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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O arrebatamento da Igreja


INTRODUÇÃO

"E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." (João 14 : 3).

Cristo prometeu voltar outra vez. Pela bíblia, entendemos que a volta de Cristo apresenta duas finalidades que dar-se-á em dois eventos distintos. Em um dos eventos que envolvem sua volta, encontra-se a doutrina do arrebatamento da igreja que ao longo dos séculos foi a mola propulsora para que a mensagem da salvação, pelo Espírito Santo, rompesse os continentes e chegasse até aos confins da terra (Atos 1 : 8). Muito embora o novo testamento fale claramente sobre esse tão esperado momento, o arrebatamento da igreja não é uma doutrina unânime entre os que se dizem seguidores de Cristo. Há alguns que até no início creram, mas que pela aparente demora em Jesus voltar, perderam a fé e passaram a crer que isso não acontecerá. Esses tais ainda passaram a escarnecer desse ensino e até daqueles que acreditam na vinda do Senhor (2Pedro 3 : 3 , 4). Mas, entre aqueles que acreditam também há os que se divergem no tempo em que ocorrerá o arrebatamento. Neste comentário estarei abordando sobre isso.

I – TODOS OS SALVOS SERÃO ARREBATADOS.

1. A reunião dos salvos no encontro com Cristo. "Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1Tessalonicenses 4 : 17). O arrebatamento é uma doutrina genuinamente bíblica que ensina que os crentes vivos, por ocasião deste evento, subirão a encontrar o Senhor nos ares, para assim estarem para sempre com o Senhor, sem nunca mais se separarem. Infelizmente, há alguns crentes que discordam e há outros que acreditam que o arrebatamento se dará conforme a interpretação que tiveram das escrituras. Daí surgiu três doutrinas quanto ao arrebatamento da igreja que são: a) Arrebatamento pré-tribulacional; b) Arrebatamento meso-tribulacional ou midi-tribulacional e; c) Arrebatamento pós tribulacional.

a) Arrebatamento pré-tribulacional: É a doutrina que ensina que a igreja será arrebatada antes da grande tribulação. Este é o ensino defendido pela maioria dos cristãos, porque se harmoniza perfeitamente com as profecias escatológicas. Por ela, entendemos que a igreja do Senhor não passará pela grande tribulação pelos seguintes motivos:

1. A grande tribulação será o período mais negro da história humana, pois será o tempo onde Deus irá derramar a sua ira sobre aqueles que deliberadamente blasfemam contra Seu santo Nome e aceitam o plano de Satanás na pessoa do anticristo (Apocalipse 14 : 10). A igreja do Senhor é formada de judeus, mas na sua maioria de gentios que pela fé foram justificados no sangue de Jesus. Por esta fé a igreja será salva da ira (Romanos 5 : 1 - 9).

2. Como gentios, pela fé nos convertemos dos ídolos a Deus para servirmos o Deus vivo e verdadeiro. Assim, agora estamos esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura (1Tessalonicenses 1 : 10).

3. Temos a promessa do próprio Senhor de não sofrermos a grande tentação que virá sobre todos os que habitam na terra (Apocalipse 3 : 10).

4. O período da grande tribulação é um plano de Deus para com Israel exclusivamente, como profetizou Daniel: "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo." (Daniel 9 : 24). A igreja remida não faz parte desse plano que terá seu cumprimento na grande tribulação e que será consumado quando Jesus vier em glória visivelmente; momento em que Israel reconhecerá aquele a quem rejeitaram, matando-o numa cruz (Apocalipse 1 : 7).

5. A igreja, pelo arrebatamento antes da grande tribulação entrará na glória primeiro que Israel, por ela haver aceitado o plano da salvação que por eles foi rejeitado. “E virão do oriente, e do ocidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-ão à mesa no reino de Deus. E eis que derradeiros há que serão os primeiros; e primeiros há que serão os derradeiros” (Lucas 13 : 29 – 30).

6. O arrebatamento pré-tribulacional é a prova do grande amor de Deus revelado ao mundo na pessoa de Seu filho Jesus (João 3 : 16).

7. Jesus mesmo ensina sobre esse evento, exortando a Sua igreja a vigilância e ao preparo quando diz: “Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor” (Mateus 24 : 40 – 42).

Esta é a doutrina na qual eu também acredito, na qual Jesus virá antes da grande tribulação para aqueles que o aguardam e amam a sua vinda. "E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda." (1João 2 : 28).

b) Arrebatamento meso-tribulacional: É a doutrina defendida por um grupo de cristãos em que o arrebatamento se dará em meio ao último período da grande tribulação, ou seja, no meio dos últimos três anos e meio. Segundo este ensino, a Igreja passaria pela ira e a perseguição do anticristo na primeira metade da Tribulação. A doutrina meso-Tribulacionista se embasa na profecia das duas testemunhas em Apocalipse 11 : 12 para apontar que o arrebatamento ocorreria no meio da Tribulação, como diz: “E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi para aqui. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram”. O termo "Subi para aqui" seria o momento do Arrebatamento da Igreja, mas nesse versículo fica claro que quem sobe são somente as duas testemunhas, e não a Igreja como um todo.

c) Arrebatamento pós-tribulacional. É a doutrina que ensina que a igreja só será arrebatada após a tribulação, quando Jesus vier em glória. Os defensores desta doutrina colocam a igreja e Israel no mesmo patamar e consideram os santos da grande tribulação como se fossem a igreja (Apocalipse 13 ; 7). Mas esses santos são aqueles que se converterão nesse período, pois o evangelho será pregado pelos 144.000 judeus e pelos anjos (Apocalipse 14 : 6 , 7). Essa tese ainda defende que a fé da igreja terá de ser provada pela grande provação sob o domínio do anticristo e que somente os que perseverarem até o fim é que serão salvos ou arrebatados. Tal ensino vai de encontro as profecias que mostram Jesus retornando em glória acompanhado dos santos que é a sua igreja. Judas cita que Enoque profetizou esse dia: "E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;" (Judas 1 : 14).

Os defensores das doutrinas meso e pós-tribulacionistas condenam a doutrina pré-tribulacionista alegando não haver base escrituristica para tal. Dizem que ela foi inventada em meados de 1800 por um inglês chamado John Nelson Darby e que se tornou febre entre os protestantes devido a comentários de rodapé da bíblia Scofield. Mas nossa fé não é baseada em comentários de rodapé de bíblias, mas na revelação divina das Escrituras. "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;" (2Timóteo 3 : 16).

2. Quem será arrebatado. Certamente que aqueles que acreditam e que purificam suas vidas, como dizem as Escrituras: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1João 3 : 2 , 3). O arrebatamento será a ocasião em que se verá a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não serve (Malaquias 3 : 18 ; Mateus 7 : 21 – 23). Atualmente o justo e o ímpio ocupam o mesmo espaço, assim como o joio está entremeado entre o trigo (Mateus 13 : 24 – 41). O ímpio não é o pecador alienado da comunhão e da presença de Deus como muitos pensam. Não, o ímpio, assim como o justo, professam servir a Deus. Muitos deles oram, profetizam, expulsam demônios, falam em línguas e até operam maravilhas em Nome de Jesus. Mas cometem injustiça contra o próximo que é a prática da iniquidade. A estes o Senhor dirá: "E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." (Mateus 7 : 23). Estes não serão arrebatados, mas somente aqueles que praticam a justiça e amam o seu próximo, pois o Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade (2Timóteo 2 : 19).

II – O ARREBATAMENTO E A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

1. A ignorância acerca dos mortos. "Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança." (1Tessalonicenses 4 : 13).

Paulo havia instruído as igrejas sobre a doutrina da ressurreição, pois, por onde passou, ele nunca deixou de ensinar todo o conselho de Deus (Atos 20 : 27). Mas na sua ausência os falsos cristos distorceram seus ensinos levando o povo a duvidar das promessas de Deus. Como exemplo temos Himeneu e Fileto que na igreja em Éfeso desviaram a fé de alguns, asseverando que a ressurreição já havia acontecido. “E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” (2Timóteo 2 : 17 , 18). Esses falsos ensinos se disseminaram pelas igrejas a ponto de levar Paulo novamente a exortá-las quanto a essa gloriosa promessa. Tal ensino permissivo chegou a igreja de Corinto, onde Paulo chama de bestas àqueles que espalharam heresias a respeito da ressurreição em Éfeso e em Corinto: Vejam o que Paulo diz: “Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos. Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa” (1Corintios 15 : 32 – 34).

Semelhantemente nos dias de hoje, há muita ignorância a respeito de vários assuntos pertinentes a nossa salvação, por culpa de ensinos distorcidos de falsos mestres agindo no seio da igreja.

2. A primeira e a segunda ressurreição. "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro." (1Tessalonicenses 4 : 16).

A bíblia nos fala de duas ressurreições; uma para os salvos e outra para os perdidos. Daniel profetizou: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." (Daniel 12 : 2). Muitos entendem que haverá apenas uma ressurreição simultânea de salvos e perdidos, assim como interpretam a segunda vinda de Cristo como sendo apenas uma. Isso porque interpretam erroneamente o que Jesus disse: “Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5 : 28 , 29). Mas a Paulo a quem o Senhor escolheu como apóstolo dos gentios, foi revelado àquilo que ficou oculto aos judeus. E é Paulo quem nos fornece detalhes sobre a doutrina da ressurreição, conforme a vemos no capítulo 15 de 1Corintios. No Apocalipse João alude a duas ressurreições (Apocalipse 20 : 5 , 6).

Porque a ressurreição? Ao entrar na eternidade, todos entrarão vivos; tanto na eternidade ao lado de Deus como longe dele. A entrada no reino dos céus se dará com pessoas vivas, assim como no juízo final todos deverão comparecer vivos na presença do juiz do trono branco (Apocalipse 20 : 13).

3. A transformação dos crentes que estiverem vivos quando Jesus voltar. "Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados;"  (1Coríntios 15 : 51).

A carne e o sangue não herdarão o reino de Deus. Por isso, por ocasião do arrebatamento, ante o toque da trombeta conclamando os salvos a se reunirem com o Senhor, os corpos dos crentes que estiverem vivos passarão por uma radical transformação. Aquilo que é mortal se tornará imortal, o que corruptível se tornará incorruptível. Nosso corpo se tornará glorioso semelhante ao do Senhor, pois assim como Ele é nós seremos (1João 3 : 2). Para entrar na cidade santa que está nos céus, nosso corpo deverá ser igual ao do Senhor e Ele mesmo será quem efetuará essa transformação. “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Filipenses 2 : 20 , 21).

III – ANTES DO ARREBATAMENTO E DEPOIS DELE

1. Antes, é preciso vigilância. Como foi bem enfatizado nos comentários das lições anteriores, enquanto Jesus não vem é preciso cuidado e muita vigilância. Lucas registrou as palavras do Senhor no seu evangelho que diz que esse dia virá como um laço sobre os que habitam na terra. Além de vigilância, o Senhor nos pede cautela em algumas áreas da vida.

“E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra.  Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem” (Lucas 21 : 34 – 36).

2. Depois viveremos felizes para sempre. Não é um conto de fadas, mas depois de vencido os embates da vida, enfim, estaremos para sempre com o Senhor. Como igreja, por amor de Jesus sofremos as mais diversas aflições. Por pregarmos Sua Palavra, muitas vezes somos incompreendidos. Por amor de seu nome amigos e até parentes se afastam e nos desprezam. Mas, enquanto esse dia não chega àquele que nos prometeu o reino dos céus nos conforta:Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5 : 10).

CONCLUSÃO

Jesus arrebatará a Sua igreja. Não uma igreja, mas a Sua igreja. Aquela que lhe foi fiel e suportou as adversidades e perseguições por causa de seu Nome. No arrebatamento estaremos com o Senhor e também com nossos entes queridos que ora domem no seio de Abraão. Quando a trombeta tocar o Senhor descerá dos céus. Trará consigo aqueles que nEle dormem e os ressuscitará. Simultaneamente nosso corpo será transformado e juntos subiremos a encontrar o Senhor nos ares. Essa é a nossa esperança.

Em Cristo,

Reginaldo Barbosa
Santa Bárbara do Pará.

5 comentários:

  1. Poxa mestre, tenho acompanhado os seus estudos que me são de grande valia, Deus o abençoe muitíssimo.

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    1. Obrigado Gabriel.

      Sinto-me feliz em saber que sou útil na obra do Mestre.

      Deus o abençoe.

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  2. Os fiéis estarão com ele ap12;5 , t1;2

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