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quinta-feira, 4 de abril de 2019

A Oferta da Viúva Pobre



Em Marcos 12 e Lucas 21 está registrada a história de uma pobre viúva que foi ao templo de Jerusalém e depositou no gazofilácio como oferta todo o seu sustento, duas pequenas moedas. Esse notório fato tem servido de inspiração para muitos defensores da teologia da prosperidade, que usam o ocorrido como meio de incentivar os crentes a agirem como aquela pobre viúva a darem seu “tudo” para a “obra do Senhor”. Alguns até vão mais além, alegando que a viúva deu o maior dizimo em relação aos outros, por dar tudo o que tinha. Ora, dizimo é apenas a décima parte (10%) e não tudo. Pela justiça divina, viúvas, assim como órfãos e estrangeiros (gentios) não davam dízimos, mas deveriam ser por eles sustentados (Deut. 14.28,29 ; 26.12-15). Neste pequeno artigo quero mostrar por dentro das Escrituras o motivo pelo qual aquela pobre mulher deu como oferta todo o seu o seu sustento e Jesus não pode fazer nada para impedi-la.

JESUS VEIO PARA CUMPRIR A LEI (Mateus 5.17-19)

Desde seu nascimento até sua morte, Jesus viveu no cumprimento da Lei. Paulo diz: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gálatas 4.4,5). Cristo viveu e ministrou na vigência da antiga aliança e no regime da lei dada a Moisés. Ele veio para cumprir a Lei (Mateus 5.17). E, antes da Sua morte, onde seu sangue foi derramado para remissão da humanidade, era necessário todo hebreu ir uma vez ao templo e levar uma oferta pela expiação dos seus pecados, assim como obedecer a todos os ritos e cerimoniais da lei. Então, até a morte expiatória de Cristo no madeiro prevaleceram os ritos mosaicos fixados na Lei, como a oferta que a viúva deu. É importante salientar que aquela oferta não era voluntária e nem poderia ser com qualquer valor, mas como a Lei dada por Moisés pedia. Repito que aquela oferta era obrigatória a todos os hebreus, pois servia como resgate das vidas e expiação dos pecados.

A LEI DE MOISÉS

Anualmente havia uma contagem dos hebreus e, todos os de 20 anos para cima deveriam obrigatoriamente dar uma oferta com um valor determinado que fosse o equivalente a 6 gramas de prata (meio siclo). Por essa oferta levada uma vez ao ano ao santuário, o ofertante tinha seus pecados expiados, isto é, a ira de Deus sobre ele era aplacada temporiamente, devendo o rito ser repetido no ano seguinte. E o dinheiro advindo dessa oferta era para aplicação na manutenção do santuário, que na época que foi instituída por Moisés era o tabernáculo e que tempos mais tarde foi substituído pelo templo erguido por Salomão e que durou até o ano 70eC. Neste tempo, o templo foi derrubado pelas tropas romanas e desde então, nunca mais foi reerguido.

Segue a orientação de Moisés, para recolher essa oferta:

Êxodo 30.11-16:
11  Falou mais o SENHOR a Moisés dizendo:
12  Quando fizeres a contagem dos filhos de Israel, conforme a sua soma, cada um deles dará ao SENHOR o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre eles praga alguma, quando os contares.
13  Todo aquele que passar pelo arrolamento dará isto: a metade de um siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras); a metade de um siclo é a oferta ao SENHOR.
14  Qualquer que passar pelo arrolamento, de vinte anos para cima, dará a oferta alçada ao SENHOR.
15  O rico não dará mais, e o pobre não dará menos da metade do siclo, quando derem a oferta alçada ao SENHOR, para fazer expiação por vossas almas.
16  E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de Israel, e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos filhos de Israel diante do SENHOR, para fazer expiação por vossas almas.

Assim, ninguém estava isento dessa contribuição, nem mesmo as viúvas.

A OFERTA DA VIÚVA POBRE

No tempo de Cristo, uma viúva foi ao templo e levou sua oferta na caixa dos tesouros que era conhecido como gazofilácio. Não confundir essa caixa dos tesouros com a casa do tesouro que era um armazém no templo para estocar mantimentos para levitas, órfãos, viúvas e estrangeiros. O gazofilácio era uma espécie de cofre que era uma caixa com um furo na tampa superior, por onde se colocava o dinheiro. Na época que Moisés instituiu essa lei, não existia o gazofilácio e o dinheiro era entregue diretamente nas mãos dos sacerdotes. E o gazofilácio foi inventado na época de Joás, rei de Judá, por uma necessidade de reparar o templo. Isto porque os sacerdotes foram negligentes quanto ao cuidado que deveriam ter para com a manutenção do santuário. Joás era garoto quando assumiu o reino e tinha como seu conselheiro o sumo sacerdote Joiada. Ao ver o templo em estado deplorável, Joás pediu que os sacerdotes recolhessem a oferta que Moisés havia designado em Lei, conforme dito acima.
“E disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas santas que se trouxer à casa do SENHOR, a saber, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer cada um voluntariamente para a casa do SENHOR,  Os sacerdotes o recebam, cada um dos seus conhecidos; e eles mesmos reparem as fendas da casa, toda a fenda que se achar nela” (2Reis 12.4,5).

Assim foi feito. Porém, mais uma vez os sacerdotes foram omissos quanto a responsabilidade e passaram-se 16 anos e nenhum serviço no templo foi feito. Então, o rei Joás que já estava com 30 anos e viu que nada tinha sido feito, inquiriu novamente dos sacerdotes o motivo pelo qual isso não tinha acontecido. 

“Então o rei Joás chamou o sacerdote Joiada e os mais sacerdotes, e lhes disse: Por que não reparais as fendas da casa? Agora, pois, não tomeis mais dinheiro de vossos conhecidos, mas entregai-o para o reparo das fendas da casa. E consentiram os sacerdotes em não tomarem mais dinheiro do povo, e em não repararem as fendas da casa. ” (2Reis 12.7,8).

Foi ai que o sumo sacerdote Joiada teve a ideia de criar o gazofilácio que era uma caixa, semelhante a um cofre e o colocou perto do altar que ficava na entrada do templo:

“Porém o sacerdote Joiada tomou um cofre e fez um buraco na tampa; e a pôs ao pé do altar, à mão direita dos que entravam na casa do SENHOR; e os sacerdotes que guardavam a entrada da porta punham ali todo o dinheiro que se trazia à casa do SENHOR.  Sucedeu que, vendo eles que já havia muito dinheiro no cofre, o escrivão do rei subia com o sumo sacerdote, e contavam e ensacavam o dinheiro que se achava na casa do SENHOR” (2Reis 12.9,10).

Esse dinheiro não era para outra finalidade, senão fazer a manutenção no templo que naquela época era chamada de a casa do Senhor, que deveria ser entregue nas mãos de profissionais e especialistas da época.

“E o dinheiro, depois de pesado, davam nas mãos dos que faziam a obra, que tinham a seu cargo a casa do SENHOR e eles o distribuíam aos carpinteiros e aos edificadores que reparavam a casa do SENHOR. Como também aos pedreiros e aos cabouqueiros; e para se comprar madeira e pedras de cantaria para repararem as fendas da casa do SENHOR, e para tudo quanto era necessário para reparar a casa” (2Reis 12.11,12).

E foi nessa caixa que a viúva deu todo o seu sustento e não podia fazer diferente, pois a Lei assim a obrigava. Jesus viu e, embora sendo justo e sabendo que alí estava todo o seu sustento, nada fez para impedi-la, pois Ele estava no cumprimento da Lei e ainda não tinha morrido para resgate de nossas almas e expiação dos nossos pecados. Mas graças a Deus Ele morreu e, na cruz, pagou toda a dívida que Moisés estabeleceu em lei.

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Colossenses 2.14).

Na graça não devemos mais nada, pois todo o preço já foi pago. Por isso, utilizar o exemplo da pobre viúva como exemplo a ser repetido ou seguido na graça, ou mesmo cobrar alguma coisa como meio de agradar a Deus e receber suas bênçãos, é tentar anular o sacrifício de Cristo e atrair sobre sí e sobre o povo as maldições prescritas na Lei.

"Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde." (Gálatas 2.21).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Sta. Bárbara do Pará

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O que significa NÃO ABANDONAR A NOSSA CONGREGAÇÃO?




O autor da carta aos judeus convertidos a Cristo (hebreus) aconselha: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hebreus 10.25).

Uma leitura superficial e desatenta do texto, pode levar o leitor a entender que o crente não deve abandonar a denominação ou o lugar (prédio) onde congregam. De fato, é exatamente isso que os muitos religiosos entendem. Mas, na época em que a carta foi escrita não haviam denominações, cada uma com seus templos e nomenclaturas. Havia uma igreja, formada inicialmente de judeus e que era perseguida por falar no Nome de Jesus. Por isso, estes viviam fugindo e se escondendo dos seus algozes. Não possuíam bens, casas e muito menos um lugar fixo para se reunirem em Nome de Jesus. Então, o que significava “não abandonar a nossa congregação?”.

A palavra congregação é citada 343 vezes em toda a bíblia, de acordo com a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF). Só no Antigo testamento quando nem igreja havia, a palavra congregação é citada 340 vezes. E, no Novo Testamento onde nasceu a igreja, a palavra é mencionada somente 3 (três) vezes. Então, a palavra congregação na bíblia não remete a lugar e/ou espaço físico, mas a pessoas reunidas, da mesma forma que a palavra igreja no Novo Testamento se refere a pessoas reunidas em o Nome de Jesus, independente do lugar onde se reúnam ou estejam. A seguir, vou colocar alguns textos do antigo testamento que corroboram essa verdade:

"Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família."  (Êxodo 12.3). É importante salientar que neste tempo nem tabernáculo existia, pois este só foi fabricado a partir do capitulo 25 de Êxodo.

"E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto."  (Êxodo 16.2). Aqui fica bem claro que a congregação era o povo.

Mas, quando o tabernáculo foi construído, este foi chamado de TENDA DA CONGREGAÇÃO (Êxodo 27.21). Mas não era permitido o povo entrar nele para adorar a Deus. Somente os da tribo de Levi tinham permissão para entrar no tabernáculo e os que não fossem levitas morreriam (Números 18.7). O mesmo era no templo que substituiu o tabernáculo, onde nem mesmo Jesus pode entrar. O máximo que Jesus ia era no pátio do templo, onde o povo se aglomerava. Jesus ia ali para ensinar, curar e libertar as pessoas, mas quando precisava orar, se dirigia ao monte das Oliveiras.

Assim, o conselho do autor aos hebreus em 10.25 era referente a crentes que estavam desistindo da caminhada cristã e voltando aos velhos rudimentos da lei, negligenciando a graça salvadora. Estes, corriam um grave perigo de se perderem eternamente, pois voluntariamente estavam abandonando a comunhão da congregação (povo/igreja) e servindo de tropeço, pisando o Filho de Deus e profanando o sangue da aliança que no madeiro foi derramado e fazendo agravo ao Espírito Santo, como diz os versos 28,29: “Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós, será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hebreus 10.28,29)

Reginaldo Barbosa.
Santa Bárbara do Pará



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Céu e Inferno - Quem já foi pra esses lugares?


"Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu." (João 3.13). "Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus." (Salmos 9.17).

INTRODUÇÃO

Quando uma pessoa que julgamos ser boa morre, afirmamos que esta foi para o céu, ou que foi para a glória estar com Deus. Da mesma forma, quando uma pessoa que julgamos ser má também morre, dizemos que esta foi para o inferno. Será que este pensamento está correto? Temos o direito de fazer um juízo antecipado escolhendo quem vai para o céu o quem vai para o inferno? O que é o céu e o que é o inferno segundo as escrituras? Vamos analisar as sagradas letras e ver o que ela tem nos ensinar a respeito, para não cometermos mais estes erros.

O QUE É O CÉU SEGUNDO A BÍBLIA?

A bíblia Almeida Corrigida Fiel (ACF) fala de céu (singular) 327 vezes e céus (plural) 374 vezes.

O céu (no singular), geralmente se refere ao firmamento que é a parte que contemplamos com nossos olhos, cuja cor predominante de dia é o azul, podendo mudar de cor de acordo com o tempo e sendo escuro a noite ou iluminado pelas estrelas. Exemplos do céu como firmamento: "E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu, foram cobertos." (Gênesis 7.19); "O SENHOR vosso Deus já vos tem multiplicado; e eis que em multidão sois hoje como as estrelas do céu." (Deuteronômio 1.10).

Os céus (no plural) dá a entender que existe mais de um céu, onde um deles é céu da glória ou o lugar onde Deus habita na companhia do Filho, dos anjos, arcanjos, querubins e serafins. É o lugar que até hoje nenhum mortal teve acesso. "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." (Salmos 19.1). Neste salmo, podemos notar a diferença de CÉU (firmamento) para CÉUS (morada/habitação Divina). Mas também encontramos nas Escrituras a palavra céu no singular se referindo ao céu da glória que é o lugar invisível a nossos olhos e onde Deus habita e os anjos. Diferente do firmamento esse céu é o céu dos céus (céu da glória), conforme declaram as escrituras: "Só tu és SENHOR; tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora."  (Neemias 9.6). Leia também 1Reis8.27 e 2Crônicas 6.18.

O QUE É O INFERNO SEGUNDO A BÍBLIA?

Para termos um entendimento correto sobre este lugar, é necessário analisarmos várias versões de bíblias e procurarmos uma que se aproxime dos escritos originais. Isso, porque algumas versões chamam esse lugar de “Seol” ou “Sheol”, outras de “Geena”, outras de “Tártaro” e outras de “Hades”. Essa desarmonia que há entre as várias versões da bíblia tem contribuído para a confusão que muitos fazem a respeito do inferno e até criem doutrinas estranhas sobre o assunto. Vamos conhecer o que são estes lugares acima citado:

1 – Seol ou Sheol: Não é o inferno, mas na língua hebraica é o lugar que se refere a sepultura, onde os mortos são sepultados (Gênesis 42.38 ; 44.29 ; 1Samuel 2.6 ; Eclesiastes 9.10). É a mesma definição para o termo grego Hades que designa HABITAÇÃO DOS MORTOS e se referem ao estado intermediário dos mortos até o julgamento que se dará no juízo final. Era o lugar de cativeiro onde desciam os espíritos dos mortos no antigo testamento, antes da vinda do Messias. Na passagem do rico e Lázaro ensinado por Jesus em Lucas 16.20-25, temos a ideia que o sheol ou hades ficavam num plano paralelo, sendo apenas divididos por um grande abismo. Jesus ao morrer desceu a este lugar (Salmo 16.10). A versão fiel ao original diz que Jesus desceu ao “hades” enquanto que outras versões dizem que Ele desceu ao inferno, mais não foi. Pedro diz que Jesus foi alí pregar aos espíritos em prisão, àqueles que no período de Noé foram rebeldes e desobedientes a pregação da palavra de Deus (1Pedro 3.19,20). Foi a este lugar que Paulo diz que o Senhor desceu as partes mais baixas da terra e depois subiu, como está em Efésios 4.8-10:

“8  Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens.
9  Ora, isto  ele subiu  que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?
10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas”.

Observe que Paulo explica que Jesus ao subir das partes mais baixas da terra (hades - mundo dos mortos) levou cativo o cativeiro. O que significa isso? Significa que o seio de Abraão, onde os espíritos dos justos jaziam, foi transportado para o terceiro céu, onde atualmente é o paraíso, lugar de descanso para os fiéis que dormem no Senhor, aguardando momento de o Senhor os trazer de lá na Sua segunda vinda (1Tessalonicenses 4.14). Mas, os ensinos de Paulo levam a crer que o hades continua no mesmo lugar e os que vão para lá, já se encontram em tormentos, conforme a narrativa de Jesus na parábola do rico e Lázaro.

2 – Geena: Também não é o inferno. Geena era uma espécie de lixão fora das portas de Jerusalém, onde eram lançados dejetos, corpos de animais que morriam e às vezes até de malfeitores e indigentes. Alí um fogo queimava constantemente sem se apagar. O que não era consumido pelo fogo, era devorado pelos vermes que alí se acumulavam. Jesus utilizou o que acontecia neste lugar para exemplificar o sofrimento eterno que se dará no inferno que na verdade é o lago de fogo (Marcos 9.43-48). Algumas versões chamam esse lugar de inferno, mas não é. Geena é uma referência ao lago de fogo que nunca se apaga, como veremos mais a frente.

O QUE SERIA O INFERNO?

O inferno existe de fato ou é fruto da imaginação das pessoas? Sim, o inferno existe e este lugar é o mesmo lago de fogo, como frisei acima e que é mencionado em Apocalipse.
Vamos analisar alguns versos em diferentes versões de bíblias:

"E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte." (Apocalipse 20.14 ARA). Se o inferno é lugar de tormento eterno como encontramos nesta versão, como ele poderá ser jogado junto com a morte para dentro do lago de fogo? Estranho não é? Mas, quando lemos a versão fiel ao original, olha o que encontramos: "E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte." (Apocalipse 20.14 KJA). Entendam que o hades não é o inferno, mas o lugar onde estão atualmente os mortos sem Cristo. No dia do juízo eles ressuscitarão desse lugar a prestar contas de seus atos diante do trono branco, onde serão julgados conforme o que está escrito nos livros (Apocalipse 20.12).

PARA ONDE VÃO OS ESPÍRITOS DOS JUSTOS QUE MORREM?

Se não vão para o céu ou para a glória perto de Deus, para onde vão? Escrevendo aos Coríntios, Paulo testemunha de sua experiência que teve ao ser arrebatado ao terceiro céu. "Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu." (2Coríntios 12.2). E, conforme seu relato, esse terceiro céu é o paraíso. “Foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar” (2Corintios 12.4). O paraíso então foi o lugar para onde Lázaro foi levado pelos anjos, também conhecido como seio de Abraão, antes de Cristo descer alí (Lucas 16.20-25). Acredita-se esse lugar foi levado cativo por Jesus quando ressuscitou como foi explicado acima. Foi no terceiro céu (paraíso) que Jesus prometeu que o ladrão arrependido estaria com Ele. "E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lucas 23.43). É neste lugar onde atualmente os santos descansam. Não confundir com o paraíso citado em Apocalipse 2.7, onde está plantada a árvore da vida, pois tudo leva a crer que após o juízo final e o estabelecimento da nova ordem, o paraíso seja implantado na nova terra, onde habita a justiça. "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus." (Apocalipse 2.7).

OS QUE ESTÃO NO PARAÍSO ESTÃO CONSCIENTES OU NÃO?

Vejamos o que diz a bíblia em Apocalipse 6.9-11:

“9  E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram.
10  E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
11  E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”.

O texto deixa transparecer que o paraíso seja o lugar que está debaixo do altar, o mesmo terceiro céu (paraíso), onde Paulo foi arrebatado. Os mortos em Cristo estão ali e conscientes. Eles anelam o momento de Deus fazer justiça contra aqueles que em vida os maltrataram e os mataram. No momento em que for dada a ordem, e tocar a última trombeta, o Senhor Jesus se levantará do seu trono que está no céu dos céus para vir reinar, ocasião em arrebatará os escolhidos que subirão a encontra-lo nas nuvens. Na sua vinda Ele passará no paraíso e trará consigo o espírito daqueles que nEle dormem e que ora repousam lá (1Tessalonicenses 4.13-18).

Então, podemos concluir que no céu dos céus ou na glória de Deus não tem ninguém, a não ser os anjos, arcanjos, querubins e serafins que incansavelmente adoram a Deus dia e noite.

ONDE ESTÃO OS ESPÍRITOS DOS MORTOS SEM CRISTO?

É comum se afirmar que eles estão no inferno. Mas, como bem expliquei, esses estão no mundo dos mortos que é o heol ou hades. Diferentes dos salvos que estão repousando no paraíso, estes já sofrem um tormento, onde aguardam também a ressurreição para serem julgados, como ensinou Jesus: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5.28,29).

Somente após o julgamento é que esses mortos serão lançados no inferno que é o lago do fogo eterno, onde também será jogado o diabo e seus anjos. "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;" (Mateus 25.41).

CONCLUSÃO

Ninguém entrou no céu e nem no inferno (lago de fogo). Na verdade, não encontramos nas Escrituras alguma promessa de irmos ou entrarmos no céu, com exceções dos que morrem em Cristo e vão para o paraíso (terceiro céu). A promessa para os crentes é que estes farão parte do reino dos céus, e este reino parcialmente já está pela presença do Espírito Santo na igreja, operando sinais e maravilhas e será definitivamente implantado na nova terra, quando esta terra for desfeita, juntamente com os céus que ora existe. "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça." (2Pedro 3.13).
Nossa habitação eterna não será no céu, mas na Cidade Santa que Jesus foi preparar no céu e que descerá na nova terra. "Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo," (Filipenses 3.20); "E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido." (Apocalipse 21.2). Em ambos os casos, tanto a entrada no reino dos céus, como ser lançado no fogo eterno (inferno), o ser humano será lançado vivo. Por isso é que haverá duas ressurreições, a dos bons para entrar no reino dos céus e a dos maus para serem lançados no inferno que é o mesmo lago de fogo.

“Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Apocalipse 20.5,6).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará