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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Onde fica a casa do Senhor e do que ela é construída?


INTRODUÇÃO.

Deus tem uma casa? Sim! Como ela é, do que é feita e onde fica a casa de Deus? Quando se fala em casa de Deus atualmente, logo vem a mente a idéia de um prédio, casa de oração (templo), quais são também conhecidos por igrejas. Isso se dá por conta de uma tradição que as igrejas evangélicas herdaram do catolicismo romano, quando a igreja imperial no terceiro século da era cristã adotou a ideia de construir templos e catedrais em homenagem as suas divindades. Soma-se a isso a falta de conhecimento, pois não há um ensino coerente sobre essa verdade e, por conta disso, muitos até mistificam esses lugares por acreditarem que Deus habita de fato nesses espaços. Neste  estudo veremos que Deus não habita em templos feitos pelas mãos dos homens e qual é a casa de Deus na nova aliança e o cuidado que devemos ter pela habitação de Deus.

I - A HABITAÇÃO DE DEUS NO ANTIGO CONCERTO.

1 – Deus deseja habitar entre os israelitas no deserto  (Êxodo 29 : 45). Já vimos em lições anteriores que o Senhor ao tirar o seu povo do cativeiro egípcio, desejou habitar entre eles enquanto peregrinavam no deserto a caminho da terra prometida. Por eles ainda não haverem se fixado na terra, Deus ordenou construírem um tabernáculo, que era uma tenda móvel. Essa tenda seria armada e desarmada durante a caminhada no deserto até tomarem posse da terra prometida. Era um serviço árduo que somente os levitas (da tribo de Levi) poderiam executar. A peça mais importante do tabernáculo era a arca do concerto que continha o testemunho da lei e representava a santa presença de Deus em meio ao seu povo de Israel. Por intermédio do tabernáculo e da arca Deus caminhava em meio ao seu povo.

2 – Salomão edifica o templo (1Reis 6  : 14). Quatrocentos e oitenta anos depois que os filhos de Israel saíram do Egito, Salomão inicia a construção do templo que substituiria o tabernáculo (1Reis 6 : 1).  O templo foi construído com o que de mais belo e caro existia na época, pois seria a habitação do grande Deus (1Crônicas 22 : 14). Hoje, muitos se utilizam de passagens isoladas como esta para justificar a cobrança de contribuição com o objetivo de se construir casas para Deus. Porém, o próprio Salomão reconheceu que aquele templo, por mais suntuoso e belo que fosse não seria suficiente para abrigar o Deus que construiu o universo e a quem pertence a eterna glória (2Crônicas 6 : 18).

3 -  O templo se torna em objeto de superstição (Jeremias 7 : 4). Com o passar do tempo, o templo se tornou em objeto de misticismo em Judá. Na época de Jeremias o povo havia entrado pelo caminho da apostasia queimando incenso à rainha do céu, provocando a ira do Criador (Jeremias 7 : 17, 18). Os profetas com a aprovação dos sacerdotes alimentavam o povo com a falsa esperança que nada aconteceria com o povo, não importando o caminho que estivessem trilhando, pelo fato de o templo está edificado entre eles. Mas o Senhor por intermédio de Jeremias fala para estes não se fiarem em palavras falsas, e exorta-os a melhorarem seus caminhos e suas obras (Jeremias 7 : 5, 6). Deus chega a dizer que faria com esta casa (templo) o mesmo que Ele fez com o tabernáculo em Siló, quando o povo de Israel o abandonou (Jeremias 7 : 11 , 12 ; 14). E, como Deus falou, assim aconteceu (2Crônicas 36 : 19).

II JESUS MOSTRA SEU ZELO PELO TEMPLO

1 – Jesus purifica o templo. Jesus estava no pleno cumprimento da lei e ficou indignado ao observar a profanação que se fazia no templo. Jesus ainda não havia morrido para pagar o preço da redenção, portanto, o povo ainda era obrigado ir ao templo levar a oferta exigida por lei como expiação pelos pecados (Levítico 7 : 2), bem como a oferta anual que era para a manutenção deste (2Crônicas 24 : 5 – 7 ; Êxodo 30 : 16). Ao chegar no templo Jesus ficou irado com o comércio que havia se formado neste. Com a autorização dos sacerdotes, animais para sacrifícios eram vendidos e outras negociações envolvendo dinheiro (João 2 : 14 , 15). No antigo testamento Neemias mostra a mesma indignação quando vê o templo profanado com Tobias, um inimigo de Deus morando dentro da casa do tesouro com a permissão do sacerdote Eliasibe (Neemias 13 : 4 -10). Não obstante os exemplos de Neemias e Jesus, estes fatos se repetem constantemente nos templos religiosos.

2 - Jesus se apresenta como maior que o templo (Mateus 12 : 6): Desde sua construção por Salomão até Jesus, o templo foi um marco da religião judaica, por ser considerado como a casa de Deus.  Com a morte de Salomão, o reino de Israel se dividiu com dez tribos ficando o norte e duas ao sul de Israel. As tribos do norte, conhecidas como Israel adotaram como capital Samaria e a do sul, conhecida como Judá teve como capital Jerusalém, local onde estava edificado o templo. As tribos do norte (Israel) se misturaram com outras gentes e passaram a praticar uma adoração mista no monte (2Reis 17 : 24 ; 41). Mas os judeus da tribo de Judá adoravam no templo e não se misturavam com os samaritanos. Assim, criou-se a inimizade entre irmãos (judeus e samaritanos) até que Jesus veio para mostrar onde é o verdadeiro lugar de adoração (João 4 : 20 – 24). Pela sua morte, Jesus desfez as inimizades, edificando seu verdadeiro templo (Efésios 2 : 15 -22).

3 – Os primeiros crentes ainda no templo judeu: O templo ainda estava de pé e, pela tradição judaica os apóstolos e os primeiros crentes judeus se reuniam nele onde oravam segundo o costume, mas a ceia do Senhor era celebrada nas casas dos irmãos (Atos 2 : 46). Porém, a medida que a igreja ia crescendo, a permanência deles no templo ia ficando inviável. Foi depois da cura do coxo na Porta Formosa, que eles foram praticamente proibidos de entrarem alí, principalmente os apóstolos (Atos 4 : 1 - 3). Só permaneceriam lá se concordassem em não falar e não ensinar sobre Jesus (Atos 4 : 18). O que não foi aceito pelos apóstolos (Atos 4 ; 19 , 20). Mas a situação complicou mesmo quando Estevão foi acusado falsamente de pregar contra o templo (Atos 6 : 13 , 14). Em sua defesa ele cita o profeta Isaías 66 : 1 , 2 (Atos 7 : 47 – 50), mas de nada adiantou. Estevão morre apedrejado por falar a verdade.

III – DEUS ESCOLHEU HABITAR EM NÓS

1 – Igreja, a casa de Deus, coluna e apoio da verdade (1Timóteo 3 : 15). Com a inauguração da nova aliança a igreja passa a ser a verdadeira casa de Deus. Deus não mais habitaria em templos de pedras ou madeira (Atos 17 : 24). Passamos a ser a coluna e o apoio da verdade que são as palavras de Jesus, pela qual fomos libertos do engano e que devemos proclamar e viver. Jesus prometeu que Ele e o Pai viriam e fariam em nós morada (João 14 : 23). Jesus é o fundamento do verdadeiro templo, quais somos nós, edificados para morada de Deus em Espírito (Efésios 2 : 20 – 22). Cada crente é uma pedra viva, pela qual é edificado a casa espiritual onde se oferece sacrifícios agradáveis a Deus (1Pedro 2 : 5). Quando Jesus voltar para levar Sua igreja, deseja encontrar seu templo conservado, santo e irrepreensível (1Tessalonicenses 5 : 23).

2 – Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá (1Corintios 3 : 17): Deus escolheu habitar em nós. Somos a morada de santo Espírito, cuja habitação Ele requer santidade e zelo. Ele prometeu destruir aquele que vier a destruir o seu templo e essa advertência precisa ser levada muito a sério por cada um de nós, visto que muitas coisas podem contribuir para isso, como as obras da carne registrada em Gálatas 5 : 19 - 21, quais são: adultério, prostituição, impureza, e a lascívia que é o ato de trajar-se de modo indecoroso, despertando desejos maliciosos no sexo oposto. Hoje muitos crentes não se importam com isso, pois adotaram afilosofia do "nada a ver". Contudo é certo que tais atitudes contaminam, mancham e destroem o templo de Deus. E Deus é enfático que aquele que destruir a sua morada também será destruído.

 CONCLUSÃO

Como vimos, nosso corpo é a morada de Deus hoje, pois Ele não habita mais em templos feitos pelas mãos dos homens. Compete a nós zelarmos por Ele, não permitindo que nada venha contaminá-lo ou profaná-lo. No antigo concerto Deus proibiu o seu povo fazer qualquer marca em seu corpo (Levítico 19 : 28).

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.(1Corintios 6 : 19 , 20).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A diferença entre o justo e o ímpio


Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve. (Malaquias 3 : 18).

INTRODUÇÃO

Assim como o joio no meio do trigo os ímpios congregam junto com os justos. Como saber a diferença entre justos e ímpios; entre os que servem a Deus e os que não servem?

Por muito tempo julgamos aqueles que não comungam da mesma fé que a nossa ou não frequentam nenhuma igreja chamando-os de ímpios. Sim, há os ímpios que não conhecem a Deus e a Bíblia os trata assim (Salmo 10: 1 - 4). Porém, a pior classe de ímpios se encontra infiltrados no arraial dos santos, pois estes oram, cantam, conhecem e pregam a palavra, mas não põe em prática aquilo que ensinam. São ímpios porque conhecem a vontade de Deus, mas não se submetem a ela e principalmente na pratica da justiça. Esses ímpios também são conhecidos como injustos ou aqueles que praticam a iniquidade e que se ficarão de fora do reino de Deus se não mudarem de atitude. 

No sentido etimológico, ímpio é aquele que não pratica a piedade; é injusto; é desumano; é iníquo. No estudo de hoje veremos a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve.

I – A DIFERENÇA ENTRE JUSTOS E ÍMPIOS PECADORES

1 Entendendo a posição do salmista: O salmo 1 começa com o aconselhamento: Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”. Quem seriam esses ímpios? Pecadores de fora dos círculos religiosos como beberrões, homossexuais, assassinos, ladrões? Não! Esses ímpios de que trata o salmista são aqueles que estão em nosso meio, mas que não vivem uma vida de piedade e temor ao Senhor. São crentes que andam com a bíblia debaixo do braço, pregam e até se colocam como conselheiros de outros, mas que não vivem ou não praticam o que o santo livro ensina. Paulo escrevendo a Timóteo, fala que a atuação destes ímpios nos últimos dias resultaria em tempos trabalhosos para a igreja e nos aconselha a nos afastarmos destes, pois eles: “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te" (2Timóteo 3:5).

2 No exemplo de Noé e sua família: A bíblia diz que Noé eram homem justo em sua geração, pois ele andava com Deus (Gênesis 6:9 ; 7:1). Quando os filhos de Deus se envolveram com as filhas dos homens geraram filhos ímpios. Por causa disso a maldade do homem se disseminou sobre a terra corrompendo-a e enchendo de violência. Então o Senhor determinou exterminar todos os viventes, mas Noé encontrou graça aos olhos de Deus. Por sua integridade e justiça diante de Deus, Noé foi preservado junto com sua família do cataclismo que exterminou a vida no planeta (2Pedro 2:5).

3 No exemplo de Ló: Ló era sobrinho de Abrão e, por muito conviver com seu tio aprendeu a viver na prática da justiça. Ló escolheu habitar em uma cidade que mais tarde se corrompeu e sofreu o juízo divino pelo fogo. Quando Deus determinou exterminar os ímpios moradores daquelas cidades, Abrão lhe questionou se Ele destruiria o justo com o ímpio. Deus lhes respondeu que se houvesse cinquenta justos pouparia toda a cidade por amor aos justos. Por intercessão de Abrão, o Senhor declarou que se encontrasse dez justos na cidade não a destruiria por amor aos dez, mas só havia Ló e sua filhas (Genesis 18 : 23 – 32). Pedro declarou em sua segunda epístola que o que aconteceu em Sodoma ficaria como exemplo para quem quisesse viver impiamente, mas que livraria os justos assim como livrou Ló (2Pedro 2: 6 - 15).

4 No exemplo de Daniel (Daniel 6: 1 - 28): Daniel encontrava-se em Babilônia, onde fora levado cativo por Nabucodonosor, quando este destruiu Jerusalém. Quando Dario o persa assumiu o reino, decidiu constituir cento e vinte príncipes e sobre eles três presidentes, entre eles Daniel. Por sua justiça e fidelidade Deus o exaltou a ponto de Daniel se sobrepujar sobre os demais, levando o rei a pensar em constituí-lo sobre todo o seu reino. Isso causou a inveja dos outros dois que então procuraram ocasião para acusar Daniel de algum crime, mas não encontraram nele culpa alguma. Então, ardilosamente procuraram algo na própria lei de Deus que Daniel defendia. Aproveitando a vaidade do rei elaboraram um decreto, onde todo aquele que durante trinta dias fizesse alguma petição a algum deus que não fosse para o rei, este deveria ser lançado na cova dos leões. Sem saber que isto era uma armadilha contra o fiel Daniel o rei assinou o decreto. Embora fosse um edito real, Daniel não obedeceu e por causa disso foi condenado a morte na cova dos leões. Mas Deus honrou sua fidelidade e fechou a boca daquelas feras durante toda a noite. Pela manhã o rei foi a cova e viu o milagre de Deus na vida do justo Daniel. Então ordenou que se trouxessem os acusadores de Daniel com suas famílias e estes foram jogados na cova. Os leões nem deixaram estes cair no chão e foram logo os despedaçando.

II ÍMPIOS NO MEIO DO POVO DE DEUS

1 A prevaricação de Judá (Jeremias 5: 1 - 9). A tribo de Judá estava prestes a sofrer o juízo de Deus por causa de suas prevaricações. O capítulo cinco do livro do profeta Jeremias mostra a indignação de Deus contra o seu povo que se desviou da verdade e da justiça. A situação estava tão séria que o Senhor chega a fazer um apelo para que se procure pelas ruas e pelas praças de Jerusalém alguém que praticasse a justiça e a verdade, pois Ele estava disposto a dar-lhe o perdão. Não tinha nenhum. Deus então vai falar com os grandes, isto é, entre os reis, sacerdotes e profetas, mas estes juntamente quebraram o jugo, e romperam as ataduras (Verso 5). Por eles haverem tomado o caminho da impiedade, o juízo seria inevitável. “Deixaria eu de castigar por estas coisas, diz o SENHOR, ou não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?” (verso 9).

2 Porque ímpios se acham entre o meu povo (Jeremias 5 : 26). Mesmo com inúmeras advertências e promessas de punição, o povo mantém-se rebelde a voz do Senhor e então, Deus mostra-lhes seus pecados e afirma que ímpios se acham entre o seu povo. Em seguida, o Senhor declara a ação destes: a)  Armavam laços e armadilhas para prenderem os homens (Verso 26). Jesus falou que esses tipos de ímpios até visitam os necessitados, mas com segundas intenções (Marcos 12 : 40). E Paulo confirma as palavras de Jesus (2Timóteo 3 : 6). b) Enganam as pessoas com o fim de enriquecerem e se engrandecerem (Verso 27). c) Com isso engordavam-se e manchavam suas vestes (tornavam-se nédios), ultrapassavam até os feitos dos malignos (pecadores de fora) e nisso prosperavam, mas não praticavam a justiça divina, que consistia em julgar a causa das viúvas e atender o direito dos necessitados (Verso 28). Este também foi o pecado dos sacerdotes no tempo de Malaquias (Malaquias 3 : 5).

Deus considera a ação desses ímpios como coisa espantosa e horrenda e promete castigar, punir e vingar os justos que são vítimas dos tais. O texto termina mostrando que a ação desses ímpios é fortalecida pelas mensagens dos falsos profetas, pelos quais os sacerdotes dominavam e o povo assim acreditava. (versos 30, 31).

3 Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio (Malaquias 3 : 18). Por intermédio de Malaquias o Senhor estava dando uma resposta ao questionamento de alguns judeus que  haviam tomado o caminho da impiedade, primeiramente pelo mau exemplo dos sacerdotes e depois se embasando na vida de pecadores que não obstante levarem uma vida desregrada e alheia a vontade de Deus prosperavam (Malaquias 3 : 15). Asafe certa vez se sentiu assim ao ponto de quase desviar-se (Salmo 73 : 2, 3). Mas entre os infiéis, haviam aqueles que eram justos e temiam ao Senhor e mutuamente se aconselhavam e o Senhor atentou para eles, prometendo que eles seriam seu tesouro particular e que no dia do juízo vindouro seriam poupados como um pai poupa a seu filho (Malaquias 3 : 16, 17). O escritor aos hebreus nos aconselha a fazermos o mesmo:  "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hebreus 3 : 11, 12).


CONCLUSÃO

O evangelista Mateus registrou as palavras de Jesus no que diz respeito a diferença entre o que serve a Deus e o que não serve, conforme esta no capítulo 7 e versos 21 a 23 que diz:

21  Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22  Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
23  E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Atualmente muitos professam o nome de Cristo e alegam servi-lo. Em parte julgamos se isso é assim mediante os frutos que produzem. Mas existem outros que somente se verá a diferença no momento em que a igreja for arrebatada, pois os justos subirão, mas os ímpios ficarão.

Deus nos ajude em nossa caminhada a sermos justos e praticarmos a justiça para não sermos confundidos naquele glorioso dia. Amém.
  
Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

quarta-feira, 26 de março de 2014

O legado de Moisés


Definição de Legado: Herança, disposição feita por testamento em benefício de alguém; aquilo que uma pessoa deixa quando morre.

Moisés foi o grande legislador de Israel, escolhido por Deus para libertar seu povo da escravidão do Egito e conduzi-lo a terra de Canaã, onde pudessem adorar ao Senhor em liberdade. Para os judeus Moisés foi o maior profeta que já existiu e, quando de sua morte, Deus precisou esconder o seu corpo, visto que até o próprio diabo requereu a posse deste, certamente para fazer dele um ídolo (Judas 1:9).

A vida e o ministério de Moisés foram marcados por desafios de fé e pelo sobrenatural de Deus. Quando do seu nascimento havia um decreto de morte para todos os meninos hebreus e o primeiro desafio era conservá-lo com vida, uma vez que a ordem do rei não podia ser desobedecida (Êxodo 1:16). O primeiro desafio de fé partiu de seus pais que não temeram o mandado do rei e o esconderam por três meses (Hebreus 11:23). Certamente que não foi somente o amor pelo filho que fez com que os pais de Moisés agissem assim, pondo em risco suas próprias vidas, mas a fé que aquele menino seria um instrumento nas mãos de Deus os impulsionou a fazerem isso. Isso mostra que o relacionamento de amor em família é o elemento essencial para a formação de bom líder.

Certamente que Moisés como homem teve suas falhas e fraquezas, mas Deus o escolheu para cumprir os seus desígnios na vida de faraó e mostrar a sua glória aos egípcios. Veremos algumas qualidades que evidenciaram sua chamada e ministério, quais devemos ter com um legado deixado por ele para as futuras gerações.

FIDELIDADE.

“E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar (Hebreus 3:5).

Moisés foi aquele em quem Deus confiou para liderar seu povo, entregando-lhe as leis que regeriam aquela nação (Gálatas 3:19,20). Como medianeiro, Moisés não poderia aumentar ou diminuir nada do que Deus lhe outorgara. Moisés, como servo foi fiel em cumprir e em ensinar a lei ao povo eleito de Israel. De igual modo, hoje, todo aquele que é chamado e escolhido a guiar o povo de Deus precisa fazê-lo na condição de servo e fiel. A fidelidade do ministro consiste essencialmente em alimentar o rebanho de Deus com a Palavra genuína e sem mistura. Fazendo assim, o tal será grandemente galardoado, pois os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina.  (1Timóteo 5:17)

FÉ!

Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado;” (Hebreus 11:24,25).

A fé é uma virtude indispensável a quem é chamado a liderar. Ao ser recolhido do rio Nilo, a filha de Faraó adota o menino como seu filho e dá-lhe o nome de Moisés, cujo significado é “tirado das águas”. Mesmo na condição de filho adotivo, Moisés galga a posição de príncipe do Egito, tendo o direito a todas as regalias da família real. Como príncipe, Moisés freqüentou as melhores faculdades da época, sendo instruído na ciência dos egípcios. Conhecendo suas origens, Moisés recusou o título de filho da filha de Faraó, isto é, não aceitou o título de príncipe em uma nação idolatra e abominável, preferindo sofrer como um servo de Deus. 

Eis aqui um grande exemplo para muitos líderes da atualidade que juram que tem a chamada divina, mas que não possuem fé suficiente para realizarem a obra para a qual alegam terem sido chamados. Quando chega o pleito eleitoral alguns até abandonam o rebanho para concorrerem a cargos públicos na justificativa de representarem o povo de Deus na política. Moisés fez justamente o contrário, pois aqueles que são verdadeiramente chamados por Deus não se embaraçam com negócios desta vida, pois seu objetivo é agradar àquele que o alistou para a guerra.  (2Timóteo 2:4).

Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hebreus 11:26).

Sabemos que o Egito hoje representa o mundo com seus prazeres e riquezas. A cobiça por posição, fama e principalmente por dinheiro têm se constituído em um grande embaraço na vida de muitos ministros na atualidade (1Timóteo 6:10). Não foi assim com Moisés, pois ele pode enxergar além do que os olhos podiam ver e alicerçou sua esperança na recompensa divina que não está fundamentada em bens materiais, mas em algo muito melhor e superior, sabendo que as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.  (1Coríntios 2:9). A recusa de Moisés em ser chamado filho da filha de Faraó, para sofrer como servo de Deus e com os seus, evidencia a fé em um Deus que prometeu cuidar de todo aquele que é chamado a servi-lo pela fé, pois o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.  (Hebreus 10:38).

MANSIDÃO

“E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Números 12:3).

Definição de Mansidão: Estado de espírito de alguém que tem controle e domínio sobre seu temperamento e atitudes; calma, paciência; controle da situação; domínio próprio.

Pode se dizer que Moisés cultivava em sua vida o fruto do Espírito. Moisés aprendera a lidar com diversas situações sem perder o controle de suas emoções. Quando confrontado pelo povo, não revidava mas buscava o Senhor em oração e obtinha dele a resposta. Mansidão é uma virtude necessária a vida do ministro do evangelho, pois ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor  (2Timóteo 2:24). Jesus nos conclama a imitá-lo dizendo: aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. (Mateus 11:29), pois somente os mansos herdarão a terra (Mateus 5:5).

MOISÉS SEPARA SEU SUCESSOR
“E chamou Moisés a Josué, e lhe disse aos olhos de todo o Israel: Esforça-te e anima-te; porque com este povo entrarás na terra que o SENHOR jurou a teus pais lhes dar; e tu os farás herdá-la” (Deuteronômio 31:7).

Ninguém é insubstituível. Moisés também não era. Com 120 anos de idade, Moisés reconhece que devido sua avançada idade já não poderia continuar liderando o rebanho de Deus e que também, devido sua desobediência Deus não o permitiria entrar na terra prometida. Ele próprio testemunhou isso, dizendo: Da idade de cento e vinte anos sou eu hoje; já não poderei mais sair e entrar; além disto o SENHOR me disse: Não passarás o Jordão (Deuteronômio 31:2). Por isso, antes de morrer ele reúne o povo e o anima a tomar posse da terra que lhes foi prometida. Chama a Josué e o nomeia como seu sucessor, dando-lhe palavras de coragem e ânimo. Em seguida chama os sacerdotes e lhes entrega o livro da lei, tendo o cuidado de orientá-los a obedecerem a mesma quando tomassem posse da terra. Josué é escolhido, não por que ele bajulava Moisés, mas pelo zelo que tinha pela obra.

Que maravilhoso exemplo a ser seguido. Hoje, quando alguns obreiros são trocados e enviados a outros campos, sequer tem a consideração de passar o cajado a quem o vai suceder e muito menos a animar a igreja a permanecer na fé, como Moisés fez com Josué e o povo de Israel.

MOISÉS VÊ A TERRA PROMETIDA E MORRE

“Então subiu Moisés das campinas de Moabe ao monte Nebo, ao cume de Pisga, que está em frente a Jericó e o SENHOR mostrou-lhe toda a terra desde Gileade até Dã... E disse-lhe o SENHOR: Esta é a terra que jurei a Abraão, Isaque, e Jacó, dizendo: À tua descendência a darei; eu te faço vê-la com os teus olhos, porém lá não passarás” (Deuteronômio 34:1;4).

Moisés conversava com Deus face a face e realizava muitos milagres mas mesmo assim ele foi proibido por Deus de entrar na terra prometida. Qual o motivo de Deus privá-lo dessa tão grande bênção? Moisés como homem falhou em não atentar para a ordenança divina. Quando mais uma vez o povo murmurou, ele clamou e o Senhor lhe respondeu dizendo: “Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água; assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais” (Números 20:8). Mas num descuido por causa da murmuração do povo, Moisés fere duas vezes a rocha em vez de falar a ela. Não foi somente o ato de desobediência que o fez ficar de fora da terra prometida, mas principalmente o fato de que aquela rocha representava a Cristo (1Corintios 10:4). Isso nos leva a refletir sobre o cuidado em se obedecer a Palavra de Deus na forma como Ele ordenou, não aumentado e nem diminuindo (Deuteronômio 12:32).

Que além disso, tomemos também o exemplo que Cristo continua sendo a rocha (Atos 4:11). E Cristo hoje é representado pela Sua igreja a qual Ele mesmo constituiu e deu seu Espírito Santo para guiá-la até que Ele volte para buscá-la. Ele mesmo constitui líderes para pastoreá-las, mas a nenhum deles deu poder para dominar sobre esta e muito menos maltratá-la. A semelhança de Moisés eles foram escolhidos para cuidar do rebanho do Senhor, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Efésios 4:11; 1Pedro 5:1-4).

“Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis” (Lucas 12:45,46).

Em Cristo,
Reginaldo Barbosa
Sta. Bárbara do Pará