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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Liberdade de Expressão não é Rebelião!




De 1964 a 1985 o Brasil viveu um difícil período, onde se implantou uma ditadura Militar que se caracterizou pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra esse regime.

A ditadura se define como: forma de governo, poder, uso da força para governar, falta de democracia

Para se evitar oposição as ditaduras costumavam proibir ou controlar os partidos políticos. Outras táticas ditatoriais envolviam a prisão de opositores políticos, censura aos meios de comunicação, controle dos sindicatos, proibição de manifestações públicas de oposição e supressão dos direitos civis.  Muitos inconformados com esse sistema de governo acabaram sendo assassinados, torturados, presos, seqüestrados, exilados ou cassados direta ou indiretamente.

Tomei o triste exemplo ocorrido no Brasil, para trazer a luz que algo semelhante ocorre atualmente no sistema religioso, onde os escândalos e aberrações estão explícitos, sendo veiculados pelos meios de comunicação e muitos que deveriam protestar contra tal, fazem “vista grossa” como se isso fosse algo normal. Diariamente vemos notícias relacionadas a escândalos que estão ocorrendo no meio eclesiástico evangélico no Brasil e no mundo. Como exemplo, uma igreja evangélica aqui no Brasil passará a ter um administrador judicial com plenos poderes administrativos e financeiros, porque seus líderes desviaram recursos financeiros para usos escusos. No início deste ano de 2013, outra grande igreja já teve de devolver a ex-fiéis - por decisão judicial sem direito a apelação - tudo aquilo que eles doaram e com juros. O motivo foi que os ex-fiéis foram induzidos a doar todos os seus bens para a organização, em troca de bênçãos que nunca alcançaram (charlatanismo). É um mal que toma conta de grandes e pequenas igrejas, onde uma grande parcela de fiéis tem ciência dos abusos que se cometem em nome da fé, não concorda com algumas decisões que são tomadas, mas também preferem o silêncio. Alguns até ficam inertes por falta de informação, uns poucos por medo de represálias das lideranças e outros para não perderem as posições que ocupam no episcopado (João 12:42).

Em 1Timóteo 3:15 diz que a Igreja é a coluna e apoio da verdade, contudo, diante dessas situações, atualmente ela não tem usado sua voz para protestar ou influenciar em algumas decisões que ela, como detentora deste título outorgada pelo Espírito Santo, deveria fazer. Apenas uma minoria que está vendo as coisas caminharem como não deveriam, têm levantado suas vozes como um clamor, não para se oporem às lideranças em sí, mas para protestarem com a forma de governo eclesial, procurando assim o bem de um todo (líderes e membros), visto que determinadas atitudes tem contribuído para o esvaziamento dos templos e, principalmente para a evasão de fiéis para outros segmentos religiosos

Assim como: João Wycliff (1325-1384); João Hus (1372-1415) e Martinho Lutero (1483-1546), que foram os protagonistas da Reforma Protestante e que de certa forma foram classificados de rebeldes, anarquistas e até hereges, por não se conformarem com o rumo que a igreja romana tomou; assim também, aqueles que hoje ousam contestar aquilo que está errado em suas igrejas, não são bem vistos pelas lideranças e alguns membros. Por assim  agirem, estes tais são classificados de promoverem divisões, rebeliões e anarquia, entre outros. É importante salientar que João Wycliff e João Hus pagaram com as vidas por essa ousadia. Ambos foram queimados vivos como hereges em praça pública e só não aconteceu o mesmo com Lutero, por que Deus não o permitiu. Algo precisava ser feito em relação ao rumo que a igreja cristã tomou e cremos ter sido Lutero o instrumento que Deus usou para abrir os olhos do povo em relação aos abusos que eram praticados em nome da fé.

Pela Constituição Divina (a Bíblia), o fiel tem o amparo legal de expor e manifestar sua opinião, uma vez que ele observe que as coisas não estão caminhando da maneira como Deus estabeleceu, sem que com isso ele deva ser acusado de estar se levantando contra Deus ou às autoridades por Ele constituídas (Atos 5:29).

A constituição Brasileira de 1988, artigo 1º e parágrafos IV, VIII e IX dizem:
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 reza o seguinte: “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

No âmbito religioso, a idéia que se deixa transparecer em algumas administrações eclesiais é que algumas decisões que são tomadas pela diretoria, não devam ser questionadas e muito menos repudiadas pelos demais membros. E assim, como uma maneira de querer frear e calar os descontentes com o sistema, muitos até se utilizam de textos da Bíblia fora de seu contexto, com o intuito de transmitir aos demais a idéia de que os que se opõem à forma de administração da igreja são: rebeldes, feiticeiros, idólatras, etc. como diz o texto de 1Samuel 15:23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei”.

Quando analisamos o texto, vemos se tratar de uma reprimenda dirigida a uma autoridade e não a quem não concordasse com este, no caso o rei Saul. No verso anterior (22), vemos a dimensão desta sentença que foi dirigida a maior autoridade daquela época:

Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.

 Saul era ungido, mas isso não era garantia de que tudo o que ele fazia estava de acordo com a vontade de Deus. Samuel precisou mostrar-lhe o seu erro, sem que com isso fosse tido como rebelde aos olhos de Saul, do povo e de Deus. A rebelião (feitiçaria), no caso se tratava de uma desobediência aberta à vontade de Deus por parte do rei Saul. Ele era o líder que estava no comando da batalha e Deus determinou que por ele fosse destruído o inimigo e tudo o que lhe pertencia, o que Saul achou por bem não levar em conta tal ordem divina. Vencendo a batalha, Saul trouxe como prêmio de guerra a Agague, rei dos amalequitas e tomou o melhor dos despojos para si, alegando que seriam para sacrifícios ao Senhor. Com essa atitude ele quis porfiar com Deus, achando que sua infeliz decisão ficaria por isso mesmo. Mas de Deus não se zomba (Gálatas 6:7).

No Novo Testamento vemos Paulo repreender a Pedro na presença de todos os presentes, por este estar se comportando de forma inadequada em relação a verdade do Evangelho e, que, se algo não fosse feito urgentemente, tal comportamento traria sérias conseqüências para a igreja gentia que estava no seu início de fé. Até mesmo Barnabé já se tinha influenciado por isso. (Gálatas 2:11,14).  E olha que Pedro recebeu do próprio Cristo a responsabilidade de cuidar de seu rebanho (João 21:15-17). Mas nem por isso Paulo foi tido por rebelde e as coisas continuaram a andar conforme Deus queria.

Tenho vos dito estas coisas para que vos não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim(João 16:1-3).

Liberdade de expressão não é rebelião!

"Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?"                    (Gálatas 4:16)


Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

Um comentário:

  1. Amado irmão Reginaldo,

    O que diz a verdade manifesta a justiça, o amor e a misericórdia.
    Sabemos que na atual conjuntura falar a verdade é na maioria das vezes colecionar "inimigos", mas o que é isso, diante do poder e da autoridade que repousa sobre nós.

    O Senhor Jesus disse:
    Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
    Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
    Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
    Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.
    João 17. 14 à 17

    Continue salgando, porque esse é o nosso verdadeiro ministério!

    Em Cristo,
    ***Lucy***

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