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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Pastor – Dom Divino ou Cargo Episcopal


INTRODUÇÃO

“Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; põe o teu coração sobre os teus rebanhos” (Provérbios 27.23).

Este é o primeiro artigo que escrevo neste ano de 2018, e nele irei falar sobre o dom ministerial de pastor, dado por Cristo à Igreja (Efésios 4.11). Não é meu objetivo contestar, me opor ou ofender quem exerce o cargo de pastor, até porque, tenho muitos amigos que exercem cargos de pastores em algumas igrejas e tenho por eles muita consideração e respeito. Um amigo me disse que para alguém exercer o cargo de pastor, primeiro precisa receber esse dom, o que concordo plenamente. E uma das razões pela qual escrevo este artigo, é porque não sou mais membro de nenhuma denominação religiosa, por motivos que não citarei aqui, mas que já esclareci em artigos anteriores. E por isso, tenho recebido criticas e até ofensas pessoais de alguns que me conheceram na igreja e, por não saberem o que aconteceu comigo, me consideram “desviado”, “desigrejado”, e entre outras, “rebelde e ovelha sem pastor”, por não estar submisso a nenhuma “autoridade espiritual”, como dizem. Por isso, achei conveniente elaborar um pequeno estudo sobre o dom divino pastoral e quem é apto a exercer esta dádiva.

O QUE É UM PASTOR?

A bíblia versão Almeida Corrigida Fiel (ACF) cita o termo pastor 95 vezes, sendo 75 no Antigo Testamento e apenas 20 no Novo Testamento. A primeira informação que a bíblia nos dá sobre os pastores é que estes eram nômades que viviam peregrinando na terra em busca de pastos para o rebanho. Habitavam em tendas e não tinham moradia fixa. Abraão, o patriarca que deu origem ao povo hebreu era nômade nas terras de Arã (Deuteronômio 26.5). Nos tempos bíblicos havia muito perigo para o rebanho por causa das feras que habitavam no campo como hienas, leões, chacais e ursos, além de ladrões que ficavam em derredor. Por isso, o rebanho precisava de proteção constante, o que exigia a presença do pastor dia e noite no meio do rebanho. A ovelha tinha um valor inestimável para o pastor, por isso, quando uma ovelha era atacada, o pastor não media esforço para salvá-la, mesmo com o perigo da própria vida. O profeta Amós chega a usar este exemplo de bravura de um pastor, para ilustrar o cuidado de Deus para com o seu povo Israel. “Assim diz o SENHOR: Como o pastor livra da boca do leão as duas pernas, ou um pedaço da orelha, assim serão livrados os filhos de Israel que habitam em Samaria, no canto da cama, e em Damasco, num leito” (Amós 3.12). Por isso, nosso Mestre se identificou como sendo o bom pastor que deu a vida pelas Suas ovelhas. "Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas." (João 10.11).

AS FERRAMENTAS DO PASTOR

Era dever de o pastor guiar as ovelhas a lugares onde havia pastos verdes em abundância e águas cristalinas (Salmo 23.1,2). Geralmente ele possuía uma vara, uma funda e um cajado. A vara é citada no Salmo 23.4, e servia como uma espécie de arma de defesa. A vara, também conhecida como um bastão era instrumento para atacar e ferir ou até matar a fera que viesse atacar uma ovelha. A funda, feita de duas tiras de couro que lançava pedras, também era usada para afugentar animais a distancia, ou mesmo para fazer voltar uma ovelha que estivesse saindo do bando. A pedra era lançada pela funda a frente da ovelha para assustá-la e fazê-la voltar ao bando. E o cajado era uma vara com mais ou menos dois metros de comprimento e uma curvatura na extremidade em forma de gancho. Servia para o pastor se apoiar no terreno pedregoso e quando subisse os montes, bem como para guiar as ovelhas e facilitar a contagem quando estas entravam no aprisco. Eis o que diz Ezequiel se referindo a tempos futuros: “Também vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo da aliança” (Ezequiel 20.37).

O SUSTENTO DO PASTOR.

Era direito de o pastor usufruir do melhor que a ovelha tinha para fornecer como carne, gordura e leite para sua alimentação e lã e pele para as suas vestimentas; conquanto, ele provesse o sustento diário, com ração, bons pastos, aguas límpidas, zelo e proteção das ovelhas. Por isso, quando uma se perdia do rebanho, ele deixava as demais em um lugar seguro, livre dos predadores que era no deserto e ia à busca da que se perdeu, não importando os obstáculos que pudesse enfrentar. "Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?" (Lucas 15.4). E ao encontra-la, se tivesse cansada ou doente, ele a punha sobre os ombros e a carregava a distancia que fosse preciso até chegar a sua casa para cuidar dela. “E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso” (Lucas 15.5).

Assim, a maioria das vezes que a bíblia se refere a Pastor, a faz se referindo a profissão que alguns exerciam de cuidar de rebanho de ovelhas, como Abel que é citado como primeiro pastor na bíblia (Gênesis 4.2); e o grande monarca Davi que foi chamado de detrás das ovelhas para dirigir a nação de Israel (2Samuel 7.8).

OS PASTORES (GUIAS) DE ISRAEL

Os pastores de Israel como povo de Deus eram os reis ungidos pelos sacerdotes e pelos profetas (1Samuel 16.12 ; 1Reis 19.15). Aos reis Deus deu a unção (autoridade) para governar, guiar e cuidar de seu povo escolhido. Não era desejo de Deus de que Israel tivesse sobre sí reis, pois Ele mesmo é quem reinava sobre o seu povo (1Samuel 8.7). No entanto, o povo de Israel invejou o sistema de governo das nações pagãs e desejou ser guiada por um monarca humano e Deus assim o permitiu (1Samuel 8.22). O primeiro rei – Saul – escolhido por vontade do povo não atendeu os conselhos do Soberano Deus e então, Ele escolhe um rei segundo o desejo de seu coração para substituí-lo no trono e guiar seu povo. Este foi Daví, o filho de Jessé, da tribo de Judá. Quem era Daví, senão um pastor de ovelhas que vivia nos campos cuidando do rebanho de seu pai. O cuidado que Daví tinha pelas ovelhas foi o motivo principal de ele ser escolhido por Deus para governar Israel: “Então disse Davi a Saul: Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; e quando vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho,  Eu saía após ele e o feria, e livrava-a da sua boca; e, quando ele se levantava contra mim, lançava-lhe mão da barba, e o feria e o matava”. (1Samuel 17.34,35). Daví não era um mercenário, mas ele amava tanto as ovelhas que não lhe pertenciam, a ponto de enfrentar as feras para defende-las com o perigo da própria vida. “Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas” (João 10.12).

Desse modo, aqueles que doravante passaram a dirigir o rebanho de Deus passaram a serem chamados de pastores. Para essa nobre tarefa, os reis (pastores) contavam com os conselhos dos profetas e com a instrução dada pelos sacerdotes. Quando um rei não cuidava do povo seguindo o conselho Divino e passava a se aproveitar do rebanho e a maltratar e a dispersar as ovelhas, Deus levantava profetas para os adverti de suas más ações, como Elias, Ezequiel, Jeremias, João Batista e muitos outros. Profetas esses que geralmente eram hostilizados, perseguidos, presos e até mortos.

Depois da morte de Salomão, Israel se dividiu em dois reinos (Norte e Sul), sendo os dois reinos guiados por diversos reis (pastores). Em ambos os reinos, com pouca exceção, os reis (pastores) se tornaram ímpios e não seguiram os desígnios divinos no devido cuidado para com o Seu povo. A esses reis (pastores) quando se tornavam ímpios (injustos), Deus os tratava como “bodes”, sujeitos ao castigo divino.  “Ora, é justamente contra os pastores que a minha ira se inflama; eis que Eu punirei os bodes, os líderes do povo...”. (Zacarias 10.3a KJA). E são esses os “bodes” (pastores injustos), que ficarão a esquerda do Senhor e não entrarão no reino, quando Ele vier na Sua glória e no seu reino (Mateus 25.31-46). Muitos bons reis (pastores) existiriam em Israel que levaram a nação a um quebrantamento e a um renovo espiritual como foi o caso de Josias que assumiu o reino de Judá com apenas oito anos (2Reis 22.1). Outros no entanto, não seguiram os propósitos divinos, agiram com injustiça contra o povo e foram destruídos, como foi o caso de Acabe, rei de Israel que, segundo as Escrituras, foi o pior de todos reis que vieram antes dele (1Reis 16.30).

Muito se tem ainda que falar e exemplos a citar de reis (pastores) que agiram com justiça e outros com injustiça. Mas o objetivo é falar a respeito do pastor no Novo Testamento e quem são eles.

O PASTOR NA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

Ser pastor de igreja nos dias atuais tem se tornado uma posição eclesiástica bastante concorrida. Em algumas denominações, para ser um pastor reconhecido e apto a presidir igrejas e realizar cerimônias religiosas como casamento, batismo e outros, é necessário que o candidato, entre outros, seja formado em teologia e seja afiliado a uma Convenção de Ministros Evangélicos, seguindo o mesmo principio da igreja romana que escolhe seus clérigos por meio de um conclave. Embora o ministério pastoral seja um dom, geralmente é escolhido alguém que seja filho de um pastor membro da organização, o que se caracteriza por cargo de carreira. Mas há casos em que a escolha é feita para atender interesses específicos das lideranças das instituições que os escolhem, ignorando as atribuições necessárias exigidas nas Escrituras para quem almeja o episcopado (1Timóteo 3.1-7). E esses que são escolhidos assim, quando recebem uma igreja para governar, não exercem um ministério com base na ética divina e passam a dominar sobre o rebanho agindo como verdadeiros ditadores sobre a Igreja de Deus. Por não possuírem o dom pastoral, passam a tratar as ovelhas como mero produto comercial, barganhando com elas, como profetizou Pedro: "E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." (2 Pedro 2.3). Agem assim, pois os tais se vêem na obrigação de retribuir àqueles que os colocaram no devido cargo.

No entanto, nesse meio há pastores sérios, comprometidos com a Palavra e que exercem muito bem a chamada Divina e combatem pela fé que uma vez foi dada aos santos (Judas 1.3). E pra defender essa fé, às vezes é preciso ir contra o regime institucional. Assim, muitos sofrem retaliações de suas lideranças majoritárias e de seus companheiros de ministério, ao ponto de serem excluídos do órgão que os nomeou. Mas porque são homens a quem Deus deu o dom ministerial de guiar o Seu rebanho, estes exercerão suas chamadas e farão a obra de Deus, seja onde for e custe o que custar, como fez Paulo:  "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus."  (Atos 20.24).

E outros, porém há que a si mesmos se fazem pastores, fundam uma pequena igreja e gostam de serem chamados pelo devido título - “pastor” (Mateus 23.6,7).

CRISTO, O BOM E SUMO PASTOR

Como citei no inicio deste artigo, o termo pastor aparece no Novo Testamento apenas vinte vezes. Dessas vinte, sete se referem a Cristo como o Pastor que é o sumo e o bom pastor. Na língua original em que o Novo Testamento foi escrito, o termo pastor é “poymen”, que significa: “Aquele que guia”. O termo se aplica a pessoa de Cristo que é o bom e o sumo pastor que veio para tirar Suas ovelhas do aprisco (religião) e para guiá-las a verdes pastos e às águas cristalinas (João 10.1-9 ; Salmo 23.1-3). Quando Cristo veio ao mundo, seu envio foi para resgatar as ovelhas perdidas da casa de Israel (Mateus 15.24). Convém salientar que as ovelhas criam em Deus e aguardavam a vinda do Messias para redimi-los. Mas eram ovelhas que estavam presas no aprisco, sem liberdade, pois não tinham pastor para guiá-las. Isto porque, os pastores que foram dados a elas não cumpriram com fidelidade o seu papel de guias e ao invés de as apascentarem, as devoravam e as faziam desviar. Por meio de Jeremias, o Senhor diz isso: "Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso." (Jeremias 50.6).

Os pastores que Deus colocou sobre o seu rebanho se deixaram levar pela avareza e ganancia e então, passaram a apascentar a sí próprios, devorando as ovelhas que não lhes pertenciam. Por eles não cuidarem como deviam do rebanho, Deus mesmo se levanta contra esses pastores e promete resgatar Suas ovelhas e tirá-las de seus domínios. “Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que, porquanto as minhas ovelhas foram entregues à rapina, e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas;  Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR:  Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto.  Porque assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei” (Ezequiel 34.7-11). Esta promessa se cumpriu quando Cristo veio e entrou no aprisco e tirou Suas ovelhas para fora as chamando pelos seus nomes, pois Ele conhece as Suas ovelhas e elas também o conhecem e o seguem: “Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz... Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido” (João 10.2-4 ; 14).


Pelas Suas ovelhas Cristo deu a sua própria vida. Por elas morreu e ressuscitou. Ele voltou aos céus, mas prometeu que estaria todo o tempo com Suas ovelhas, como um pastor que ama o seu rebanho (Mateus 28.20). Por isso, depois de Sua ida aos céus, enviou o Consolador, o Espírito Santo que veio para convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo e guiar a Sua igreja no caminho da verdade e da justiça (João 16.8 – 13).

O PASTOR COMO DOM DIVINO

Quando o Espírito Santo veio, passou a habitar naqueles que creem e amam a Cristo (João 14.23). E, habitando nos crentes, passou a dotá-los com dons para serem usados nas diversas áreas que são necessárias a edificação do Corpo de Cristo. Para guiar a Igreja como rebanho de Deus, capacitou homens com dons ministeriais para o exercício episcopal.  Pastor no sentido episcopal só é citado três vezes no Novo Testamento. Mas não como um cargo ou função, mas como um DOM, conforme encontramos na carta de Paulo aos Efésios. "Mas a graça foi DADA a cada um de nós segundo a medida do DOM de Cristo. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E DEU DONS aos homens... E ele mesmo DEU uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores," (Efésios 4.7,8 e 11). Se pastor fosse um cargo eclesiástico e seguisse uma linha de hierarquia organizada como a igreja romana criou e foi seguida pelos evangélicos, ele ocuparia o penúltimo lugar de importância atrás do evangelista, do profeta e do apóstolo que seria o primeiro da lista. No entanto, nenhum desses mencionados são cargos ou títulos, mas, como já foi dito, são DONS. Dons que devem ser usados na igreja para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério e da edificação do corpo de Cristo (Efésios 4.12). Os dons são dados pela graça de Cristo e de acordo com a capacidade que cada um tem de administrá-los (Efésios 4.7). Cristo dá dons aos homens, não para que o que recebe se exalte e se coloque acima dos demais. Os dons são dados para que sejam administrados em favor do bem comum de toda a igreja, como ensina Pedro. “Cada um administre aos outros o DOM como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém” (1Pedro 4.10,11).

Aquele que recebe o DOM segundo a graça divina de pastorear é também chamado de “mordomo” ou “despenseiro”. Como mordomo ou despenseiro, sua responsabilidade é cuidar bem do rebanho que não lhe pertence e alimentá-lo com a ração diária, que é a Palavra de Deus pura e sem mistura. "E disse o SENHOR: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?" (Lucas 12.42); "Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus." (1Coríntios 4.1).

Não quero com esse artigo desmerecer quem hoje tem um cargo de pastor e lidera um rebanho. No entanto, procurei enfatizar que acima de tudo pastor é um DOM DIVINO. E conheço alguns que realmente tem esse dom. Mas, é necessário entender que o dom não procede da escolha humana e nem segue uma linha sucessória como foram os sacerdotes descendentes de Arão no antigo concerto, cujo ministério era passado de pai para filho.  O dom é dado por Deus e Ele dá a quem quer segundo a sua soberana vontade e para aquilo que for útil (1Corintios 12.7). Mas infelizmente, alguns se tornam vaidosos e exigem serem reconhecidos publicamente pelos títulos eclesiásticos, dentro e fora de suas igrejas. Esquecem-se do ensino de Jesus em Mateus 23.8, que diz: Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos”. Mas não fica só nisso. Alguns outros querem dominar sobre o rebanho, esquecendo que as ovelhas têm um dono e por isso exigem que as ovelhas os sustentem com tudo o que há de melhor nessa terra, pois que se julgam os “ungidos” de Deus ou os “anjos das igrejas”. E, se as ovelhas não atendem suas necessidades, chegam a chamá-las de “bodes”, “ovelhas negras” e ameaçam-nas de disciplina e até exclusão. Para justificar sua pretensa autoridade, se valem de textos isolados como está em Hebreus 13.7 e 17, conforme veremos a seguir.

QUEM ERAM OS PASTORES DE HEBREUS 13?

Muito embora o mesmo conselho possa ser seguido pela igreja atual em relação aos que presidem sobre o rebanho, se faz necessário entender quem eram os pastores citados pelo escrito aos hebreus, bem como quem eram os hebreus.

Os hebreus eram crentes judeus que pela fé na pessoa de Cristo passaram a ser perseguidos por outros judeus, como foram os apóstolos Pedro, Thiago, Paulo, Silas e muitos outros. Os hebreus que criam em Jesus viviam fugindo por causa da perseguição dos próprios irmãos, mas não abandonavam sua fé. Foram crentes que perderam a liberdade em sua nação por causa do Nome de Jesus e que, para cultuar e adorar a Deus se reuniam nos mais inóspitos lugares, como cavernas e até catacumbas. Eram crentes que escolhiam seus próprios líderes, que eram anciãos (presbíteros), idôneos, de vida e caráter moral ilibados e por serem fiéis aos princípios divinos. Estes eram os pastores que lhes ensinavam as palavras de Cristo, conforme o dom que recebera dEle. Muitos desses líderes (presbíteros/pastores), quando aprisionados sofriam represálias dos próprios irmãos judeus e eram torturados até a morte como maneira de fazê-los negarem a Cristo e voltarem ao judaísmo. No entanto, esses homens permaneciam fiéis na sua fé a ponto de morrerem por ela. Por isso, o escritor aos Hebreus aconselha-os a lembrarem deles, das palavras de Deus que falaram e imitar a fé que tiveram enquanto vivos. "Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver." (Hebreus 13.7).

No entanto, no verso 17 do mesmo capítulo treze, o sacro escritor dá-lhes outro conselho, dizendo: "Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil." (Hebreus 13.17). Esse texto tem sido muito usado por alguns pastores mal intencionados, com o fim de exigirem submissão das ovelhas, no entanto, ele tem um significado que muitos desconhecem. Ao contrário dos pastores do verso 7 que não mais viviam, estes ainda viviam e estavam na liderança do rebanho. Quem eram eles?

JUDEUS E GENTIOS, UMA SÓ FÉ, MAS COSTUMES E LEIS DIFERENTES

Bem pouco é ensinado que a igreja no seu início era formada de dois povos distintos – Judeus e Gentios (Circuncisos e Incircuncisos). O povo judeu era comprometido com a Lei de Moisés nos seus ritos, cerimônias, preceitos, ordenanças e estatutos. Mesmo crendo em Cristo, os crentes judeus não se desobrigaram da Lei de Moisés que foi dado como um concerto a eles no monte Sinai perpetuamente (Deuteronômio 6.24). Por isso, costumeiramente eles iam ao templo fazer suas orações, além de observarem outros costumes como a observância do dia de sábado e a circuncisão. Eis o motivo que Paulo precisou circuncidar a Timóteo em plena Nova Aliança, pois Timóteo era um crente judeu (Atos 16.1-3).  Porém, os gentios (não-judeus) que aceitavam a fé no Senhor, não deveriam se por debaixo da lei e dos costumes dos judeus. Nem mesmo no templo eles eram aceitos, sob o risco de profanarem aquele lugar que era santo para os judeus (Atos 21.28). Para que isso não fosse um problema e que não houvesse confusão sobre quem deveria ou não deveria estar debaixo da Lei de Moisés, Deus constitui líderes distintos para ambos os povos que formavam a igreja – Judeus e Gentios.

Para cuidar da igreja formada por judeus comprometidos com a lei, Deus separou a Pedro, Tiago e João, consideradas como as colunas dessa igreja (Gálatas 2.9). A igreja romana defende que Pedro foi o primeiro Papa, enquanto evangélicos e protestantes alegam que ele foi o primeiro pastor da igreja, pelo fato de Cristo tê-lo escolhido pessoalmente, como está no evangelho de João 21.15-17. No entanto, nessa passagem o Senhor o designa a ser o pastor das Suas ovelhas de Israel (judeus) que Ele veio resgatar (Mateus 15.24). Os gentios, no entanto, só passariam a ser parte da igreja após a conversão de Paulo (Atos 9.15). Na carta aos Gálatas, Paulo explica detalhadamente essas escolhas, mostrando que assim como Deus operou eficazmente em Pedro para ser apóstolo dos judeus, chamados “circuncisos”; também operou nele para ser apóstolo dos gentios chamados “incircuncisos” (Gálatas 2.7-9). Assim, fica esclarecido que os pastores a quem os Hebreus deviam ser submissos eram Pedro, Tiago e João ou algum outro judeu ancião que presidisse sobre eles.

E quanto a nós gentios, pode se dizer que o primeiro pastor foi Paulo a quem ele se denominava apóstolo dos gentios (1Timóteo 2.7). No entanto, em nenhuma parte das Escrituras ele se denomina pastor, muito embora tenha sido ele o fundador das igrejas dos gentios por todos os lugares por onde passou pregando o Evangelho da graça. Paulo foi um homem que não explorou a igreja, pois trabalhou com as próprias mãos, para que assim servisse de exemplo para todos quantos viessem a receber o dom pastoral de cuidar da igreja: “Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2Tessalonicenses 3.7-10). É claro que isso não desobriga o cristão gentio de honrar, respeitar e até cuidar daquele a quem Deus pôs para guiá-los, conquanto o mesmo proceda de acordo com o que Deus estabeleceu. "E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;"  (1Tessalonicenses 5.12). Ainda mais se o pastor é um homem ancião (presbítero) como era no inicio da igreja e não tem condições físicas de trabalhar para ter o seu sustento e é dedicado a ensinar a Palavra como Deus requer daquele que preside. “E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui” (Gálatas 6.6).

CONCLUSÃO

Àqueles que receberam dons para presidir o rebanho, Deus os trata como servos. Esses, não receberam apenas dons, mas também talentos. Talentos que eles precisam cuidar e fazer multiplicar para devolvê-los com juros quando o Senhor voltar e os requerer de suas mãos. Saliento que talentos não são dons e nem qualidades. Talentos são uma representação de valor e se referem as ovelhas de Cristo, que muito valor tem para o Senhor e que precisam ser tratadas com muito amor e zelo, pois elas lhes custaram um alto preço. O pastor servo que cuidar e multiplicar os talentos (ovelhas) será bem recompensado. Mas o que enterrar um talento, o menor que seja, será punido rigorosamente (Mateus 25.14-30).

Pelo fato de eu não mais fazer parte de nenhuma instituição religiosa, não estou sob a direção de nenhum pastor humano. Mas tenho respeito e consideração por aqueles que lideram rebanhos, conforme a vontade de Deus (1Pedro 5.1-4). Todavia, não sou uma ovelha sem pastor, pois o Senhor que me resgatou, tem sido o meu pastor e nada me tem faltado e nem a minha família. Tenho me congregado regularmente com meus irmãos, cultuando a Deus nas casas e levado o Evangelho nas ruas e nas praças, fazendo o ide que o Senhor ordenou aos que creem no Seu Nome (Marcos 16.15).

Encerro este artigo, dedicando aos meus irmãos que receberam o Dom ministerial de pastor e que presidem sobre o rebanho, uma frase que aprendi na Escola Dominical, quando ainda estava na igreja, que diz: “Deus deu pastores à Igreja e não a Igreja aos pastores”!

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará.

Fontes: Bíblia Almeida Corrigida Fiel (ACF)
             Bíblia King James Atualizada.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Não façam da Casa de meu Pai, uma casa de negócios


"E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." (2Pedro 2.3)

Em dois artigos anteriores esclareci que Deus não habita em templos feitos pelas mãos dos homens, conforme afirmam as Escrituras neotestamentárias (Atos 7.48 ; 17,24). Ele habita na casa que Ele mesmo fez, e que foi edificada pelo Filho, quando na cruz inaugurou a Nova Aliança pelo Seu sangue derramado. Essa casa, somos nós, os que cremos. Assim como Israel foi a Casa de Deus no concerto antigo, a Igreja é a Casa da habitação de Deus na Nova Aliança. (Hebreus 3.4-6).

Sim, somos a Casa de Deus, a morada do Santo Espírito (1Corintios 3.16). Por esta Casa, o Dono tem um zelo consumidor, a ponto de destruir, aquele que corromper esta Casa "Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo." (1Coríntios 3.17).

O ZELO DE CRISTO PELA CASA DO PAI

João, no seu evangelho registra sobre o zelo de Jesus sobre a casa do Pai. Mas esta casa não era o templo de Salomão? Como expliquei nos artigos anteriores, aquele templo que não existe mais, foi considerado como a casa de Deus, somente pelo motivo de a arca do concerto estar guardada alí dentro. A arca foi uma representação da presença de Deus entre os hebreus até a vinda do Emanuel (Deus conosco). Com a vinda do Messias, tanto a arca, como o templo que a abrigava perderam seu sentido e utilidade. O Espírito agora estava presente e agia no verdadeiro templo que é o Messias, o Cristo de Deus. "Eis aqui o meu servo, que escolhi, O meu amado, em quem a minha alma se compraz; Porei sobre ele o meu Espírito, E anunciará aos gentios o juízo." (Mateus 12.18). Assim, o Pai passou a habitar no Filho e não mais na arca ou mesmo no templo. "Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras."  (João 14.10). E essa habitação foi prometida a todos quantos crerem e amarem o enviado de Deus e obedecerem os seus mandamentos. "Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada." (João 14.23).

No entanto, enquanto Cristo não consumasse a obra que veio fazer, a Lei e seus ritos precisavam ser obedecidos, inclusive os ritos inerentes ao templo ministrados pelos descendentes de Levi.

JESUS EXPULSA OS VENDILHÕES DO TEMPLO

O templo como casa de Deus, deveria ser um lugar da mais alta reverencia e temor. E isso era responsabilidade dos sacerdotes levitas, cuidar para que esse lugar não fosse profanado e vilipendiado, como fizeram os levitas no tabernáculo no deserto. "Mas os levitas armarão as suas tendas ao redor do tabernáculo do testemunho, para que não haja indignação sobre a congregação dos filhos de Israel, pelo que os levitas terão o cuidado da guarda do tabernáculo do testemunho." (Números 1.53). Porém, os sacerdotes movidos de sórdida ganancia, permitiram que se armasse uma espécie de feira livre no pátio do templo, onde o comércio ali feito gerava grandes lucros para eles. Convém dizer que o comércio feito no templo, consistia tanto na venda de animais, como no câmbio, isto é, na troca por dinheiro das ofertas e dos dízimos que o povo levava ao templo, conforme a Lei ordenava. O momento era propício para conseguir uma boa receita, pois em Jerusalém se comemorava a maior festa do povo judeu que é a pascoa. Judeus que vinham de outras regiões e países que não podiam trazer suas oferendas aproveitavam a promoção que se realizava no pátio do templo, com a autorização dos sacerdotes.
Ao chegar alí, o Senhor manifestou seu repúdio e indignação pelo comércio que se fazia naquela casa.
“E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará” (João 2.14-17).

Apesar do Pai não está alí (o comércio lá feito era uma prova disso), o Senhor, no entanto estava no cumprimento da Lei e da justiça. (Mateus 3.15 ; 5.17). Qualquer um poderia concordar com aquilo, e justificar que o dinheiro arrecadado daria para fazer grandes reformas no templo e embelezá-lo ainda mais. Mas Jesus sabia que o objetivo era outro e Ele não podia concordar com os sacerdotes por estarem violando a Lei que Ele veio cumprir, ao fazerem negócios e lucrarem com o sacrifício do povo, como aconteceu nos tempos de Jeremias. “Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram; Engordam-se, estão nédios, e ultrapassam até os feitos dos malignos; não julgam a causa do órfão; todavia prosperam; nem julgam o direito dos necessitados” (Jeremias 5.27,28); e de Oseias. "Comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele têm desejo ardente." (Oséias 4. 8).

Ao rejeitar aquele ato dos sacerdotes, expulsando os comerciantes daquela casa, o Senhor deixa uma grande lição a ser entendida, que Ele nunca há de apoiar ou concordar com as ações daqueles que fazem de Sua Casa, uma casa de negócios, ou covil de ladrões (Marcos 11.17). Em João 10, Jesus ensina por meio de uma parábola, que este tipo de ladrão que é o mercenário, estaria no meio das Suas ovelhas, por este haver subido por outra parte e não pela porta (João 10.1-12). E este é o ladrão que veio para roubar, matar e destruir as ovelhas (João 10.10). E Ele também sabia que isso aconteceria no decorrer dos tempos, onde muitos tentariam fazer negociata com Sua Casa que somos nós, Suas ovelhas. Por isso, pelo Seu Espírito Eterno usou Pedro para advertir seu rebanho.

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.  E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2Pedro 2.1-3).


Mas infelizmente, muitos tem se deixado enganar e outros até defendem os atos dos lobos devoradores que se infiltram no rebanho, com o fim de extorquirem e se apropriarem dos bens das ovelhas. Paulo, usado pelo mesmo Espírito de Cristo, alertou a igreja do Senhor em Éfeso. “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20.29,30).

Os “sacerdotes modernos” estão fazendo negócios com a Casa de Deus, vendendo suas “bugigangas espirituais”, que são objetos supostamente ungidos, como; sal ungido, azeite, rosa ungida, água do rio Jordão, areia de Israel e muitos outros. Isso, sem falar nos CD’s, DVD’s, apostilas e livros que se vendem nos templos por ocasião de grandes festas. Mas não é somente isso, além do comércio que é feito, os sacerdotes modernos estão também destruindo o templo de Deus, levando o crente a apostatar da fé na pessoa do Salvador e a crer na “energia positiva” advinda desses objetos supostamente ungidos. Porém, chegará o momento que o próprio Senhor destruirá aqueles que destroem seu templo, como Pedro profetizou: “...sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2Pedro 2.3b). Não está longe o tempo em que todos aqueles que abusam da noiva do Cordeiro, fazendo dela uma casa de comércio, hão de chorar e lamentar, pois a Igreja tem um dono e Ele está vendo tudo. A grande prostituta com seus cafetões que é a Babilônia religiosa que promove essas coisas vai cair por terra e sua queda já teve inicio. “E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias” (Apocalipse 18.11).


Igreja de Cristo, você foi comprada com um preço muito alto, não se faça serva dos homens. Você é livre e não deve nada a ninguém (1Coríntios 7.23). Jamais permita que alguém venha fazer negócios com a sua fé, pois você é a Casa da habitação de Deus.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O Batismo com o Espírito Santo e com Fogo.



"E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo." (Mateus 3.11).

INTRODUÇÃO

A vida cristã é vida no Espírito.  Seria impossível ser cristão, sem o ministério do gracioso Espírito de Deus. Tudo o que temos e somos como cristãos devemos a Ele. Cada cristão tem uma experiência do Espírito Santo desde os primeiros momentos da sua vida cristã. Para o cristão, a vida começa com um novo nascimento, e o novo nascimento é um nascimento "no Espírito" (João 3.3-8). Assim o batismo com o Espírito Santo é uma realidade presente na vida do cristão. Mas, e o que viria a ser o batismo com fogo? Seria o batismo com o Espírito Santo e com fogo um evento simultâneo na vida do crente; ou haverá distinção entre ambos? Sim, há distinção, conforme veremos neste estudo.

DEFINIÇÃO DE BATISMO

Antes de iniciarmos este estudo, convém entendermos o sentido etimológico do termo, para uma melhor compreensão dos fatos. A palavra batismo origina-se da palavra grega “baptizo” e da latina “baptismus”, e significa, em ambos os casos, “mergulho” ou “imersão”. No Novo Testamento seu significado literal é morte e sepultamento e, sofrimento, como foi no caso de Jesus. "Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos." (Mateus 20.22). "Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se!"  (Lucas 12. 50). Certamente que Jesus foi batizado em águas por João, mas esse “certo batismo” que Ele fala, se refere ao flagelo e o sofrimento que Ele passaria e que culminaria com sua morte no madeiro.

O escritor aos Hebreus fala sobre a “doutrina dos batismos”, deixando entendido que existem vários tipos de batismo (Hebreus 6.2). De fato, na bíblia encontramos alguns tipos de batismos, como: a)-Batismo em Moisés, na núvem e no mar (1Corintios 10.2); b)-Batismo de João para o arrependimento e remissão de pecados (Marcos 1.4); c)- Batismo cristão por imersão como símbolo de morte e sepultamento (Romanos 6.3) e, d)- Batismo com o Espírito Santo e com fogo, efetuado por Jesus (Mateus 3.11).

Como o tema deste estudo é Batismo como Espírito Santo e com Fogo, vamos pensar que ser batizado é “ser imerso” ou “mergulhar” como sugere o significado do termo batismo. Por assim dizer, ser batizado com o Espírito Santo é “mergulhar” ou “imergir/afundar” no Espírito Santo. Assim também diz respeito ao “batismo com fogo” que significa “mergulhar” ou “imergir” no fogo.

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO É A PROMESSA DO PAI

Desde o antigo pacto, a promessa do derramamento do Espírito Santo fora vaticinada pelos profetas veterotestamentários, como Isaías, Ezequiel e Joel. Isaías profetizou que Deus derramaria de seu Espírito sobre Israel, quando este povo se convertesse da idolatria dos povos que os cercavam: "Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes." (Isaías 44.3). Ezequiel profetizou a promessa do Espírito em relação ao povo de Israel que terá seu cumprimento literal no período milenial: “Então saberão que eu sou o SENHOR seu Deus, vendo que eu os fiz ir em cativeiro entre os gentios, e os ajuntarei para voltarem a sua terra, e não mais deixarei lá nenhum deles.  Nem lhes esconderei mais a minha face, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor DEUS” (Ezequiel 39.28,29). Mas Joel foi quem profetizou que o Espírito de Deus seria derramado sobre toda a carne, antes da consumação de todas as coisas e não fazendo distinção entre judeus e gentios: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito” (Joel 2.28,29). Em seu ministério terreno Jesus confirmou o que os profetas falaram, exortando os discípulos a aguardarem: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder." (Lucas 24.49).

O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

O livro de Atos registra como se deu o cumprimento dessa promessa. Lucas, seu autor lembra as palavras Senhor, momentos antes de Ele ascender ao Pai. “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1.4,5). Cerca de 500 discípulos estavam presentes no monte das oliveiras, ouviram esta admoestação e viram o Senhor voltar aos céus. Mas somente uns 120 foram agraciados com a promessa porque creram e esperaram com paciência. Dez dias após ser assunto aos céus, comemorava-se em Jerusalém a festa do Pentecostes. Neste dia cumpre-se a promessa feita pelo Pai, por meio dos profetas, conforme o livro de Atos mostra com clareza de detalhes.

O OBJETIVO DA PROMESSA

A promessa do batismo com o Espírito Santo haveria de cumprir um propósito específico na vida dos crentes. Além de santificá-los para fazer deles a morada e a habitação de Deus, o batismo veio para: a)- revesti-los de poder do alto e capacitá-los a pregar o evangelho com ousadia e testemunhar a respeito do Senhor Jesus onde fosse preciso. "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra."  (Atos 1.8); b)- Guiar os crentes em toda a verdade e justiça, preparando-os para receber Jesus em sua segunda vinda: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir."  (João 16.13); c)- Libertar os crentes da escravidão religiosa que os oprimia e do temor, concedendo-lhes o direito a adoção de filhos, dando a certeza de que somos filhos de Deus: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Romanos 8.15,16);  d)- Trazer conhecimento claro e amplo da Palavra de Deus, fazendo o crente lembrar-se quando for necessário. "Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras." (Provérbios 1.23); "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito."  (João 14.26); f) – Capacitar o crente a realizar prodígios e maravilhas em Nome de Jesus: "E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo."  (Atos 6.8); e g) - Encorajar o crente a falar as verdadeiras Palavras de Deus com ousadia e destemor, batalhando pela fé que uma vez foi dada aos crentes. “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (Atos 7.55).

COMO RECEBER O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?

Não existe uma fórmula mágica. Mas a teologia Pentecostal e Néo Pentecostal defende a ideia do batismo com o Espírito Santo, como sendo uma ação a parte da conversão, onde, aquele que aspira ser batizado precisa buscar em oração e consagração até que este consiga falar em “línguas estranhas”. Se, após um período de oração (que pode durar dias e até meses), o individuo começar a falar em línguas estranhas é o sinal que este conseguiu ser batizado. Campanhas, correntes, vigílias e até jejuns são feitos com o objetivo de levar o indivíduo a quem Deus não deu o dom de falar em línguas, buscar o batismo, como se esse dom fosse a evidencia inicial que prova que alguém recebeu o batismo com o Espírito Santo. E nessa busca, muitos que participam ficam frustrados e outros até se desviam da fé, por entenderem que, pelo fato de não conseguirem falar em línguas, os tais não foram batizados com o Espírito Santo. Ai vem a justificativa que a pessoa que buscava e não falou em línguas, não tinha fé suficiente, ou estava em pecado. Comicamente (já vi), alguns mestres que oram para que os crentes sejam batizados, pedirem para que estes deem glória, glória, glória repetidamente até que suas línguas se enrolem a ponto de estes pronunciarem palavras ininteligíveis, quais são confundidas com as línguas estranhas. E é estranho mesmo! Isso ocorre porque, essa teologia defende que a evidência inicial do batismo com o Espírito Santo seja o falar em línguas.

Quero deixar claro que não sou “cessacionista”, pois creio e vivo na atualidade dos dons espirituais e que estes só haverão de cessar, quando estivermos na presença de Deus. No entanto, em se tratando dos dons de línguas, particularmente eles devem ser exercidos junto com o dom de interpretação e não aleatoriamente como vemos acontecer. Paulo diz: "E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação." (1Coríntios 14.5). E continua seu ensino: “E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (1Corintios 14.27,28). Por falta deste ensino, se observa uma espécie de desordem na administração desse dom nas igrejas, onde alguns pregadores chegam até a substituir a pregação pelo falar em línguas, para exibir uma espiritualidade. Mas quanto a isso, Paulo termina seu ensino sobre os dons do Espírito Santo, exortando assim:  “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.  Mas, se alguém ignora isto, que ignore.  Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1Corintios 14.37-40).

Ainda sobre o batismo com o Espírito Santo, a doutrina pentecostal até há pouco tempo não reconhecia que o indivíduo que não falasse línguas estranhas fosse batizado ou tivesse o Espírito Santo. Mas esse pensamento começou a mudar. Na lição da Escola Dominical da CPAD, que foi ministrada no último domingo nas igrejas da Assembleia de Deus, o comentarista Esequias Soares, diz o seguinte: Todos os crentes em Jesus já têm o Espírito Santo. Na regeneração, o Espírito promove o novo nascimento, que é um ato direto do Espírito Santo (Jo 3.6-8). O pecador recebe o Espírito no exato momento em que aceita, de verdade, a Jesus (Gl 3.2; Ef 1.13). Os discípulos de Jesus já tinham seu nome escrito no céu (Lc 10.20) e igualmente tinham o Espírito Santo mesmo antes do Pentecostes (Jo 20.22)” (Esequias Soares, Lição 10, 3 de setembro de 2017, tema: A RAZÃO DA NOSSA FÉ, ASSIM CREMOS, ASSIM VIVEMOS).

No entanto, ainda levará algum tempo para o povo se adequar e esta nova realidade. Mas, por causa desse entendimento que antes havia, ainda se vê nas igrejas que adotam essa teologia duas classes de pessoas (espero que isso mude). As que falam em línguas estranhas são tratadas de forma diferenciadas pelas lideranças e alguns crentes. Os que falam em línguas estranhas ocupam posições de destaque e cargos relevantes nas instituições, ao passo que as que não falam são consideradas como crentes de segunda classe e não são valorizadas. Isso é acepção de pessoas verídica. Esse mal só acontece porque, interpretaram de forma equivocada o que diz Atos 2.4: “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Porém, essas “outras línguas” em que os discípulos falaram no dia de Pentecostes não eram línguas estranhas. Pelo contrário, eram línguas conhecidas das mais de 15 nações que se encontravam presentes em Jerusalém, por ocasião da festa. Logo, fica descaracterizado que e evidencia inicial do batismo com o Espírito Santo seja o falar em línguas estranhas. O que dizer dos que não falam? "Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?"  (1Coríntios 12.30).

OS QUE CRERAM FORAM BATIZADOS NO NOME DE JESUS E RECEBERAM A PROMESSA DO DOM DO ESPÍRITO SANTO

Os que presenciaram a manifestação do Espírito de forma extraordinária na vida dos apóstolos, no dia de Pentecostes fizeram a seguinte pergunta: “Que faremos varões irmãos?” A resposta de Pedro foi enfática: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2.38,39). Pedro associou o recebimento do batismo com o arrependimento daquele que crê. O arrependido era batizado em o Nome de Jesus e logo recebia o dom do Espírito Santo que segundo a promessa é o batismo com o Espírito Santo.

Neste caso, a fé é imprescindível. Paulo disse que o crê (fé) vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17). Isso é notório, pois mais adiante está escrito que todos os que de bom grado receberam a Palavra foram batizados, que foi num total de três mil almas (Atos 2.40). Será que esses milhares que creram falaram todos em línguas? Creio que se isso fosse relevante, Lucas teria registrado o fato, como registrou como aconteceu com Cornélio. E, na casa de Cornélio, o Espírito Santo veio sobre aquela família mediante a palavra de Deus ministrada por Pedro. “E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio. E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11.15,16). E não foi somente com Cornélio, mas com todos que estavam presentes alí e ouviram a Palavra por intermédio de Pedro (Atos 10.44-46). Neste caso, todos alí falaram em línguas e magnificaram a Deus, e até mesmo como um sinal para mostrar a Pedro que Deus não faz acepção de pessoas, visto que ele ainda nutria certo preconceito em relação aos gentios, achando que o dom de Deus era exclusividade dos judeus. As escrituras não nos ensinam a buscar o batismo com o Espírito Santo, mas sim a buscar com zelo os dons que Ele tem para nos entregar. "Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente." (1Coríntios 12.31).

AS LÍNGUAS SÃO MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO CONCEDIDAS AO CRENTE COMO DONS

Não há registro no novo testamento do termo “línguas estranhas” nos textos originais. Encontramos “falar línguas” (Atos 10.46); “variedades de línguas”, “diversas línguas” (1Corintios 12.28.30); “línguas desconhecidas” e “línguas” (1Corintios 14.2-5). E as línguas são dadas como dons a quem já recebeu o Espírito Santo, assim como os demais dons que Ele tem para nos entregar. A profecia de Joel quanto a promessa do recebimento do Espirito Santo, diz: “...e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Joel 2.28). Entre outros dons, Joel alude ao dom de profetizar, que segundo Paulo, é o dom mais importante a ser buscado pelo crente, sem, contudo, desprezar o dom de línguas. "Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas."  (1Coríntios 14.39). Paulo ainda ensina que: "as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis." (1Coríntios 14.22).

Paulo, o apóstolo dos gentios ensina que todos os que ouvem a Palavra da verdade e creem, são selados pelo Espírito Santo da promessa: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa."  (Efésios 1.13). E, uma vez selado e/ou batizados, não devemos entristecer o Santo Espírito que em nós habita. "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção." (Efésios 4.30). Por fim, Paulo não faz qualquer distinção no corpo de Cristo, impondo regras e condições para ser batizado com o Espírito Santo, senão, o que já foi exposto acima que é o ato de crer, sabendo que esta é a obra do Espírito mediante a aceitação da Palavra da verdade. "Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito."  (1Coríntios 12.13). Assim, a evidencia do batismo com o Espírito Santo é revelado na mudança de caráter, na santificação e no fruto do Espírito que o crente produz diariamente em sua vida.

O BATISMO COM FOGO, O QUE É?

No meio religioso as opiniões se divergem quanto ao que seria o batismo com fogo. Há os que defendem serem as provações que passamos aqui neste mundo como cristãos. Outros alegam ser a ação eloquente do Espírito na vida do crente, com base no que está em Atos 2.3: "E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles." (Atos 2.3). Mas atente que o texto não diz que eram línguas de fogo, mas “como que de fogo”.

Quando João Batista falou sobre esse assunto, estavam presentes os religiosos fariseus e saduceus. E foi diretamente para eles que João dirigiu a mensagem. “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3.7). João conhecia a índole daqueles religiosos e sabia que eles haviam ido lá para o espionarem e não com o desejo de arrependerem-se de seus pecados. Até porque, os tais se julgavam justos e mais santos que as demais pessoas por praticarem as obras da Lei (Lucas 18.12). João os adverte a respeito da ira vindoura, mostrando que este tempo estava se aproximando. Eis o que diz João. “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mateus 3.10). Compare com o que disse Jesus aos que não creem nEle. "Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem."  (João 15. 6).

Em Atos, vemos o evangelista Lucas discorrer sobre o que João profetizou: "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias." (Atos 1.5). Atente que o relato não menciona a parte final da expressão de João batista em Mateus 3.11 que é “com fogo”. Teria ele esquecido essa parte? Creio que não. Isso deixa claro que o batismo com fogo, seria um evento futuro destinado aos ímpios e que não dizia respeito falar naquele momento, pois Lucas estava a falar do cumprimento glorioso da promessa do batismo com o Espírito Santo na vida dos que criam. Também o apóstolo Pedro quando testemunhava da conversão de Cornélio, se referiu a promessa: “E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11.16). Mas também não cita o termo “com fogo”.

O batismo com fogo não é uma extensão do batismo com o Espírito Santo. Não, o batismo com fogo, mais uma vez ressalto, é uma clara referência ao juízo divino que há de vir sobre todo aquele que rejeitam o plano da salvação em Cristo, mesmo conhecendo a Palavra da verdade. Será a diferença que haverá entre o justo e o ímpio (Malaquias 3.18). Por assim dizer, os justos são batizados com o Espírito Santo, mas os ímpios haverão de ser batizados com fogo. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13.49,50).

            A FIGURA DA PÁ E DA EIRA.

João conclui o sermão sobre este assunto dizendo: “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará” (Mateus 3.12). Fica evidente que o batismo com fogo não faz parte do batismo com o Espírito Santo, mas será a punição divina para os infiéis. Na bíblia o fogo está associado a poder, a purificação, a glória, mas também a juízo eterno. Mas, neste contexto, o fogo se refere ao juízo divino que será derramado sobre os que resistem a graça divina: "Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do SENHOR, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada."  (Sofonias 1.18).  

CONCLUSÃO

Vimos neste estudo que há vários tipos de batismo. Mas, o mesmo Jesus que batiza com o Espírito Santo é o mesmo que batiza com fogo. Não queira meu irmão ser batizado com este fogo. Jesus tem em suas mãos a pá. Entende-se que a PÁ e a PALAVRA; com ela ele limpara a sua EIRA. Entendemos que é a IGREJA; recolherá no celeiro o seu trigo. O CELEIRO é o REINO DOS CÉUS; e o TRIGO são os JUSTOS. Mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga. A PALHA são os ÍMPIOS que ora estão no meio dos justos, mas não praticam a justiça, não amam os irmãos e rejeitam sua graça e salvação.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará – Brasil

Fonte de pesquisa: Biblia Almeida Corrigida Fiel (ACF)