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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Digno é obreiro de seu salário. Mas qual obreiro?


"Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário." (1Timóteo 5 : 18).

Em relação a obra de Deus que Jesus veio realizar, Ele certa vez declarou: "E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara." (Lucas 10 : 2). Jesus assim falou por causa da grande necessidade de se ter homens capacitados e vocacionados para darem continuidade a grande obra que Ele mesmo iniciou. Em seu ministério terreno, Jesus precisou de colaboradores. Quando iniciou seu ministério, Jesus precisou passar uma noite inteira em oração para poder escolher aqueles que iriam lhe auxiliar (Lucas 6 : 12 – 16). Tal atitude do Mestre nos mostra que não é fácil encontrar homens com total dedicação e desprendimento para a obra, por isso, pediu que orássemos para Deus enviar obreiros à sua Seara. Mas nunca na história da igreja existiram tantos obreiros como na atualidade. Diferente dos tempos de Jesus, a coisa mais fácil nos dias de hoje é encontrar em qualquer lugar alguém que ostenta um título eclesiástico como: padre, pastor, apóstolo e bispo. Até “pastoras” “apóstolas” e “bispas” já se pode encontrar por aí. Como se deu essa evolução ministerial a ponto de hoje obreiros se atropelarem por serem tantos, onde alguns estão a aguardar na fila a oportunidade de irem aos campos? Vamos entender isso, voltando um pouco na história.

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA IGREJA

Desde que aconteceu a institucionalização da igreja por parte de Roma no sec. III, a igreja do Senhor como corpo orgânico, formado de pedras vivas que é o verdadeiro templo e morada do Espírito Santo, perdeu o seu devido valor e foi esquecido o motivo pelo qual Jesus a estabeleceu neste mundo que é viver uma vida de santificação e ganhar almas e prepara-las para o reino dos céus. Roma não apenas institucionalizou a igreja, como também criou as diretrizes para que ela fosse regida e dominada por homens, como foi revelado a João no Apocalipse (Apocalipse 2 : 6 ; 15). Ao mudar as regras divinas, institucionalizando a igreja, Roma estabeleceu o sistema clerical copiando o modelo do sistema sacerdotal levita do antigo concerto, onde Arão era o sumo-sacerdote, sendo auxiliado pelos filhos e os demais levitas. Como o modelo de hierarquia foi copiado do sistema levítico, Roma também estabeleceu seus ministros e, para sustenta-los, criou o sistema de manutenção de obreiros conforme era no antigo concerto – em dízimos e ofertas.

É bom ressaltar que no sistema levítico os dízimos eram em mantimentos e as ofertas em animais; e em casos específicos dinheiro para a manutenção do templo de Jerusalém que na época era a casa do Senhor. Mas Roma, estabelecendo suas próprias regras, converteu tudo para dinheiro na nova aliança (tanto os dízimos como as ofertas). Ao longo dos séculos, esse modelo foi mantido e, após a reforma protestante no sec. XV, continuou sendo praticado e defendido pelas igrejas protestantes e evangélicas. Em relação aos ministros (obreiros), mudaram-se apenas os títulos ou as nomenclaturas dos obreiros, mas conservou-se o mesmo sistema e ordem hierárquica como Roma criou, assim como a manutenção dos mesmos.

Depois da reforma, essa institucionalização abriu espaço para que novas igrejas fossem criadas de acordo com a conveniência e o desejo das pessoas (2Timóteo 4 : 3). Aos Coríntios, Paulo demonstrou preocupação com a possível divisão da igreja como corpo de Cristo. "Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?" (1Coríntios 1 : 13). Mas o que Paulo tanto temia, Roma conseguiu fazer e hoje, quase que todo dia nasce uma nova igreja com sua nomenclatura e doutrina peculiar. Cada uma com seu regimento interno, com regras e estatutos específicos. Porém, o mais controverso de tudo isto é que todas reivindicam para sí o título de ser a “igreja do Senhor”, muito embora, muitas delas sejam exclusivistas não permitindo que seus membros tenham qualquer tipo de comunhão com membros de outras. Quando ganham um prosélito, batizam-no para o tornarem membro e mantenedor daquela instituição (Mateus 23 : 15).

A institucionalização da igreja, também resgatou o modelo de congregar-se em um templo como foi praticado no antigo concerto. Templos esses que também são chamados de “casas de Deus”, ignorando o que está escrito que Deus não habita mais em templos feitos pelas mãos dos homens (Atos 7 : 48 ; 17 : 24). Assim, tal doutrina exige que sejam separados homens para oficiarem nestas “casas de Deus”. Alguns fundadores de igrejas institucionais se auto intitulam pastores, apóstolos, bispos, etc. Mas outras mais “organizadas” criaram suas convenções particulares, elegendo seus “presidentes” e dando autonomia a estes para escolher e separar seus obreiros; tirando assim o privilégio da igreja de fazer isso como foi no principio. A igreja como coluna e apoio da verdade deixou de tomar as decisões, desde que Roma a institucionalizou. Hoje, são os conclaves e as convenções que detém esse poder.

Com toda essa confusão formada, cada obreiro que é separado se acha no direito de abandonar seu emprego para viver “exclusivamente da obra” como eram os levitas da antiga a aliança. E esse viver da obra, significa que a igreja tem a obrigação de pagar pelos honorários de obreiro. Ignoram que o maior pregador, missionário e apóstolo dos gentios que foi um imitador de Cristo, muito ensinou sobre a nobreza do trabalho para não onerar a noiva do Cordeiro (Atos 20 : 34 ; 1Tessalonicenses 4 : 11 ; 2Tessalonicenses 3 : 10). Por causa deste modelo implantado na igreja, tem suscitado no meio da igreja o seguinte questionamento: Deve o obreiro receber o sustento da igreja?

Sim, o obreiro precisa ser sustentado pela igreja, pois assim a bíblia ensina. Contudo, é preciso saber qual tipo de obreiro é digno dessa bênção.

O EXEMPLO DE PAULO

Como já foi falado, Paulo foi o maior pregador depois de Jesus. Ele e os companheiros que escolheu para realizarem a obra de Deus evangelizaram toda a Ásia Menor e a Europa, onde plantaram o evangelho. Paulo foi escolhido pelo próprio Senhor para o apóstolo dos gentios (Gálatas 1 : 15 ; 1Coríntios 15 : 8). Ele fez jus a sua chamada missionária e levou a Palavra do Senhor aos lugares mais difíceis e hostis, com perigo até da própria vida (Atos 20 : 24). Mas em momento algum, Paulo deixou transparecer que sua posição como ministro do evangelho, dava-lhe o direito de ser sustentado pela igreja, vivendo daquilo que hoje chamam de dízimos e ofertas, como muitos obreiros entendem atualmente. Em muitas das cartas dirigidas às igrejas que Paulo plantou com seus companheiros, ele exortou os irmãos a valorizarem o trabalho e ainda a notarem aqueles que queriam viver de outra maneira. O trabalho digno foi ensinado por Paulo como uma tradição a ser seguida, onde ele mesmo deu o grande exemplo, para que fosse imitado (Atos 20 : 34 , 35 ; 2Tessalonicenses 3 : 6 – 12).

Porém, Paulo enfrentou dura oposição a seu ministério apostólico e um dos grandes problemas que Paulo enfrentou nas igrejas gentias, foi quanto a questão dos judaizantes que, ainda presos as tradições judaicas, queriam descaracterizar Paulo como apóstolo, por este não usufruir da igreja o direito que os levitas recebiam dos hebreus pelo serviço que executavam no santuário. Paulo era um conhecedor da lei, mas também a ele foi revelado o evangelho da graça salvadora que age na vida dos homens diferente do conceito da lei. Paulo sabia que nenhum obreiro da nova aliança deve exigir sustento da igreja nos moldes do sistema levítico, mas os judaizantes queriam forçá-lo a isso, para que e também eles pudessem ter uma justificativa para explorar a igreja na ausência de Paulo. Por isso acusavam Paulo de não ser apóstolo ou de ser um falso obreiro (1Corintios 9 : 1). Por isso, Paulo se vê no dever de explicar aos crentes de Corinto, como era o sustento do ministro na lei e como deve ser no atual tempo da graça.

“Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1Corintios 9 : 13 , 14).

“Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo?.." Aqui Paulo está falando dos levitas (filhos de Levi) que eram os auxiliares dos sacerdotes e a quem Deus deu por herança todos os dízimos em Israel (Números 18 : 21). E dízimo não era dinheiro, mas comida (mantimento). E essa comida que era a décima parte da colheita e dos rebanhos era sagrada, isto é, separada para os levitas por que não receberam herança na terra para tirar seu próprio alimento. Então, os levitas comiam dos dízimos que eram levados ao templo como MANTIMENTO (Malaquias 3 : 10). "E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar?..". Já aqui Paulo está se referindo aos sacerdotes que comiam partes das ofertas que se levavam sobre o altar. Ofertas que também não eram dinheiro, mas animais para serem imolados no lugar do ofertante que obrigatoriamente tinha de levá-las no altar para que seus pecados fossem cobertos.

"Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1Corintios 9 : 13 , 14). Aqui Paulo alude ao que ensinou Jesus quando em missão enviou os doze apóstolos (Mateus 10 : 5 - 10),  e depois setenta (Lucas 10 : 3 - 7). Seguindo o mesmo principio do ministro na antiga aliança, Jesus fala do sala´rio do obreiro que é a comida que lhes é fornecida quando em missão, pois ministério cristão não profissão.

Mas muitos ministros utilizam esse escrito de Paulo para defenderem o direito do sustento da igreja em valores monetários, alegando que Paulo assim ensinou. Ora, Paulo em momento algum está ensinando isso e nem tampouco ordenando a igreja a seguir os ritos da lei. Seria uma grande contradição da parte dele, uma vez que ele mesmo ensinou que a lição do antigo testamento foi por Cristo abolida (2Corintios 3 : 14). Na defesa perante aqueles que o acusavam, Paulo usa a lição de como o ministro era sustentado na lei. “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar?” (1Corintios 9 : 13)

Mas na graça, não existe mais templo e nem altar. O templo de Deus hoje é o nosso corpo (1Corintios 3 : 16 ; Hebreus 3 : 6); o altar é a nossa própria vida, onde oferecemos a Deus nossos corpos como sacrifício vivo que é o nosso  culto racional (Romanos 12 : 1). Mas ninguém; nem sacerdote, levita ou quem quer que seja tem o direito de exigir sustento desse templo vivo: “Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo." (Hebreus 13 : 10). O Ministro do evangelho da graça em hipótese alguma deva cobrar para fazer a obra, mas dar de graça o que de graça recebeu (Mateus 10 : 8). O que Jesus ensinou aqui foi o que Paulo também ensinou aos Coríntios: “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1Corintios 9 : 14). Viver do evangelho não significa receber salário para pregar as boas novas, visto que este é um privilégio de todos aqueles que aceitam o Salvador. Logo, todos os crentes que pregam o evangelho (inclusive eu) poderiam também cobrar da igreja esse direito e assim impor um grande impedimento ao evangelho. Paulo e seus companheiros se guardaram disso: "Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo."  (1Coríntios 9 : 12).

Contudo, aquele que voluntariamente sair para levar o evangelho a outros lugares, deva se contentar com aquilo que aquele que for alcançado pela palavra sentir de abençoá-lo, não como pagamento, mas como um reconhecimento pelo serviço prestado quando em missão fazendo a obra do Senhor. Foi isso que Paulo ensinou, mas que muitos torcem como Pedro já havia profetizado: “E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2Pedro 3 ; 15 , 16).

Mas Paulo não recebeu salário da igreja? "Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado." (2Coríntios 11 : 8). A ajuda que Paulo recebeu das igrejas, como ele bem diz neste texto, foi quando esteve encarcerado e impossibilitado de trabalhar, pois, “quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado”.

 O RECONHECIMENTO DA IGREJA PARA COM SEUS OBREIROS

"E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós" (1Tessalonicenses 5 : 12 , 13).

Assim como as igrejas que Paulo plantou com seus companheiros reconheciam o labor de seus obreiros, deve também a igreja atual fazer o mesmo. Porém, é necessário reconhecer qual o obreiro é digno dessa graça. Jesus edificou Sua igreja e a ela concedeu dons ministeriais para sua edificação: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4 : 11 , 12). Dons esses que hoje muitos confundem como profissão digna de se receber salários. Mas não foi esse o propósito de Deus ao colocar esses dons na igreja? Absolutamente não! A igreja no principio era governada pelos apóstolos que tinham a responsabilidade de guiar a igreja na sã doutrina (Atos 2 : 42). Os apóstolos cuidavam de todos os problemas das igrejas, administrando inclusive as doações dos irmãos, repartindo essas bênçãos segundo a necessidade dos irmãos (Atos 4 ; 34 - 37). Aos Coríntios Paulo mostra que os apóstolos foram colocados na igreja como primazia: "E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas." (1Coríntios 12 : 28). Com o passar do tempo e a expansão da igreja fora dos limites de Jerusalém, esta responsabilidade foi atribuída aos presbíteros.

QUEM ERAM OS PRESBÍTEROS?

Presbítero do grego presbyteros que é: “ancião, aquele que apascenta”. Os presbíteros eram homens de idade madura, experientes e idôneos. Eram os anciãos na igreja a quem foi atribuída a responsabilidade de apascentar o rebanho de Deus. Os presbíteros são homens que pela idade e experiência episcopal iniciaram a carreira ministerial servindo como pastor e bispo: "Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue." (Atos 20 : 28). Mas, as convenções atuais de ministros evangélicos colocaram a figura do presbítero como um mero auxiliar do pastor, dando margem para se “consagrarem” presbíteros com qualquer idade e sem levar em conta as qualificações necessárias (1Timóteo 3 : 1 – 7). Porém, perante Deus, é o presbítero (ancião) que tem a autoridade para cuidar do seu rebanho. A eles é exigido o devido respeito e reconhecimento: "Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário”. (1Timóteo 5 : 17 , 18). Nesse particular alguns que não são presbíteros, mas recebem salário da igreja, tentam se justificar dizendo que presbítero e pastor são posições ministeriais sinônimas, mas não é.

Pedro era apóstolo, mas na sua idade avançada se reconhecia presbítero e aconselhava de igual modo àqueles que deveriam cuidar do rebanho de Deus. “Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1Pedro 5 : 1 – 3).

Paulo enviou Tito a Creta para lá estabelecer presbíteros nas igrejas: "Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei:"  (Tito 1 : 5). O presbítero é o anjo da igreja, com autoridade comparada ao sacerdote do antigo concerto (Êxodo 22 : 28). Por isso, qualquer acusação contra ele só pode ser aceita com mais de duas testemunhas: "Não aceites acusação contra o presbítero, senão com duas ou três testemunhas." (1Timóteo 5 : 19). Somente os presbíteros poderiam ungir os enfermos: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor;" (Tiago 5 : 14).

CONCLUSÃO

Os presbíteros são os únicos credenciados a receberem ajuda da igreja. Pela idade e experiência ministerial eles são pastores e bispos também. Eles são os pastores citados em Hebreus 13 : 7 e 17. Sendo os presbíteros anciãos e impossibilitados de trabalharem como Paulo e seus companheiros faziam; tendo eles agora o tempo necessário para dedicarem-se a igreja, doutrinando e alimentando com a Palavra a eleita do Senhor, é mais que justo que esta reconheça o seu trabalho, como Paulo aconselhou a igreja da Galácia: "E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui." (Gálatas 6 : 6). "E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;" (1Tessalonicenses 5 : 12).

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Roubará o Homem a Deus?


Durante 25 anos ininterruptos fui (segundo a visão denominacional) um “dizimista fiel”. Por causa dessa prática assumi muitos cargos na igreja, sendo honrado pelos lideres e admirado por muitos irmãos. Apesar de ser “fiel”, aconteceu de eu ficar um mês sem receber meu salário. E, não o recebendo, não pude dar os 10% obrigatórios que até então eu acreditava ser o dízimo (fui ensinado assim, como todos o são). Fui afastado das minhas funções e passei a ser tratado de ladrão e infiel. Como na igreja todos (ou quase todos) acreditam que quem não dizima é ladrão, por está roubando a Deus, não recebi defesa e nem a compaixão de nenhum irmão. Diante dos fatos, eu tinha razões de sobra para me desviar ou mudar de igreja, mas não fiz. Procurei defender a minha honra, e, para isso, dediquei-me a estudar exaustivamente a Bíblia no intuito de saber se a acusação infame que pesava sobre mim de “ladrão e infiel” tinha fundamento.

Comecei pesquisando sobre o termo “dízimo” e descobri que esta palavra é mencionada 34 vezes em toda a Bíblia, sendo 25 no antigo testamento e 09 no novo testamento. Anotei as referências e então passei a estudar cuidadosamente uma a uma nos seus textos e contextos. Aquilo que descobri me trouxe ainda maiores problemas, pois além de “ladrão” e “infiel”, agora eu passaria a ser tratado também de “herege”, “anticristo”, “apóstata” e até de “filho do diabo”. Eu descobri que dízimo nunca foi dinheiro.

Por causa de tudo isso eu deixei de pagar definitivamente os 10% a que chamam de dízimo (mas continuei contribuindo). Fui ameaçado de disciplina, mas não encontraram justificativa coerente para tal. Entretanto, eu, minha família fomos proibidos de ter qualquer oportunidade nos cultos e às vezes, quando vamos a convite de um irmão participar de alguma reunião nas congregações, causamos desconforto às lideranças com nossas presenças. Muitos dos que se diziam meus irmãos na fé, quando passam por mim, viram o rosto, pois pra eles eu sou um ladrão, por estar roubando a Deus não entregando meus 10% a tesouraria da igreja.

Diante de tal situação, volto novamente a escrever sobre isso, agora com o tema: Roubará o Homem a Deus?

Como um ser divino, criador e dono de todas as coisas, onipotente e transcendental como Deus poderá ser roubado pela sua mortal criatura? Ainda que possa parecer impossível, tal ação acontece.

Geralmente quando alguém faz essa pergunta, muitos logo têm a reposta na ponta da língua, citando o que Malaquias prescreveu: Sim, nos dízimos e nas ofertas! (Malaquias 3 : 8). Mas, o que a grande maioria desconhece ou ignora é que o roubo a Deus não está restrito somente a questão dos dízimos e das ofertas, como aconteceu no período pós-exílio no ministério de Malaquias. Deus é também roubado (e muito roubado) quando Sua palavra é desviada dos princípios a qual foi designada para atender os interesses daqueles que a interpretam. Deus foi roubado muito tempo antes do período de Malaquias, no período do pré-exílio babilônico, justamente por aqueles que tinham a responsabilidade de falar a palavra de Deus com verdade – os profetas. Eles, por interesses pessoais, querendo agradar os reis e as pessoas, passaram a usar falsamente o Nome de Deus e em vão, dizendo ao povo que Deus falava por intermédio deles, quando a vontade de Deus era outra.

“Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o SENHOR, que FURTAM as minhas palavras, cada um ao seu próximo. Eis que eu sou contra os profetas, diz o SENHOR, que usam de sua PRÓPRIA LINGUAGEM, e dizem: Ele disse” (Jeremias 23 : 30 , 31).

Não falar a Palavra de Deus com verdade, da forma como Ele a estabeleceu, consiste em furtá-la. Ah, mas FURTAR e ROUBAR não é a mesma coisa! FURTO vem do hebraico “ganab” (ga-nab) (גנב / גָּנַב) e este verbo ocorre cerca de 39 vezes no Antigo Testamento é relativo a “furtar”, “roubar” e implica até em “enganar”. Em ambos os casos quem pratica tais crimes, seja furto, seja roubo é considerado LADRÃO.

Assim como Deus foi “furtado”, “roubado” e “enganado” naqueles tempos, da mesma maneira o é nos dias atuais e, principalmente também por aqueles que se julgam responsáveis em falar a Palavra de Deus às massas. Muitos dos que na atualidade se autodenominam “ungidos”, como profetas, apóstolos, bispos e pastores, estão a furtar e a roubar a Deus, quando deixam de falar a Palavra na sua essência e pureza. São os que não suportam a sã doutrina e desviam os ouvidos da verdade e aplicam-se as fábulas (2Timóteo 4 : 3 , 4). Como exemplo disso, temos a lenda do “CORTADOR”, “MIGRADOR”, “DEVORADOR” e “DESTRUIDOR”, que na bíblia são meros gafanhotos, mas que os pseudos-mestres da atualidade ensinam serem “DEMÔNIOS” e usam desta mentira para impor o medo e o terror sobre os fiéis, para que estes, de maneira nenhuma deixem de pagar aquilo que ensinam ser o dízimo.

Quando se trata do assunto de roubar a Deus, logo acusam aqueles que não pagam “seus dízimos”. Afirmam ainda que os tais “roubadores” não herdarão o reino dos céus (1Corintios 6 : 10). Mas estes não ensinam que o roubo em relação aos dízimos e ofertas iniciou com os sacerdotes, responsáveis em ensinar e conduzir o povo de Deus (Malaquias 2 : 8). O dízimo como um princípio sagrado e de justiça foi estabelecido em Israel para atender uma determinada classe de pessoas. Desviá-lo desse princípio consistia em roubar a Deus (Neemias 13 : 10 - 12). Os que acusam os não dizimistas de “ladrões” esquecem ou ignoram que também os mentirosos ficarão de fora do reino dos céus e ainda serão jogados no lago de fogo (Apocalipse 21 : 8 ; 22 : 15). E a doutrina do dízimo conforme ensinam nas igrejas é uma mentira, pois esta não se harmoniza com os princípios pelos quais Deus o estabeleceu em Sua Palavra (Deuteronômio 12 : 32). E, por não se harmonizar com os princípios divinos estabelecidos, tal doutrina se constitui numa doutrina de homens e de demônios, por fazer acepção de pessoas, onde, aqueles que o pagam são aceitos e os que não pagam são excluídos e tratados com desprezo e ignomínia por aqueles que dizem viver no amor de Deus. Deus condenou os sacerdotes no tempo de Malaquias por causa dessa iniquidade (Malaquias 2 : 9).

Os que incentivam o povo a praticarem esse dízimo mentem quando dizem que aquele que for fiel prosperará financeiramente, quando na bíblia, Deus nunca fez tal promessa. Isso é furto, roubo e engano. Deus só prometeu abençoar o dizimista, se ele obedecesse em tudo o que Ele havia estabelecido sobre o ato de entregar o dízimo. E um desses mandamentos era que, a cada três anos, o dizimista deveria levar o levita, o órfão, a viúva e o estrangeiro para dentro de sua própria casa e alí, repartir o seu dízimo, onde eles comeriam até se fartarem (Deuteronômio 14 : 28 , 29 ; 26 : 12 - 16). Os que atualmente cobram dízimos não ensinam esses princípios, por isso roubam e furtam ao Senhor. E ainda, aqueles que cobram dízimos em dinheiro, usam o Nome de Deus em vão e mentem ao povo quando dizem que o dízimo é para aplicação na obra de Deus, como ação social e missões e outras, mas nada do que é arrecadado em cada culto se aplicam nestas áreas.

Também mentem, quando afirmam que os que não pagam o dízimo receberão a maldição prometida em Malaquias, que diz: "Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação." (Malaquias 3 : 9). Ora, essa maldição estava condicionada ao fato justamente de não dar o dizimo para quem Deus determinou entregar, que, além dos levitas, eram os necessitados como órfãos, viúvas e estrangeiros. Isso Deus mesmo estabeleceu em lei. Veja: "Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém." (Deuteronômio 27 : 19). No mesmo capítulo de Malaquias onde Deus cobra os sacerdotes pelo roubo aos dízimos e ofertas, Ele os avisa que será uma testemunha contra os que o roubariam: "E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o SENHOR dos Exércitos." (Malaquias 3 : 5). Esse era o roubo que Deus estava se sentindo lesado. Os que distorcem os textos sagrados, mentindo para alimentar seus deleites carnais e materiais, deveriam meditar com o que aconteceu com Ananias e Safira em plena era da graça. Eles morreram por mentir ao Espírito Santo. No início da era igreja Deus matou aquele casal para deixar o exemplo às gerações futuras que aqueles que mentem nas coisas divinas terão sua devida punição. (Atos 5 : 1 – 10).

O que a bíblia ensina sobre o dízimo?

O dízimo é bíblico? Sim, mas não era dinheiro, como se exige! Não era dado mensalmente ou a cada culto, mas uma única vez ao ano (Deuteronômio 14 : 22). Dízimo era alimento retirado das lavouras e do rebanho dos israelitas e destinava-se ao sustento dos levitas que não receberam herança nas terras de Israel e principalmente dos necessitados, como órfãos, viúvas e estrangeiros (Números 18 : 24 ; Deuteronômio 26 : 12).

Dízimo, por ser uma doutrina veterotestamentária constituía-se em uma obra da lei que na cruz teve seu cabal cumprimento, onde Jesus pagou todas as nossas dívidas, abolindo a lição do antigo testamento (Colossenses 2 : 14 – 17 ; 2Coríntios 3 : 14). Ensinar a igreja a praticar alguma obra da lei como o dizimo, é furtar as Palavras de Deus é expor os que acreditam nessa doutrina à maldição: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las."  (Gálatas 3 : 10).

Também furtam e roubam a Deus todos aqueles que se omitem de ensinar o povo tais verdades divinas, da maneira como Deus a estabeleceu. Fazendo assim privam os fiéis de serem verdadeiramente abençoados e de servirem a Deus por amor e gratidão e não por barganha ou por medo do suposto “devorador”. Mas o juízo virá sobre os que tais coisas praticam.

"Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo."  (Tiago 3 : 1).


Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A Organização de Uma Igreja Local



O estudo das lições do terceiro trimestre da Escola Dominical chegou a 11ª lição que trata a respeito da epístola que Paulo enviou a Tito. Embora eu não mais congregue em nenhuma instituição, por causa daquilo que prego, todavia, acompanho as lições e as ministro nas casas dos irmãos que ainda congregam e que tem apreço a minha pessoa, pois fui coordenador e professor de EBD por muitos anos. A respeito dessa lição estarei abordando alguns pontos, como segue:

Quem era Tito?

Tito era um dos companheiros de Paulo em suas viagens missionárias, assim como Timóteo, Demas, Lucas, Apolo e muitos outros. Diferente de Timóteo que era judeu, Tito era gentio (grego) e também não era pastor como alguns deduzem na atualidade. Tito era um homem de extrema confiança de Paulo, pois era honesto e desprendido de qualquer sentimento de avareza. Tal virtude de Tito levou Paulo a escolhê-lo para junto com ele administrarem os recursos angariados pelas igrejas em favor dos irmãos necessitados (2Coríntios 8 : 6 - 24). Nas inúmeras viagens, Paulo chega a ilha de Creta que ficava no Mar Mediterrâneo entre a Grécia a Ásia Menor e o Egito. Os habitantes dessa ilha tinham a fama de serem preguiçosos e mentirosos. Mas, em Creta habitavam também muitos judeus. Convém salientar que as igrejas que lá estavam não foram plantadas por Paulo, pois este quando alí chegou com Tito, já encontrou crentes que professavam a fé em Jesus. Acredita-se que essas igrejas surgiram a partir do retorno de alguns judeus que estavam em Jerusalém no dia de Pentecostes e que se converteram a fé cristã pela pregação de Pedro (Atos 2 :  11).

Qual o propósito da carta de Paulo a Tito?

A igreja em Creta já estava organizada, mas Paulo encontrou um problema que precisava ser solucionado. A semelhança da igreja de Éfeso, como muitas outras, o problema lá eram os judaizantes. Estes eram judeus que guardavam a lei de Moisés e que queriam que as igrejas cristãs gentias também adotassem os costumes que eles seguiam como sendo necessários para alcançar a salvação. (Conf. Atos 15 : 1 ; 24). Por essa razão, Paulo deixou Tito em Creta para por em ordem as coisas que “ainda restavam” (Tito 1 : 5a). Essas coisas que ainda restavam e que precisava de uma organização era em respeito a liderança que, ao que parece não tinha líderes capacitados para dirigir o rebanho ou, se tinha, estes  não atendiam aos quesitos necessários exigidos àqueles que almejam assumir o episcopado. Paulo tinha ardente zelo pela igreja de Deus que estava espalhada pela Ásia e outras regiões (2Coríntios 11 : 28). Como era um homem dedicado a obra de Deus, precisando atender outras necessidades, Paulo confia a seu companheiro Tito a grande responsabilidade de por em ordem as coisas que lá ainda restavam que era estabelecer PRESBÍTEROS em cada cidade (Tito 1 : 5).

Da mesma maneira que Paulo orientou Timóteo quanto a escolha de líderes em Eféso, também orienta Tito em relação a igreja que estava na ilha de Creta, estabelecendo os mesmos critérios de separação para o episcopado (1Timóteo 3 : 1 - 7 ; Tito 1 : 5 - 9). Nas exortações dadas a Timóteo e Tito quanto ao obreiro que deve cuidar do rebanho de Deus, a exigência que encabeça a lista de quesitos é quanto ao exemplo familiar. O presbítero além de ser fiel a esposa não pode ser divorciado e recasado. Quando Paulo diz que o mesmo tem de ser marido de UMA SÓ MULHER não está aqui falando de uma mera traição e/ou infidelidade, mas da possibilidade de o obreiro ser divorciado e recasado, como existem atualmente nas inúmeras organizações religiosas. Tudo o que Paulo ensinou, foi aquilo que aprendeu de Jesus (1Coríntios 11 : 23). E ele aprendeu e ensinou que aquele que abandona seu cônjuge e casa de novo comete adultério e, estando um dos cônjuges vivos, o mesmo estará casado com duas esposas. No caso da mulher, estará casada com dois esposos (Marcos 10 : 11 , 12 ; Romanos 7 : 3).

Paulo também enfatiza que o obreiro precisa ser uma pessoa íntegra e irrepreensível como bom despenseiro da casa de Deus. A casa de Deus no contexto não se refere a templos feitos pelos homens ou a qualquer estrutura arquitetônica, como o foi no antigo pacto, mas ao ajuntamento de crentes independentes dos lugares onde se reúnam para adorar e servir a Deus. O obreiro como despenseiro é o mesmo que mordomo (Lucas 12 : 42); que é uma figura do tesoureiro do antigo concerto (Neemias 13 : 12). O ser íntegro e irrepreensível se referem a fidelidade que o despenseiro e/ou mordomo precisa ter no trato com aquilo que não lhe pertence, que no caso são as ovelhas de Deus que Ele resgatou com seu próprio sangue (Atos 20 : 28 ; 1Pedro 5 :  1 - 4). Assim como o despenseiro do antigo concerto precisava ser fiel na distribuição dos dízimos e das ofertas com aqueles que precisavam (Neemias 13 : 10 – 13); da mesma forma o despenseiro da nova aliança tem de ser fiel, dando a ração (sã doutrina) as ovelhas a seu tempo (Lucas 12 : 42). Obreiros avarentos não se enquadram nesse perfil de integridade e fidelidade. Paulo ainda diz: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Coríntios 4 : 1 , 2). Os “Mistérios de Deus” aqui é a Palavra de Deus ministrada com verdade e sem desvios doutrinários. O obreiro fiel não pode acrescentar e nem diminuir nada do que já foi revelado. Se fizer isso será achado mentiroso (Provérbios 30 : 6).

Seguindo a orientação a Tito, Paulo faz referencia a muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores que haviam em  Creta (Tito 1 : 10). Quem eram estes? Crentes na igreja? Não! Eram judaizantes infiltrados nas igrejas, se fazendo passar por crentes, mas que ensinavam heresias, com a finalidade de extorquirem os irmãos. Eram faladores, vãos e enganadores porque ensinavam falsas doutrinas e assim enganavam a igreja. Observe que Paulo diz que eles eram da “CIRCUNCISÃO”, quais eram judeus que se utilizavam de fábulas judaicas e de mandamentos humanos (Tito 1 : 14). Estes eram os contradizentes e maldizentes e Tito tinha a responsabilidade de fazê-los calar (Tito 1 : 11); não pela violência ou força física, mas pela exposição da sã doutrina a fim de torná-los sadios na fé (Tito 2 : 1).


Os obreiros de hoje precisam atentar para o que acontece nas igrejas da atualidade, onde há crentes (inclusive obreiros) que defendem algumas obras da lei que Paulo tanto condenou (Romanos 9 : 32 ; Gálatas 2 : 16 ; 3 : 2 – 10). Com base nisso, eles tentam aplicar regras e costumes do judaísmo nas igrejas com o fim de tirarem proveito das ovelhas, como os judeus da “circuncisão” faziam em Creta. Estes, não somente ensinam heresias, como tentam aniquilar a graça de Deus e anular o sacrifício de Jesus na cruz (Gálatas 2 : 21). A estes também é preciso fazê-los calar, pois que transtornam igrejas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Mas quem o fará imitando a Tito?

E quanto a pureza?

"Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados." (Tito 1 : 15).

Paulo aqui faz um contraste entre o crente justificado pela fé em Cristo e os judaizantes “da circuncisão” que causavam problema entre os crentes de Creta. Os crentes que são salvos pela graça, não se prendem e nem dependem de ritos cerimoniais e sacrifícios como maneira de agradar a Deus, pois estes já tiveram suas consciências purificadas, como diz o escritor aos Hebreus: "Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa," (Hebreus 10 : 22). Os puros são aqueles que já foram purificados pelo sangue de Jesus, por isso que todas as coisas são puras para os puros. Quando Pedro que era ministro da circuncisão ainda não tinha conhecimento da profundidade desta pureza que Deus realizou nos crentes, chegou a contender com Ele na visão que recebeu quando estava em Jope. “Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou” (Atos 10 : 14 , 15). Pedro só foi entender isso quando viu Deus trabalhar na vida de Cornélio que era um gentio, pois os judeus consideravam os incircuncisos gentios impuros.

Os judaizantes, que por sinal eram fariseus, estavam presos nos dogmas da religião judaica com seus ritos de purificação e justificação pelas obras da lei. Eles não acreditavam na salvação pela fé sem os ritos da lei que a eles foi dado por Moisés. Estes, como afirma o verso 14, se firmavam em fábulas do judaísmo e mandamentos que eles mesmos criavam e adotavam como doutrinas a serem obedecidas. Estes ainda se escandalizavam com o modo de viver dos gentios, pela liberdade que estes tinham de servir a Deus sem os empecilhos da religião. Na visão de Paulo estes eram os impuros e infiéis, visto que tinham a consciência contaminada e tudo para eles era motivo de reprovação. Não é raro tipos de crentes dessa natureza nas igrejas que querem ser mais santos que os demais, se escandalizando e vendo pecado e demônios em tudo que lhe cerca. Só não se escandalizam com a língua solta, pois são estes que confessam servir a Deus, mas o negam por suas atitudes e obras.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará