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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Episcopado, Vocação ou Profissão?





“MEUS irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tg 3:1).


Julguei por necessário escrever este artigo por algo que lí há poucos dias e que me chamou a atenção, publicado na revista Norte Americana Forbes (link abaixo), onde ela apresentou uma pesquisa que foi realizada pela Universidade de Chicago, sobre os DEZ profissionais mais felizes do mundo, em comparação com as dez carreiras mais infelizes. Um dos pontos interessantes da pesquisa é justamente o número 1 do ranking das profissões mais felizes, quais são membros do Clero, como: padres, bispos, pastores e diáconos! 

Achei um tanto exagerado tal conotação, pois o Episcopado não é e nunca será profissão, contudo, na época atual, muitos clérigos tem profissionalizado a vocação. E, em face dessa realidade o Episcopado é hoje um dos ofícios mais concorridos e disputados e muitos não consideram que esta responsabilidade será um dia requerida pelo Senhor da seara. Paulo, o apóstolo dos gentios declarou que aquele que almeja o episcopado, excelente obra deseja (1Tm 3:1). Sim, é da vontade de Deus que haja na sua Igreja, homens com capacidade de liderança; que sejam íntegros, idôneos e principalmente, com chamada Divina para assumirem importante e nobre tarefa, qual é cuidar e zelar por algo que é de propriedade exclusiva dEle – A IGREJA - o povo que Jesus comprou com seu próprio sangue (1Pe 5:2).


É importante que o bispo, presbítero, pastor ou qualquer um que deseje assumir o ofício episcopal tenha em mente que além de suas próprias vidas, estes prestarão contas do rebanho que lhes foi confiado (Hb 13:17). Esse trabalho não deve ser tido como um fardo, pois é um privilégio cuidar daquilo que é do Senhor, contudo, tal deva ser feita acima de tudo por voluntariedade, o que descaracteriza essa chamada como uma profissão. 

(1Pe 5:2) "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;" 


Por essa razão que Tiago, o irmão do Mestre amado orienta os que postulam tais cargos, alertando que para estes o juízo será mais severo (Tg 3:1).  Apesar das advertências sobre o iminente juízo que virá para aqueles que forem relaxados, parece que poucos se dão conta que isso acontecerá de fato e, a cada novo dia, surgem novos proponentes a estes ofícios e outros ainda se auto-intitulando bispos, apóstolos, profetas, pastores sem possuírem os requisitos necessários que a Palavra exige. Ao que tudo indica, hoje, o título de obreiro parece exercer um poder mágico de sedução, onde há alguns que vivem até a mudar de denominação em busca de reconhecimento eclesiástico, não se conformando em serem apenas servos, não se dando conta que o obreiro é um servo com dupla  responsabilidade (1Tm 4:6).


Ao obreiro cabe entender que não é o homem que o separa para a obra, mas esta é uma escolha do Espírito Santo. E, esta escolha ou separação não mais é como acontecia na antiga aliança, onde os mesmos eram ungidos com azeite pelos homens. Não vemos Jesus fazendo esse ritual com aqueles que Ele separou e nem seus apóstolos. Vemo-los sim, orando, pedindo direção ao Espírito Santo, pois essa chamada é antes de tudo um dom de Deus. (Ef 4:11). Dom é dádiva, presente, ou seja: bons obreiros são presentes de Deus para a Sua igreja que quer o aperfeiçoamento dos santos. E é a igreja, como coluna e apoio da verdade que reconhece esse chamado (At 13:2,3). Também é preciso salientar que aquele que é separado para a obra não tem uma unção especial que o diferencie dos demais assim como acontecia no antigo concerto. “Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.  E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt 23:10-12).


Infelizmente, não são poucos, que tomando exemplos de pessoas ungidas no antigo concerto, acreditam serem mais especiais que os demais em virtude da posição que ocupam e assim querem de alguma forma se "blindar" contra opiniões contrárias as suas e estar acima dos demais por erroneamente se julgarem “ungidos do Senhor”, quando na verdade esta unção é de todos os que pela fé recebem ao Senhor Jesus (1João 2:20;27). O próprio Cristo alerta seus discípulos a não desejarem isso, dando Ele próprio o exemplo: “Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:25-28)

Nas cartas que Ele enviou às igrejas de Éfeso e Pérgamo na Ásia, ele manifesta seu descontamento, por essa situação estar ocorrendo lá. Jesus chega a dizer que odeia os nicolaítas (Apocalipse 2:6;15). Os nicolaítas não eram uma seita, mas uma qualidade de pessoas que queriam se sobrepujar sobre as demais pela autoridade eclesiástica que julgavam possuir. Diótrefes é um perfeito exemplo de nicolaíta (3João 1:9). (Nikolaitwn (nicolaítas) composto destas duas palavras tem o sentido de "vitória sobre o povo" ou "os que dominam o povo).

Também não é um diploma ou conhecimento teológico que fará um bom obreiro, mas os frutos que necessariamente ele precisa ter (Gl 5:22), obedecendo aos critérios que a Bíblia, como Palavra de Deus exige para o exercício do cargo. No terceiro capítulo da primeira carta de Paulo a Timóteo vemos as diretrizes impostas pelo Espírito Santo a quem deseja o cargo:


 “ESTA é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja (1Tm 3:1).


Faz-se necessário esclarecer que No Novo Testamento, as palavras pastor, bispo e presbítero não é uma hierarquia de posições na igreja como se acredita, mas estes são os mesmos homens (Atos 20:17,28; 1Pedro 5:1-3; Tito 1:5-7). Eles devem servir em congregações locais, cuidando do rebanho de Deus, conforme o Senhor da Seara pede.


Convém, pois, que o bispo seja:


1) Irrepreensível: Que não merece censura; em que não há nada a repreender; homem de conduta irrepreensível.


2)  Marido de uma mulher: Parece inviável que na Nova Aliança possa acontecer de um obreiro ser casado com mais de uma mulher, visto sabermos que essa prática é condenável nas Escrituras. Contudo, infelizmente há sim casos e não são fatos isolados, pois sabemos que há igrejas evangélicas que não somente apoiam o divórcio, como permitem que o divorciado contraia segundas núpcias e isso até mesmo entre obreiros para que o tal permaneça exercendo seu ofício. Nesse caso, tal obreiro descumpre o mandamento do Senhor, pois, ainda que divorciado pelas leis dos homens, o mesmo está perante Deus casado com sua primeira mulher, e, casando uma segunda vez, estando a primeira viva, este obreiro passa a ter duas mulheres, visto que a Bíblia ensina que só a morte pode dissolver o matrimonio (Rm 7:2,3).


3) Vigilante: Alguém que é cuidadoso, atento, zeloso.,


5) Sóbrio: Discreto, moderado, parcimonioso,


6) Honesto: De uma probidade irrepreensível: um homem honesto, casto, pudico, virtuoso, probo, honrado.


7) Hospitaleiro: Que hospeda por bondade ou caridade. Que acolhe (visitas, hóspedes) com satisfação (Hb 13:2).


8) Apto para ensinar: É uma obrigação inegociável do obreiro conhecer consideravelmente a Palavra e que seja capaz de manejá-la bem para o ensino e correção da igreja. A igreja é governada por Jesus Cristo mediante a Sua Palavra. Se os líderes não sabem manejá-la bem, não serão capazes de dirigir o povo de Deus.


9)  Não dado ao vinho: O Obreiro precisa ser o exemplo dos fiéis em tudo (1Tm 4:12).


10) Não espancador: O obreiro precisa entender que ele é um mordomo de Deus, responsável por aquilo que é mais precioso para Ele do que o ouro ou a prata, que são as vidas que Ele resgatou com seu próprio sangue. E, como tal, é dever do obreiro exercer essa mordomia com fidelidade e prudência. “Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis” (Lc 12:45,46).


11) Não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado: Bispos, pastores, presbíteros precisam conduzir o rebanho de Deus, motivados pelo amor a Ele e ao Seu povo, não pelo dinheiro (1Pe 5:2). Um líder que está no ministério por dinheiro revela um coração posto no mundo, não nas coisas de Deus (Mt 6:24; 1Jo 2:15). A avareza e a cobiça são as a principais características dos falsos mestres (Tt 1:11; 2Pe 2:1-3, 14; Jd 11). O ministério de Paulo não foi assim (At 20:33; 1Co 9:1-16; 2Co 11:9; 1Ts 2:5).


13) Não contencioso: E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; (2Tm 2:24).


14) Não avarento: Não amante do dinheiro, não avarento ou cobiçoso de lucro vergonhoso; isto é, alguém que queira lucrar desonestamente, adaptando o ensinamento aos ouvintes a fim de ganhar dinheiro deles (1Tm 6:5).


15)  Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia: Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?): Decerto que não haveriam muitos problemas na igreja se esta orientação fosse levada a sério. O reformador Calvino enfatiza o quanto é interessante que o homem seja casado e tenha filhos para criar para que possa aprender a lidar com seres humanos. Se ele o faz bem na família, tem grande chance de fazê-lo na igreja. Paulo ainda ensina que, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel (1Tm 5:8).


16 Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Muitos ministérios cristãos sofrem por não terem atentado para essa admoestação genuinamente bíblica. Infelizmente, basta alguém falar em línguas estranhas para ser separado para uma obra sem ao menos ter experiência e muito menos conhecimento de Bíblia e/ou hermenêutica. O escritor cristão Matthew Henry enfatiza que é um verdadeiro perigo colocar homens que são novos na fé ou que,  mesmo com muito tempo de igreja nunca deixaram de ter um entendimento superficial da fé. Todo líder corre o risco de cair na armadilha do orgulho, mas com neófitos isso é praticamente certo que acontecerá.


17) Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. O obreiro deve ter boa reputação entre os seus vizinhos, e não estar sob nenhuma reprovação por comportamentos anteriores; porque o diabo fará uso disso para enlaçar outros e operar neles uma aversão pela doutrina de Cristo pregada por aqueles que não tiverem um bom registro de vida (Matthew Henry). “PORTANTO nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta” (Hb 12:1).


Na parábola dos talentos (Mt 25:14-30), Jesus ensina como será o julgamento daquele que for fiel ou infiel em cuidar daquilo que é do Seu Senhor. Muitos levam este ensino para o lado das finanças sem levar em conta que Deus já é o dono do ouro e da prata (Ag 2:8) e não será por isto que julgará seus mordomos, mas sim pelo que estes fizeram ou deixaram de fazer, ou mesmo  na maneira como trataram e tratam o Seu rebanho que é a Sua Igreja. Como aquele que recebeu cinco e o outro que recebeu dois e multiplicaram, assim é dever do obreiro que é chamado por Deus fazer que é multiplicar o rebanho e assim entregá-lo ao seu Senhor e não fazer como terceiro que enterrou seu talento e não apresentou nenhum resultado, o qual causou a ira do Senhor.

A semelhança de Paulo que foi um grande imitador de Cristo (1Cor 11:1), o obreiro de igual modo precisa sê-lo, uma vez que Cristo em tudo foi o exemplo, inclusive de bom pastor que deu Sua vida pelas ovelhas (João 10:1-18).

"Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: SENHOR, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas."
  (João 21:17).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

2 comentários:

  1. Muito edificante este estudo, fui muito abençoado, e que Deus te use mais vezes Reginaldo barbosa, toda honra e toda glória ao nosso Deus!

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  2. É muito bom nos depararmos com artigos como este. Enriquecedor. Edificante. Inspirado nas escrituras. Que Deus continue te usando, Reginaldo!

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