. O livro de Atos dos Apóstolos conta a história da igreja a partir de sua edificação que se deu em Jerusalém, no dia de Pentecostes. Igreja esta que nasceu e se fortaleceu na doutrina dos Apóstolos, que era a prática do amor fraternal, conforme os apóstolos haviam aprendido de seu Mestre e Senhor, durante o tempo em que foram seus discípulos (Atos 2 : 42 - 46).

Na prática dessa doutrina, todos os crentes viviam uma comunhão plena, onde todos compartilhavam o que possuíam, para que nada faltasse àqueles que nada tinham. Tal ação por parte dos irmãos, fez com que a Igreja caísse na graça do povo e, todos os dias Deus acrescentava à Igreja aqueles que seriam salvos (Atos 2 : 47).

Pessoas de várias classes, línguas e povos abraçaram a nova doutrina e, dessa forma a igreja cresceu em quantidade e qualidade. Contudo, esse crescimento trouxe alguns problemas, principalmente em relação aqueles que não eram judeus, como vemos:

"Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano." (Atos 6 : 1).

Conforme dito acima, a igreja vivia no seu primeiro amor, e, neste amor, ela seguia o ensino que foi legado pelo Senhor que era o amor incondicional ao próximo. A princípio os apóstolos administravam a contribuição dos irmãos repartindo com os necessitados para que ninguém tivesse falta de nada, como diz: "Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos."  (Atos 4 : 34). Mesmo com esse cuidado e com o crescimento da igreja, começaram a surgir problemas, como foi o caso das viúvas gregas. Cientes do problema, os apóstolos imediatamente, tomaram posição para solucioná-lo. Estes, reunindo a igreja expuseram a situação, bem como apontaram a solução para o mesmo.

E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra”. (Atos 6 : 1 - 4). 

Notemos que até então era responsabilidade dos apóstolos receberem e administrar a coleta dos irmãos em favor dos demais. Então, eles passam a igreja, coluna e apoio da verdade a responsabilidade de escolher e eleger homens aptos para que os auxiliassem no ministério cristão e assumissem esta responsabilidade.

O critério para a separação

Os Apóstolos tinham ciência de suas responsabilidades quanto à oração e ao ensino da Palavra, quais eram essenciais para edificação da igreja, portanto, não podiam desviar sua atenção para outras causas. Por isso, eles delegaram à igreja a responsabilidade de escolherem entre si, aqueles que assumiriam aquilo que eles denominaram de importante negócio.

Coube a igreja a responsabilidade de separar homens capacitados para exercerem tal responsabilidade e assim foram separados setes homens: Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia (Atos 6 : 5).

Em relação a escolha daqueles que seriam separados para o diaconato, os Apóstolos tomaram o cuidado de orientar a igreja, quanto ao critério exigido pelo Espírito Santo. Os diáconos deveriam ser portadores das seguintes qualidades (Atos 6 : 3):

a) Homens de boa reputação: Isto é, homens com bom testemunho na sociedade, honestos e não avarentos. O Apóstolo Paulo instruindo a Timóteo, quando da escolha destes, orientou o seguinte: “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância;  Guardando o mistério da fé numa consciência pura”(1Timóteo 3 : 8 , 9). Estes não poderiam ser avarentos, pois teriam a responsabilidade de cuidar das finanças da igreja de forma a administrá-las em favor de todos aqueles que possuíam alguma necessidade. Existem hoje os que pensam que é tarefa do pastor cuidar das finanças da igreja, mas não é. Os diáconos é que receberam esse "importante negócio", pois os apóstolos não poderiam desviar sua atenção da oração e do ministério da Palavra.

b) Homens cheios do Espírito Santo. Algumas denominações evangélicas priorizam o fato de alguém ser batizado no Espírito Santo e principalmente de este falar em línguas estranhas, como requisito principal e essencial para o cargo. Não quero fazer apologia ao desprezo pela busca do batismo no Espírito Santo, pois sei ser este uma necessidade para o crente, mas, é preciso entender que existe diferença entre ser "cheio" e ser "batizado" com o Espírito Santo. João Batista não era batizado, contudo, era cheio do Espírito Santo desde o ventre materno e fez grandes obras para Deus. O próprio Jesus deu testemunho a favor dele, dizendo que dentre os nascidos de mulher não houve profeta maior que João (Lucas 7 : 28). Para ser um diácono é preciso obedecer aos critérios da Palavra e isto vai muito mais além do que simplesmente falar em línguas estranhas que também é um dom do Espírito Santo. 

c) Homens cheio de sabedoria: Não da sabedoria humana que se adquire nos seminários e faculdades, mas na busca do entendimento da Palavra, onde se descobre a vontade de Deus. Estevão foi um exemplo disso quando disputou com aqueles que queriam acusá-lo de blasfêmia: "E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava." (Atos 6 : 10). Paulo orava para que os colossenses fossem cheios de sabedoria e inteligência espiritual: "Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus"  (Colossenses 1 : 9 , 10). A sabedoria é um dom divino e a falta deste na vida de muitos obreiros tem causado sérios transtornos, quando não escândalos no seio da igreja.

O conselho de Paulo

Ainda quanto a escolha para o diaconato, Paulo orienta quanto aos requisitos morais que estes devam possuir, onde o relacionamento familiar é o principal testemunho para a escolha destes. Paulo chega a aconselhar até mesmo quanto ao comportamento das esposas destes (I Timóteo 3 : 8 - 13).

8 Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância;
9  Guardando o mistério da fé numa consciência pura.
10  E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis.
11  Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.
12  Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas.
13  Porque os que servirem bem como diáconos, adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.

Uma boa posição e muita confiança na fé em Jesus Cristo”. Foi o que aconteceu com os diáconos Estevão e Filipe que se destacaram no ministério da Palavra e na fé. Estevão foi martirizado por defender a ortodoxia (pureza) da palavra (Atos 6 : 8 - 15; 7 : 1 - 60). Filipe se destacou por promover um avivamento em Samaria pelo ensino da Palavra e realização de milagres e maravilhas em Nome de Jesus (At 8; 5 - 40). Ele, inclusive chegou a alcançar a posição de evangelista, um dos dos ministeriais dado a igreja para sua edificação (Atos 21 : 8 ; Efésios 4 : 11).

O que faziam os diáconos.

Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas”. Por essa afirmação dos Apóstolos, alguns entendem que a função dos diáconos é somente servir a ceia aos irmãos, quando no ato desta. Não! É muito mais que isso. Servir a mesa no contexto bíblico neotestamentário era atender as necessidades dos menos favorecidos na igreja, como era o caso das viúvas, pois, tal ação é a identidade da verdadeira igreja de Cristo na terra. Tiago, o irmão do Senhor deixou o ensino que: "A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo." (Tiago 1:27). 

O importante negócio de que os Apóstolos trataram, sobre o qual deveriam ser constituídos diáconos, era justamente isso. Não era somente cuidar das finanças da igreja, mas sobretudo procurar conhecer e atender a necessidade dos irmãos, para que os presbíteros pudessem se preocupar exclusivamente a oração e ao ministério da Palavra. O foco desse ministério jamais deveria ser desvirtuado para outros fins, mas é o que infelizmente vemos acontecer nos dias de hoje, quando o primeiro amor não mais se evidencia na vida da maioria dos crentes, inclusive líderes (Mateus 24: 12).

Existem muitos diáconos nas igrejas evangélicas, mas quase não existe ministério diaconal que é servir, seguindo o exemplo do maior diácono que existiu que é o próprio Senhor.


Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará