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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Não façam da Casa de meu Pai, uma casa de negócios


"E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." (2Pedro 2.3)

Em dois artigos anteriores esclareci que Deus não habita em templos feitos pelas mãos dos homens, conforme afirmam as Escrituras neotestamentárias (Atos 7.48 ; 17,24). Ele habita na casa que Ele mesmo fez, e que foi edificada pelo Filho, quando na cruz inaugurou a Nova Aliança pelo Seu sangue derramado. Essa casa, somos nós, os que cremos. Assim como Israel foi a Casa de Deus no concerto antigo, a Igreja é a Casa da habitação de Deus na Nova Aliança. (Hebreus 3.4-6).

Sim, somos a Casa de Deus, a morada do Santo Espírito (1Corintios 3.16). Por esta Casa, o Dono tem um zelo consumidor, a ponto de destruir, aquele que corromper esta Casa "Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo." (1Coríntios 3.17).

O ZELO DE CRISTO PELA CASA DO PAI

João, no seu evangelho registra sobre o zelo de Jesus sobre a casa do Pai. Mas esta casa não era o templo de Salomão? Como expliquei nos artigos anteriores, aquele templo que não existe mais, foi considerado como a casa de Deus, somente pelo motivo de a arca do concerto estar guardada alí dentro. A arca foi uma representação da presença de Deus entre os hebreus até a vinda do Emanuel (Deus conosco). Com a vinda do Messias, tanto a arca, como o templo que a abrigava perderam seu sentido e utilidade. O Espírito agora estava presente e agia no verdadeiro templo que é o Messias, o Cristo de Deus. "Eis aqui o meu servo, que escolhi, O meu amado, em quem a minha alma se compraz; Porei sobre ele o meu Espírito, E anunciará aos gentios o juízo." (Mateus 12.18). Assim, o Pai passou a habitar no Filho e não mais na arca ou mesmo no templo. "Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras."  (João 14.10). E essa habitação foi prometida a todos quantos crerem e amarem o enviado de Deus e obedecerem os seus mandamentos. "Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada." (João 14.23).

No entanto, enquanto Cristo não consumasse a obra que veio fazer, a Lei e seus ritos precisavam ser obedecidos, inclusive os ritos inerentes ao templo ministrados pelos descendentes de Levi.

JESUS EXPULSA OS VENDILHÕES DO TEMPLO

O templo como casa de Deus, deveria ser um lugar da mais alta reverencia e temor. E isso era responsabilidade dos sacerdotes levitas, cuidar para que esse lugar não fosse profanado e vilipendiado, como fizeram os levitas no tabernáculo no deserto. "Mas os levitas armarão as suas tendas ao redor do tabernáculo do testemunho, para que não haja indignação sobre a congregação dos filhos de Israel, pelo que os levitas terão o cuidado da guarda do tabernáculo do testemunho." (Números 1.53). Porém, os sacerdotes movidos de sórdida ganancia, permitiram que se armasse uma espécie de feira livre no pátio do templo, onde o comércio ali feito gerava grandes lucros para eles. Convém dizer que o comércio feito no templo, consistia tanto na venda de animais, como no câmbio, isto é, na troca por dinheiro das ofertas e dos dízimos que o povo levava ao templo, conforme a Lei ordenava. O momento era propício para conseguir uma boa receita, pois em Jerusalém se comemorava a maior festa do povo judeu que é a pascoa. Judeus que vinham de outras regiões e países que não podiam trazer suas oferendas aproveitavam a promoção que se realizava no pátio do templo, com a autorização dos sacerdotes.
Ao chegar alí, o Senhor manifestou seu repúdio e indignação pelo comércio que se fazia naquela casa.
“E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará” (João 2.14-17).

Apesar do Pai não está alí (o comércio lá feito era uma prova disso), o Senhor, no entanto estava no cumprimento da Lei e da justiça. (Mateus 3.15 ; 5.17). Qualquer um poderia concordar com aquilo, e justificar que o dinheiro arrecadado daria para fazer grandes reformas no templo e embelezá-lo ainda mais. Mas Jesus sabia que o objetivo era outro e Ele não podia concordar com os sacerdotes por estarem violando a Lei que Ele veio cumprir, ao fazerem negócios e lucrarem com o sacrifício do povo, como aconteceu nos tempos de Jeremias. “Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram; Engordam-se, estão nédios, e ultrapassam até os feitos dos malignos; não julgam a causa do órfão; todavia prosperam; nem julgam o direito dos necessitados” (Jeremias 5.27,28); e de Oseias. "Comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele têm desejo ardente." (Oséias 4. 8).

Ao rejeitar aquele ato dos sacerdotes, expulsando os comerciantes daquela casa, o Senhor deixa uma grande lição a ser entendida, que Ele nunca há de apoiar ou concordar com as ações daqueles que fazem de Sua Casa, uma casa de negócios, ou covil de ladrões (Marcos 11.17). Em João 10, Jesus ensina por meio de uma parábola, que este tipo de ladrão que é o mercenário, estaria no meio das Suas ovelhas, por este haver subido por outra parte e não pela porta (João 10.1-12). E este é o ladrão que veio para roubar, matar e destruir as ovelhas (João 10.10). E Ele também sabia que isso aconteceria no decorrer dos tempos, onde muitos tentariam fazer negociata com Sua Casa que somos nós, Suas ovelhas. Por isso, pelo Seu Espírito Eterno usou Pedro para advertir seu rebanho.

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.  E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2Pedro 2.1-3).


Mas infelizmente, muitos tem se deixado enganar e outros até defendem os atos dos lobos devoradores que se infiltram no rebanho, com o fim de extorquirem e se apropriarem dos bens das ovelhas. Paulo, usado pelo mesmo Espírito de Cristo, alertou a igreja do Senhor em Éfeso. “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20.29,30).

Os “sacerdotes modernos” estão fazendo negócios com a Casa de Deus, vendendo suas “bugigangas espirituais”, que são objetos supostamente ungidos, como; sal ungido, azeite, rosa ungida, água do rio Jordão, areia de Israel e muitos outros. Isso, sem falar nos CD’s, DVD’s, apostilas e livros que se vendem nos templos por ocasião de grandes festas. Mas não é somente isso, além do comércio que é feito, os sacerdotes modernos estão também destruindo o templo de Deus, levando o crente a apostatar da fé na pessoa do Salvador e a crer na “energia positiva” advinda desses objetos supostamente ungidos. Porém, chegará o momento que o próprio Senhor destruirá aqueles que destroem seu templo, como Pedro profetizou: “...sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2Pedro 2.3b). Não está longe o tempo em que todos aqueles que abusam da noiva do Cordeiro, fazendo dela uma casa de comércio, hão de chorar e lamentar, pois a Igreja tem um dono e Ele está vendo tudo. A grande prostituta com seus cafetões que é a Babilônia religiosa que promove essas coisas vai cair por terra e sua queda já teve inicio. “E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias” (Apocalipse 18.11).


Igreja de Cristo, você foi comprada com um preço muito alto, não se faça serva dos homens. Você é livre e não deve nada a ninguém (1Coríntios 7.23). Jamais permita que alguém venha fazer negócios com a sua fé, pois você é a Casa da habitação de Deus.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O Batismo com o Espírito Santo e com Fogo.



"E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo." (Mateus 3.11).

INTRODUÇÃO

A vida cristã é vida no Espírito.  Seria impossível ser cristão, sem o ministério do gracioso Espírito de Deus. Tudo o que temos e somos como cristãos devemos a Ele. Cada cristão tem uma experiência do Espírito Santo desde os primeiros momentos da sua vida cristã. Para o cristão, a vida começa com um novo nascimento, e o novo nascimento é um nascimento "no Espírito" (João 3.3-8). Assim o batismo com o Espírito Santo é uma realidade presente na vida do cristão. Mas, e o que viria a ser o batismo com fogo? Seria o batismo com o Espírito Santo e com fogo um evento simultâneo na vida do crente; ou haverá distinção entre ambos? Sim, há distinção, conforme veremos neste estudo.

DEFINIÇÃO DE BATISMO

Antes de iniciarmos este estudo, convém entendermos o sentido etimológico do termo, para uma melhor compreensão dos fatos. A palavra batismo origina-se da palavra grega “baptizo” e da latina “baptismus”, e significa, em ambos os casos, “mergulho” ou “imersão”. No Novo Testamento seu significado literal é morte e sepultamento e, sofrimento, como foi no caso de Jesus. "Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos." (Mateus 20.22). "Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se!"  (Lucas 12. 50). Certamente que Jesus foi batizado em águas por João, mas esse “certo batismo” que Ele fala, se refere ao flagelo e o sofrimento que Ele passaria e que culminaria com sua morte no madeiro.

O escritor aos Hebreus fala sobre a “doutrina dos batismos”, deixando entendido que existem vários tipos de batismo (Hebreus 6.2). De fato, na bíblia encontramos alguns tipos de batismos, como: a)-Batismo em Moisés, na núvem e no mar (1Corintios 10.2); b)-Batismo de João para o arrependimento e remissão de pecados (Marcos 1.4); c)- Batismo cristão por imersão como símbolo de morte e sepultamento (Romanos 6.3) e, d)- Batismo com o Espírito Santo e com fogo, efetuado por Jesus (Mateus 3.11).

Como o tema deste estudo é Batismo como Espírito Santo e com Fogo, vamos pensar que ser batizado é “ser imerso” ou “mergulhar” como sugere o significado do termo batismo. Por assim dizer, ser batizado com o Espírito Santo é “mergulhar” ou “imergir/afundar” no Espírito Santo. Assim também diz respeito ao “batismo com fogo” que significa “mergulhar” ou “imergir” no fogo.

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO É A PROMESSA DO PAI

Desde o antigo pacto, a promessa do derramamento do Espírito Santo fora vaticinada pelos profetas veterotestamentários, como Isaías, Ezequiel e Joel. Isaías profetizou que Deus derramaria de seu Espírito sobre Israel, quando este povo se convertesse da idolatria dos povos que os cercavam: "Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes." (Isaías 44.3). Ezequiel profetizou a promessa do Espírito em relação ao povo de Israel que terá seu cumprimento literal no período milenial: “Então saberão que eu sou o SENHOR seu Deus, vendo que eu os fiz ir em cativeiro entre os gentios, e os ajuntarei para voltarem a sua terra, e não mais deixarei lá nenhum deles.  Nem lhes esconderei mais a minha face, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor DEUS” (Ezequiel 39.28,29). Mas Joel foi quem profetizou que o Espírito de Deus seria derramado sobre toda a carne, antes da consumação de todas as coisas e não fazendo distinção entre judeus e gentios: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito” (Joel 2.28,29). Em seu ministério terreno Jesus confirmou o que os profetas falaram, exortando os discípulos a aguardarem: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder." (Lucas 24.49).

O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

O livro de Atos registra como se deu o cumprimento dessa promessa. Lucas, seu autor lembra as palavras Senhor, momentos antes de Ele ascender ao Pai. “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1.4,5). Cerca de 500 discípulos estavam presentes no monte das oliveiras, ouviram esta admoestação e viram o Senhor voltar aos céus. Mas somente uns 120 foram agraciados com a promessa porque creram e esperaram com paciência. Dez dias após ser assunto aos céus, comemorava-se em Jerusalém a festa do Pentecostes. Neste dia cumpre-se a promessa feita pelo Pai, por meio dos profetas, conforme o livro de Atos mostra com clareza de detalhes.

O OBJETIVO DA PROMESSA

A promessa do batismo com o Espírito Santo haveria de cumprir um propósito específico na vida dos crentes. Além de santificá-los para fazer deles a morada e a habitação de Deus, o batismo veio para: a)- revesti-los de poder do alto e capacitá-los a pregar o evangelho com ousadia e testemunhar a respeito do Senhor Jesus onde fosse preciso. "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra."  (Atos 1.8); b)- Guiar os crentes em toda a verdade e justiça, preparando-os para receber Jesus em sua segunda vinda: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir."  (João 16.13); c)- Libertar os crentes da escravidão religiosa que os oprimia e do temor, concedendo-lhes o direito a adoção de filhos, dando a certeza de que somos filhos de Deus: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Romanos 8.15,16);  d)- Trazer conhecimento claro e amplo da Palavra de Deus, fazendo o crente lembrar-se quando for necessário. "Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras." (Provérbios 1.23); "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito."  (João 14.26); f) – Capacitar o crente a realizar prodígios e maravilhas em Nome de Jesus: "E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo."  (Atos 6.8); e g) - Encorajar o crente a falar as verdadeiras Palavras de Deus com ousadia e destemor, batalhando pela fé que uma vez foi dada aos crentes. “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (Atos 7.55).

COMO RECEBER O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?

Não existe uma fórmula mágica. Mas a teologia Pentecostal e Néo Pentecostal defende a ideia do batismo com o Espírito Santo, como sendo uma ação a parte da conversão, onde, aquele que aspira ser batizado precisa buscar em oração e consagração até que este consiga falar em “línguas estranhas”. Se, após um período de oração (que pode durar dias e até meses), o individuo começar a falar em línguas estranhas é o sinal que este conseguiu ser batizado. Campanhas, correntes, vigílias e até jejuns são feitos com o objetivo de levar o indivíduo a quem Deus não deu o dom de falar em línguas, buscar o batismo, como se esse dom fosse a evidencia inicial que prova que alguém recebeu o batismo com o Espírito Santo. E nessa busca, muitos que participam ficam frustrados e outros até se desviam da fé, por entenderem que, pelo fato de não conseguirem falar em línguas, os tais não foram batizados com o Espírito Santo. Ai vem a justificativa que a pessoa que buscava e não falou em línguas, não tinha fé suficiente, ou estava em pecado. Comicamente (já vi), alguns mestres que oram para que os crentes sejam batizados, pedirem para que estes deem glória, glória, glória repetidamente até que suas línguas se enrolem a ponto de estes pronunciarem palavras ininteligíveis, quais são confundidas com as línguas estranhas. E é estranho mesmo! Isso ocorre porque, essa teologia defende que a evidência inicial do batismo com o Espírito Santo seja o falar em línguas.

Quero deixar claro que não sou “cessacionista”, pois creio e vivo na atualidade dos dons espirituais e que estes só haverão de cessar, quando estivermos na presença de Deus. No entanto, em se tratando dos dons de línguas, particularmente eles devem ser exercidos junto com o dom de interpretação e não aleatoriamente como vemos acontecer. Paulo diz: "E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação." (1Coríntios 14.5). E continua seu ensino: “E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus” (1Corintios 14.27,28). Por falta deste ensino, se observa uma espécie de desordem na administração desse dom nas igrejas, onde alguns pregadores chegam até a substituir a pregação pelo falar em línguas, para exibir uma espiritualidade. Mas quanto a isso, Paulo termina seu ensino sobre os dons do Espírito Santo, exortando assim:  “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.  Mas, se alguém ignora isto, que ignore.  Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1Corintios 14.37-40).

Ainda sobre o batismo com o Espírito Santo, a doutrina pentecostal até há pouco tempo não reconhecia que o indivíduo que não falasse línguas estranhas fosse batizado ou tivesse o Espírito Santo. Mas esse pensamento começou a mudar. Na lição da Escola Dominical da CPAD, que foi ministrada no último domingo nas igrejas da Assembleia de Deus, o comentarista Esequias Soares, diz o seguinte: Todos os crentes em Jesus já têm o Espírito Santo. Na regeneração, o Espírito promove o novo nascimento, que é um ato direto do Espírito Santo (Jo 3.6-8). O pecador recebe o Espírito no exato momento em que aceita, de verdade, a Jesus (Gl 3.2; Ef 1.13). Os discípulos de Jesus já tinham seu nome escrito no céu (Lc 10.20) e igualmente tinham o Espírito Santo mesmo antes do Pentecostes (Jo 20.22)” (Esequias Soares, Lição 10, 3 de setembro de 2017, tema: A RAZÃO DA NOSSA FÉ, ASSIM CREMOS, ASSIM VIVEMOS).

No entanto, ainda levará algum tempo para o povo se adequar e esta nova realidade. Mas, por causa desse entendimento que antes havia, ainda se vê nas igrejas que adotam essa teologia duas classes de pessoas (espero que isso mude). As que falam em línguas estranhas são tratadas de forma diferenciadas pelas lideranças e alguns crentes. Os que falam em línguas estranhas ocupam posições de destaque e cargos relevantes nas instituições, ao passo que as que não falam são consideradas como crentes de segunda classe e não são valorizadas. Isso é acepção de pessoas verídica. Esse mal só acontece porque, interpretaram de forma equivocada o que diz Atos 2.4: “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Porém, essas “outras línguas” em que os discípulos falaram no dia de Pentecostes não eram línguas estranhas. Pelo contrário, eram línguas conhecidas das mais de 15 nações que se encontravam presentes em Jerusalém, por ocasião da festa. Logo, fica descaracterizado que e evidencia inicial do batismo com o Espírito Santo seja o falar em línguas estranhas. O que dizer dos que não falam? "Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?"  (1Coríntios 12.30).

OS QUE CRERAM FORAM BATIZADOS NO NOME DE JESUS E RECEBERAM A PROMESSA DO DOM DO ESPÍRITO SANTO

Os que presenciaram a manifestação do Espírito de forma extraordinária na vida dos apóstolos, no dia de Pentecostes fizeram a seguinte pergunta: “Que faremos varões irmãos?” A resposta de Pedro foi enfática: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2.38,39). Pedro associou o recebimento do batismo com o arrependimento daquele que crê. O arrependido era batizado em o Nome de Jesus e logo recebia o dom do Espírito Santo que segundo a promessa é o batismo com o Espírito Santo.

Neste caso, a fé é imprescindível. Paulo disse que o crê (fé) vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17). Isso é notório, pois mais adiante está escrito que todos os que de bom grado receberam a Palavra foram batizados, que foi num total de três mil almas (Atos 2.40). Será que esses milhares que creram falaram todos em línguas? Creio que se isso fosse relevante, Lucas teria registrado o fato, como registrou como aconteceu com Cornélio. E, na casa de Cornélio, o Espírito Santo veio sobre aquela família mediante a palavra de Deus ministrada por Pedro. “E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio. E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11.15,16). E não foi somente com Cornélio, mas com todos que estavam presentes alí e ouviram a Palavra por intermédio de Pedro (Atos 10.44-46). Neste caso, todos alí falaram em línguas e magnificaram a Deus, e até mesmo como um sinal para mostrar a Pedro que Deus não faz acepção de pessoas, visto que ele ainda nutria certo preconceito em relação aos gentios, achando que o dom de Deus era exclusividade dos judeus. As escrituras não nos ensinam a buscar o batismo com o Espírito Santo, mas sim a buscar com zelo os dons que Ele tem para nos entregar. "Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente." (1Coríntios 12.31).

AS LÍNGUAS SÃO MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO CONCEDIDAS AO CRENTE COMO DONS

Não há registro no novo testamento do termo “línguas estranhas” nos textos originais. Encontramos “falar línguas” (Atos 10.46); “variedades de línguas”, “diversas línguas” (1Corintios 12.28.30); “línguas desconhecidas” e “línguas” (1Corintios 14.2-5). E as línguas são dadas como dons a quem já recebeu o Espírito Santo, assim como os demais dons que Ele tem para nos entregar. A profecia de Joel quanto a promessa do recebimento do Espirito Santo, diz: “...e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Joel 2.28). Entre outros dons, Joel alude ao dom de profetizar, que segundo Paulo, é o dom mais importante a ser buscado pelo crente, sem, contudo, desprezar o dom de línguas. "Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas."  (1Coríntios 14.39). Paulo ainda ensina que: "as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis." (1Coríntios 14.22).

Paulo, o apóstolo dos gentios ensina que todos os que ouvem a Palavra da verdade e creem, são selados pelo Espírito Santo da promessa: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa."  (Efésios 1.13). E, uma vez selado e/ou batizados, não devemos entristecer o Santo Espírito que em nós habita. "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção." (Efésios 4.30). Por fim, Paulo não faz qualquer distinção no corpo de Cristo, impondo regras e condições para ser batizado com o Espírito Santo, senão, o que já foi exposto acima que é o ato de crer, sabendo que esta é a obra do Espírito mediante a aceitação da Palavra da verdade. "Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito."  (1Coríntios 12.13). Assim, a evidencia do batismo com o Espírito Santo é revelado na mudança de caráter, na santificação e no fruto do Espírito que o crente produz diariamente em sua vida.

O BATISMO COM FOGO, O QUE É?

No meio religioso as opiniões se divergem quanto ao que seria o batismo com fogo. Há os que defendem serem as provações que passamos aqui neste mundo como cristãos. Outros alegam ser a ação eloquente do Espírito na vida do crente, com base no que está em Atos 2.3: "E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles." (Atos 2.3). Mas atente que o texto não diz que eram línguas de fogo, mas “como que de fogo”.

Quando João Batista falou sobre esse assunto, estavam presentes os religiosos fariseus e saduceus. E foi diretamente para eles que João dirigiu a mensagem. “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3.7). João conhecia a índole daqueles religiosos e sabia que eles haviam ido lá para o espionarem e não com o desejo de arrependerem-se de seus pecados. Até porque, os tais se julgavam justos e mais santos que as demais pessoas por praticarem as obras da Lei (Lucas 18.12). João os adverte a respeito da ira vindoura, mostrando que este tempo estava se aproximando. Eis o que diz João. “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mateus 3.10). Compare com o que disse Jesus aos que não creem nEle. "Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem."  (João 15. 6).

Em Atos, vemos o evangelista Lucas discorrer sobre o que João profetizou: "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias." (Atos 1.5). Atente que o relato não menciona a parte final da expressão de João batista em Mateus 3.11 que é “com fogo”. Teria ele esquecido essa parte? Creio que não. Isso deixa claro que o batismo com fogo, seria um evento futuro destinado aos ímpios e que não dizia respeito falar naquele momento, pois Lucas estava a falar do cumprimento glorioso da promessa do batismo com o Espírito Santo na vida dos que criam. Também o apóstolo Pedro quando testemunhava da conversão de Cornélio, se referiu a promessa: “E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11.16). Mas também não cita o termo “com fogo”.

O batismo com fogo não é uma extensão do batismo com o Espírito Santo. Não, o batismo com fogo, mais uma vez ressalto, é uma clara referência ao juízo divino que há de vir sobre todo aquele que rejeitam o plano da salvação em Cristo, mesmo conhecendo a Palavra da verdade. Será a diferença que haverá entre o justo e o ímpio (Malaquias 3.18). Por assim dizer, os justos são batizados com o Espírito Santo, mas os ímpios haverão de ser batizados com fogo. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13.49,50).

            A FIGURA DA PÁ E DA EIRA.

João conclui o sermão sobre este assunto dizendo: “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará” (Mateus 3.12). Fica evidente que o batismo com fogo não faz parte do batismo com o Espírito Santo, mas será a punição divina para os infiéis. Na bíblia o fogo está associado a poder, a purificação, a glória, mas também a juízo eterno. Mas, neste contexto, o fogo se refere ao juízo divino que será derramado sobre os que resistem a graça divina: "Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do SENHOR, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada."  (Sofonias 1.18).  

CONCLUSÃO

Vimos neste estudo que há vários tipos de batismo. Mas, o mesmo Jesus que batiza com o Espírito Santo é o mesmo que batiza com fogo. Não queira meu irmão ser batizado com este fogo. Jesus tem em suas mãos a pá. Entende-se que a PÁ e a PALAVRA; com ela ele limpara a sua EIRA. Entendemos que é a IGREJA; recolherá no celeiro o seu trigo. O CELEIRO é o REINO DOS CÉUS; e o TRIGO são os JUSTOS. Mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga. A PALHA são os ÍMPIOS que ora estão no meio dos justos, mas não praticam a justiça, não amam os irmãos e rejeitam sua graça e salvação.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará – Brasil

Fonte de pesquisa: Biblia Almeida Corrigida Fiel (ACF)

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O Descendente de Daví e a Casa da habitação de Deus



“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre” (2Samuel 7.12,13).

INTRODUÇÃO

No artigo anterior, falei sobre o desejo de Daví em fazer uma casa para Deus. O Senhor não o permitiu, mas disse que o seu descendente o faria. Assim como Daví, muitos crentes entendem que o Senhor estaria falando de Salomão. Este, aliás, após a morte de Daví edificou uma suntuosa casa que foi o marco na vida religiosa do povo judeu. Mas Salomão se desviou do Senhor e teve seu reino rasgado (1Reis 1.11-31). O templo que ele construiu para habitação de Deus foi queimado por Nabucodonosor quando invadiu Judá e levou o povo cativo para Babilônia. Foi mais tarde reconstruído por Esdras e tempos depois reformado por Herodes. Por fim, esta casa foi definitivamente destruída pelas tropas romanas sob o comando do imperador Tito no ano 70 eC, conforme o próprio Cristo profetizou (Mateus 24.2). Desde então, nenhum outro templo foi erguido em seu lugar. Então, Salomão não poderia ser esse descendente de Daví e o templo erguido por ele não seria a habitação de Deus, uma vez que este foi destruído e não existe mais.

Neste artigo, falarei sobre o descendente de Daví prometido que faria uma casa para a habitação de Deus e como é essa casa. Pra facilitar o estudo, vou por os textos em evidencia, com as devidas referências, mas é bom que a leitura deste seja acompanhada com a leitura da bíblia.

CRISTO, O DESCENDENTE DE DAVÍ PROMETIDO.

Como antecipei no artigo anterior, o descendente qual Deus falou a Daví que lhe edificaria uma casa, seria o Seu próprio Filho Jesus e não Salomão. Por isso que enquanto aqui andou, muitos o chamavam de “Jesus, Filho de Daví” (Mateus 9.27 ; 12.23 ; 15.22). Mateus inicia o seu Evangelho assim: "Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão."  (Mateus 1.1). Os próprios fariseus que eram oponentes do Senhor, também reconheciam pelas Escrituras que o Cristo era o filho de Daví, embora não aceitassem a Jesus como o Messias prometido. “E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus, Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi” (Mateus 22.41,42). Pedro, no seu discurso no dia de Pentecostes, logo após a descida do Espírito Santo, testificou pelas Escrituras que o próprio Daví havia profetizado que esse descendente é o Cristo de Deus e não Salomão. Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono” (Atos 2.29,30). Resumindo, o próprio Senhor testifica que Ele mesmo é o prometido descendente de Daví. "Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã." (Apocalipse 22.16).

Então, está mais que claro que a promessa feita por Jeová a Daví, sobre o descendente que lhe edificaria uma casa para sua habitação, não seria Salomão, mas a Cristo Jesus, o Senhor.

NO TEMPLO DE SALOMÃO, NEM TODOS PODIAM ENTRAR

Salomão edificou um monumental templo adornado de muitas riquezas, mas que foi destruído e não existe mais. Durante o tempo em que esse templo esteve em pé, foi ele chamado de a casa de Deus. Não porque Deus habitasse nele, mas porque esse templo guardava em seu interior a arca do concerto que Deus fez com Israel no deserto. Esta arca era uma figura da presença de Deus em meio ao seu povo de Israel antes da descida do Espírito Santo que veio para habitar na Sua verdadeira casa. Vale salientar que embora aquele templo fosse chamado de a casa de Deus, nem todos tinham o direito de entrar, nem mesmo Jesus, o Filho de Deus pode entrar nele. "Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus;" (Hebreus 9.24). Talvez isso seja estranho para alguns, mas os textos nos evangelhos que mostram Jesus no templo, na versão fiel ao original grego, diz que Ele ficava no pátio do templo. E era no pátio do templo que ficavam os pobres, os cegos, os aleijados, as meretrizes e os publicanos. Era nesse espaço que Jesus também ficava e até curava e libertava. Por pertencer a tribo de Judá e não ser levita, o Senhor não poderia adentrar ao interior do templo, pois isso era privilégio apenas dos descendentes de Leví (levitas), segundo a Lei que Ele mesmo veio cumprir.

E ainda, o templo erguido por Salomão foi uma sombra do próprio Cristo onde o Pai habita. "Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras."  (João 14.10). Por isso, Jesus falou com toda a ousadia perante os judeus que se irritaram com Ele quando expulsou os cambistas, soltou os animais e jogou fora o dinheiro da negociação que faziam no pátio do templo: “Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo” (João 2.19-21).

ONDE É A VERDADEIRA CASA DA HABITAÇÃO DE DEUS?

Os escritos do Novo Testamento são claros em afirmar que Deus não habita em templos feitos pelas mãos dos homens (Atos 7.48 ; 17.24). No capitulo 14 do evangelho de João, que registra a conversa de Jesus com seus discípulos sobre a Sua volta ao Pai e a vinda do Espírito Santo para ficar com os seus, um de seus discípulos lhe pergunta: “Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): SENHOR, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo?” (João 14.23). Imediatamente o Senhor dá a resposta: "Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada." (João 14. 23). Observe que o Senhor não disse que viria habitar num tabernáculo, numa tenda ou mesmo num templo, como foi no antigo concerto. O Senhor foi claro que viria habitar no crente. Mas é bom que fique claro que não é em qualquer crente, mas naquele que o ama e que guarda a Sua Palavra. O cumprimento dessa promessa teve início no dia do Pentecostes a ainda se cumpre quando Jesus batiza os crentes com o Seu Espírito Santo, passando assim a fazer morada neles.

O batismo com o Espírito Santo é o selo ou a marca de Deus sobre aqueles que lhe pertencem, como diz Paulo: "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção." (Efésios 4.30). Por isso, o crente quando batizado se torna a morada de Deus. E, como morada de Deus, precisa se despojar do velho homem, se renovar no espírito e se revestir do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4.22-29). Entristecer o Espírito Santo que em nós habita, não é somente praticar as obras da carne, mas também tentar limitá-lo dentro de quatro paredes que são os inúmeros templos levantados pelos cristãos que afirmam serem estes lugares a casa de Deus. Nesta crença, muitos crentes só fazem suas orações se estiverem nestes lugares, ignorando o que o Senhor falou que o melhor lugar para orar e buscar Sua Presença é em nosso quarto, às portas fechadas (Mateus 6.6).

A IGREJA, CASA DE DEUS NA NOVA ALIANÇA

Depois de Cristo, Paulo foi o apóstolo que mais ensinou sobre a casa de Deus na Nova Aliança. Ao obreiro Timóteo ele ensina que a casa de Deus é a igreja. "Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade." (1Timóteo 3.15). Infelizmente, ainda há quem entenda e também ensine que a igreja como casa de Deus nesta passagem seja um templo de tijolos e cimento e não pessoas de carne e osso. Sim, a casa de Deus na Nova Aliança, sem dúvida é a Igreja, como falou o Senhor. "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;" (Mateus 16.18). Mas essa igreja não um órgão institucional com CNPJ e seus templos, sendo dirigida por convenções e cleros com papas, bispos e pastores presidentes. Não, a igreja como Casa de Deus é organismo vivo e não organização humana. São pessoas de várias etnias e línguas que estão espalhados pelo mundo, mas que compartilham a mesma fé. Sobre isso Paulo ensina: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito”. (Efésios 2.19-22). Pedro também fala desta casa como sendo formada por “pedras vivas”. "Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo." (1Pedro 2.5).

O escritor aos hebreus traça um paralelo entre Cristo e Moisés, falando sobre a fidelidade de ambos sobre a casa de Deus, deixando bem claro que esta casa são pessoas. Foi preciso fazer essa comparação, pois os hebreus ainda seguiam os ensinos de Moisés. Por isso, assim como Moisés foi fiel como servo sobre o povo de Israel que era a casa de Deus, assim também Cristo, como Filho, tem sido fiel sobre a sua própria casa que somos nós, os que cremos. “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” (Hebreus 3.6). E ainda, sobre esta casa que somos nós, Cristo é o grande e eterno sacerdote, que salva os que a Ele se chegam, vivendo sempre para interceder por eles (Hebreus 7.25 ; 10.21). Aleluia.

OS CRENTES SÃO O TEMPLO DO DEUS VIVO

O apóstolo Paulo, exaustivamente ensinou que a casa de Deus ou o templo onde Ele habita são os crentes e não edifícios feitos pelas mãos dos homens. “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” (1Corintios 3.16,17). Observe a séria advertência sobre aquele que destruir esse templo. "Deus também o destruirá".  Porém, de que maneira alguém poderá destruir esse templo que é a igreja (pessoas), a morada de Deus? No contexto do capítulo 3, Paulo mostra que é carnalidade evidenciada na divisão do corpo de Cristo e que é promovida por homens que querem formar seus próprios ministérios. E, com isso é claro, fundarem suas próprias igrejas, como objetivo de obterem lucros por intermédio das ovelhas de Cristo. (1Timóteo 6.3-5). A igreja em Corinto teve a sua unidade ameaçada por todo o tipo de inveja e discórdia, chegando ao ponto de os membros imitarem os padrões mundanos, criando suas próprias lideranças (1Corintios 3.1-5). Porém, Paulo deu um basta nisto, mostrando que o único fundamento da igreja é o próprio Cristo e, tanto ele como seus companheiros de missão, eram apenas colaboradores de Deus na igreja que é a lavoura e edifício de Deus (1Corintios 3.9).

Paulo agiu dessa maneira, pois aprendeu do próprio Senhor que a divisão no corpo de Cristo que é a igreja, é uma das maneiras de destruir esse templo. Na sua oração sacerdotal, Jesus pediu pela Sua igreja: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste." (João 17. 21).

Mas, o que dizer das inúmeras denominações nos dias atuais, com suas diferentes nomenclaturas, doutrinas e estatutos particulares? Não seria um atentado a unidade do templo de Deus?

Paulo ainda mostra que outra maneira de destruir o templo de Deus é expor o próprio corpo as ações pecaminosas deste mundo. Como templo de Deus, devemos zelar pelo nosso corpo, a fim de que a morada do Espírito Santo não seja de maneira nenhuma profanada.  "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo." (1Tessalonicenses 5.23). Porém, quando consciente ou mesmo inadvertidamente o crente se envolve na prostituição ou em adultério, esse templo é profanado e destruído. Eis o que ensina Paulo sobre isso: "Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (1Coríntios 6.19).

CONCLUSÃO

Neste artigo procurei de forma clara e elucidativa mostrar que o grande Deus, criador de todas as coisas não habita em templos feitos pelas mãos humanas, conforme o novo testamento também nos ensina. Mostrei com as devidas referencias que a promessa feita por Deus a Daví, que o seu descendente que lhe faria uma habitação, não foi Salomão, mas o próprio Filho de Deus, Cristo Jesus. E esta casa que Cristo edificou e onde Deus habita é a Sua Igreja. A Igreja é um único corpo sem divisões. Individualmente somos membros deste corpo, devendo manter comunhão com os demais membros para o perfeito funcionamento do corpo. Há quem diga que sozinhos não somos igreja, mas, independente da distancia física que possamos estar de outros membros, temos que ter a certeza que o Espírito Santo habita em cada um de nós, pela obediência à Sua Palavra.

“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer."  (1Coríntios 1.10).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará – Brasil

Fonte de pesquisa: Bíblia Almeida Corrigida Fiel (ACF)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Era o templo de Salomão a habitação de Deus?


"O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?"  (Atos 7 : 49)

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas o número de novos ministérios denominacionais conhecido como igrejas tem multiplicado grandemente. Não obstante, também tem havido uma grande evasão de crentes das mais variadas denominações religiosas, os quais são por estas chamados de “desigrejados”. Uns tem saído dessas igrejas pelos mais variados motivos, sendo o principal deles a decepção com as lideranças, enquanto que outros são meramente excluídos, por representarem ameaça a essas instituições, em virtude do conhecimento adquirido das Escrituras. Contudo, esse fenômeno chamado “desigrejado” tem de certa forma, contribuído para o entendimento que é possível servir a Deus e manter a comunhão sem a necessidade de se estar afiliada a alguma organização religiosa. E isso também tem servido para quebrar o mito de que os inúmeros templos levantados por essas denominações sejam “casas de Deus”. Neste artigo estarei mostrando que o grande Deus, criador do universo e de tudo o que nele existe, nunca desejou ficar confinado a um espaço físico construído pelas mãos dos homens. Lugares estes chamados de templos que são mistificados por aquele que os edificam como “casa de Deus”.

COSTUMES CANANEUS ADOTADOS PELOS ISRAELITAS

A ideia de construir uma casa para Deus surgiu primeiro no coração de Jacó quando fez um voto ao Senhor (Gênesis 28.22). Porque Jacó prometeu isso, se ele não conhecia ainda o Deus de seus pais Abraão e Isaque e muito menos havia noticia de algum santuário feito para Deus? É simples! Jacó residia nas terras de Canaã e que era habitada por povos que cultuavam falsos deuses, feitos pelas mãos dos homens. E Jacó, mesmo sendo escolhido por Deus, não se desvencilhou tão cedo desse costume pagão, onde até mesmo sua família, sob a influência do paganismo cananeu, servia a deuses estranhos (Gênesis 35.2-4). Para o povo cananeu era comum construírem templos para seus deuses, onde também lhes ofereciam sacrifícios. Muito tempo depois, o desejo de construir uma casa para surgiu no coração do grande monarca de Israel, quando percebeu que ele habitava numa linda casa de cedro importado, enquanto a arca do Senhor habitava em tendas (1Crônicas 17.1). Mas teria o grande Deus pedido que seu povo construísse uma habitação para Ele?

Quando o Senhor tirou o seu povo Israel do Egito para introduzi-los em Canaã, deu a seguinte ordem: "E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles." (Levítico 20.23). Muito embora o Senhor tivesse feito tal pedido, vemos que Ele não foi obedecido. Ao tomar posse da terra prometida, depois da morte de Josué, o povo de Israel acabou por andar nos costumes cananeus, seguindo a outros deuses que o Senhor havia terminantemente proibido e por isso sofreu a reprovação de Deus por muitos anos até o cativeiro babilônico, onde foram curados da idolatria. Mas, dois dos vários costumes cananeus prevaleceram em Israel, como veremos a seguir, muito embora fosse contrária a vontade de Deus.

GOVERNO MONÁRQUICO, UM COSTUME CANANEU.

O primeiro costume cananeu invejado pelos israelitas foi o sistema de governo monárquico com a escolha de um rei. Todos os povos de Canaã possuíam um rei, assim como em cada cidade hoje há um prefeito. Diferente de outras nações, Israel não tinha rei, pois Deus era o soberano sobre seu povo. Mas Israel invejou os cananeus e desejou também ter um rei. “E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações” (1Samuel 8.5). É claro que a má administração dos filhos de Samuel a frente do povo, contribuiu para o surgimento desse desejo. Mas Samuel não se agradou da ideia e consultou a Deus. No entanto, Ele atendeu o desejo do coração do povo, como diz: “E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles” (1Samuel 8.7). Assim, o costume cananeu de ter um rei que dominasse sobre o povo foi introduzido no meio do povo escolhido de Israel.

TEMPLOS RELIGIOSOS ERAM COSTUMES DOS CANANEUS

O segundo costume que prevaleceu em Israel e que também tem tido grande influência entre os cristãos, foi a construção de templos. As escrituras claramente mostram que Deus nunca desejou habitar em templos feitos pelas mãos dos homens. Pela boca do profeta Isaias, o Senhor assim falou: "Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso?"  (Isaías 66.1). Essa foi a mesma palavra citada por Estevão em sua defesa e que causou a indignação dos religiosos e que resultou na sua morte por apedrejamento (Atos 7.48-60). Mas, se Deus nunca desejou isso, o que dizer da construção do templo por Salomão e que foi o marco na vida do povo judeu como o único local de adoração?

DEUS NÃO PEDIU A CONSTRUÇÃO DESSE TEMPLO

Como foi dito acima, o desejo de construir um templo para Deus surgiu no coração de Daví. Quando Daví propôs fazer uma casa para Deus, recebeu de imediato a aprovação do seu profeta e conselheiro Natã. “Disse o rei ao profeta Natã: Eis que eu moro em casa de cedro, e a arca de Deus mora dentro de cortinas. E disse Natã ao rei: Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o SENHOR é contigo” (2Samuel 7.2,3). Natã como profeta não teve o cuidado de consultar ao Senhor e, para agradar ao rei Daví, logo apoiou sua ideia e até disse que Deus seria com ele. Mas, na mesma noite o Senhor fala com Natã expressando a sua real vontade. “Porém sucedeu naquela mesma noite, que a palavra do SENHOR veio a Natã, dizendo: Vai, e dize a meu servo Davi: Assim diz o SENHOR: Edificar-me-ás tu uma casa para minha habitação? Porque em casa nenhuma habitei desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egito até ao dia de hoje; mas andei em tenda e em tabernáculo” (2Samuel 7.4-6). Pelos textos, vê-se claramente que Deus não desejou isso. O Senhor ainda diz para Natã que Daví não construiria uma casa para Ele, mas sim, um de seus descendentes. Qual seria esse descendente? Será que o Senhor estaria se referindo a Salomão que substituiria Daví no trono de Isarel? Daví, como homem pensou que sim (1Crônicas 28.15), e também o próprio Salomão achou que era ele (2Crônicas 6.8,9). Mas, se analisarmos cuidadosamente o texto de 2Samuel 7.12-17, vamos entender que o Senhor não estava falando de Salomão como o descendente de Daví que lhe edificaria uma casa.

“12 Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.
13 Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.
14 Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.
15 Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.
16 Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.
17 Conforme a todas estas palavras, e conforme a toda esta visão, assim falou Natã a Davi.” (2Samuel 7.12-17 ACF).

Observem que em nenhum momento o onisciente Deus falou que o descendente de Daví que lhe edificaria casa seria seu filho Salomão. No verso 13 o Senhor promete confirmar o trono desse descendente para sempre. Ora, todos sabem que Salomão no apogeu de seu reino pecou desobedecendo a Deus, se unindo a mulheres pagãs e se entregou a idolatria provocando a ira do Senhor. Em sua indignação, Deus promete rasgar o seu reino, como diz: “Assim disse o SENHOR a Salomão: Pois que houve isto em ti, que não guardaste a minha aliança e os meus estatutos que te mandei, certamente rasgarei de ti este reino, e o darei a teu servo” (1Reis 11.11 ACF). Por causa do pecado de Salomão que transgrediu contra o Senhor, o reino de Israel foi dividido em duas tribos (Norte e Sul). Logo, Salomão não poderia ser o descendente pelo qual Deus prometeu a Daví que seria o que lhe edificaria uma habitação, cujo reino seria eterno.

CRISTO, O DESCENDENTE DE DAVI E NÃO SALOMÃO

Quando lemos a genealogia de Cristo, vemos que este veio da linhagem de Davi, passando por Salomão “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão... E Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias. E Salomão gerou a Roboão; e Roboão gerou a Abias; e Abias gerou a Asa... De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações” (Mateus 1.1;6,7;17). Assim, a promessa de Deus a Daví dizia respeito a Jesus e não a Salomão. Eis a razão pela qual Jesus era reconhecido entre os pobres, necessitados e até estrangeiros como o “Filho de Daví” (Mateus 9.27;12.23;15.22).

A IMPORTANCIA DO TEMPLO DE SALOMÃO.

Deus não pediu a construção desse templo para a sua habitação, no entanto Ele consentiu sua construção e até aceitou que seu Nome alí habitasse por um motivo especial, como segue:

O segundo livro das Crônicas nos mostra Salomão terminando e consagrando essa casa para Deus. Ao finalizar as obras de seu palácio e do templo, Salomão leva para este o ouro, a prata e os objetos de valor que Daví seu pai havia consagrado para aquela casa. Depois ele convoca os anciãos e os líderes tribais para conduzirem a arca do concerto até o lugar para ela preparada no templo. Uma grande festa acontece, onde um número incontável de bois e carneiros é sacrificado (2Crônicas 5.1-6).  Salomão faz um discurso e lembra ao povo o desejo de seu pai Daví em construir aquele templo e o motivo da não permissão de Deus, citando as Palavras que Natã, da parte de Deus entregou a Daví que disse que a descendência dele é que lhe faria uma habitação (2Crônicas 6.1-9). Salomão então sobe a plataforma que fez e ora a Deus. Na sua oração, Salomão diz algo interessante, que nos faz entender o motivo de Deus aceitar aquele templo como local de adoração. Leiamos uma parte dessa oração em 2Crônicas 7-18-21:

“Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que os céus, e o céu dos céus, não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado? Atende, pois, à oração do teu servo, e à sua súplica, ó SENHOR meu Deus; para ouvires o clamor, e a oração, que o teu servo faz perante ti.  Que os teus olhos estejam dia e noite abertos sobre este lugar, de que disseste que ali porias o teu nome; para ouvires a oração que o teu servo orar neste lugar.  Ouve, pois, as súplicas do teu servo, e do teu povo Israel, que fizerem neste lugar; e ouve tu do lugar da tua habitação, desde os céus; ouve pois, e perdoa”.

A oração de Salomão continua no restante do capítulo sete, e por várias vezes, ele menciona os céus como o lugar da habitação de Deus e não aquele templo. Mas é somente quando Salomão termina a oração é que Deus manda a sua glória em forma de fogo que consumiu os holocaustos e encheu a casa de modo que nem mesmo os sacerdotes puderam alí entrar (2Crônicas 7.1,2).

Passado esse dia, a noite o Senhor aparece a Salomão e lhe fala o motivo de ter aceito aquela casa que lhe foi consagrada. “E o SENHOR apareceu de noite a Salomão, e disse-lhe: Ouvi a tua oração, e escolhi para mim este lugar para casa de sacrifício” (2Crônicas 7.12). Sim, aquela casa seria uma casa de sacrifícios, pois, somente mediante esses holocaustos é que o povo recebia a expiação de seus pecados. Por essa razão que o Senhor falou assim: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar” (2Crônicas 7.14,15). Assim, todo povo de Deus (hebreus) precisava ir aquele lugar levar seus sacrifícios, orar e suplicar o favor de Deus. E isso durou até a vinda do Messias. Por isso, no cumprimento da Lei, Jesus demonstrou zelo por esta casa ao expulsar os cambistas que por permissão dos sacerdotes profanavam aquele lugar, transformando-o em casa de negócios. Nesta oportunidade Jesus mostrou que Ele era o verdadeiro templo da habitação de Deus, mas os religiosos não compreenderam o ensinamento de Jesus, como muitos até hoje não compreendem. (João 2.19-21). E por esta razão, os religiosos continuam construindo templos e os chamando de casa de Deus, sendo que Deus não habita nesses lugares (Atos 7.48 ; 17.24). O único templo aprovado por Deus foi o de Salomão, mas com a condição de Salomão e o povo permanecerem fiel a Lei de Moisés, caso contrário, o Senhor lhes arrancaria daquela terra, os lançaria fora de Sua presença e faria daquela casa um objeto de zombaria para todos os povos (2Crônicas 7.12-22)

CONCLUSÃO

O templo erguido por Salomão não foi a casa da habitação de Deus, conforme foi prometida a Daví. Deus não habitou naquela casa, apenas se fazia presente e respondia as orações, quando invocado naquele lugar, visto ele estar edificado em Jerusalém, cidade que Deus escolheu para fazer habitar o Seu Nome.  (Deuteronômio 12.11). E como vimos, aquele templo era uma casa de sacrifícios. Mas na instituição da Nova Aliança por Cristo, que cumpriu todas as exigências da lei, como sacrifícios, holocaustos e oblações, o templo perdeu sua utilidade. Por isto, Jesus predisse que dele não ficaria desta casa pedra sobre pedra que não fosse derribada (Mateus 24.2). E isso aconteceu no ano 70 dC, e desde então nenhum outro mais foi erguido. Se Deus de fato habitasse alí, jamais permitiria que ele fosse profanado ou destruído.

No próximo artigo, falarei da Casa de Deus levantada pelo descendente de Daví – Jesus.
Em cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará