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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O Batismo com o Espírito Santo e com Fogo.



"E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo." (Mateus 3.11).

INTRODUÇÃO

A vida cristã é vida no Espírito.  Seria impossível ser cristão, sem o ministério do gracioso Espírito de Deus. Tudo o que temos e somos como cristãos devemos a Ele. Cada cristão tem uma experiência do Espírito Santo desde os primeiros momentos da sua vida cristã. Para o cristão, a vida começa com um novo nascimento, e o novo nascimento é um nascimento "no Espírito" (João 3.3-8). Assim o batismo com o Espírito Santo é uma realidade presente na vida do cristão. Mas, e o que viria a ser o batismo com fogo? Seria o batismo com o Espírito Santo e com fogo um evento simultâneo na vida do crente; ou haverá distinção entre ambos? Sim, há distinção, conforme veremos neste estudo.

DEFINIÇÃO DE BATISMO

Antes de iniciarmos este estudo, convém entendermos o sentido etimológico do termo, para uma melhor compreensão dos fatos. A palavra batismo origina-se da palavra grega “baptizo” e da latina “baptismus”, e significa, em ambos os casos, “mergulho” ou “imersão”. No Novo Testamento seu significado literal é morte e sepultamento e, sofrimento, como foi no caso de Jesus. "Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos." (Mateus 20.22). "Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se!"  (Lucas 12. 50). Certamente que Jesus foi batizado em águas por João, mas esse “certo batismo” que Ele fala, se refere ao flagelo e o sofrimento que Ele passaria e que culminaria com sua morte no madeiro.

O escritor aos Hebreus fala sobre a “doutrina dos batismos”, deixando entendido que existem vários tipos de batismo (Hebreus 6.2). De fato, na bíblia encontramos alguns tipos de batismos, como: a)-Batismo em Moisés, na núvem e no mar (1Corintios 10.2); b)-Batismo de João para o arrependimento e remissão de pecados (Marcos 1.4); c)- Batismo cristão por imersão como símbolo de morte e sepultamento (Romanos 6.3) e, d)- Batismo com o Espírito Santo e com fogo, efetuado por Jesus (Mateus 3.11).

Como o tema deste estudo é Batismo como Espírito Santo e com Fogo, vamos pensar que ser batizado é “ser imerso” ou “mergulhar” como sugere o significado do termo batismo. Por assim dizer, ser batizado com o Espírito Santo é “mergulhar” ou “imergir/afundar” no Espírito Santo. Assim também diz respeito ao “batismo com fogo” que significa “mergulhar” ou “imergir” no fogo.

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO É A PROMESSA DO PAI

Desde o antigo pacto, a promessa do derramamento do Espírito Santo fora vaticinada pelos profetas veterotestamentários, como Isaías, Ezequiel e Joel. Isaías profetizou que Deus derramaria de seu Espírito sobre Israel, quando este povo se convertesse da idolatria dos povos que os cercavam: "Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes." (Isaías 44.3). Ezequiel profetizou a promessa do Espírito em relação ao povo de Israel que terá seu cumprimento literal no período milenial: “Então saberão que eu sou o SENHOR seu Deus, vendo que eu os fiz ir em cativeiro entre os gentios, e os ajuntarei para voltarem a sua terra, e não mais deixarei lá nenhum deles.  Nem lhes esconderei mais a minha face, pois derramarei o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor DEUS” (Ezequiel 39.28,29). Mas Joel foi quem profetizou que o Espírito de Deus seria derramado sobre toda a carne, antes da consumação de todas as coisas e não fazendo distinção entre judeus e gentios: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito” (Joel 2.28,29). Em seu ministério terreno Jesus confirmou o que os profetas falaram, exortando os discípulos a aguardarem: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder." (Lucas 24.49).

O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

O livro de Atos registra como se deu o cumprimento dessa promessa. Lucas, seu autor lembra as palavras Senhor, momentos antes de Ele ascender ao Pai. “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1.4,5). Cerca de 500 discípulos estavam presentes no monte das oliveiras, ouviram esta admoestação e viram o Senhor voltar aos céus. Mas somente uns 120 foram agraciados com a promessa porque creram e esperaram com paciência. Dez dias após ser assunto aos céus, comemorava-se em Jerusalém a festa do Pentecostes. Neste dia cumpre-se a promessa feita pelo Pai, por meio dos profetas, conforme o livro de Atos mostra com clareza de detalhes.

O OBJETIVO DA PROMESSA

A promessa do batismo com o Espírito Santo haveria de cumprir um propósito específico na vida dos crentes. Além de santificá-los para fazer deles a morada e a habitação de Deus, o batismo veio para: a)- revesti-los de poder do alto e capacitá-los a pregar o evangelho com ousadia e testemunhar a respeito do Senhor Jesus onde fosse preciso. "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra."  (Atos 1.8); b)- Guiar os crentes em toda a verdade e justiça, preparando-os para receber Jesus em sua segunda vinda: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir."  (João 16.13); c)- Libertar os crentes da escravidão religiosa que os oprimia e do temor, concedendo-lhes o direito a adoção de filhos, dando a certeza de que somos filhos de Deus: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” (Romanos 8.15,16);  d)- Trazer conhecimento claro e amplo da Palavra de Deus, fazendo o crente lembrar-se quando for necessário. "Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras." (Provérbios 1.23); "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito."  (João 14.26); f) – Capacitar o crente a realizar prodígios e maravilhas em Nome de Jesus: "E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo."  (Atos 6.8); e g) - Encorajar o crente a falar as verdadeiras Palavras de Deus com ousadia e destemor, batalhando pela fé que uma vez foi dada aos crentes. “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (Atos 7.55).

COMO RECEBER O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO?

Não existe uma fórmula mágica. Mas a teologia Pentecostal e Néo Pentecostal defende a ideia do batismo com o Espírito Santo, como sendo uma ação a parte da conversão, onde, aquele que aspira ser batizado precisa buscar em oração e consagração até que este consiga falar em “línguas estranhas”. Se, após um período de oração (que pode durar dias e até meses), o individuo começar a falar em línguas estranhas é o sinal que este conseguiu ser batizado. Campanhas, correntes, vigílias e até jejuns são feitos com o objetivo de levar o indivíduo a quem Deus não deu o dom de falar em línguas, buscar o batismo, como se esse dom fosse a evidencia inicial que prova que alguém recebeu o batismo com o Espírito Santo. E nessa busca, muitos que participam ficam frustrados e outros até se desviam da fé, por entenderem que, pelo fato de não conseguirem falar em línguas, os tais não foram batizados com o Espírito Santo. Ai vem a justificativa que a pessoa que buscava e não falou em línguas, não tinha fé suficiente, ou estava em pecado. Comicamente (já vi), alguns mestres que oram para que os crentes sejam batizados, pedirem para que estes deem glória, glória, glória repetidamente até que suas línguas se enrolem a ponto de estes pronunciarem palavras ininteligíveis, quais são confundidas com as línguas estranhas. E é estranho mesmo! Isso ocorre porque, essa teologia defende que a evidência inicial do batismo com o Espírito Santo seja o falar em línguas.

Quero deixar claro que não sou “cessacionista”, pois creio e vivo na atualidade dos dons espirituais e que estes só haverão de cessar, quando estivermos na presença de Deus. No entanto, em se tratando dos dons de línguas, particularmente eles devem ser exercidos junto com o dom de interpretação e não aleatoriamente como vemos acontecer. Paulo diz: "E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação." (1Coríntios 14.5). E continua seu ensino: Se alguém falar em uma língua estranha, que a falem somente dois, quando muito três, um de cada vez, e que haja quem possa interpretar.Contudo, se não houver intérprete, permaneça calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus. (1Corintios 14.27,28). Por falta deste ensino, se observa uma espécie de desordem na administração desse dom nas igrejas, onde alguns pregadores chegam até a substituir a pregação pelo falar em línguas estranhas, para exibir uma espiritualidade. Mas quanto a isso, Paulo termina seu ensino sobre os dons do Espírito Santo, exortando assim:  “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.  Mas, se alguém ignora isto, que ignore.  Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1Corintios 14.37-40).

Ainda sobre o batismo com o Espírito Santo, a doutrina pentecostal até há pouco tempo não reconhecia que o indivíduo que não falasse línguas estranhas fosse batizado ou tivesse o Espírito Santo. Mas esse pensamento começou a mudar. Na lição 10 da Escola Dominical da CPAD, do dia 3 de setembro e que foi ministrada nas igrejas da Assembleia de Deus, o comentarista Esequias Soares, diz o seguinte: Todos os crentes em Jesus já têm o Espírito Santo. Na regeneração, o Espírito promove o novo nascimento, que é um ato direto do Espírito Santo (Jo 3.6-8). O pecador recebe o Espírito no exato momento em que aceita, de verdade, a Jesus (Gl 3.2; Ef 1.13). Os discípulos de Jesus já tinham seu nome escrito no céu (Lc 10.20) e igualmente tinham o Espírito Santo mesmo antes do Pentecostes (Jo 20.22)” (Esequias Soares, Lição 10, 3 de setembro de 2017, tema: A RAZÃO DA NOSSA FÉ, ASSIM CREMOS, ASSIM VIVEMOS).

No entanto, ainda levará algum tempo para o povo se adequar e esta nova realidade. Mas, por causa desse entendimento que antes havia, ainda se vê nas igrejas que adotam essa teologia duas classes de pessoas (espero que isso mude). As que falam em línguas estranhas são tratadas de forma diferenciadas pelas lideranças e alguns crentes. Os que falam em línguas estranhas ocupam posições de destaque e cargos relevantes nas instituições, ao passo que as que não falam são consideradas como crentes de segunda classe e não são valorizadas. Isso é acepção de pessoas verídica. Esse mal só acontece porque, interpretaram de forma equivocada o que diz Atos 2.4: “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar NOUTRAS LÍNGUAS, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Porém, essas “outras línguas” em que os discípulos falaram no dia de Pentecostes não eram línguas estranhas. Pelo contrário, eram línguas conhecidas das mais de 15 nações que se encontravam presentes em Jerusalém, por ocasião da festa. Logo, fica descaracterizado que e evidencia inicial do batismo com o Espírito Santo seja o falar em línguas estranhas. O que dizer dos que não falam? "Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?"  (1Coríntios 12.30).

OS QUE CRERAM FORAM BATIZADOS NO NOME DE JESUS E RECEBERAM A PROMESSA DO DOM DO ESPÍRITO SANTO

Os que presenciaram a manifestação do Espírito de forma extraordinária na vida dos apóstolos, no dia de Pentecostes fizeram a seguinte pergunta: “Que faremos varões irmãos?” A resposta de Pedro foi enfática: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” (Atos 2.38,39). Pedro associou o recebimento do batismo com o arrependimento daquele que crê. O arrependido era batizado em o Nome de Jesus e logo recebia o dom do Espírito Santo que segundo a promessa é o batismo com o Espírito Santo.

Neste caso, a fé é imprescindível. Paulo disse que o crê (fé) vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10.17). Isso é notório, pois mais adiante está escrito que todos os que de bom grado receberam a Palavra foram batizados, que foi num total de três mil almas (Atos 2.40). Será que esses milhares que creram falaram todos em línguas? Creio que se isso fosse relevante, Lucas teria registrado o fato, como registrou como aconteceu com Cornélio. E, na casa de Cornélio, o Espírito Santo veio sobre aquela família mediante a palavra de Deus ministrada por Pedro. “E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio. E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11.15,16). E não foi somente com Cornélio, mas com todos que estavam presentes alí e ouviram a Palavra por intermédio de Pedro (Atos 10.44-46). Neste caso, todos alí falaram em línguas e magnificaram a Deus, e até mesmo como um sinal para mostrar a Pedro que Deus não faz acepção de pessoas, visto que ele ainda nutria certo preconceito em relação aos gentios, achando que o dom de Deus era exclusividade dos judeus. As escrituras não nos ensinam a buscar o batismo com o Espírito Santo, mas sim a buscar com zelo os dons que Ele tem para nos entregar. "Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente." (1Coríntios 12.31).

AS LÍNGUAS SÃO MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO CONCEDIDAS AO CRENTE COMO DONS

As línguas (tanto as estranhas como as diversas línguas) são dadas como dons a quem já recebeu o Espírito Santo, assim como os demais dons que Ele tem para nos entregar. A profecia de Joel quanto a promessa do recebimento do Espirito Santo, diz: “...e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões” (Joel 2.28). Entre outros dons, Joel alude ao dom de profetizar, que segundo Paulo, é o dom mais importante a ser buscado pelo crente, sem, contudo, desprezar o dom de línguas. "Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas."  (1Coríntios 14.39). Paulo ainda ensina que: "as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis." (1Coríntios 14.22).

Paulo, o apóstolo dos gentios ensina que todos os que ouvem a Palavra da verdade e creem, são selados pelo Espírito Santo da promessa: "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa."  (Efésios 1.13). E, uma vez selado e/ou batizados, não devemos entristecer o Santo Espírito que em nós habita. "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção." (Efésios 4.30). Por fim, Paulo não faz qualquer distinção no corpo de Cristo, impondo regras e condições para ser batizado com o Espírito Santo, senão, o que já foi exposto acima que é o ato de crer, sabendo que esta é a obra do Espírito mediante a aceitação da Palavra da verdade. "Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito."  (1Coríntios 12.13). Assim, a evidencia do batismo com o Espírito Santo é revelado na mudança de caráter, na santificação e no fruto do Espírito que o crente produz diariamente em sua vida.

O BATISMO COM FOGO, O QUE É?

No meio religioso as opiniões se divergem quanto ao que seria o batismo com fogo. Há os que defendem serem as provações que passamos aqui neste mundo como cristãos. Outros alegam ser a ação eloquente do Espírito na vida do crente, com base no que está em Atos 2.3: "E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles." (Atos 2.3). Mas atente que o texto não diz que eram línguas de fogo, mas “como que de fogo”.

Quando João Batista falou sobre esse assunto, estavam presentes os religiosos fariseus e saduceus. E foi diretamente para eles que João dirigiu a mensagem. “Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?” (Mateus 3.7). João conhecia a índole daqueles religiosos e sabia que eles haviam ido lá para o espionarem e não com o desejo de arrependerem-se de seus pecados. Até porque, os tais se julgavam justos e mais santos que as demais pessoas por praticarem as obras da Lei (Lucas 18.12). João os adverte a respeito da ira vindoura, mostrando que este tempo estava se aproximando. Eis o que diz João. “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mateus 3.10). Compare com o que disse Jesus aos que não creem nEle. "Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem."  (João 15. 6).

Em Atos, vemos o evangelista Lucas discorrer sobre o que João profetizou: "Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias." (Atos 1.5). Atente que o relato não menciona a parte final da expressão de João batista em Mateus 3.11 que é “com fogo”. Teria ele esquecido essa parte? Creio que não. Isso deixa claro que o batismo com fogo, seria um evento futuro destinado aos ímpios e que não dizia respeito falar naquele momento, pois Lucas estava a falar do cumprimento glorioso da promessa do batismo com o Espírito Santo na vida dos que criam. Também o apóstolo Pedro quando testemunhava da conversão de Cornélio, se referiu a promessa: “E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11.16). Mas também não cita o termo “com fogo”.

O batismo com fogo não é uma extensão do batismo com o Espírito Santo. Não, o batismo com fogo, mais uma vez ressalto, é uma clara referência ao juízo divino que há de vir sobre todo aquele que rejeitam o plano da salvação em Cristo, mesmo conhecendo a Palavra da verdade. Será a diferença que haverá entre o justo e o ímpio (Malaquias 3.18). Por assim dizer, os justos são batizados com o Espírito Santo, mas os ímpios haverão de ser batizados com fogo. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13.49,50).

            A FIGURA DA PÁ E DA EIRA.

João conclui o sermão sobre este assunto dizendo: “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará” (Mateus 3.12). Fica evidente que o batismo com fogo não faz parte do batismo com o Espírito Santo, mas será a punição divina para os infiéis. Na bíblia o fogo está associado a poder, a purificação, a glória, mas também a juízo eterno. Mas, neste contexto, o fogo se refere ao juízo divino que será derramado sobre os que resistem a graça divina: "Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do SENHOR, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada."  (Sofonias 1.18).  

CONCLUSÃO

Vimos neste estudo que há vários tipos de batismo. Mas, o mesmo Jesus que batiza com o Espírito Santo é o mesmo que batiza com fogo. Não queira meu irmão ser batizado com este fogo. Jesus tem em suas mãos a pá. Entende-se que a PÁ e a PALAVRA; com ela ele limpara a sua EIRA. Entendemos que é a IGREJA; recolherá no celeiro o seu trigo. O CELEIRO é o REINO DOS CÉUS; e o TRIGO são os JUSTOS. Mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga. A PALHA são os ÍMPIOS que ora estão no meio dos justos, mas não praticam a justiça, não amam os irmãos e rejeitam sua graça e salvação.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará – Brasil

Fonte de pesquisa: Biblia Almeida Corrigida Fiel (ACF) e King James Atualizada (KJA)

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