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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A mordomia cristã segundo a Bíblia

 

“E disse o SENHOR: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?" (Lucas 12:42).

Geralmente quando se fala em mordomia cristã, sabemos ser esta uma responsabilidade em cuidar de tudo aquilo que pertence ao SENHOR. O dicionário Aurélio define o mordomo: Chefe dos criados de uma grande casa. / Administrador dos bens de um estabelecimento. / Aquele que trata dos negócios de uma irmandade ou confraria e administra seus bens. / Administrador dos interesses internos de um palácio.

De fato, é isso mesmo, pois o papel do mordomo na antiguidade e no seio das famílias abastadas, consistia nisso, pois a este era confiada a administração de todos os bens de seu senhor. O primeiro exemplo de mordomo na Bíblia encontramos na pessoa de Adão, o primeiro homem criado. A este o SENHOR confiou-lhe, não apenas o cuidado do jardim, mas de tudo aquilo que Ele criou (Gn 2:15-20). Outro exemplo disso vemos na família do patriarca Abraão, onde os cuidados de sua casa estava sob a responsabilidade de um homem de Damasco, chamado Eliezer (Gn 15:2). José também, pela sua honestidade e temor a Deus alcançou essa posição quando foi adquirido pelo oficial de Faraó, chamado Potifar, o qual lhe confiou a administração de sua casa e todos os seus bens (Ex 39:3-6).

Analisando vários estudos de outros autores sobre o tema, observei que, quase por unanimidade, quando se fala em mordomia cristã a ênfase que se dá sobre o assunto sempre é (com raras exceções) em relação aos bens materiais e em especial ao dinheiro, o qual, o mordomo deve administrá-lo de forma que este, primeiramente tem a obrigação de separar a parte que pertence a Deus. E, geralmente, esse ensino tem como base os textos que falam sobre o dízimo, qual foi um mandamento para o judeu no antigo concerto.

Não quero polemizar e nem estar acima da verdade, contudo, ao estudarmos sobre o assunto na Bíblia e, em especial no Novo Testamento, vamos encontrar um conceito de mordomia totalmente diferente daqueles que se ensinam hoje em dia.

É bem verdade que do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam (Sl 24:1), bem como a Ele pertence o ouro e a prata (Ag 2:8).

A Palavra de Deus no Novo Testamento nos mostra que hoje, nós, os que pela fé cremos em Jesus, somos mordomos, chamados de despenseiros e, como tais, Deus requer de nós fidelidade com o trato com aquilo que lhe pertence (1Cor 4:2). Mas, o que na verdade Deus está requerendo de nós, como mordomos? Seria apenas uma pequena parte daquilo que Ele nos dá? Não! Ele requer tudo e com juros daquilo que confiou em nossas mãos para cuidarmos.

Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens (Mt 25:14). E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha” (Lc 19:13).

É bem verdade que mina aqui é dinheiro, assim como o talento, conforme a parábola que Jesus ensinou registrada em Mateus 25:15-28. Porém, no contexto de ambas as passagens, Jesus está se referindo a prestação de contas que haverá quando Ele vier instaurar seu Reino (Mt 25:13: Lc 19:11). Jesus sempre ilustrou o reino dos céus, por meio de parábolas que são comparações de fatos fictícios com reais. Se ignorarmos a hermenêutica, vamos admitir que de fato Jesus está aludindo que quando Ele instaurar seu Reino vai requerer de nós dinheiro para a manutenção deste. Ou, por outro lado, Jesus estaria dizendo que as igrejas que hoje falam no Nome dEle, precisam deste para fazerem a obra missionária. Digo isto pois, por inúmeras vezes ouvi pregações dessa natureza, mas Jesus ensinou o contrário. Ao enviar seus apóstolos para levar a mensagem do Reino dos céus, aconselhou o seguinte: Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento” (Mt 10: 9,10). Apesar de o dinheiro ser importante nas áreas da vida, Jesus não o pôs como coisa essencial à propagação de Seu Reino e sim a obediência (Mc 16:15).

Logo, no que consiste esta prestação de contas e o que ela se refere? Está escrito que Deus nos abençoou com toda a sorte de bênçãos nos lugares celestiais (Ef 1:3). E, estas benções, Deus espera que a administremos em Seu Reino aplicando-as a Sua obra. Ressalto que a obra de Deus não é aquilo que se defende atualmente, pois vemos uma inversão de valores neste particular, onde a verdadeira obra de Deus é ignorada e, de certa forma, esta ainda é coagida a investir nas obras dos homens, que são as construções intermináveis de templos, chamados de casas de orações e/ou tabernáculos, uma vez que Deus não habita em templos feitos pelas mãos humanas (At 7:48; 17:24). Não sou contra um lugar onde a igreja se congregue e pratique a comunhão, contudo, é notório que nestes, são gastos imensas fortunas com a justificativa que tais empreendimentos são obras de Deus e, depois de concluídos, passam a maior parte do tempo fechados e vazios. A verdadeira obra de Deus são as vidas pelas quais, Deus enviou Seu Filho amado para pagar com seu sangue o preço do resgate de cada uma delas (Rm 14:20; 1Pe 1:18). Sim, é nesta obra que Deus espera nosso investimento, assim como a igreja primitiva fazia. No Novo Testamento vemos os primeiros cristãos contribuindo com alegria, pois essa contribuição não visava outra coisa, senão o cuidado pelos irmãos menos favorecidos, pois nisto consiste o maior mandamento que é o amor de Deus (At 4: 32-37; 1Jo 3:17).

“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém” (1Pe 10,11).

As minas e os talentos das parábolas, sem dúvidas, fazem alusão aos dons que Deus nos repartiu pelo Seu Espírito, para que estes sejam usados na edificação de Seu Reino e Sua Igreja (Ef 4:11). Como mordomos, precisamos administrá-los segundo o poder que Deus nos dá, visando sempre a glória do Nome do SENHOR e não os nossos próprios interesses. Cuidar da obra do SENHOR é manifestar amor pelas almas, sentindo delas compaixão, seguindo o exemplo de nosso Mestre (Mt 9:36; 14:14; 15:32).
Precisamos nos conscientizar que o conceito de mordomia dentro do cristianismo é diferente do que acontece fora dele. O mordomo-mor de Candace, rainha da Etiópia administrava o tesouro particular desta (At 8:27). Porém, o tesouro de Deus não consiste em ouro ou prata, mas em algo que lhe é mais precioso, que são as vidas que Ele mesmo criou. “E eles serão meus, diz o SENHOR dos Exércitos; naquele dia que farei, serão para mim particular tesouro; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve” (Ml 3:17). A profecia de Malaquias apontava para o resultado do penoso fruto do trabalho do SENHOR, qual se doou a sí mesmo e, pelo seu sacrifício, conquistou milhões de almas para Seu Reino (Is 53:11). Sim, este é o tesouro do SENHOR, pelo qual chamará os seus mordomos a prestarem contas, em especial àqueles que exclusivamente foram chamados para esse fim (1Pe 5:2-4). Nas coisas do SENHOR, todos somos mordomos, mais neste particular, existem aqueles quais foram separados para, na ausência do SENHOR, cuidar de forma especial com aquilo que é mais precioso para Ele – Sua Igreja. Ao mordomo que recebeu e negociou multiplicando aquilo que é de seu senhor, será recompensado e entrará no gozo deste (Mt 25:21;23). Essa multiplicação acontece quando ele cuida, zela, alimenta, dando a ração (Ensino da Palavra) a seu tempo. Mas aquele que enterrou e espancou, julgando que o SENHOR ainda tardaria voltar, terá sua recompensa com os infiéis (Lc 12:46), pois aquele que muito for dado, mais lhe será cobrado e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá (Lc 12:48).
Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim (Lc 12:43).

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará

8 comentários:

  1. Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles. Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. (Mt25:14-30) O REINO DE DEUS NÃO PRECISA DE PESSOAS INÚTEIS QUE DIFAMAM PASTORES , CALUNIAM E CAUSAM DIVISÕES NAS IGREJAS (1Cor1:10) (Rm16:17-19)

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    1. Como expliquei, a parábola dos talentos se reportava ao que é mais importante para Deus do que o ouro e a prata. Pastores que servem do rebanho do Senhor para extorquir-lhes a lã e a gordura que se preparem para enfrentar o juízo que com certeza virá.

      2Pedro 2:1-3:

      1 E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
      2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.
      3 E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.

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    2. Se tem alguém lhe extorquindo ligue vá a polícia e faça a sua denúncia Tel.190 O REINO DE DEUS NÃO PRECISA DE PESSOAS INÚTEIS QUE DIFAMAM PASTORES , CALUNIAM E CAUSAM DIVISÕES NAS IGREJAS (1Cor1:10) (Rm16:17-19)

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    3. RESPOSTA PARA OS 100 IGREJA E 100 PASTOR https://www.youtube.com/watch?v=svTyDMMwpa8 https://www.youtube.com/watch?v=nWvdjjaM3ts

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  2. Muito boa sua explanação da Palavra, irmão Reginaldo! Com sua permissão, vou estuda-la e ministra-la onde congrego. Quanto ao mais, existem pessoas que se escandalizam quando se refere à dinheiro, porquê seus corações estão no tesouro errado! Deus o abençoe!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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