NOTA DO AUTOR: Muitos me acusam de heresia e de distorcer
as Palavras do Senhor; portanto, aconselho a examinarem as referências aqui
citadas com o acompanhamento de uma bíblia, de preferência a de tradução fiel
que é a que eu uso em todos os estudos que faço.
"Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em
que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas." (Malaquias 3 : 8).
Embora Jesus tenha
advertido o seu povo a não fazer julgamento contra o próximo de forma
temerária, existem na igreja aqueles que sem nenhum temor de Deus não hesitam
em apontar o dedo e chamar de ladrão aquele que não paga àquilo que acreditam e
ensinam ser dízimo e ofertas. Para isso, se utilizam indevida e isoladamente do
texto de Malaquias 3 : 8, sem levarem em consideração os demais textos da
Bíblia que falam sobre o mesmo assunto. O que eles também não ensinam é que Deus
não se sentiu roubado apenas em relação aos dízimos, mas, sobretudo nas ofertas.
Até falam, mas não ensinam. E é sobre esse tema que abordarei neste espaço,
justamente por ainda não ter ouvido alguém comentar sobre esse assunto, que
julgo ser de relevante importância do conhecimento, para aqueles que de fato
querem conhecer a verdade e vivê-la.
Antes de tudo, informo
que as referências que uso nos meus estudos é da bíblia Almeida Corrigida Fiel
(ACF), justamente por ser fiel a
tradução dos textos originais. Isto porque, a bíblia Almeida hoje possui mais de
seis versões diferentes, onde algumas delas comprometem o sentido original da
Palavra de Deus. Tomo como exemplo o texto em destaque do que vamos estudar que
está em Malaquias 3 : 8, que na tradução fiel diz: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em
que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas." (Malaquias 3 : 8). Nas demais versões o
texto está com o acréscimo “alçadas”,
dando a entender que Deus era roubado somente nas ofertas alçadas (o que muda
totalmente o sentido); uma vez que oferta alçada era um tipo de oferta diferente
das outras ofertas exigidas em lei, conforme veremos mais adiante.
Sobre o assunto dízimo,
exaustivamente já comentei neste blog em vários posts, onde mostrei, com vastas
referências que essa doutrina veterotestamentária não vigorou na nova aliança
inaugurada por Cristo na cruz, pelo principal motivo que dízimo nunca foi
dinheiro, como se cobra atualmente. O dízimo bíblico estabelecido por Deus na
lei, estava intrinsecamente atrelado a lei do sacerdócio levítico, cuja lei foi
mudada por Jesus (Hebreus 7 : 12). Porém, neste espaço
estarei dissertando sobre a questão do roubo às ofertas. Mas pra isso,
primeiramente se faz necessário conhecer o que a Bíblia fala sobre oferta, ou
melhor, ofertas, pois existiam muitas formas de ofertar e todas elas exigidas
por Deus em lei. Por isso, é preciso conhecê-las cada uma individualmente, para
por fim, concluirmos sobre qual delas Deus se sentiu roubado no período de
Malaquias.
As primeiras menções
sobre oferta na Bíblia encontramo-las em Gênesis 4 : 3 - 5, que fala da disposição de Abel e Caim de apresentarem uma oferta ao Senhor e, após isso, só
a veremos de novo em Êxodo 20 : 24, após Deus estabelecer a lei ao povo de
Israel. A seguir, enumerarei os tipos de ofertas que existiram e é claro, quais
as implicâncias delas com Cristo Jesus no decorrer dos tempos, uma vez que
Cristo veio para cumprir a lei (Mateus 5 : 17). Após ressuscitar, Ele
mesmo deu testemunho dizendo: "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando
ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito
na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos." (Lucas 24 : 44).
A OFERTA ALÇADA E SEUS OBJETIVOS

Vou iniciar falando
sobre a OFERTA ALÇADA (Êxodo 25 : 2 , 3 ; 29 : 27 , 28).
ALÇADA vem do hebraico תְּרוּמָה “TËRUMÅH”, cujo significado é: “LEVANTAR”,
“ALÇAR”. Por isso, OFERTA ALÇADA era uma OFERTA LEVANTADA para uma FINALIDADE, conforme veremos
adiante. Na Bíblia detectamos pelo menos três objetivos pelos quais Deus pediu que
se levantasse ofertas alçadas. A primeira vez que a oferta alçada aparece na
Bíblia, é quando Deus pediu aos israelitas que a trouxessem para a construção
do tabernáculo e que, sobretudo, deveria ser uma oferta voluntária para um fim
específico. O segundo objetivo seria suprir a necessidade dos sacerdotes com
suas famílias, onde até do dízimo deveria ser tirado a décima parte destes como
oferta alçada. E o terceiro foi com o propósito de expiar os pecados e proteger
o povo de Israel quando este fosse enumerado. Essa oferta, inclusive, seria em
moeda da época, cujo valor arrecadado seria para memória dos filhos de Israel e
era destinada a manutenção do santuário.
Ao pedir pela primeira
vez a oferta alçada, O Senhor tinha em mente custear a construção do santuário
(tabernáculo) e tudo o quanto se relacionava a ele, pois Deus tinha o desejo de
habitar em meio ao seu povo (Êxodo 25 : 8). Observem o que Deus
disse em relação a esta oferta: “Fala aos filhos de Israel, que me tragam uma OFERTA ALÇADA; de todo
o homem cujo coração se mover VOLUNTARIAMENTE, dele tomareis a minha OFERTA
ALÇADA.” (Êxodo 25 : 2). Esta OFERTA ALÇADA
era para o Senhor e era em ouro, prata, cobre, linho, madeira, etc.. e devia
ser VOLUNTÁRIA. E, por ser voluntária, representava a pessoa de Cristo que
voluntariamente ofereceu-se a sí mesmo por nós (Tito 2 :
14 ; Hebreus 9 : 14). Assim como aquela OFERTA ALÇADA foi levantada exclusivamente
para construir o tabernáculo que era a morada de Deus naquele tempo, Cristo,
como oferta perfeita preparou o novo templo para Deus que somos nós, sua Igreja
(Hebreus 10 : 5 - 9 ; 2Coríntios 6 : 16).
O segundo objetivo da oferta alçada seria sustentar o
sacerdote com sua família (Êxodo 29 :
26 – 28). Dos sacerdotes eram as ofertas alçadas, as primícias (os
primeiros frutos); bem como parte das ofertas queimadas e também o valor do
resgate das almas que eram restituídas ao Senhor (Números
18 : 8 - 19 ; Levítico 23 : 10). Observem com cuidado o que diz o
texto de Números 18 : 8: "Disse mais o SENHOR a Arão: Eis que eu te tenho dado a
guarda das minhas OFERTAS ALÇADAS, com todas as coisas santas dos filhos de
Israel; por causa da unção as tenho dado a ti e a teus filhos por estatuto perpétuo." Arão foi o
primeiro da linhagem sacerdotal levítica e futuramente, somente os descendentes
dele assumiriam o sacerdócio. Portanto, a estes, como determinação do Senhor
caberiam as ofertas alçadas por causa da unção. Até mesmo do carneiro que era
levado como oferta de movimento, devia ser separado o peito como oferta alçada
para o sacerdote: “E santificarás o
peito da oferta de movimento e o ombro da OFERTA ALÇADA, que foi movido e
alçado do carneiro das consagrações, que for de Arão e de seus filhos. E será para
Arão e para seus filhos por estatuto perpétuo dos filhos de Israel, porque é OFERTA
ALÇADA; e a OFERTA ALÇADA será dos filhos de Israel, dos seus sacrifícios
pacíficos; a sua OFERTA ALÇADA será para o SENHOR” (Êxodo 29 : 27 – 28).
Usando da mentira,
muitos ensinam que os sacerdotes dependiam dos dízimos para suas subsistências.
Não! Os dízimos Deus ordenou dá-los exclusivamente aos levitas pelo trabalho
que executavam no santuário e, quanto aos sacerdotes, estes receberiam apenas a
décima parte dos dízimos na forma de oferta
alçada que seria o dízimo dos
dízimos. Eles (os sacerdotes) os receberiam das mãos dos levitas (somente
dos levitas e não do povo), como dizem os versos 26 e 28 do capítulo 18 de
Números: “Também
falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de
Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma OFERTA
ALÇADA ao SENHOR, os DÍZIMOS DOS DÍZIMOS... Assim também oferecereis ao SENHOR
uma OFERTA ALÇADA de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de
Israel, e deles dareis a OFERTA ALÇADA do SENHOR a Arão, o sacerdote.”. Essa oferta alçada –
por não ser dinheiro - deveria ser comida pelo sacerdote e sua família dentro
do santuário, assim como o dízimo também deveria ser comido (Números 18 : 10 ; Deuteronômio 14 : 22 - 26). Ao instituir a nova
aliança, Jesus partiu o pão que representava seu corpo, deu aos discípulos e
ordenou que a sua igreja assim fizesse em Sua memória até que Ele volte (Lucas 22 : 19 ; 1Corintios 11 : 24). Hoje, como sacerdotes
reais, na ceia do Senhor, nos alimentamos do corpo de Jesus que se entregou
como oferta agradável a Deus (1Pedro 2 : 9 ; Efésios
5 : 2).
E, por fim, o terceiro objetivo
da oferta alçada seria para expiação dos pecados. Já esta seria entregue em
dinheiro e que também serviria para a manutenção do tabernáculo. Esta oferta seria
dada quando Moisés fizesse a contagem do povo para que não houvesse praga em
Israel. Segundo a determinação do Senhor esta oferta seria a metade de um siclo
que era dez geras (um siclo era de vinte geras). Todo hebreu que passasse pelo arrolamento
(contagem), sendo rico ou pobre pagaria o mesmo valor. Esta oferta não seria
para outra necessidade, senão para a manutenção do santuário e confecção dos
utensílios que eram usados nos cerimoniais. “E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel, e o darás
ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel
diante do SENHOR, para fazer expiação por vossas almas.” (Êxodo 30 : 16). No tempo de Joás, o sacerdote Joiada mandou fazer um cofre para alí se depositar essa oferta que no tempo de Jesus se chamava gazofilácio. No segundo Livro dos
Reis, vemos Joás ordenar os sacerdotes a obedecerem esse principio: “E disse Joás aos
sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas santas que se trouxer à casa do SENHOR,
a saber, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o dinheiro de cada uma das
pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer cada um
voluntariamente para a casa do SENHOR, Os sacerdotes o recebam, cada um dos
seus conhecidos; e eles mesmos reparem as fendas da casa, toda a fenda que se
achar nela.” (2Reis 12 : 4 – 5). Foi essa oferta que a viúva pobre deu de todo o seu sustento, como um imposto para o templo, pois este ainda estava de pé e era considerado a casa de Deus (Lucas 21 : 1 - 4). Jesus não impediu aquela viúva de depositar todo o seu sustento pois Ele estava no cumprimento da lei que todo judeu é obrigado a cumprir
Mas Jesus, com sua morte
pagou o preço pela expiação de nossas almas e nos isentou de toda e qualquer
dívida com a lei. “E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da
vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo
riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma
maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.” (Colossenses 2 : 13 , 14). Nossa única dívida hoje está relacionada ao amor que devemos
ter para com o nosso semelhante. "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos
ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei." (Romanos 13 : 8).
Havendo entendido que OFERTA ALÇADA, que no original hebraico
תְּרוּמָה “TËRUMÅH” significa uma OFERTA LEVANTADA para um fim especifico,
passaremos a conhecer as demais ofertas que em lei foram estabelecidas para a
nação de Israel. É importante salientar que todas elas tiveram seu cabal
cumprimento na pessoa do Senhor Jesus Cristo e, portanto, nenhuma delas precisa
ser repetida em seus ritos na Nova Aliança, pois todas foram anuladas pela
cruz.
A CORBÃ, OFERTAS
ESTABELECIDAS EM LEI QUE ERAM OBRIGATÓRIAS
O livro de Levítico é o terceiro livro da lei,
conforme a ordem dos livros na Bíblia. O título deste livro em hebraico é “WAYYIQRA” e em grego é “LEUITIKON”. O talmude se refere a ele como a “Lei dos sacerdotes” e a “Lei das ofertas”. Este livro nos mostra
pelo menos cinco tipos de ofertas principais estabelecidas em lei. Essas
ofertas em hebraico chamava-se קָרְבָּן “QÅRËBÅN”, uma palavra hebraica que significa “sacrifício”,
“oferta”
ou “oblação”. A Bíblia de Jerusalém usa o termo “Corban”,
enquanto que na Almeida é “Corbã”. Jesus falou sobre essas
ofertas, acusando os fariseus de a praticarem de forma errada (Marcos
7 : 11). Conforme as
palavras de Jesus, essas ofertas eram consagradas a Deus e que deveriam ser
praticados pelos hebreus com todo o respeito, reverência e temor, pois elas
apontavam para a maior e perfeita oferta que o próprio Deus daria em favor da
humanidade, que seria o próprio Cristo (Levítico 5 ; 15, 16 ;
Neemias 7 : 25 ; 10 : 33 ; Ezequiel 44 :
8 ; 13 ; João 3 : 16).

1 –
OFERTA DE HOLOCAUSTO (Levítico 1 : 1 – 17): Também conhecido como “oferta
queimada”. Em hebraico: עלה, “OLAH” - do verbo "fazer
subir", portanto, "queimar", era um sacrifício
religioso de animais que era
completamente consumido pelo fogo. Holocausto é o mesmo que sacrifício, pois o
adorador deveria trazer um animal para ser sacrificado ao Senhor em expiação
por seus pecados (Verso 4). A oferta
poderia ser de gado miúdo como ovelhas ou cabras, ou de aves como pombo ou
rola, pois a oferta era de acordo com a riqueza ou pobreza do ofertante. Na sua
justiça Deus não exigia nada além das possibilidades de cada um. Porém, ao
contrário do dízimo onde os necessitados eram isentos de dizimar, neste
cerimonial todos tinham a obrigação de ofertar, pois disto dependia o perdão de
seus pecados. Sendo a oferta de gado miúdo, o animal deveria ser macho e sem
defeito. No rito da entrega da oferta o adorador colocava as mãos na cabeça do
animal e este era degolado pelo sacerdote e o sangue espargido sobre o altar. Sendo
ave o sacerdote tirava-lhe a cabeça e espremia o seu sangue na parede do altar.
A morte destes animais substituía o ofertante na morte, que no ato da entrega
tinha seus pecados cobertos. Nada destes animais era comido, pois eram
totalmente queimados no altar. O animal sem defeito representava a pessoa do
Nosso Senhor Jesus, o qual sobre o altar da cruz se ofereceu como oferta de
holocausto em nosso lugar, nos substituindo na morte: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire
os pecados. Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste,
mas corpo me preparaste;.. Na qual
vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita
uma vez.” (Hebreus 10 : 4 , 5 ; 10).

2 –
OFERTA DE ALIMENTOS (Levítico 2 : 1 – 16): A oferta de alimentos
(manjares) em hebraico é “MINCHAH” e significa uma dádiva feita a outro; de um ordinário, a um
superior. Poderia ser entregue de várias formas. O capítulo dois de Levíticos
apresenta cinco maneiras, que seria: amassada, cozida em forno, cozida em
caçoula, frita em frigideira ou tostada ao fogo. Todas elas deveriam ser
entregues aos sacerdotes, quais tomariam uma parte dessas ofertas e com o incenso
as queimariam sobre o altar como cheiro suave ao Senhor. O que sobrasse dessas
ofertas seria para o alimento dos sacerdotes. Essa oferta não deveria de modo
algum levar fermento, pois este adulteraria o sacrifício. No novo testamento o
fermento é símbolo de heresia (Mateus 16 : 6). Esse rito era uma
representação da pessoa do Senhor que a sí mesmo se ofereceu como sacrifício em
cheiro suave a Deus por nós, na sua total pureza. "E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a
si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." (Efésios 5 : 2). "Alimpai-vos,
pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem
fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós." (I Coríntios 5 : 7).

3 –
OFERTA PACÍFICA OU de SACRIFÍCIOS DE PAZ (Levítico
3: 1 - 17):
Em hebraico é “ZEVAH SHELAMIM”. O termo "oferta
pacífica" é geralmente construído a partir de "oferta
de abate". Eram ofertas em animais que eram oferecidos em
sacrifícios por aqueles que desejavam expressar adoração e louvores a Deus, bem como sua paz e
gratidão para com Ele, geralmente por bênçãos recebidas. Também eram divididas
em três espécies: a) - ofertas de
gratidão; b) - ofertas por um voto
e; c) - ofertas voluntárias. Destas
três, a oferta de gratidão (ou de louvor) era a que mais se destacava. Cristo
na sua morte estabeleceu a paz, não somente entre judeus e gentios, mas
principalmente entre o homem e seu Criador: “Porque
ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de
separação que estava no meio, Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei
dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois
um novo homem, fazendo a paz... Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um
mesmo Espírito.” (Efésios 2 : 14 , 15 ; 18).
4 – OFERTA
PELOS PECADOS: Era a oferta que deveria ser dada pelos pecados de
ignorância de todos, inclusive dos sacerdotes. A determinação da oferta era
segundo a classe de pessoas como: a) - Os
sacerdotes e a congregação (Levítico 4
: 1 – 21): Quando estes pecassem, deveriam oferecer um novilho (touro) sem
defeito, obedecendo os ritos, conforme foi ordenado. b) - Os príncipes- Líderes do Povo (Levítico 4 : 22 – 26): Deveriam oferecer um bode
em favor de seus pecados. c) - O povo
comum (Levítico 4
: 27 – 35): Deveriam ofertar uma cabra ou uma cordeira, conquanto fosse sem
defeito. Nestes sacrifícios, apenas a gordura da oferta era queimada sobre o
altar, enquanto que o animal era levado para ser totalmente queimado fora do
arraial, pois era oferta pela expiação dos pecados. A semelhança da oferta de
holocausto, nada do animal era comido. Essas ofertas se cumpriram em Cristo. "Porque os
corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote
para o santuário, são queimados fora do arraial. E por isso também Jesus, para
santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial,
levando o seu vitupério.” (Hebreus 13 :
11 - 13).
5-
OFERTA PELA CULPA : Em hebraico é “ASHAM”. As
determinações da oferta pela culpa ocupam os capítulos 5, 6 e parte do capítulo
7 de Levíticos. Era a oferta por pecados cometidos involuntariamente, fosse
tocando em cadáver de animal como a lei proibia ou até mesmo levantando falso
testemunho ou caluniando o seu semelhante. Uma vez descoberto o pecado, o
culpado deveria confessar seu pecado e levar a oferta estabelecida: “Será,
pois, que, culpado sendo numa destas coisas, confessará aquilo em que pecou. E
a sua expiação trará ao SENHOR, pelo seu pecado que cometeu: uma fêmea de gado
miúdo, uma cordeira, ou uma cabrinha pelo pecado; assim o sacerdote por ela
fará expiação do seu pecado.” (Levítico 5 : 5 , 6).
Mas, se o ofertante fosse pobre e não tivesse recurso para ofertar gado miúdo,
deveria este oferecer duas rolas ou dois pombinhos: “Mas, se em sua mão não houver recurso para gado
miúdo, então trará, para expiação da culpa que cometeu, ao SENHOR, duas rolas
ou dois pombinhos; um para expiação do pecado, e o outro para holocausto.” (Levítico 5 : 7). Foi
essa oferta que Maria levou ao templo quando completou os quarenta dias de
purificação, após haver dado a luz a Jesus, nosso Salvador (Lucas 2 : 22 – 24).
Porém,
sendo o ofertante muito pobre e não tivesse sequer recursos para duas rolas ou
dois pombinhos, deveria este ofertar a décima parte de um efa de flor de
farinha: “Porém, se em sua mão não houver recurso para duas rolas, ou dois
pombinhos, então aquele que pecou trará como oferta a décima parte de um efa de
flor de farinha, para expiação do pecado; não deitará sobre ela azeite nem lhe
porá em cima o incenso, porquanto é expiação do pecado.” (Levítico
5 : 11). Deus não estava interessado na quantidade da
oferta, mas na disposição de se obedecer a seu mandamento, para que o ofertante
ficasse livre da culpa. Cristo na sua morte nos livrou de toda culpa
oferecendo-se a sí próprio em nosso lugar: "A vós também, que noutro tempo éreis
estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora, contudo
vos reconciliou No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos
apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis." (Colossenses 1 : 21 , 22). Aleluia!
 |
Cristo, a oferta perfeita de Deus pelos homens |
Existem
ainda outros tipos de ofertas que não irei citar aqui neste espaço. Eu
mencionei apenas estas como sendo as mais importantes no conceito judaico, por
fazerem parte das coisas sagradas (Corbã) e por Deus havê-las assim
ordenado, quais se exigia obrigatoriedade em praticá-las. A obediência no cumprimento
destas, dependia principalmente a expiação da culpa do pecador e que eram
sombras da maior e melhor oferta, que não o homem, mas o próprio Deus ofertou
em favor da humanidade perdida. (João 3 : 16).
“Esta é a lei do holocausto, da oferta de alimentos, e da expiação
do pecado, e da expiação da culpa, e da oferta das consagrações, e do
sacrifício pacífico, Que o SENHOR ordenou a Moisés no monte Sinai, no dia em
que ordenou aos FILHOS DE ISRAEL que oferecessem as SUAS OFERTAS ao SENHOR, no
deserto de Sinai.” (Levítico 7 : 37 , 38).
A OFERTA
EM QUE DEUS FOI ROUBADO
Se o leitor pode
compreender o conceito de ofertas, conforme definido acima, também entenderá o
motivo pelo qual Deus se sentiu roubado nas ofertas, conforme profetizou
Malaquias.
"Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em
que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas." (Malaquias 3 : 8).
O livro do profeta Malaquias começa com a seguinte
declaração: “PESO da palavra do SENHOR CONTRA ISRAEL, por intermédio de
Malaquias.” (Malaquias 1 : 1). A
primeira coisa a ser entendida é que neste livro Deus está tratando
exclusivamente com ISRAEL e não com Sua igreja, pois esta só passou a existir
após o cumprimento da lei por Jesus na cruz. É incoerência e estupidez tentar
fazer correlação dos atos de Israel com a igreja do Senhor, cobrando dos
crentes as mesmas responsabilidades que eram exclusivas dos judeus. Malaquias
registra a contenda de Deus com Israel, mostrando que a culpa de sua apostasia era
daqueles que deveriam ser os responsáveis em conduzir o povo no caminho do
temor e da obediência à Palavra do Senhor – OS SACERDOTES (Malaquias 2 : 7 – 9). Deles, Deus passa a
cobrar aquilo que lhe é mais importante do que o ouro ou a prata – o TEMOR E
A HONRA: “O filho honra o
pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu
sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó
sacerdotes, que desprezais o meu nome. (Malaquias 1 : 6). Nos versos seguintes veremos
onde começou o roubo no tocante às ofertas:
“Ofereceis sobre o meu altar pão imundo, e dizeis: Em que te
havemos profanado? Nisto que dizeis: A mesa do SENHOR é desprezível” (Malaquias 1 : 7). Toda oferta só poderia ser
entregue sobre o altar e não em qualquer lugar, assim como o dízimo só podia
ser entregue na casa do tesouro do templo em Jerusalém (Deuteronômio 12 : 5 , 6). Jesus,
no cumprimento da lei ensinou os judeus quanto a observância desta regra (Mateus 5 : 23,
24). Aqui fica bem claro que Deus estava sendo roubado na oferta de
alimentos, cujo pão oferecido sobre o altar seria para o alimento dos que
serviam no altar. Confira em 1Crônicas 23 : 27 a 32.
“Porque, quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso
não é mau? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora
apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? ou aceitará
ele a tua pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos.” (Malaquias 1 : 8). Com exceção da
oferta de alimentos (manjares), todas as demais ofertas eram com animais. Estes
deveriam ser puros, sadios, sem defeito e sem manchas, pois eram uma figura de
Jesus, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (João 1 : 29 ; 36). Portanto, ofertar
ao Deus santo coisa impura, defeituosa ou imunda consistia em roubá-lo e desprezá-lo. Deus
ficou indignado com essa ação que até se recusou a receber tais ofertas: “Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem
aceitarei oferta da vossa mão” (Malaquias 1 : 10b). Diante de
tal sacrilégio por parte de Israel, Deus alude a oferta que nós, Sua igreja lhe
fariamos: “Mas desde o nascente do sol até ao poente é
grande entre os gentios o meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu nome
incenso, e uma oferta pura; porque o meu nome é grande entre os gentios, diz o
SENHOR dos Exércitos”. (Malaquias 1 : 11). Eis aqui o incenso, a
oferta e o sacrifício que Deus requer de nós, Sua igreja: “Portanto,
ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos
lábios que confessam o seu nome. E não
vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus
se agrada” (Hebreus 13 : 15
, 16).
O capítulo primeiro de Malaquias encerra com Deus chamando de maldito
para Israel por agir de forma fraudulosa para com Ele: “Pois
seja maldito o enganador que, tendo macho no seu rebanho, promete e oferece ao
Senhor o que tem mácula; porque eu sou grande Rei, diz o SENHOR dos Exércitos,
o meu nome é temível entre os gentios.” (Malaquias 1 : 14). "Com maldição
sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação." (Malaquias 3 : 9). Entenda que a maldição contra o ofertante e dizimista
infiel não vinha de Deus, mas sim do não cumprimento do compromisso (voto) que
os próprios judeus fizeram em observar toda a lei, inclusive na entrega dos
dízimos e das ofertas, conforme a lei exigia. “Firmemente aderiram a seus irmãos os mais
nobres dentre eles, e convieram num ANÁTEMA e num JURAMENTO, de que andariam na
lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus; e de que
guardariam e cumpririam TODOS os mandamentos do SENHOR nosso Senhor, e os seus
juízos e os seus estatutos;” (Neemias 10 : 28). “Anátema” significa “maldição, maldito”. Confira o compromisso que eles fizeram
lendo em Neemias
10 : 29 a 39, e o não cumprimento deste em
Neemias
13 : 4 a 25, pois Neemias foi
contemporâneo de Malaquias. Por isso, ninguém tem o direito de lançar maldição
contra o crente que não oferta e/ou dizima, pois em Jesus ele já está livre da
lei. (Gálatas
3 : 13). E também, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Romanos 8 : 1).
Em toda a bíblia,
encontramos o termo oferta 403 vezes, sendo, 384 registrados no Antigo
Testamento e apenas 19 vezes no Novo Testamento. E as que se encontram no Novo
Testamento não ensinam que somos obrigados a ofertar, pois todas fazem
referência às ofertas do antigo concerto. A única menção sobre roubo em relação
às ofertas só a encontramos na passagem de Malaquias 3 : 8 e ela não dá
direitos a quem quer que seja de chamar de ladrão o crente que por algum motivo
falhou na entrega sistemática de suas contribuições, ou mesmo àquele que pela
Palavra entende que é livre em Jesus para contribuir sem coação. Tal medida se
constitui um crime contra a honra, como: injúria, calúnia e difamação, podendo o acusador ser passível
de punição, conforme reza os artigos 138,
139 e 140 do Código Penal Brasileiro; uma vez que somos livres para
contribuirmos conforme o desejo de nossos corações e com aquilo que pudermos. Algumas
denominações até afastam membros de suas funções e vetam-lhe o direito de fala nas congregações,
por estes não pagarem o que afirmam ser dízimos e ofertas. Lembre-se que toda a
divida Jesus pagou por nós, até a da morte (Romanos
6 : 23 ; Colossenses 2 : 14). Assim como o dízimo, também não temos obrigação de ofertar e
nem o podemos, pois a oferta só poderia ser entregue no altar e o último altar
foi a cruz. Não temos altar para ofertar, porém devemos sim contribuir. Por
isso,"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com
tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." (2
Coríntios 9 : 7).
Meu desejo é que aqueles que lerem este trabalho
alcancem a misericórdia de Deus, como eu alcancei e assim sejam livres desses dogmas
para servirem a Deus por amor.
Santa Bárbara do Pará.