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sábado, 6 de agosto de 2016

O Dízimo no Novo Testamento



INTRODUÇÃO

Neste blog muito já escrevi a respeito da doutrina do dizimo, da maneira como é ensinado na bíblia.  Já escrevi sobre o dízimo de Abrão e o dizimo de Jacó que foram antes da Lei, bem como do dízimo na Lei que Deus deu como herança aos Levitas e um direito dos necessitados, conforme a última publicação. Neste post dissertarei sobre o dízimo no Novo Testamento. Mas o Novo Testamento fala sobre o dizimo? Sim, fala! Fala aludindo a exemplos que ocorriam na velha dispensação quando o dizimo valia na Lei, mas não ensina que aqueles que vivem sob a Lei de Cristo, na dispensação da Graça na Nova Aliança, devam dizimar como os hebreus faziam conforme a Lei ordenava.

REFERENCIAS DE DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO

O dízimo é mencionado apenas nove (9) vezes em o Novo Testamento, sendo uma vez (1) no evangelho de Mateus (Mateus 23 : 23); duas (2) vezes no evangelho de Lucas (Lucas 11 : 42 e 18 : 12) e seis (6) vezes na carta escrita aos Hebreus (Hebreus 7 : 2 - 9). Porém, as devidas referências em momento algum deixam transparecer a menor ideia que os cristãos devam praticar essa doutrina veterotestamentária.

É bem certo que atualmente existem teólogos que ensinam que o dízimo está inserido indiretamente em outras partes do Novo Testamento, como no livro de Atos (Atos 4 : 37 ; 5 : 1 – 3) e nas cartas de Paulo aos Coríntios (1Corintios 9 : 7 – 14 ; 16 ; 1 , 2 ; 2Corintios 8 : 11 , 12) e alguns outros. Porém, essas referências, principalmente as de 2 Coríntios, se referem às contribuições espontâneas e não a dízimos. No caso de 1Coríntios 9 : 7 – 14, Paulo faz alusão às ofertas levíticas que eram levadas ao altar para sustento dos que ministravam sobre ele que eram os sacerdotes, filhos de Arão e não aos dízimos, pois estes na Lei eram dos levitas e dos necessitados.

O DÍZIMO NOS EVANGELHOS

Há os que defendem a legalidade dos dízimos no Novo Testamento, tendo como base o que Jesus falou nos evangelhos de Mateus e Lucas. Porém, uma coisa é necessária saber que apesar de Mateus e Lucas, assim como Marcos e João constarem no cânon do Novo Testamento, este na verdade só teve início após o cumprimento da Lei por Cristo que se deu por sua morte na cruz. O escritor aos Hebreus nos fala disso: “Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” (Hebreus 9 : 16 , 17). Isto nos faz entender que o Novo Testamento só passou a valer quando Jesus morreu e derramou seu sangue para o selar (1Coríntios 11 ; 25). A morte de Jesus foi necessária, pois, assim como o antigo Testamento que era transitório foi selado com sangue de animais que morreram (Hebreus 9 ; 19), o Novo que é superior e eterno foi selado com o sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

Então, quando Jesus exerceu o seu ministério aqui neste mundo como homem, a Lei e a lição do Antigo Testamento ainda vigorava. E cumprir a toda a Lei fazia parte de seu ministério terreno. (Mateus 5 : 17 – 19).. O principal texto no evangelho que muitos teólogos se utilizam para defender a prática do dizimo na Nova Aliança é a de Mateus 23 : 23, que também repete em Lucas 12 : 42. Porém, quando Jesus censurou a práticas dos legalistas fariseus dizimarem, ensinou-nos uma grande lição que muitos ainda não enxergaram.


"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas."  (Mateus 23 : 23)

A primeira lição que Jesus ensina é a que muitos não querem aceitar atualmente. É a lição que o dízimo é uma obra da Lei. Quando Jesus diz: “...e desprezais o mais importante da lei..”, deixa bem claro que o dizimo também era da Lei, pois o Juízo, a Misericórdia e Fé que eram o mais importante da Lei, era a base do ato de dizimar. E, sendo o dízimo uma obra da Lei, qualquer crente que tenta se justificar perante Deus pela sua prática no tempo da graça, se põe em baixo de maldição. E ainda, todo aquele que tenta se justificar pelo rito do dízimo ou alguma outra obra da Lei, precisa saber que fica na obrigação de obedecer toda a Lei nos seus 613 preceitos, como disse Paulo: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las."  (Gálatas 3 : 10). E Tiago, o irmão do Senhor acrescenta: "Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos." (Tiago 2 : 10).

A segunda lição dada por Jesus é que o rito de dar o dízimo não tinha valor algum, se não fosse feito observando o princípio da prática da Justiça, e da Misericórdia e da Fé. Estes três na Lei eram mais importantes do que o simples ato de dizimar. Por isso Jesus ordena aos fariseus: “...deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas”. No cumprimento da Lei, Jesus pediu que os fariseus continuassem observando o preceito do rito mosaico do dízimo, mas que priorizassem o que na Lei era o mais importante.

A terceira lição é sobre os princípios imutáveis que eram exercidos no ato de dar o dizimo, como: o Juízo, a Misericórdia e a . São princípios imutáveis, pois eram importantes na Lei e continuam sendo na dispensação da Graça. Convém dizer que toda a Lei do Antigo Testamento era fundamentada nesses princípios, assim como é o Novo.  Em relação ao ato de dar o dizimo na Lei, o Juízo, a Misericórdia e a Fé deveriam ser a base deste rito, assim como o amor precisa ser a base de todos os nossos atos para com o próximo (1Corintios 13 : 1 – 13). Como expliquei no artigo anterior, o dízimo era uma herança que Deus deu aos levitas e um direito atribuído aos pobres e necessitados, como órfãos, viúvas e estrangeiros. Tirar deles esta bênção dada por Deus ocasionava em perverter o Juízo e a Justiça e culminava em roubar a Deus e atrair maldição (Malaquias 3 : 8 – 10) .

Deus sempre teve um cuidado especial pelos pobres e necessitados. Em relação a eles, o Senhor instrui Moisés a ensinar que na Lei, a cada três anos o dízimo era para ser dado a eles e aos levitas também. E após o dizimista cumprir toda a obrigação exigida, Moisés declara as Palavras de Deus sobre o principio do juízo no ato de dar o dizimo: “Neste dia, o SENHOR teu Deus te manda cumprir estes estatutos e juízos; guarda-os pois, e cumpre-os com todo o teu coração e com toda a tua alma (Deuteronômio 26 : 16). Os hebreus não deviam apenas dar o dízimo como uma obrigação e um ritual, mas, sobretudo, atentar para o cuidado de praticar por ela a justiça divina em relação àqueles a quem Deus ordenou entrega-lo. Jeremias também fala sobre isso: "Assim diz o SENHOR: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar." (Jeremias 22 : 3).

Os dízimos estabelecidos por Deus eram um ato de sua soberana justiça, mas que deveria ser praticada pelo seu povo Israel. Nunca era em dinheiro, mas em produtos da terra e do rebanho que era para ser comido pelos levitas e necessitados, como: os dízimos do grão, do mosto (vinho), do azeite, e os primogênitos das vacas e das ovelhas (Deuteronômio 14 : 23). Mas os fariseus davam apenas hortelã, endro e cominho. Por assim dizer, eles davam como dízimo apenas o tempero da comida. Por isso, Jesus censura o ato dos fariseus dizimarem sem atentarem para o principio inserido no rito do dízimo que consistia no Juízo (justiça), Misericórdia e Fé. Como já foi dito anteriormente, no cumprimento da Lei, Jesus exorta-os a atentarem primeiro para o que era mais importante (Justiça, Misericórdia e Fé), sem, contudo, deixarem de continuar na obrigação de dar os dízimos, pois esta era uma Lei que por eles deveria ser obedecida como Deus a instituiu, sem aumentar ou diminuir (Deuteronômio 12 : 32).

Os que insistem em dizer que neste episódio Jesus aprovou a prática do dízimo aos cristãos, precisam entender que Ele não estava falando com crentes, mas com judeus que tinham compromisso com a Lei de Moisés. À Sua Igreja o Senhor exortou-a a seguir os princípios imutáveis, como: a) cumprir Sua justiça. "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus." (Mateus 5 : 20); b) a exercer a misericórdia: "Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo."  (Efésios 4 : 32); e, c) viver pela fé: “Mas o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele”. (Hebreus 10 : 38); pois sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11 ; 6).

Os dízimos cobrados atualmente nas igrejas não têm respaldo bíblico e tampouco são acompanhados dos princípios de Justiça, Misericórdia e Fé, pois não são destinados para o fim o qual Deus estabeleceu em Sua Palavra.

A PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO

Em Lucas 18, Jesus conta uma parábola, usando o exemplo de um publicano e um fariseu. Na parábola em questão o objetivo da lição era mostrar a importância da humildade em contraste com a arrogância e presunção do religioso que se julga santo mediante as obras que faz. Jesus diz que ambos, o pecador publicano e o religioso fariseu subiram ao templo para orar. Naquele tempo os judeus ainda entendiam que o local ideal para orar era o templo, onde Deus ouviria as orações (1Reis 8 : 29). Mas Jesus ensinou que o melhor lugar para orar é o quarto a portas fechadas (Mateus 6 : 6). Ao chegar alí o fariseu foi logo entrando no templo e se auto justificando mediante suas obras, dizendo: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (Lucas 18 : 11 , 12). Mas o publicano pecador ficou de longe e sequer entrou no templo e lá fora mesmo reconheceu sua pobreza de espírito e voltou justificado.

Diferente dos fariseus de Mateus 23 : 23, que davam somente o tempero dos dízimos, este fariseu da parábola parecia que era o melhor de todos, pois além de não pecar, ainda jejuava duas vezes por semana e dava os dízimos de tudo quanto possuía. E é com base nesse “tudo” praticado pelo personagem da parábola que Jesus usou para classificar a arrogância e a presunção religiosa, é que os defensores do dizimo entendem que os crentes também têm de dar o dizimo de tudo. Mas estes esquecem ou não entenderam o que Jesus ensinou, que o pecador publicano é que foi justificado por se humilhar diante de Deus e não o fariseu dizimista fiel. Quiçá o publicano por ser pecador nem dízimos pagava, mas foi justificado por sua fé unicamente e não pelo que fazia, pois pelas obras da Lei como o dízimo ninguém será justificado, como bem ensinou o apóstolo dos gentios: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gálatas 2 ; 16).

DAR A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR E A DEUS O QUE É DE DEUS.

Outro texto citado pelos defensores do dizimo na Nova Aliança é sobre o que Jesus disse em Mateus, Marcos e Lucas a respeito dos impostos.

"Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus."  (Lucas 20 : 25).

Estaria Jesus ensinando nessa passagem a obrigatoriedade dos dízimos na Nova Aliança? De Jeito nenhum! O texto mostra os principais dos sacerdotes armando uma cilada para apanhar Jesus em contradição contra o estado e assim, criar um ambiente propício para o prenderem e entrega-lo às autoridades romanas (Lucas 20 : 19 , 20). Espias foram enviados pelos principais dos sacerdotes, os quais se fingindo de justo lançaram a pergunta: “É-nos lícito dar tributo a César ou não?” (Lucas 20 : 22). Jesus sabendo que eles o tentavam, pediu uma moeda romana que de um lado havia a efigie de César em alto relevo e do outro a inscrição em latim que dizia: “Ti Caesar Divi Aug F Aug.” Que significa: “Tibério César, filho do divino Augusto”. Jesus apresentou-a ao povo e fez a pergunta: “De quem tem a imagem e a inscrição?” (verso 24). Logo o povo respondeu: De César. Diante da resposta, Jesus concluiu: "Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus." (Lucas 20 : 25). Jesus quis ensinar que a moeda romana, com a efigie e a inscrição honrando a César, foi criada por César e, portanto pertence a César. E sabemos que nesse texto Jesus estava ensinando o povo a cumprir com seus deveres para com o estado representado por César. E os “césares” eram uma dinastia de imperadores romanos que se auto divinizavam e assim, queriam ser honrados como deuses na terra. Por isso, Jesus ordenou dar-lhe o que lhe pertencia que era o dinheiro, mas dar a Deus o que a Ele pertence.

O QUE PERTENCE A DEUS?

Forçando uma interpretação, muitos dizem que a Deus, pertencem todos os dízimos (10%) dos ganhos que devem ser pagos às igrejas. Em momento algum Jesus quis dizer isso, pois Ele, como o filho de Deus sabe que ao Pai é devida a honra, a glória, o louvor, o poder para toda a eternidade. Foi exatamente isso que Jesus ordenou os principais dos sacerdotes darem a Deus, como antes profetizou Malaquias: “Agora, ó sacerdotes, este mandamento é para vós. Se não ouvirdes e se não propuserdes, no vosso coração, dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós, e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e também já as tenho amaldiçoado, porque não aplicais a isso o coração” (Malaquias 2 : 1 , 2).

E ainda, na Lei os dízimos não eram em dinheiro, como já foi dito. E nesse tempo a Lei ainda vigorava e Jesus a estava cumprindo e não podia violá-la. Como então ordenaria dar dízimo em dinheiro a Deus se a Lei não permitia assim?

O DÍZIMO NO LIVRO DE HEBREUS

E por fim, muitos citam Hebreus 7 como estando este livro corroborando a prática do dízimo na Nova Aliança. Mas o livro de Hebreus, cujo autor desconhecemos, foi escrito por alguém que era erudito na Lei e que recebeu de Deus a revelação da Graça salvadora. Ele sabia muito bem a grande diferença entre a Lei e a Graça (suponho ser Paulo).

A carta aos Hebreus é assim denominada, pois foi escrita para o povo hebreu que se convertia a fé cristã. Povo esse que por muitas gerações viveu sob o jugo da Lei e era difícil entender deu uma hora pra outra a plenitude da graça e da liberdade que Cristo garantiu. Por isso, nesse livro o autor procura mostrar a superioridade de um Novo Concerto efetuado por Cristo que na cruz aboliu todos os ritos que a Lei exigia. E é importante salientar que o dízimo fazia parte de um rito mosaico anual que envolvia festas religiosas, muita comida e até bebidas embriagantes (Deuteronômio 14 : 22 - 26). E relativamente a esses ritos da Lei que na graça ficaram sem valor, Paulo escreveu: “Portanto, ninguém tem o direito de vos julgar pelo que comeis, ou pelo que bebeis, ou ainda com relação a alguma festa religiosa, celebração das luas novas ou dos dias de sábado” (Colossenses 2 : 16). Temos que entender que a Lei foi por Cristo cumprida e não abolida (Mateus 5 : 17). A Lei está em vigor para o povo judeu, mas os ritos cerimoniais que faziam parte da Lei e da lição que encerrava o antigo testamento foram todos abolidos: “Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido” (2Corintios 3 : 14).

O DIZIMO DE ABRAÃO A MELQUISEDEQUE COMO MODELO

Outro meio de justificar os dízimos no Novo Testamento é alegando que Melquisedeque antes da Lei recebeu dízimos de Abraão e ele era uma representação de Jesus. Concordo com isso! E continuam no entendimento que por Jesus haver sido constituído sumo-sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, também devemos dar-lhes os dízimos como Abraão o fez ao rei de Salém. Mas Abraão não deu dízimos de suas riquezas, mas de despojos que ele resgatou de uma guerra onde matou quatros reis (Hebreus 7 : 1); e o restante que deveria ficar com ele, entregou-os ao seu legítimo dono, o rei de Sodoma (Gênesis 14 : 22 – 24). E Jesus quando aqui esteve não cobrou dízimos e nem ensinou que num futuro quando assumisse o sumo-sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque, devêssemos lhe pagar dízimos.

O escritor aos Hebreus se esforça por mostrar que Jesus sendo eterno, é antes de Levi; assim, antes de Levi existir, o Pai o constituiu sumo-sacerdote das nossas almas segundo a ordem de Melquisedeque (Salmos 110 : 4 ; Hebreus 6 : 20). Segundo a ordem de Melquisedeque significa dizer que Jesus foi sacerdote, seguindo a escolha soberana de Deus, pois os judeus não reconheciam nenhum sacerdote que não viesse da tribo de Levi, como foi determinado na Lei (Números 3 : 6 – 10). Jesus não era levita, mas da tribo de Judá (Mateus 2 : 6 ; Hebreus 7 : 14). Os judeus tinham a consciência que os dízimos na Lei como rito, eram inerentes ao ofício levita que ofereciam sacrifícios no altar em favor dos homens. Por causa do serviço que os levitas executavam, recebiam dos judeus todos os dízimos como recompensa pelo trabalho (Números 18 : 21). Mas, mas quando Jesus assumiu o sumo-sacerdócio eterno, seguindo o modelo de Melquisedeque, mudou essa Lei. “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei” (Hebreus 7 : 12). Quando diz que Jesus mudou a Lei, não diz toda a Lei nos seus 613 preceitos, mas a Lei inerente aos sacrifícios levíticos, uma vez que Ele próprio se ofereceu como sacrifício perfeito e insubstituível (Hebreus 10 : 10 – 14).

E no tempo em que a carta aos Hebreus foi escrita os levitas ainda exerciam seu ministério, pois o templo ainda estava de pé. E por ministrarem, ainda recebiam dízimos. Por isso diz: “E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive” (Hebreus 7 : 8). Esse verso, inclusive é deturpado, quando dizem que “aqui certamente tomam dízimos homens que morrem” , o escritor esteja se referindo ao ministério dos pastores que devem receber dízimos dos crentes; enquanto que “ali, porém, aquele de quem se testifica que vive”, se refira a Jesus. Mas o escritor está falando dos levitas “aqui” e de Melquisedeque “ali”. Porém, com a destruição do templo no ano 70 eC, os levitas encerraram definitivamente seu ministério, pois não existe mais santuário para ministrarem sacrifícios. Ainda que os levitas continuassem ministrando no tempo da graça, nós gentios não teríamos compromisso com eles. "Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo." (Hebreus 13 : 10).

Por isso, na Nova Aliança não se sacrificam animais, pois Cristo na sua morte aboliu todos esses ritos (Efésios 2 : 15). E os ministros do Novo Testamento, sejam presbíteros, evangelistas, pastores ou bispos não são levitas e muito menos sacerdotes que possam exigir dízimos do povo. Jesus mudou essa Lei (Hebreus 7 : 12). Mas essa mudança na Lei, não significa que Ele tenha mudado o dízimo que era mantimento para dinheiro.

QUEM INTRODUZIU O DÍZIMO EM DINHEIRO NA NOVA ALIANÇA?

Como enfatizei, o dizimo não era dinheiro. Dinheiro existia, mas não era aceito como dizimo (Deuteronômio 14 : 22 – 27). Quando Deus legalizou o dizimo como mandamento pediu que nada do que Ele mandou fosse mudado (Deuteronômio 12 : 32). Mas vemos que isso foi mudado. E quem mudou?  Quem primeiramente tentou fazer essa mudança foram os sacerdotes no templo na época de Cristo. Os dízimos e as ofertas que eram levados ao templo em animais e cereais, eram postos no pátio deste para serem cambiados, isto é, trocados por dinheiro. Mas Jesus não aprovou isso e expulsou dalí aqueles que assim faziam, pois haviam transformado o templo em covil de ladrões e salteadores. Os sacerdotes estavam repetindo o feito do tempo de Malaquias quando Deus foi roubado nos dízimos e nas ofertas. E quando eles viram o prejuízo que o Senhor lhes causara a soltar os animais postos para a venda, derrubar as mesas e espalhar o dinheiro pelo chão, ficaram enfurecidos e procuravam matá-lo por fazer isso (Lucas 19 : 45 – 47). Qualquer semelhança hoje não é mera coincidência.

Nos escritos dos chamados pais apostólicos ou pais da igreja e dos apologistas não aparece nada relacionado a dízimos. Irineu de Lião considerou o dizimar uma lei judaica que não se requer dos cristãos, porque os cristãos receberam em Cristo a liberdade, e devem como consequência dar sua contribuição sem constrangimento externo (Haer 4,18,2). Orígenes considerava que o dízimo era algo que deveria ser ultrapassado, de longe, pelos cristãos nas suas contribuições (In Num. Hom. 11).

Rei Católico Carlos Magno - Criador do Dízimo em dinheiro
Porém, quem definitivamente fez essa mudança, impondo essa obrigação aos cristãos foi a Igreja Católica Romana no sec. VII da era cristã. Essa igreja inicialmente introduziu a prática do dízimo, como maneira de sustentar seus clérigos. Pra isso, ela usou passagens do Novo Testamento, tais como: Mateus 10 : 1 0 ; Lucas 10 : 7 e 1Corintios 9 ; 3 – 4 e outras, mas isso numa ação voluntaria por parte dos fiéis.  Como não conseguiu o sucesso desejado, precisou recorrer ao poder da lei civil, para impor aquilo que a instrução não conseguiu levar a efeito. Então, entra em ação o famoso decreto do rei católico Carlos Magno (785 dC). O decreto do rei obrigou a todos os fieis tributarem 10% de suas rendas para o sustento da igreja e seus clérigos, quer gostassem ou não.

Assim, essa igreja mudou a doutrina do dizimo de Deus, impondo no seu lugar a que ela mesma criou. Ela não apenas mudou a lei do dizimo que era MANTIMENTO, como também introduziu o costume de construir templos em honra às suas divindades, como criou o modelo de hierarquia para ministrar nesses (modelo de hierarquia também adotado pelas igrejas evangélicas). E para manter seus templos, bem como seus ministros, seria necessário cobrar dízimo em dinheiro dos fiéis e, como o povo não tinha acesso às escrituras, foi fácil modificar as Escrituras e introduzir essa tradição que a maioria das igrejas evangélicas e protestantes aceitam como Divina, mas não é.

CONCLUSÃO

O Novo Testamento em parte alguma ensina sobre a prática de dar e/ou pagar dízimos. Ensina sim, com vastas referências o contribuir e seus propósitos. No próximo artigo falarei sobre a Contribuição no Novo testamento. Mas como vimos, o dizimo é bíblico, mas não é cristão. Foi praticado antes da Lei, incorporado na Lei, mas não sobreviveu na Graça, porque Cristo cumpriu a Lei. O dízimo atual é uma herança que a igreja católica romana legou as demais igrejas, mesmo depois da Reforma no Sec. XV. Todos os que dão a décima parte de seus rendimentos às instituições religiosas pensando estar obedecendo a uma doutrina bíblica, estão na verdade obedecendo ao ensinamento de uma igreja que eles mesmos condenam. Mas estão a beber do mesmo cálice (Apocalipse 17 : 4). O testemunho que mostra que o dizimo atual não é uma doutrina divina, é a dissenção, a divisão e exclusão de pessoas das igrejas que ele proporciona. Por ele, alguns enriquecem em detrimento da ignorância de outros.

O dizimo bíblico era um principio de Justiça, Misericórdia e Fé (Mateus 23 : 23). Mas o dizimo atual imposto pela religião é a medida aferidora que delimita quem tem valor e quem não tem; quem é bandido e quem é o mocinho; quem presta e quem não presta e, que vai para o céu e quem vai para o inferno.

"Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?" (Gálatas 4 : 16).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

Fontes: Bíblia Sagrada Almeida Corrigida Fiel ao texto original (ACF)
                      Dicionário Internacional de Teologia.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dízimo - Herança dos Levitas e um Direito dos Necessitados


INTRODUÇÃO

Quando comecei a defender a doutrina do dízimo conforme está revelado nas Escrituras, passei a sofrer retaliação e a rejeição daqueles que se diziam serem meus irmãos e amigos na fé. A instituição religiosa na qual fui obreiro por 25 anos não me aceitou mais em seu rol de membros e alguns pastores, obreiros e irmãos até me bloquearam nas redes sociais. Alguns deles me acusam de causar dissensão e divisão entre os crentes e até de querer destruir as igrejas por pregar contra o dizimo. Porém, eu oro a Deus para que eles, igual a mim, também alcancem a graça e o entendimento dessa doutrina conforme Deus a estabeleceu em Sua imutável Palavra. Por isso, tenho procurado diligentemente ensinar o que a bíblia fala sobre o dizimo e não a pregar contra ele como me acusam.

Qual seria sua reação diante de alguém que se apossou de uma herança que recebeu, ou de quem lhe privou de algo que lhe foi dado como um direito? Nesse artigo irei falar do dizimo como a herança dada aos levitas e um direito dos necessitados.

O DÍZIMO ERA SANTO PARA  DEUS E IMUTÁVEL.

Quando Deus orientou o seu povo quanto ao cuidado na observância de diversas leis, entre elas o dizimo, orientou que nada do que Ele ordenou pudesse ser aumentado ou diminuído, como diz: “Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (Deuteronômio 12 : 32 ACF). No cumprimento dessa Lei, Jesus advertiu: "Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus."  (Mateus 5 : 19 ACF).
 
No último capítulo do livro de Levítico, encontramos a primeira menção de dízimo na Lei. Nele vemos Deus requerer para si os dízimos de tudo o que a terra de Canaã produzia e dos rebanhos dos animais (Levitico 27 : 30 – 33). De fato, tudo pertence a Deus como o salmista disse: “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Salmo 24 : 1 ACF). Porém, o dizimo era apenas a décima parte de toda produção anual da terra, bem como a décima cabeça do gado, quando este passasse debaixo da vara do pastor, não podendo ser substituído ou resgatado (Levítico 27 : 32). Apenas o dizimo da produção anual do campo poderia ser resgatado, caso o dizimista precisasse dele, sendo que ao entrega-lo deveria acrescer a quinta parte sobre ele (Levítico 27 : 31). E esse dízimo que era santo (consagrado/separado) para Deus, Ele os deu primeiramente como herança aos levitas, como veremos a seguir.

O DÍZIMO, HERANÇA DOS LEVITAS.

Os levitas eram assim chamados por serem descendentes de Levi, o terceiro filho de Jacó com Lia (Gênesis 29 : 34). Levi gerou três filhos, a saber: Gerson, Coate e Merari, formando assim a tribo de Levi (Gênesis 46 : 11). No deserto, após saírem do Egito e a caminho da terra prometida Deus escolheu essa tribo para exercer o ofício sacerdotal em Israel. Esta escolha se deu quando os levitas se puseram ao lado de Moisés para extirpar de Israel aqueles que adoraram o bezerro de ouro, realizando assim um ato de expiação e aplacando a ira de Deus sobre Israel (Êxodo 32 : 26 – 28). Doravante, eles exerceriam o sacerdócio em Israel e dedicar-se-iam exclusivamente aos serviços sagrados no tabernáculo e mais tarde no templo. Somente eles poderiam armar e desarmar o tabernáculo e guardá-lo a fim de que ninguém que não fosse da tribo de Levi pudesse entrar nele e morrer (Números 1 : 53). Eles realizariam o serviço de sacrificar animais em oferta pela expiação dos pecados, cuidar dos utensílios, carregar a arca do concerto e tudo o mais que se relacionasse ao santuário (Números 1 : 50 , 51).

Quando Israel tomasse posse da terra de Canaã, os levitas não receberiam nenhuma herança nela, pois não poderiam sequer se afastar do santuário para lavrar a terra e assim ter o seu ganho. "Porém, à tribo de Levi, Moisés não deu herança; o SENHOR Deus de Israel é a sua herança, como já lhe tinha falado." (Josué 13 : 33 ACF). Então o Senhor que os escolheu os recompensa ordenando que as demais tribos que receberiam lotes de terra em Israel, levasse à tribo de Levi a décima parte (dízimo) de toda a produção anual, bem como o gado, conforme expliquei acima. O capítulo 18 de Números nos mostra com detalhes Deus outorgando aos levitas como herança todos os dízimos que a Ele era consagrado em Israel.

“E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação” (Números 18 ; 21 ACF).

Observe o leitor que não foi apenas uma parte dos dízimos, mas TODOS os dízimos em Israel. Deus os deu aos levitas por herança e em recompensa pelo trabalho que exerciam no santuário, o que convém dizer, era um trabalho muito árduo. Deus sendo o dono de tudo deu os dízimos como herança aos levitas e ninguém que não fosse da tribo de Levi poderia usurpar para si essa bênção. Nem mesmo os sacerdotes, que apesar de serem da tribo de Levi poderiam requerer para si esse direito. É comum ouvirmos ensinos defendendo que os dízimos eram dos sacerdotes, como maneira de justificar os atuais pastores cobrarem dízimos dos crentes. Mas isso é mais uma mentira condenável, pois os mentirosos não herdarão o reino dos céus, sendo que a bíblia diz que a parte dos mentirosos será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.  (Apocalipse 21 : 8).

O QUE DEUS DEU AOS SACERDOTES.

Arão foi escolhido para ser o sumo sacerdote e seus filhos sacerdotes com ele (Êxodo 28 : 1). Todos eram da tibo de Levi, mas não tinham o direito de receber dízimos do povo. Na tribo de Levi somente os descendentes diretos de Arão poderia exercer o sacerdócio e eles seriam auxiliados no seu oficio sacerdotal pelos demais levitas como está escrito: “E eu, eis que tenho tomado vossos irmãos, os levitas, do meio dos filhos de Israel; são dados a vós em dádiva pelo SENHOR, para que sirvam ao ministério da tenda da congregação. Mas tu e teus filhos contigo cumprireis o vosso sacerdócio no tocante a tudo o que é do altar, e a tudo o que está dentro do véu, nisso servireis; eu vos tenho dado o vosso sacerdócio em dádiva ministerial e o estranho que se chegar morrerá.” (Números 18 : 6 , 7 ACF).

Dos sacerdotes eram as ofertas alçadas, as ofertas movidas, as primícias e todas as coisas consagradas, inclusive as ofertas em dinheiro, conforme a Lei ordenava (Números 18 : 8 – 19). Mas todos os dízimos eram dos levitas como herança. E dos dízimos dados aos levitas, os sacerdotes receberiam apenas a décima parte deles, na forma de uma oferta alçada chamada de dízimo dos dízimos, como está escrito: “Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao SENHOR, os dízimos dos dízimos. E contar-se-vos-á a vossa oferta alçada, como grão da eira, e como plenitude do lagar. Assim também oferecereis ao SENHOR uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a oferta alçada do SENHOR a Arão, o sacerdote” (Números 18 : 26 – 28). Convém salientar que os sacerdotes os receberiam das mãos dos levitas e não do povo.

USURPAR A HERANÇA DOS LEVITAS ERA ROUBAR A DEUS.

Quando entendemos que os dízimos sendo de Deus, mas que Ele os deu aos levitas como herança, então, passamos a compreender o primeiro motivo pelo qual Deus se sentiu roubado no tempo de Malaquias (o segundo motivo explicarei mais a frente).
 "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas." (Malaquias 3 : 8 ACF).
Pode Deus, um ser sublime, santo, onipotente, onipresente, onisciente, conhecedor do passado, presente e futuro e que habita na luz inacessível ser roubado por um simples mortal? Sim, e com a seguinte condição: Deus é roubado quando seus filhos são roubados e privados de seus direitos. Em relação a esse roubo encontramos a resposta no livro de Neemias que foi contemporâneo de Malaquias. Neemias cita o sumo sacerdote Eliasibe que presidia a câmara da casa de Deus que era a casa do tesouro. Ele como sumo sacerdote e líder espiritual deveria ensinar a Lei ao povo, mas foi o primeiro a violá-la quando se aparentou com Tobias, o amonita. (Neemias 13 : 5).  Seu péssimo exemplo de liderança foi seguido pelo filho, também sacerdote. Este, igual ao pai foi infiel aos votos matrimoniais e trocou sua esposa pela filha de Sambalate o horonita e companheiro de Tobias (Neemias 13 : 28). Assim, o povo veio a imitar os passos de seus líderes. Veja que Malaquias denuncia essa infidelidade em seu livro, dizendo: “Judá tem sido desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do SENHOR, o qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho”. (Malaquias 2 : 11 ACF). Esse foi apenas um dos males que fez Judá mergulhar na apostasia.

E, como um abismo chama outro abismo (Salmo 42 : 7),  o sumo sacerdote Eliasibe foi mais além pondo Tobias para morar dentro da casa do tesouro (Neemias 13 : 7). Assim, os dízimos e as ofertas que eram mantimentos na casa de Deus e destinado aos levitas e aos que faziam a obra tiveram um destino diferente. Por não receberem a herança que Deus os havia dado que eram os dízimos, os levitas foram forçados a abandonar o templo e os serviços dos cultos a fim de procurarem sustentos em outros lugares (Neemias 13 : 10).

Tal ação irresponsável por parte de um sumo sacerdote fez com que o povo deixasse de levar à casa do tesouro suas bênçãos como a Lei ordenava. Por intermédio de Malaquias o Senhor censura os sacerdotes com está escrito: “Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos” (Malaquias 2 : 8 ACF). Porém, Neemias restaurou a ordem em Judá trazendo de volta os levitas e ordenando o povo a voltar a trazer seus dízimos (Neemias 13 : 11). Neemias destituiu Eliasibe do sacerdócio e pôs a Selemias em seu lugar e com ele três levitas auxiliando-o porquê foram achados fiéis, a fim de distribuírem os dízimos entre os irmãos (Neemias 13 : 13). Esse foi o primeiro motivo de Deus se sentir roubado nos dízimos.

DÍZIMO, UM DIREITO DOS NECESSITADOS.

Vimos que a principio Deus destinou todos os dízimos aos levitas como herança por causa do serviço que executavam no santuário (Números 18 : 21 – 26). Mas, quando os hebreus tomaram posse da terra prometida, Deus estendeu o benefício do dizimo aos necessitados como órfãos, viúvas e até estrangeiros. Em Deuteronômio 14 : 28 , 29 se diz:

“28 Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás dentro das tuas portas;
29  Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o SENHOR teu Deus te abençoe em toda a obra que as tuas mãos fizerem”.

Os dízimos em Israel eram entregues uma vez ao ano aos levitas. E essa entrega não era em qualquer lugar, mas no lugar que Deus escolheu para esse fim que foi Jerusalém (Deuteronômio 12 : 5 – 14). Porém, na sua justiça e no cuidado que tem para com os necessitados, o Senhor ordenou em Sua Palavra que de três em três anos os dízimos deveriam ser recolhidos na própria casa do dizimista. No tempo da entrega, o dizimista deveria levar à sua própria casa o levita, o órfão, a viúva e o estrangeiro que habitavam em sua cidade. Apesar de Deus estender essa bênção aos necessitados, contudo o levita não deveria ficar de fora, pois, como vimos, os dízimos eram sua herança, e Deus havia ordenado a Israel o seguinte: "Guarda-te, que não desampares ao levita todos os teus dias na terra." (Deuteronômio 12 : 19 ACF). Ali na casa e na mesa do dizimista eram postos os dízimos e todos deveriam comer até fartarem-se. Em Deuteronômio 26, o Senhor ordena o dizimista fazer uma oração confessando que fez tudo conforme o Senhor ordenou fazer em relação ao levita e ao necessitado, pois somente assim a bênção de Deus viria sobre seus negócios (Deuteronômio 26 : 12 – 19).

No cuidado para com os necessitados o Senhor estabeleceu em Lei o direito inerente a eles: "E, quando fizerdes a colheita da vossa terra, não acabarás de segar os cantos do teu campo, nem colherás as espigas caídas da tua sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixarás. Eu sou o SENHOR vosso Deus." (Levítico 23 : 22 ACF). Pela Lei, Deus fez o povo jurar compromisso com os necessitados, dizendo: "Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém." (Deuteronômio 27 : 19 ACF). Aqui vemos o segundo motivo pelo qual Deus se sentiu roubado em relação aos dízimos. No capítulo 3 de Malaquias e verso 5, Deus declara aos sacerdotes que o roubavam dizendo: “E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o SENHOR dos Exércitos”.

Sendo os dízimos um direito dos necessitados estabelecidos em Lei, privá-los desse direito era roubar a Deus e isso ocasionaria em atrair maldição contra si, pois Deus fez o povo jurar dizendo o amém, isto é, os hebreus estavam conscientes que se pervertessem o direito dos necessitados a maldição cairia sobre eles, como Deus determinou na Lei (Deuteronômio 27 : 19). E como de fato os necessitados também foram privados desse direito, Deus falou por Malaquias aos que o roubavam dizendo: "Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação." (Malaquias 3 : 9). E qual foi a maldição senão a retenção das chuvas nos céus e a praga dos gafanhotos nas lavouras dos hebreus? Gafanhotos esses que a teologia da prosperidade transformou em demônios com o fim de extorquir o incauto e sendo mais uma diabólica mentira ensinada em muitas igrejas e que levará a quem ensina à perdição.

CONCLUSÃO

Como vimos, o dízimo era uma herança dos levitas e um direito dos necessitados. A princípio, os dízimos foram dados como herança aos levitas e fora deles, ninguém tinha o direito de receber ou cobrar os dízimos do povo. Mas os levitas encerraram o seu ministério com a queda do templo judeu no ano 70 dC. Somente nele os dízimos deveriam ser levados, pois Deus não os recebia em outro lugar. Se alguém cobra e recebe dízimos do povo não sendo levita (da tribo de Levi) está roubando a Deus, pois Ele não delegou esta herança a terceiros, muito menos aos gentios. Principalmente se cobram em dinheiro, uma vez que dizimo na bíblia era MANTIMENTO e Deus não mudou isso.

Quanto aos pobres, Jesus disse que eles estarão sempre conosco (João 12 : 8). A igreja primitiva não cobrava dízimos, sabendo que Jesus na cruz cumpriu toda a Lei e pagou toda a nossa dívida (Mateus 5 : 17 ; Colossenses 2 ; 14). Mas usava as contribuições dos que tinham para abençoar os que nada tinham (Atos 4 : 34). E muito embora esse princípio de ajuda aos necessitados tenha sido largamente difundido no novo testamento por Jesus e pelos apóstolos, sabemos que na atualidade estes não vislumbram desse direito. E pior, eles ainda são coagidos por ameaça de maldição e exclusão das instituições se não entregarem 10% de suas rendas aos líderes dessas instituições como se fossem dízimos a Deus.

Oro a Deus para que Ele abra o entendimento de muitos de seus filhos quanto a Sua verdade sobre o que era o dizimo revelado em Sua santa Palavra, antes que seja tarde demais.

"Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?" (Gálatas 4 : 16).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará


Fonte: Bíblia Sagrada Almeida Corrigida Fiel ao texto original (ACF)

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Quem é o ladrão que veio para roubar, matar e destruir?

“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10 : 10).

INTRODUÇÃO

No capítulo 10 do evangelho de João encontramos uma linda narrativa de Jesus a respeito do ministério pastoral, mostrando o cuidado do pastor para com as ovelhas. Infelizmente, a grande maioria dos pregadores e ensinadores quando se relacionam a essa passagem fogem da verdadeira lição que Jesus deixou nesta passagem. Como exemplo, temos o verso 10 deste capítulo que é o preferido de muitos que o usam para enaltecer a pessoa e a missão de Jesus em relação a figura do ladrão que veio para roubar, matar e destruir, qual afirmam ser o diabo. Seria o diabo esse ladrão como muitos pregam? Para sabermos quem de fato é, se faz necessários analisar o texto a partir do primeiro verso do capítulo 10.

Do verso 1 ao 6 Jesus conta aos ouvintes uma parábola falando sobre o ladrão e salteador, o curral das ovelhas, a porta, o porteiro e aquele que entra no curral pela porta. A parábola não foi entendida pelos ouvintes da época, assim como também ainda não é compreendida por muitos crentes. Neste artigo, vamos estudar detalhadamente esse ensino, da forma como Jesus desejou nos passar e assim vamos saber quem era ou quem é o ladrão.

O CURRAL DAS OVELHAS: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador” (João 10 : 1).

O que viria a ser o curral das ovelhas? Podemos interpretar que quando Jesus falou sobre o curral estava falando de Israel com sua religião e suas leis dadas por Moisés. É interessante entender que as ovelhas em primeiro plano eram os judeus e não a igreja. Jesus vai falar sobre a igreja somente no verso 16, conforme explicarei depois. Sabemos que Jesus veio primeiramente para os judeus. Em João 1. 11 está dito que Jesus veio para o que era seu (judeus), e os seus não o receberam. Quando enviou pela primeira vez seus discípulos em missão de pregar as boas novas do reino, ordenou: "Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;" (Mateus 10 : 6). E Ele mesmo testificou dessa missão: "E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel." (Mateus 15 : 24). Por aí vemos que as ovelhas que estavam no curral (Israel) eram os judeus.

Mas também Jesus deixa claro que havia aqueles que entravam no curral sem passar pela porta, aos quais Ele chama de ladrões e salteadores. Mas adiante quando Jesus passa a explicar a parábola Ele explica: “Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas” (Verso 7). Em seguida, mais uma vez Ele enfatiza que os ladrões e salteadores foram os que vieram antes Dele. “Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram” (verso 8). Sendo Jesus a porta, no período veterotestamentário, esta porta era a Palavra revelada pelos profetas (Hebreus 1 : 1). Palavra que na plenitude dos tempos se fez carne e habitou entre os homens (João 1 : 14).

Mas quem eram estes ladrões e salteadores? Jesus foi claro afirmando que eles haviam vindo antes dEle. Quando estudamos cuidadosamente as Escrituras, vamos entender que Ele estava se referindo aos pastores de Israel no antigo concerto. Pastores que não obedeceram a Palavra, isto é não entraram no curral pela porta, mas usavam de seus privilégios para extorquirem e se aproveitarem das ovelhas, como vaticinou o profeta Ezequiel: “Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estou contra os pastores; das suas mãos demandarei as minhas ovelhas, e eles deixarão de apascentar as ovelhas; os pastores não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e não lhes servirão mais de pasto”. (Ezequiel 34 : 9 , 10). Os textos não deixam dúvidas de que esses ladrões e salteadores eram os maus pastores que por ganancia e avareza faziam o povo errar, dispersando as ovelhas, como profetizou também Jeremias: "Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso." (Jeremias 50 : 6).

A PORTA E O PORTEIRO: “Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora” (João 10 : 2 , 3).

Sabemos que a porta do curral das ovelhas é o próprio Jesus. Mas Ele não é somente a porta, como também o pastor, afinal, Ele é o verbo vivo de Deus, a Palavra encarnada. Sobre Ele como fiel pastor, os profetas também falaram: “E suscitarei sobre elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor” (Ezequiel 34 : 23). Mas o pastor só entra no curral das ovelhas porque o porteiro lhe abre a porta. Quem seria este porteiro? Foi a Lei! A Lei guardou as ovelhas até a chegada daquele que seria o autor e o consumador da fé (Hebreus 12 : 2). Paulo, um judeu conhecedor da Lei nos explica sobre isso: "Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3 : 23). Sim, a Lei exerceu a sua função disciplinadora, guardando e protegendo as ovelhas até a vinda do sumo pastor que chamaria suas ovelhas pelo nome, pois Ele conhece Suas ovelhas. As que ouvem a sua voz saem do curral e são conduzidas para os montes, onde o pastor as apascentará e dará a elas bons pastos. "Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel."  (Ezequiel 34 : 14). É bem certo que essa profecia só ocorrerá no milênio, quando o restante dos judeus reconhecerem a Jesus como o verdadeiro pastor.

“E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz” (João 10 : 4). É interessante observar que o sumo-pastor veio para tirar as suas ovelhas para fora do curral e não para metê-las para dentro. Qual o motivo? Dentro do curral que também pode ser subentendido como a religião, não existe alimento sadio para as ovelhas. Por isso Ele as tira para fora e vai adiante delas conduzindo-as a bons pastos e segurança. Além do mais, dentro do curral as ovelhas ficam a mercê do ladrão e dos lobos, que estão infiltrados no meio das ovelhas (Mateus 7 : 15). A religião agia assim no tempo em que Cristo veio ao mundo. Observe que na parábola das cem ovelhas há o mesmo principio, onde o pastor deixa as noventa e nove seguras no deserto para ir a busca da que se perdeu: "Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?"  (Lucas 15 : 4). Porque não no curral? Em contraste com a religião que aprisionava e aprisiona as pessoas, Jesus disse que edificaria Sua igreja (Mateus 16 : 18). E Igreja do grego “Ecklesia” quer dizer “tirados para fora”.

“Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” (João 10 : 5). Certamente aqui Jesus estava se referindo aos falsos Cristos e falsos profetas que nos dias anteriores à sua vinda surgiriam e enganaria a muitos (Mateus 24 : 24). Mas as ovelhas de Jesus conhecem a sua voz e não se deixam enganar. Infelizmente nos dias atuais os estranhos tem agido de forma inversa a de Jesus. Eles têm levado de volta as ovelhas para os currais da religião e gozado da atenção e companhia destas, enquanto que Jesus está sendo deixado do lado de fora (Apocalipse 3 : 20).

“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10 : 10). Como sabemos, o ladrão é aquele que se apropria dos bens alheios. O ladrão também é aquele que age na surdina e sem que sua ação seja percebida. E, como foi explicado, o ladrão dentro do contexto da parábola é o falso ou mau pastor. Então, não é o diabo como muito se prega nas igrejas. Há pregadores que chegam até mesmo a mudar o título “ladrão” por “diabo” em suas pregações, mudando totalmente o sentido do texto. Todo pastor que distorce a Palavra é o que não entra pela porta que é Jesus (a palavra fiel). E quando ele modifica o que está escrito, acaba por furtar (roubar) as palavras de Deus: "Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu próximo." (Jeremias 23 : 30). Fazendo assim acabam por matar e destruir as ovelhas de Jesus, como os pastores citados em Ezequiel 34.

Nos versos 12 e 13, Jesus deixa bem claro que o ladrão é o mercenário, isto é, o falso pastor de quem não são as ovelhas. Este é o que se aproxima das ovelhas travestido de pastor por interesse no dinheiro ou nos bens que as ovelhas podem lhe proporcionar. É aqueles que come a gordura, se veste da lã, mata o cevado, mas não apascenta as ovelhas do Senhor (Ezequiel 34 : 3). Ele não fortalece as fracas, não cura as doentes, não liga a quebrada, não traz a desgarrada e nem busca a que se perdeu. Pelo contrário, age como um nicolaíta dominando sobre o rebanho que não lhe pertence (Ezequiel 34 : 5). Por essa razão que Jesus foi enfático quando disse que o ladrão veio para a roubar, a matar, e a destruir. O ladrão se apropria de algo que não lhe pertence: “Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas,..” (João 10 : 12a). Mas Jesus veio para que as Suas ovelhas tenham vida, e a tenham com abundância.
O BOM PASTOR: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10 : 11). Em contraste com o ladrão que é o mau pastor, que é o ladrão que rouba, mata e destrói; Jesus é o bom pastor que dá Sua vida pelas ovelhas. Ao morrer na cruz, Jesus se deu pelos judeus que eram as ovelhas perdidas da casa de Israel e também pelos gentios, aqueles que haveriam de aceita-lo pela fé.

“Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor” (João 10 : 16). As outras ovelhas somos nós gentios que hoje formamos a Sua Igreja. Os gentios não faziam parte do aprisco (Israel), mas aprouve a Deus nos tornar seus filhos, pela fé que temos em Seu filho Jesus. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 10 : 12). Em Cristo Judeus e gentios foram unidos formando um só corpo – a Igreja (João 11 : 52 ; Efésios 2 : 15).

CONCLUSÃO

Como vimos, Jesus falou que o ladrão e salteador foram aqueles que vieram antes dEle, que eram os pastores de Israel que dispersaram as ovelhas do Senhor. Vimos também que Jesus deixou claro que o ladrão que veio para roubar, matar e destruir não é o diabo como se acredita, mas o mercenário que não é pastor. Em contraste com o ladrão Jesus se apresentou como o bom pastor que dá a vida pelas ovelhas; com sua morte expiatória Ele agregou outras ovelhas que a princípio não faziam parte do aprisco, qual é a Sua igreja.

A igreja de Jesus são as suas ovelhas que Ele as tirou para fora do curral da religião. Jesus veio para livrar Suas ovelhas do poder do ladrão. Mas, estaria ainda o ladrão, ou ladrões e salteadores agindo na igreja roubando e matando as ovelhas do Senhor?

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará.