Páginas

terça-feira, 24 de maio de 2022

As portas do hades não prevalecerão contra a Igreja de Cristo"

Por: Reginaldo Barbosa

“Da mesma maneira Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18).

Jesus falou que edificaria a sua igreja. Prometeu e cumpriu quando enviou o Consolador, o Espírito Santo para guiá-la em toda a verdade e justiça (João 16.13). Não, não foi sobre Pedro que Jesus edificou a Sua igreja como alguns interpretam, mas sobre a pedra angular que foi pelos homens rejeitada e que é o próprio Cristo (Salmos 118.22 ; Isaias 28.16). E o próprio Pedro dá testemunho dizendo que a Pedra é Jesus: “Este Jesus é ‘a pedra que foi rejeitada por vós, os construtores, a qual foi posta como pedra angular” (Atos 4.11). Sim, foi sobre esta Pedra que Jesus edificou a Sua Igreja. E a igreja de Jesus não é uma religião, nem uma denominação ou mesmo um prédio feito pelas mãos dos homens, mas um organismo vivo, um edifício espiritual formado de pedras vivas que são pessoas (1Pedro 2.5). O propósito de Jesus para com sua igreja é que ela como um corpo fosse una e indivisível. No primeiro sinal de divisão, quando os crentes começaram a mostrar predileção em relação a alguns apóstolos, coube a Paulo, o apóstolo enviado aos gentios derrubar por terra tal ideia (1Cor 1.12,13). Mas, dormindo os homens (Mateus 13.25); isto é, morrendo os apóstolos, veio o inimigo e semeou o joio no meio da seara (igreja) e então, no decorrer do tempo veio a divisão e os homens passaram a formar ministérios particulares, cada um com suas doutrinas peculiares.

Porém a igreja que Cristo edificou continua um corpo santo e único. Ela é formada por todos aqueles que independente de etnia, raça, cor ou nação, foram comprados pelo Seu sangue derramado no madeiro (Apocalipse 22.14). Enquanto aguarda o glorioso retorno de Seu Mestre, a igreja continua sua marcha, não obstante as perseguições impostas pelos agentes do reino das trevas, pois ela não é desse mundo (João 17.16). Sua luta neste mundo não é contra a carne e sangue, e sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. (Efésios 6.12).

Mas Jesus disse que em relação a sua igreja, as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. O que seria as portas do inferno? Teria o Senhor dito isso mesmo? Não! O que Jesus afirmou de fato foi que as portas do HADES não prevaleceriam contra a sua igreja. E o HADES não é o INFERNO! As muitas versões de bíblias hoje existentes têm causado todo esse problema de interpretação e levando alguns até a afirmarem que a bíblia é um livro cheio de contradições e fantasias. Nas versões mais antigas encontramos o termo “hades”, onde nas traduções modernas foi mudado para “inferno”. Mas, qual a diferença entre HADES e INFERNO?

Vamos tentar entender o que é o inferno. A palavra inferno é de origem latina “infernum” e significa “profundezas ou lugares baixos”. É um termo que originariamente não se encontra nas Escrituras, mas que é utilizado para designar o estado final da punição dos ímpios que é o “fogo eterno ou lago de fogo”, onde, segundo Jesus, o diabo com seus anjos e todos os que cometeram maldades e não se arrependeram de suas ações serão lançados. É o estado de separação eterna de Deus, o fim de tudo o que é mal. (Mateus 25.41 ; 2Tessalonicenses 1.9). Neste caso, no inferno (fogo eterno ou lago de fogo) ainda não tem ninguém, pois ainda não aconteceu o juízo final. Quando acontecer, até mesmo HADES será lançado nele (Apocalipse 20.13,14).

Um ponto importante a se observar é que a utilização da palavra "inferno", com o tempo ficou associada à ideia de tormento eterno. Isto aconteceu por falta de coerência na tradução desta palavra de origem hebraica que trouxe confusão na mente dos leitores. Alguns eruditos mencionaram essa confusão nas seguintes declarações:

“Muita confusão e compreensão errada foram causadas pelo fato dos primitivos tradutores da Bíblia terem traduzido persistentemente o termo hebraico Sheol e os termos gregos Hades e Geena pela palavra "inferno". A simples transliteração destas palavras por parte dos tradutores das edições revisadas da Bíblia não bastou para eliminar apreciavelmente esta confusão e equívoco”.

E o que é o HADES? Do grego ᾅδης (haides) que significa “Habitação dos mortos”. Na bíblia de Jerusalém encontramos o termo “Mansão dos mortos”. O HADES é uma equivalência do termo hebraico שאול (SHEOL) que assim passou a ser chamado, depois que a Septuaginta traduziu a bíblia hebraica para o grego entre os séculos I e III depois de Cristo. Num sentido geral, o hades pode designar a sepultura e/ou sepulcro, assim como no Antigo Testamento o termo “sheol” representa. O Apóstolo Pedro ao se referir sobre o sepultamento de Jesus em Atos 2.22-31, cita o salmo 16.10, onde Daví diz: “porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu Santo sofra decomposição” (Atos 2.27KJA). As versões mais modernas de bíblias tem substituído o termo sepulcro/sepultura (hades) por inferno e decomposição por corrupção. Neste último caso, não há diferença entre os termos.

Então, o que Jesus quis dizer com “as portas do Hades” não prevalecerá contra a sua igreja?

Muitos pregadores têm usado em seus sermões esta palavra dita por Jesus, substituindo “hades” por “inferno”, associando-as as perseguições. Eles ensinam que a igreja, embora passe por lutas, privações e perseguições, sempre se manterá vitoriosa sobre estes fatos. Porém, não foi isso que Jesus quis dizer. Não! Jesus nunca ensinou isso. Fosse assim, os primeiros cristãos não seriam torturados pelos inimigos da fé cristã, e muito menos mortos pelo Nome de Jesus, como a história registra. As portas do Hades não prevalecer sobre a igreja de Jesus, significa que ainda que os crentes que a formam venham ser perseguidos e a descer a sepultura pelo processo da morte (pois todos temos de morrer), eles não ficarão ali para sempre, pois haverão de se levantar de lá, pela ressurreição. Assim como o hades (mundo dos mortos/sepultura) não pode conter nele o dono da vida, assim, os que nele creem e entregaram-lhe sua vida, haverão também de sair de lá. É este o significado de “as portas do Hades” não prevalecer contra a Igreja de Cristo. Paulo, o apóstolo enviado aos gentios, escreveu: “Ora, Deus, que também ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará a nós pelo seu poder” (1Corintios 6.14). O profeta Isaias já havia falado sobre isso muito tempo antes: “Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão; despertai e exultai, vós que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos” (Isaias 26.19).

Enquanto vivermos neste mundo como igreja, devemos estar cientes que pelo amor a Cristo somos entregues a morte todo o dia, e nada, nem mesmo a morte pode nos separar do amor de Deus, pois sobre tudo isso somos mais que vencedores (Romanos 8.36).

 Em Cristo,

 Reginaldo Barbosa

Santa Bárbara do Pará

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

PECADO e INIQUIDADE

 "Qualquer que comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade." (I João 3.4)

Há quem diga que pecado e iniquidade são a mesma coisa. E há quem afirme que ambas não existem mais. Porém, a luz das Escrituras não é! Isaías profetizou sobre o sofrimento do Messias dizendo que Ele seria ferido por nossas transgressões (pecados) e moído por nossas iniquidades (Isaías 53.5). Então, podemos notar que entre um e outro há diferenças, sendo que o último pode ser pior que o primeiro. Para entendermos essa diferença, precisamos conhecer um e outro.
a) PECADO. O que é o pecado. Do hebraico "harmatia" significa: Errar o alvo. Toda vez que fazemos algo que está contra a vontade de Deus, sobre aquilo que ele planejou para nós que é andarmos na sua vontade, cometemos pecado, seja voluntária ou involuntariamente.
b) INIQUIDADE. Já a iniquidade em hebraico é (אי-צדק[i-tzedek)=sem justiça. Iniquidade é justamente o oposto de EQUIDADE que significa: Senso de Justiça.
O dicionário define a Iniquidade, como:
1. injustiça, parcialidade, tendenciosidade, desigualdade, arbitrariedade, partidarismo, facciosismo, facciosidade. Ato perverso:
2. perversidade, crueldade, maldade, malignidade, malvadeza, desumanidade, impiedade, malevolência, crime.
João diz que todo pecado é iniquidade (1João 3.4 ; 5.17). Mas quando isso acontece, ou seja, quando o pecado se torna iniquidade?
Iniquidade é quando os erros que cometemos (pois ninguém é perfeito), se tornam uma constante na vida da pessoa, não havendo nenhum arrependimento e/ou correções desses. Os pecados quando reconhecidos, são perdoados mediante arrependimento sincero (Atos 3.19). Mas não havendo arrependimento, o pecado ganha força e se torna em iniquidade, levando a pessoa a perder todo o senso de justiça, amor e respeito para com o próximo, sendo que os tais que o praticam ficarão de fora do Reino de Deus, muito embora aparentem uma vida de devoção religiosa.
"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade" (Mateus 7.22,23).

Reginaldo Barbosa

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A Oferta da Viúva Pobre



Em Marcos 12 e Lucas 21 está registrada a história de uma pobre viúva que foi ao templo de Jerusalém e depositou no gazofilácio como oferta todo o seu sustento, duas pequenas moedas. Esse notório fato tem servido de inspiração para muitos defensores da teologia da prosperidade, que usam o ocorrido como meio de incentivar os crentes a agirem como aquela pobre viúva a darem seu “tudo” para a “obra do Senhor”. Alguns até vão mais além, alegando que a viúva deu o maior dizimo em relação aos outros, por dar tudo o que tinha. Ora, dizimo é apenas a décima parte (10%) e não tudo. Pela justiça divina, viúvas, assim como órfãos e estrangeiros (gentios) não davam dízimos, mas deveriam ser por eles sustentados (Deut. 14.28,29 ; 26.12-15). Neste pequeno artigo quero mostrar por dentro das Escrituras o motivo pelo qual aquela pobre mulher deu como oferta todo o seu o seu sustento e Jesus não pode fazer nada para impedi-la.

JESUS VEIO PARA CUMPRIR A LEI (Mateus 5.17-19)

Desde seu nascimento até sua morte, Jesus viveu no cumprimento da Lei. Paulo diz: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gálatas 4.4,5). Cristo viveu e ministrou na vigência da antiga aliança e no regime da lei dada a Moisés. Ele veio para cumprir a Lei (Mateus 5.17). E, antes da Sua morte, onde seu sangue foi derramado para remissão da humanidade, era necessário todo hebreu ir uma vez ao templo e levar uma oferta pela expiação dos seus pecados, assim como obedecer a todos os ritos e cerimoniais da lei. Então, até a morte expiatória de Cristo no madeiro prevaleceram os ritos mosaicos fixados na Lei, como a oferta que a viúva deu. É importante salientar que aquela oferta não era voluntária e nem poderia ser com qualquer valor, mas como a Lei dada por Moisés pedia. Repito que aquela oferta era obrigatória a todos os hebreus, pois servia como resgate das vidas e expiação dos pecados.

A LEI DE MOISÉS

Anualmente havia uma contagem dos hebreus e, todos os de 20 anos para cima deveriam obrigatoriamente dar uma oferta com um valor determinado que fosse o equivalente a 6 gramas de prata (meio siclo). Por essa oferta levada uma vez ao ano ao santuário, o ofertante tinha seus pecados expiados, isto é, a ira de Deus sobre ele era aplacada temporiamente, devendo o rito ser repetido no ano seguinte. E o dinheiro advindo dessa oferta era para aplicação na manutenção do santuário, que na época que foi instituída por Moisés era o tabernáculo e que tempos mais tarde foi substituído pelo templo erguido por Salomão e que durou até o ano 70eC. Neste tempo, o templo foi derrubado pelas tropas romanas e desde então, nunca mais foi reerguido.

Segue a orientação de Moisés, para recolher essa oferta:

Êxodo 30.11-16:
11  Falou mais o SENHOR a Moisés dizendo:
12  Quando fizeres a contagem dos filhos de Israel, conforme a sua soma, cada um deles dará ao SENHOR o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre eles praga alguma, quando os contares.
13  Todo aquele que passar pelo arrolamento dará isto: a metade de um siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras); a metade de um siclo é a oferta ao SENHOR.
14  Qualquer que passar pelo arrolamento, de vinte anos para cima, dará a oferta alçada ao SENHOR.
15  O rico não dará mais, e o pobre não dará menos da metade do siclo, quando derem a oferta alçada ao SENHOR, para fazer expiação por vossas almas.
16  E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel, e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel diante do SENHOR, para fazer expiação por vossas almas.

Assim, ninguém estava isento dessa contribuição, nem mesmo as viúvas.

A OFERTA DA VIÚVA POBRE

No tempo de Cristo, uma viúva foi ao templo e levou sua oferta na caixa dos tesouros que era conhecido como gazofilácio. Não confundir essa caixa dos tesouros com a casa do tesouro que era um armazém no templo para estocar mantimentos para levitas, órfãos, viúvas e estrangeiros. O gazofilácio era uma espécie de cofre que era uma caixa com um furo na tampa superior, por onde se colocava o dinheiro. Na época que Moisés instituiu essa lei, não existia o gazofilácio e o dinheiro era entregue diretamente nas mãos dos sacerdotes. E o gazofilácio foi inventado na época de Joás, rei de Judá, por uma necessidade de reparar o templo. Isto porque os sacerdotes foram negligentes quanto ao cuidado que deveriam ter para com a manutenção do santuário. Joás era garoto quando assumiu o reino e tinha como seu conselheiro o sumo sacerdote Joiada. Ao ver o templo em estado deplorável, Joás pediu que os sacerdotes recolhessem a oferta que Moisés havia designado em Lei, conforme dito acima.
“E disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas santas que se trouxer à casa do SENHOR, a saber, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer cada um voluntariamente para a casa do SENHOR,  Os sacerdotes o recebam, cada um dos seus conhecidos; e eles mesmos reparem as fendas da casa, toda a fenda que se achar nela” (2Reis 12.4,5).

Assim foi feito. Porém, mais uma vez os sacerdotes foram omissos quanto a responsabilidade e passaram-se 16 anos e nenhum serviço no templo foi feito. Então, o rei Joás que já estava com 30 anos e viu que nada tinha sido feito, inquiriu novamente dos sacerdotes o motivo pelo qual isso não tinha acontecido. 

“Então o rei Joás chamou o sacerdote Joiada e os mais sacerdotes, e lhes disse: Por que não reparais as fendas da casa? Agora, pois, não tomeis mais dinheiro de vossos conhecidos, mas entregai-o para o reparo das fendas da casa. E consentiram os sacerdotes em não tomarem mais dinheiro do povo, e em não repararem as fendas da casa. ” (2Reis 12.7,8).

Foi ai que o sumo sacerdote Joiada teve a ideia de criar o gazofilácio que era uma caixa, semelhante a um cofre e o colocou perto do altar que ficava na entrada do templo:

“Porém o sacerdote Joiada tomou um cofre e fez um buraco na tampa; e a pôs ao pé do altar, à mão direita dos que entravam na casa do SENHOR; e os sacerdotes que guardavam a entrada da porta punham ali todo o dinheiro que se trazia à casa do SENHOR.  Sucedeu que, vendo eles que já havia muito dinheiro no cofre, o escrivão do rei subia com o sumo sacerdote, e contavam e ensacavam o dinheiro que se achava na casa do SENHOR” (2Reis 12.9,10).

Esse dinheiro não era para outra finalidade, senão fazer a manutenção no templo que naquela época era chamada de a casa do Senhor, que deveria ser entregue nas mãos de profissionais e especialistas da época.

“E o dinheiro, depois de pesado, davam nas mãos dos que faziam a obra, que tinham a seu cargo a casa do SENHOR e eles o distribuíam aos carpinteiros e aos edificadores que reparavam a casa do SENHOR. Como também aos pedreiros e aos cabouqueiros; e para se comprar madeira e pedras de cantaria para repararem as fendas da casa do SENHOR, e para tudo quanto era necessário para reparar a casa” (2Reis 12.11,12).

E foi nessa caixa que a viúva deu todo o seu sustento e não podia fazer diferente, pois a Lei assim a obrigava. Jesus viu e, embora sendo justo e sabendo que alí estava todo o seu sustento, nada fez para impedi-la, pois Ele estava no cumprimento da Lei e ainda não tinha morrido para resgate de nossas almas e expiação dos nossos pecados. Mas graças a Deus Ele morreu e, na cruz, pagou toda a dívida que Moisés estabeleceu em lei.

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Colossenses 2.14).

Na graça não devemos mais nada, pois todo o preço já foi pago. Por isso, utilizar o exemplo da pobre viúva como exemplo a ser repetido ou seguido na graça, ou mesmo cobrar alguma coisa como meio de agradar a Deus e receber suas bênçãos, é tentar anular o sacrifício de Cristo e atrair sobre sí e sobre o povo as maldições prescritas na Lei.

"Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde." (Gálatas 2.21).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Sta. Bárbara do Pará

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O que significa NÃO ABANDONAR A NOSSA CONGREGAÇÃO?




O autor da carta aos judeus convertidos a Cristo (hebreus) aconselha: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hebreus 10.25).

Uma leitura superficial e desatenta do texto, pode levar o leitor a entender que o crente não deve abandonar a denominação ou o lugar (prédio) onde congregam. De fato, é exatamente isso que os muitos religiosos entendem. Mas, na época em que a carta foi escrita não haviam denominações, cada uma com seus templos e nomenclaturas. Havia uma igreja, formada inicialmente de judeus e que era perseguida por falar no Nome de Jesus. Por isso, estes viviam fugindo e se escondendo dos seus algozes. Não possuíam bens, casas e muito menos um lugar fixo para se reunirem em Nome de Jesus. Então, o que significava “não abandonar a nossa congregação?”.

A palavra congregação é citada 343 vezes em toda a bíblia, de acordo com a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF). Só no Antigo testamento quando nem igreja havia, a palavra congregação é citada 340 vezes. E, no Novo Testamento onde nasceu a igreja, a palavra é mencionada somente 3 (três) vezes. Então, a palavra congregação na bíblia não remete a lugar e/ou espaço físico, mas a pessoas reunidas, da mesma forma que a palavra igreja no Novo Testamento se refere a pessoas reunidas em o Nome de Jesus, independente do lugar onde se reúnam ou estejam. A seguir, vou colocar alguns textos do antigo testamento que corroboram essa verdade:

"Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família."  (Êxodo 12.3). É importante salientar que neste tempo nem tabernáculo existia, pois este só foi fabricado a partir do capitulo 25 de Êxodo.

"E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto."  (Êxodo 16.2). Aqui fica bem claro que a congregação era o povo.

Mas, quando o tabernáculo foi construído, este foi chamado de TENDA DA CONGREGAÇÃO (Êxodo 27.21). Mas não era permitido o povo entrar nele para adorar a Deus. Somente os da tribo de Levi tinham permissão para entrar no tabernáculo e os que não fossem levitas morreriam (Números 18.7). O mesmo era no templo que substituiu o tabernáculo, onde nem mesmo Jesus pode entrar. O máximo que Jesus ia era no pátio do templo, onde o povo se aglomerava. Jesus ia ali para ensinar, curar e libertar as pessoas, mas quando precisava orar, se dirigia ao monte das Oliveiras.

Assim, o conselho do autor aos hebreus em 10.25 era referente a crentes que estavam desistindo da caminhada cristã e voltando aos velhos rudimentos da lei, negligenciando a graça salvadora. Estes, corriam um grave perigo de se perderem eternamente, pois voluntariamente estavam abandonando a comunhão da congregação (povo/igreja) e servindo de tropeço, pisando o Filho de Deus e profanando o sangue da aliança que no madeiro foi derramado e fazendo agravo ao Espírito Santo, como diz os versos 28,29: “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós, será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hebreus 10.28,29)

Reginaldo Barbosa.
Santa Bárbara do Pará



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Céu e Inferno - Quem já foi pra esses lugares?


"Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu." (João 3.13). "Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus." (Salmos 9.17).

INTRODUÇÃO

Quando uma pessoa que julgamos ser boa morre, afirmamos que esta foi para o céu, ou que foi para a glória estar com Deus. Da mesma forma, quando uma pessoa que julgamos ser má também morre, dizemos que esta foi para o inferno. Será que este pensamento está correto? Temos o direito de fazer um juízo antecipado escolhendo quem vai para o céu o quem vai para o inferno? O que é o céu e o que é o inferno segundo as escrituras? Vamos analisar as sagradas letras e ver o que ela tem nos ensinar a respeito, para não cometermos mais estes erros.

O QUE É O CÉU SEGUNDO A BÍBLIA?

A bíblia Almeida Corrigida Fiel (ACF) fala de céu (singular) 327 vezes e céus (plural) 374 vezes.

O céu (no singular), geralmente se refere ao firmamento que é a parte que contemplamos com nossos olhos, cuja cor predominante de dia é o azul, podendo mudar de cor de acordo com o tempo e sendo escuro a noite ou iluminado pelas estrelas. Exemplos do céu como firmamento: "E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos." (Gênesis 7.19); "O SENHOR vosso Deus já vos tem multiplicado; e eis que em multidão sois hoje como as estrelas do céu." (Deuteronômio 1.10).

Os céus (no plural) dá a entender que existe mais de um céu, onde um deles é céu da glória ou o lugar onde Deus habita na companhia do Filho, dos anjos, arcanjos, querubins e serafins. É o lugar que até hoje nenhum mortal teve acesso. "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." (Salmos 19.1). Neste salmo, podemos notar a diferença de CÉU (firmamento) para CÉUS (morada/habitação Divina). Mas também encontramos nas Escrituras a palavra céu no singular se referindo ao céu da glória que é o lugar invisível a nossos olhos e onde Deus habita e os anjos. Diferente do firmamento esse céu é o céu dos céus (céu da glória), conforme declaram as escrituras: "Só tu és SENHOR; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora."  (Neemias 9.6). Leia também 1Reis8.27 e 2Crônicas 6.18.

O QUE É O INFERNO SEGUNDO A BÍBLIA?

Para termos um entendimento correto sobre este lugar, é necessário analisarmos várias versões de bíblias e procurarmos uma que se aproxime dos escritos originais. Isso, porque algumas versões chamam esse lugar de “Seol” ou “Sheol”, outras de “Geena”, outras de “Tártaro” e outras de “Hades”. Essa desarmonia que há entre as várias versões da bíblia tem contribuído para a confusão que muitos fazem a respeito do inferno e até criem doutrinas estranhas sobre o assunto. Vamos conhecer o que são estes lugares acima citado:

1 – Seol ou Sheol: Não é o inferno, mas na língua hebraica é o lugar que se refere a sepultura, onde os mortos são sepultados (Gênesis 42.38 ; 44.29 ; 1Samuel 2.6 ; Eclesiastes 9.10). É a mesma definição para o termo grego Hades que designa HABITAÇÃO DOS MORTOS e se referem ao estado intermediário dos mortos até o julgamento que se dará no juízo final. Era o lugar de cativeiro onde desciam os espíritos dos mortos no antigo testamento, antes da vinda do Messias. Na passagem do rico e Lázaro ensinado por Jesus em Lucas 16.20-25, temos a ideia que o sheol ou hades ficavam num plano paralelo, sendo apenas divididos por um grande abismo. Jesus ao morrer desceu a este lugar (Salmo 16.10). A versão fiel ao original diz que Jesus desceu ao “hades” enquanto que outras versões dizem que Ele desceu ao inferno, mais não foi. Pedro diz que Jesus foi alí pregar aos espíritos em prisão, àqueles que no período de Noé foram rebeldes e desobedientes a pregação da palavra de Deus (1Pedro 3.19,20). Foi a este lugar que Paulo diz que o Senhor desceu as partes mais baixas da terra e depois subiu, como está em Efésios 4.8-10:

“8  Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens.
9  Ora, isto  ele subiu  que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?
10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas”.

Observe que Paulo explica que Jesus ao subir das partes mais baixas da terra (hades - mundo dos mortos) levou cativo o cativeiro. O que significa isso? Significa que o seio de Abraão, onde os espíritos dos justos jaziam, foi transportado para o terceiro céu, onde atualmente é o paraíso, lugar de descanso para os fiéis que dormem no Senhor, aguardando momento de o Senhor os trazer de lá na Sua segunda vinda (1Tessalonicenses 4.14). Mas, os ensinos de Paulo levam a crer que o hades continua no mesmo lugar e os que vão para lá, já se encontram em tormentos, conforme a narrativa de Jesus na parábola do rico e Lázaro.

2 – Geena: Também não é o inferno. Geena era uma espécie de lixão fora das portas de Jerusalém, onde eram lançados dejetos, corpos de animais que morriam e às vezes até de malfeitores e indigentes. Alí um fogo queimava constantemente sem se apagar. O que não era consumido pelo fogo, era devorado pelos vermes que alí se acumulavam. Jesus utilizou o que acontecia neste lugar para exemplificar o sofrimento eterno que se dará no inferno que na verdade é o lago de fogo (Marcos 9.43-48). Algumas versões chamam esse lugar de inferno, mas não é. Geena é uma referência ao lago de fogo que nunca se apaga, como veremos mais a frente.

O QUE SERIA O INFERNO?

O inferno existe de fato ou é fruto da imaginação das pessoas? Sim, o inferno existe e este lugar é o mesmo lago de fogo, como frisei acima e que é mencionado em Apocalipse.
Vamos analisar alguns versos em diferentes versões de bíblias:

"E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte." (Apocalipse 20.14 ARA). Se o inferno é lugar de tormento eterno como encontramos nesta versão, como ele poderá ser jogado junto com a morte para dentro do lago de fogo? Estranho não é? Mas, quando lemos a versão fiel ao original, olha o que encontramos: "E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte." (Apocalipse 20.14 KJA). Entendam que o hades não é o inferno, mas o lugar onde estão atualmente os mortos sem Cristo. No dia do juízo eles ressuscitarão desse lugar a prestar contas de seus atos diante do trono branco, onde serão julgados conforme o que está escrito nos livros (Apocalipse 20.12).

PARA ONDE VÃO OS ESPÍRITOS DOS JUSTOS QUE MORREM?

Se não vão para o céu ou para a glória perto de Deus, para onde vão? Escrevendo aos Coríntios, Paulo testemunha de sua experiência que teve ao ser arrebatado ao terceiro céu. "Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu." (2Coríntios 12.2). E, conforme seu relato, esse terceiro céu é o paraíso. “Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar” (2Corintios 12.4). O paraíso então foi o lugar para onde Lázaro foi levado pelos anjos, também conhecido como seio de Abraão, antes de Cristo descer alí (Lucas 16.20-25). Acredita-se esse lugar foi levado cativo por Jesus quando ressuscitou como foi explicado acima. Foi no terceiro céu (paraíso) que Jesus prometeu que o ladrão arrependido estaria com Ele. "E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lucas 23.43). É neste lugar onde atualmente os santos descansam. Não confundir com o paraíso citado em Apocalipse 2.7, onde está plantada a árvore da vida, pois tudo leva a crer que após o juízo final e o estabelecimento da nova ordem, o paraíso seja implantado na nova terra, onde habita a justiça. "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus." (Apocalipse 2.7).

OS QUE ESTÃO NO PARAÍSO ESTÃO CONSCIENTES OU NÃO?

Vejamos o que diz a bíblia em Apocalipse 6.9-11:

“9  E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram.
10  E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
11  E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”.

O texto deixa transparecer que o paraíso seja o lugar que está debaixo do altar, o mesmo terceiro céu (paraíso), onde Paulo foi arrebatado. Os mortos em Cristo estão ali e conscientes. Eles anelam o momento de Deus fazer justiça contra aqueles que em vida os maltrataram e os mataram. No momento em que for dada a ordem, e tocar a última trombeta, o Senhor Jesus se levantará do seu trono que está no céu dos céus para vir reinar, ocasião em arrebatará os escolhidos que subirão a encontra-lo nas nuvens. Na sua vinda Ele passará no paraíso e trará consigo o espírito daqueles que nEle dormem e que ora repousam lá (1Tessalonicenses 4.13-18).

Então, podemos concluir que no céu dos céus ou na glória de Deus não tem ninguém, a não ser os anjos, arcanjos, querubins e serafins que incansavelmente adoram a Deus dia e noite.

ONDE ESTÃO OS ESPÍRITOS DOS MORTOS SEM CRISTO?

É comum se afirmar que eles estão no inferno. Mas, como bem expliquei, esses estão no mundo dos mortos que é o heol ou hades. Diferentes dos salvos que estão repousando no paraíso, estes já sofrem um tormento, onde aguardam também a ressurreição para serem julgados, como ensinou Jesus: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5.28,29).

Somente após o julgamento é que esses mortos serão lançados no inferno que é o lago do fogo eterno, onde também será jogado o diabo e seus anjos. "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;" (Mateus 25.41).

CONCLUSÃO

Ninguém entrou no céu e nem no inferno (lago de fogo). Na verdade, não encontramos nas Escrituras alguma promessa de irmos ou entrarmos no céu, com exceções dos que morrem em Cristo e vão para o paraíso (terceiro céu). A promessa para os crentes é que estes farão parte do reino dos céus, e este reino parcialmente já está pela presença do Espírito Santo na igreja, operando sinais e maravilhas e será definitivamente implantado na nova terra, quando esta terra for desfeita, juntamente com os céus que ora existe. "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça." (2Pedro 3.13).
Nossa habitação eterna não será no céu, mas na Cidade Santa que Jesus foi preparar no céu e que descerá na nova terra. "Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo," (Filipenses 3.20); "E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido." (Apocalipse 21.2). Em ambos os casos, tanto a entrada no reino dos céus, como ser lançado no fogo eterno (inferno), o ser humano será lançado vivo. Por isso é que haverá duas ressurreições, a dos bons para entrar no reino dos céus e a dos maus para serem lançados no inferno que é o mesmo lago de fogo.

“Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Apocalipse 20.5,6).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

sexta-feira, 23 de março de 2018

Lei e Graça - As duas Alianças



"Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." (João 1.17)

INTRODUÇÃO

A bíblia é o livro sagrado dos cristãos. É um conjunto de livros inspirados que formam as Sagradas Escrituras. Como um livro, a bíblia tem duas grandes divisões - a histórica e a teológica. Historicamente a bíblia está dividida em Antigo Testamento e Novo Testamento. E, teologicamente ela se divide em Lei e Graça.  O Antigo Testamento revelou a Lei que veio desde Gênesis até a morte de Cristo no Calvário. O Novo Testamento que começou com a morte de Cristo, revelou a graça salvadora que trouxe salvação a todos os homens (Tito 2.11). A graça se revela em sua plenitude na Nova Aliança que foi inaugurada pelo sangue de Cristo derramado no madeiro, quando Ele cumpriu toda a Lei. Ambas as alianças foram seladas com sangue; a primeira com sangue de animais e a segunda, com o sangue do Cordeiro de Deus – Jesus. Neste estudo, estarei comentando a respeito das duas grandes alianças que Deus fez com o homem.  
     
DEFINIÇÃO DO TERMO ALIANÇA

A bíblia menciona o termo Aliança 279 vezes de Gênesis a Apocalipse. Em hebraico é “berith” e em grego é “diatheke”. É uma palavra que define um pacto, um acordo ou contrato firmado entre duas partes, como o matrimônio, por exemplo. Há alianças que os homens firmam entre si, mas aqui trataremos de alianças no sentido bíblico que são as firmadas entre Deus e os homens. Na bíblia encontramos Deus estabelecendo alianças particulares com homens, como: com Noé (Gênesis 6.18); com Abraão (Gênesis 15.18 ; 17.2-14); com Isaque (Gênesis 17.19-21) ; com Daví (Salmos 89.3) e outros. Mas em termos gerais, Deus fez duas grandes; a primeira somente com os hebreus no Sinai e a segunda com judeus e gentios no monte Calvário. A primeira escrita em tábuas de pedras (Êxodo 24.12); a segunda e última escrita nas tábuas de carne do coração e na mente dos crentes (2Corintios 3.3 ; Hebreus 10.16,17). Todas as alianças, tanto as que Deus fez particularmente com os patriarcas, como as com o povo hebreu e com a humanidade em geral foram firmadas em promessas.

A PRIMEIRA ALIANÇA REVELADA NO ANTIGO TESTAMENTO

A primeira Aliança foi feita ao pé do monte Sinai com o povo de Israel, quando este havia saído do Egito, depois de um cativeiro de 430 anos e caminhava rumo à terra prometida. Moisés, o levita, foi o mediador dessa aliança, quando este escreveu no livro os estatutos e juízos ditados por Deus e os entregou ao povo, assim como também entregou as tábuas com os dez mandamentos, escritos pelo dedo do próprio Deus (Êxodo 31,18 ; Deuteronômio 9.10). Por isso, a Lei de Deus é também chamada de a Lei de Moisés (Deuteronômio 4.44 ; Josué 23.6 ; Malaquias 4.4 ; Lucas 2.22 ; Atos 13.39, etc). Antes de subir ao monte para receber de Deus as tábuas da primeira aliança, Moisés leu a Lei aos ouvidos do povo, que já haviam sido escritas por ele próprio no livro, por determinação de Deus, onde o povo se comprometeu a obedecer tudo o que nele estava escrito (Êxodo 24.3,4). Diante de tal juramento e comprometimento, Moisés ordena alguns jovens sacrificarem animais, pois até então, Israel não havia transgredido os mandamentos e todas as 12 tribos eram uma nação e um reino sacerdotal. Assim, qualquer hebreu, sem distinção, poderia sacrificar ao Senhor (Êxodo 19.6). Moisés pegou o sangue desses animais imolados e pôs uma parte em bacias e a outra aspergiu sobre o altar (Êxodo24.6). Em seguida, Moisés mais uma vez lê a Lei aos ouvidos de todo o povo que reitera o compromisso de obedecer tudo o que o Senhor havia falado (Êxodo 24.7). Então, Moisés sela a primeira Aliança com sangue de bezerros. "Então tomou Moisés aquele sangue, e espargiu-o sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o SENHOR tem feito convosco sobre todas estas palavras." (Êxodo 24.8).

OS DEZ MANDAMENTOS

Os dez mandamentos escritos em tábuas de pedra, fazem parte da primeira aliança e que são o resumo das 613 leis, estatutos e juízos dados por Deus, por intermédio de Moisés ao povo hebreu (Malaquias 4.4). Paulo, o apóstolo dos gentios ensina que os dez mandamentos vieram como um ministério de condenação e morte (2Corintios 3.7-9). E de fato foi assim, pois quando os filhos de Israel quebraram pela primeira vez a aliança, fazendo o bezerro de ouro para adorar, uns três mil israelitas foram mortos pela espada dos próprios irmãos levitas (Êxodo 32.27,28). Foram mortos por violarem os dois primeiros mandamentos que diz: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êxodo 20.3-5). Assim, qualquer violação de algum dos dez mandamentos incorria na morte do transgressor. Como exemplo, cito mais três, além dos dois primeiros já mencionados, como: 1. A violação do dia de sábado: "Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo." (Êxodo 31.14); 2. A violação do mandamento de não adulterar: "Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera." (Levítico 20.10);e 3. A violação do mandamento de não honrar pai e mãe: "O que ferir a seu pai, ou a sua mãe, certamente será morto." (Êxodo 21.15). Estes são alguns dos exemplos que mostram porque os dez mandamentos vieram como ministério de condenação e morte.

A LEI ERA UM CONJUNTO DE 613 PRECEITOS, ESTATUTOS E JUÍZOS.

"Guardai, pois, todos os meus estatutos, e todos os meus juízos, e cumpri-os, para que não vos vomite a terra, para a qual eu vos levo para habitar nela." (Levítico 20.22).

A primeira aliança tinha como base a Lei composta de 613 mandamentos e não apenas 10. Ela foi uma aliança exclusiva com o povo de Israel que haveria de tomar posse da terra prometida - a terra de Canaã. Estrangeiros que vieram do Egito e que peregrinaram com os hebreus, passaram também a habitar na terra de Canaã. Contudo, eles só seriam participantes das promessas feitas a Israel, caso também obedecessem estes estatutos.  "Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós;" (Levítico 18.26). E a primeira regra para um estrangeiro ser participante das bênçãos dadas a Israel, seria a aliança da Circuncisão, conforme Deus fez com o patriarca Abraão uns 400 anos antes de instituir a Lei (Gênesis 17.11,12). E uma das bênçãos que os estrangeiros passariam a ter como observadores da Lei de Moisés era o direito a serem sustentados pelos dízimos dados pelos hebreus, como um ato de justiça e misericórdia, pois semelhantes aos levitas, eles não tinham herança na terra. (Deuteronômio 14.29,29 ; Malaquias 3.5). Saliento que entre o povo de Israel, a circuncisão é o sinal externo que define a antiga aliança com uma marca no corpo (Gênesis 17.11).

A PROMESSA DA ANTIGA ALIANÇA E O PACTO DA CIRCUNCISÃO

"Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais;" (Romanos 15.8).

Como já antecipei ambas as alianças foram firmadas em promessas. Com o povo de Israel, a aliança seria mediante o rito da circuncisão que é um ato do homem em resposta ao pedido de Deus. Ao povo de Israel Deus prometeu a Abraão e a Isaque a posse da terra de Canaã (Êxodo 6.4). A circuncisão seria a marca que identificaria o povo de Israel como propriedade e tesouro peculiar de Deus entre todas as nações (Êxodo 19.5). A obediência ao pacto da circuncisão era tão importante a ser obedecido pelo israelita, que o próprio Deus quis matar o primogênito de Moisés, no caminho para o Egito. Isto porque, ele não teve o cuidado de circuncidá-lo, conforme a aliança feita com Abraão. Ele só não morreu porque sua mãe, Zípora entendeu a vontade de Deus e circuncidou seu primogênito (Êxodo 4.24-26). Antes de entrar na terra prometida, conforme a promessa de Deus, Josué, sucessor de Moisés, é instruído pelo próprio Deus a circuncidar todos os hebreus que haviam nascidos no deserto. Somente tomariam posse da promessa de entrar na terra prometida quem se submetesse ao pacto da circuncisão (Josué 5.2-8).

As promessas feitas a Israel não dizem respeito aos gentios ou a igreja. Eis o motivo que o próprio Cristo que veio para cumprir a Lei foi circuncidado ao oitavo dia, conforme o mandamento (Lucas 2.21). Por isso que Paulo, o apóstolo dos gentios advertiu aos crentes gentios da Galácia que estavam se deixando seduzir pelos judaizantes a se circuncidarem, dizendo: "E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei." (Gálatas 5.3). Somente Jesus cumpriu toda a Lei.

A NOVA ALIANÇA

"Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar." (Hebreus 8.13).

A Nova Aliança também conhecida como Novo Testamento foi inaugurada na Cruz. Ela não começou na manjedoura com o nascimento do Messias, mas na cruz que foi o último altar, onde foi oferecida a última e perfeita oferta, o Filho Unigênito do Pai (Efésios 5.2). Do seu nascimento até sua morte, Jesus viveu debaixo da Lei e no cumprimento da Lei (Mateus 5.17). Assim, o Novo Testamento só passou a valer quando Ele expirou após bradar na cruz: ESTÁ CONSUMADO! “Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” (Hebreus 9.16,17). Assim como Moisés foi o mediador da primeira e Antiga Aliança que expirou na cruz, Cristo foi o mediador da Nova que foi selada com o seu próprio sangue, o que a torna superior a antiga. “E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” (Hebreus 9.15).

PARALELOS ENTRE A ANTIGA E A NOVA ALIANÇA

Vamos traçar um paralelo entre a Antiga e a Nova Aliança, como:

a). Na primeira e Antiga Aliança as Leis de Deus foram dadas em tábuas de pedras como ministério de morte e condenação e quem violasse um só de seus preceitos morreria (2Corintios 3.7); na segunda e Nova Aliança as leis de Deus foram gravadas nas tábuas de carne do coração e nas mentes dos crentes. "Esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta:" (Hebreus 10.16).
b). Na primeira e Antiga Aliança exigia um selo de compromisso que era a Circuncisão (Levítico 12.6); na Nova Aliança a circuncisão é no coração pela fé. "No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo;"  (Colossenses 2.11).
c) Na primeira e Antiga Aliança, os ministros eram os descendentes de Levi apenas (Números 18.6); na segunda e Nova Aliança, todos somos ministros. "O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica."  (2Coríntios 3.6).
d). Na primeira e Antiga Aliança, somente os descendentes de Arão da tribo de Levi exerciam o ministério sacerdotal (Êxodo 28.41); na segunda e Nova Aliança, todos são feitos sacerdotes. "Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo." (1Pedro 2.5).
e). A primeira e Antiga Aliança necessitava de um santuário terrestre físico para adoração (Hebreus 9.1); na segunda e Nova Aliança, somos o templo e habitação de Deus. "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1Coríntios 3.16).
f) Na primeira e Antiga Aliança, somente o sumo sacerdote descendentes de Arão tinha acesso à presença de Deus e uma vez ao ano (Hebreus 9.7); na segunda e Nova Aliança todos os que creêm tem acesso ao Pai a qualquer momento, pelo véu que foi rasgado. “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10.19,20).
g). Na primeira e Antiga Aliança era preciso levar oferta no altar para ter os pecados cobertos (Levítico 5.5-13); na segunda e Nova Aliança a dívida com a Lei foi paga no altar da Cruz de uma vez por todas. “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Colossenses 2.14).
h). A primeira e Antiga Aliança precisava de um sacerdote humano para mediar entre Deus e os homens (Hebreus 5.1); na segunda e Nova Aliança Cristo é nosso sumo sacerdote celestial eterno. "Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão."  (Hebreus 4.14).

Ainda poderia mostrar outros exemplos de diferenças entre a Antiga e a Nova Aliança, mas vamos parar por aqui, por enquanto.

AS PROMESSAS DA NOVA ALIANÇA

"Mas agora alcançou Ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda." (Hebreus 8.6,7).

As Escrituras que são as fiéis Palavras de Deus não mentem, elas afirmam que a Nova Aliança está firmada em melhores promessas. Em relação a Antiga cuja promessa era a posse da terra de Canaã, na Nova Aliança temos:

a). A promessa da presença constante de Cristo onde estivermos seja em que lugar for. "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." (Mateus 18.20).
b). A promessa da presença do Espírito Santo. "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;" (João 14.16). “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa."  (Efésios 1.13).
c). A promessa de sermos arrebatados e de reinarmos com Ele. "Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1Tessalonicenses 4.17).
d). A promessa de participarmos de Sua Natureza divina. "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo." (2Pedro 1.4)
e). A promessa de habitarmos na nova terra onde habita a justiça: "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça." (2Pedro 3.13).
f). A promessa da Vida Eterna. "E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna." (1João 2.25).

Muitas gloriosas promessas a Nova Aliança ainda nos garante por meio de Jesus o autor e consumador de nossa fé, pois As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.”  (1Coríntios 2.9)

CONCLUSÃO

A Nova Aliança não nos faz promessas de nos tornarmos ricos e prósperos materialmente neste mundo. E isso, só conseguimos com trabalho honesto e esforço. As promessas da Nova Aliança neste mundo estão relacionadas a uma vida de comunhão e plena paz, mesmo em meio às tribulações e perseguições que sofremos por amor a Cristo, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.  (Atos 14.22). As promessas da Nova Aliança estão relacionadas ao mundo vindouro que nos foi preparado (Hebreus 11.39,40). Por isso, os falsos profetas amantes do dinheiro e das riquezas deste mundo, se valem das promessas do Antigo Concerto para criarem suas teologias sobre prosperidade e ainda torcendo os textos para conseguirem seus intentos, pois não encontram base para isso nos escritos do Novo testamento.

O velho Testamento teve sua lição por Cristo abolida no que diz respeito aos ritos e cerimoniais (2Corintios 3.14). No entanto, a Lei onde o velho testamento foi firmado não foi abolida. Ela continua em pleno vigor, devendo ser obedecida pelo povo ao qual ela foi dada – o povo judeu. Somente as leis relativas ao templo, como o sacerdócio levítico, os sacrifícios, as ofertas, os dízimos e primícias não podem ser obedecidas, pois o templo não mais existe e, segundo a lei, somente no templo esses ritos deveriam ser praticados.

"Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde." (Gálatas 2.21).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Sta. Bárbara do Pará